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WWE Wrestlemania 32: Será mesmo a maior de sempre?

Gonçalo Caseiro · 6 min

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A Wrestlemania é um daqueles espetáculos absolutamente imperdíveis para quem é ou já foi fã de Wrestling, e a edição deste ano tem vindo a ser apresentada como a maior de sempre. No entanto, lesões, histórias algo desleixadas e a incapacidade de corresponder às expectativas dos fãs têm vindo a comprometer o “Granddaddy of ‘em All”. Apesar disso, a WWE conseguiu montar um cartaz com bastante talento jovem, que fará de tudo para deixar os fãs no AT&T Stadium e em casa satisfeitos.

O combate que tem causado mais intriga tem certamente sido o de Shane McMahon contra The Undertaker. É sabido que John Cena era o primeiro da fila para lutar contra o “Deadman” e dar-lhe um combate digno de reforma no Texas, seu estado natal. No entanto, a lesão de Cena fez com que a equipa criativa tivesse de sacar Shane da cartola.

Numa fase inicial, o embate pareceu arranjado aos três pontapés (talvez porque o tenha sido), mas a equipa criativa da WWE – que tanto tem sido criticada este ano – conseguiu dar bem a volta com as estipulações que adicionou ao combate. O controlo do Raw versus a carreira de Undertaker na Wrestlemania, tudo isto dentro de “Hell in a Cell”. Peguem no legado de ‘Taker em combates dentro da jaula e adicionem o estilo frenético e insano de Shane McMahon e terão um combate que, embora não vá ser o melhor da noite em termos técnicos e de Wrestling puro, será certamente de cortar a respiração e irá, com certeza, fechar a noite.

Shane McMahon promete dar tudo dentro do AT&T Stadium, no Texas Fonte: WWE
Shane McMahon promete dar tudo dentro do AT&T Stadium, no Texas
Fonte: WWE

A abrir a noite deverá estar ou o combate pelo título Intercontinental ou pelo título dos Estados Unidos. São, a meu ver, combates que, à partida, poderiam ter muito mais para dar mas que, graças à equipa criativa da WWE, vão ficar aquém. Comecemos pelo do título Intercontinental.

Se juntarmos Kevin Owens, Sami Zayn e escadotes, teremos uma verdadeira ode ao Wrestling. E é por isto que não se entende que a WWE tenha optado por adicionar ao combate Dolph Ziggler, Zack Ryder, Sin Cara, The Miz e Stardust. Owens e Zayn têm uma história com bons alicerces e já provaram que conseguem ter grandes combates, pelo que o adicionar destes “wrestlers” ao combate apenas vem complicar aquela que era uma fórmula simples de sucesso. Com isto não digo que não seja de esperar um grande combate, que com certeza vai ser. No entanto, quando cinco dos sete lutadores estão lá apenas porque sim, é difícil ter interesse em mais do que dois desses sete, o que apenas vai causar confusão.

O combate pelo título dos Estados Unidos era um que poderia facilmente receber este contingente de wrestlers sem rivalidade definida para a Wrestlemania. Kalisto e Ryback enfrentam-se num combate feito porque um é pequeno e o outro… grande. A história não vai muito para além disto, pelo que fica bastante explícito que a WWE está a tentar criar um Rey Mysterio versão dois, uma história de um pequeno desfavorecido num mundo de gente grande, o que acaba por ser, a meu ver, um desrespeito a Kalisto. O combate deverá ser bom e dinâmico, mas a história contada não será nada de transcendente.

A feud entre AJ Styles e Chris Jericho tem o seu final nesta Wrestlemania. É o quarto combate entre duas lendas do Wwrestling e a primeira Wrestlemania de Styles, pelo que podemos esperar uma grande exibição aliada a uma vitória da mais recente estrela da WWE. Apesar de a história até este quarto combate não ter sido a melhor, este valerá pela qualidade técnica de ambos os lutadores. Outro combate que não teve grande desenvolvimento mas que vale por quem nele participa é o dos The New Day contra a League of Nations. O trio de Kofi Kingston, Big E e Xavier Woods foi um dos destaques de 2015 e do começo de 2016, o que faz dos campeões de Tag Team da WWE algo a não perder, independentemente da situação. Será um combate que deve preparar algo maior para este trio, algo que acontecerá na edição do Raw depois da Wrestlemania.

Um combate que deverá estar entre os melhores da noite será o Triple Threat entre Charlotte, Sasha Banks e Becky Lynch, pelo “Divas Championship”. Com os rumores a circular de que o título será reformado e passará a ser, novamente, o mais digno “Women’s Championship”, este combate é cada vez mais a prova de que a WWE está a afastar-se da ideia de que o Wrestling feminino é tão atraente quanto as mulheres que estão dentro do ringue (ignoremos o combate do pre-show entre as “Total Divas” e as “B.A.D & Blonde”). Será, por isso, um combate que vai valer pela elevada qualidade técnica das wrestlers envolvidas e pela história que o antecedeu, pelo que pode mesmo vir a ser o boost de que a “Divas Revolution” precisa.

Outro ponto de destaque vai para a “Street Fight” entre Dean Ambrose e Brock Lesnar. Este e o combate entre Shane McMahon e The Undertaker são um indicador de que a WWE pode estar a considerar afastar-se um pouco da classificação PG, pelo menos nos Pay Per View. E, tendo em conta a história que antecede o combate, temos tudo para crer que a WWE não se vai acanhar no que toca ao uso de armas. Dean Ambrose, nos circuitos independentes, sempre teve uma veia “hardcore”, pelo que este combate lhe sairá de forma natural. Ao juntarmos a força bruta e capacidade atlética de Lesnar à mistura, temos um combate que será certamente um clássico instantâneo e poderá delinear a carreira de Ambrose na WWE daqui em diante.

Será que é desta que a WWE torna Roman Reigns heel? Fonte: WWE
Será que é desta que a WWE torna Roman Reigns heel?
Fonte: WWE

Para fechar, há que falar do combate entre Triple H e Roman Reigns e da jornada atribulada que o último teve até ao “Grandest Stage of ‘em All”. Triple H é o heel da história e é aplaudido, Reigns é o babyface e é vaiado. Por muito que a WWE tente, Reigns não consegue criar uma conexão com os fãs. O facto de ter sido escolhido a dedo para ser a cara da companhia sem estar completamente preparado para o ser não foi bem aceite pelos fãs, pelo que, por muito que Reigns faça um bom ou mau trabalho, o resultado acaba sempre por ser o mesmo: vaias.

Nas últimas semanas, Reigns tem mudado ligeiramente a sua postura, falando menos, agindo mais. Agora, já não entra na arena por entre a multidão, descendo a rampa como as restantes “superstars”. Podemos estar a assistir a uma viragem para heel, pelo que podemos esperar algum género de surpresa por parte da WWE para este combate. Afinal, como é que a WWE poderá salvar um combate que tem sido tudo menos bem recebido pelos fãs?

O combate, em princípio, será bastante bom. Reigns costuma ter boas performances, melhores ainda quando se fala de grandes palcos. De Triple H podemos também esperar o melhor. Depois de tantos clássicos, é difícil torcer o nariz a um combate em que “The Game” esteja inserido. Quanto a história e a surpresas… Talvez vejamos uma double-turn (isto é, quando um heel passa a babyface e um babyface passa a heel no mesmo momento) e o tão desejado Roman Reigns heel.

Ou não. Afinal, a WWE tantas vezes este ano gerou expectativas e antecipação para depois arruinar o clímax. Que esta Wrestlemania não seja outro destes casos, até porque a “Maior de Sempre” parece ter muito mais a perder do que aquilo que pode vir a ganhar. Resta, por isso, ver a Wrestlemania 32, à 01h00 da madrugada de Domingo para Segunda.

Foto de capa: WWE

Gonçalo Caseiro

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