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Por vários motivos, a década que agora finda foi histórica para a WWE: tomou um risco enorme ao lançar a WWE Network; assistiu ao crescimento improvável do seu território de desenvolvimento; teve, pela primeira vez no século, competição televisiva de relevo; realizou uma aposta séria no wrestling feminino; assinou um acordo (no mínimo) controverso com a Arábia Saudita; protagonizou momentos chocantes e inacreditáveis (estreias de AJ Styles e Ronda Rousey, regressos de Brock Lesnar, Shawn Michaels e muitos outros). Em suma, foi uma década repleta de acontecimentos.
Apesar das muitas críticas que se possam fazer à empresa, é inegável que esta ainda nos sabe oferecer combates de altíssima qualidade e que nos deixam boquiabertos.
Recordemos então os melhores combates da WWE na última década.
Foto De Capa: WWE
10.
Goldberg vs Brock Lesnar (Survivor Series 2016)- É estranho começar esta lista com um combate entre dois homens com mais de quarenta anos e, um deles, que não combatia há 12. Mas há uma razão para tal.
Quando Goldberg venceu Lesnar em menos de dois minutos, o choque provocado no mundo do wrestling foi, aparte do final da Wrestlemania streak de Undertaker, o maior da última década. Ninguém conseguia acreditar naquilo que tinha acabado de ver.
Claro que se trata de um combate practicamente sem técnica, nem manobras espectaculares (afinal de contas, só vemos dois golpes diferentes), mas quando o choque criado é desta magnitude, trata-se de um combate para recordar por muito tempo.
9.
Wyatt Family vs The Shield (Elimination Chamber 2014)- A expectativa para este combate era tanta que ainda antes do mesmo ter começado, o público já estava a cantar “this is awesome”. O que se assistiu de seguida foi o embate entre dois grupos no pico da sua popularidade e onde todos os lutadores pareceram legítimos campeões.
O combate foi um autêntico caos do início ao fim. Todos os lutadores demonstraram o seu valor, em particular os quatro futuros campeões da WWE -Wyatt, Rollins, Reigns e Ambrose.
Após Rollins sofrer um duplo chokeslam na mesa de comentadores e de Ambrose ter desaparecido no meio do público, a Wyatt Family pode-se focar em Roman Reigns.
Já aqui se percebia a preferência da WWE pelo lutador de origem samoana, uma vez que este quase derrotava Rowan, Harper e Wyatt sozinho. Mas após um Spear em Harper, Bray apanhou-o desprevenido e aplicou o Sister Abigail que terminou com este grande combate.
8.
Shinsuke Nakamura vs Sami Zayn (NXT TakeOver: Dallas)- Este combate foi uma verdadeira passagem de testemunho, já que foi o último de Sami Zayn no NXT e o primeiro de Nakamura na brand amarela.
A chegada do King of Strong Style à WWE era muito antecipada, já que a empresa nunca tivera uma verdadeira estrela japonesa na sua história, e assim nunca mostrara aos seus fãs os talentos incríveis provenientes da terra do Sol nascente. Aliás, foi este combate que me fez começar a assistir a New Japan Pro-Wrestling.
Para além do talento de Nakamura, outra coisa que esteve em evidência foi o seu carisma. Sendo que ele fala pouco inglês, as suas expressões faciais e maneirismos eram fenomenais e fez com que os fãs que nunca o tinham visto criassem laços de simpatia com ele.
De resto, o combate em si também foi muito bom (especialmente a troca de forearms a meio do mesmo) e assegurou a permanência da qualidade nos combates do NXT que assistimos até hoje.
7.
Team Cena vs Team Authority (Survivor Series 2014)- Voltemos a ano de 2014, quando WWE era controlada pela Authority, que tinha como líderes Triple H e Stephanie McMahon, e faziam parte dela membros como Kane e Seth Rollins. O Raw e o SmackDown eram controlados por este grupo, que tornava a vida num inferno a qualquer um que não concordasse com ele, o que levava o público ao desespero.
A certo ponto, John Cena ficou cansado da Authority e desafiou-a para um combate tradicional do Survivor Series, no qual, se a sua equipa vencesse, a Authority sairia do poder. Mas caso a sua equipa perdesse, todos os seus membros (exceptuando Cena) seriam despedidos.
Todo o combate foi muito bom e contou com momentos memoráveis, como a eliminação rapidíssima de Mark Henry, assim como a eliminação de Rusev (que, na altura, nunca tinha sido derrotado).
Após Big Show fazer mais uma heel-turn e atacar John Cena, a única esperança da sua equipa era Dolph Ziggler, mas este ainda teria de derrotar Luke Harper, Kane e Seth Rollins, e já nem se aguentava de pé.
Mas após um desempenho brilhante do “Show-Off”, Kane e Harper foram eliminados e Rollins quase seguiu o mesmo caminho, não fosse Triple H interferir ao atacar o árbitro.
Quando a Team Authority parecia ter o combate na mão, eis o momento pelo qual ninguém esperava: as luzes da arena apagaram-se, e após alguns segundos ouviram-se corvos e a cara de Sitng surgiu no ecrã gigante. De seguida, o público explodiu de alegria quando o “Icon” surgiu, pela primeira vez na sua carreira, numa arena da WWE.
Após confrontar Triple H, Sting atacou-o e ajudou Ziggler a eliminar Rollins. Quando o árbitro contou até três, o público enlouqueceu. Não só a Authority tinha sido despedida, como Sting tinha acabado de se estrear na WWE. E esse momento ficará por muito tempo nas memórias de muitos fãs.
6.
AJ Styles vs John Cena (Summerslam 2016)- A estreia de AJ Styles na WWE no Royal Rumble de 2016 foi um dos momentos mais chocantes da década e apesar de os fãs estarem contentes por vê-lo, havia uma certa preocupação em relação à forma como a WWE ir tratá-lo, tendo em conta o seu passado na TNA.
Por isso, quando o Phenomenal One decidiu enfrentar John Cena, essas preocupações aumentaram. Styles até venceu o primeiro embate entre os dois no Money in the Bank, mas fê-lo com a ajuda de Luke Gallows e Karl Anderson. Desse modo, o verdadeiro combate entre os dois ficou marcado para o Summerslam, e o resultado foi maravilhoso.
Styles mostrou tudo o que sabia; desde manobras aéreas a submissões e transições entre golpes, AJ demonstrava o porquê de ser um dos melhores do mundo. Mas não se deve negligenciar o trabalho de Cena, que fez tudo para que Styles se tornasse numa estrela e, também ele, provou ser um dos melhores de sempre.
Todo o combate é fantástico, desde o confronto inicial, à troca de manobras e à psicologia de ringue dos dois, que tentavam vencer utilizando jogos mentais.
Mas o final foi verdadeiramente especial: Styles conseguiu escapar do Avalanche-Attitude Adjustement, para depois aplicar o Styles Clash e o Phenomenal Forearm. Com esta vitória, Styles deu um passo decisivo rumo ao seu sucesso na empresa e à sua fama entre o público.
5.
Charlotte Flair vs Becky Lynch vs Sasha Banks (Wrestlemania 32)- Este combate definiu, na minha opinião, a evolução do wrestling feminino na WWE. Por muitos anos a WWE não dava importância às suas “divas”, mas muito devido ao grupo das “4 Hourse-Women”, a empresa mudou a sua perspectiva em relação às mulheres. E essa alteração foi tão significativa que o combate principal da última Wrestlemania foi um combate feminino.
Mas este, que teve lugar três anos antes, foi igualmente importante. Marcou o final Divas Championship (um dos piores títulos de sempre) e a estreia do Women’s Championship. Foi também a primeira vez, na Wrestlemania, que um combate feminino durou mais de 10 minutos (foram 16 no total) e, muito simplesmente, foi um combate fenomenal.
Desde as entradas das lutadoras, ao combate fantástico entre três lutadoras que já se conheciam muito bem, à coroação de Charlotte como a “Queen” da WWE, foi tudo memorável.
4.
Adam Cole vs Johnny Gargano (NXT TakeOver: New York)- Tratava-se de um combate “2-out-of-3-falls” pelo NXT Championship, que estava vago devido à lesão do campeão anterior, Tommaso Ciampa. Por isso, a expectativa era muita, não só devido à reconhecida qualidade dos lutadores em questão, mas também por ver qual dos dois seria o primeiro a conquistar o título.
O combate não demorou muito a estar empatado a uma fall para cada lutador e até aí já estava a ser muito bom, mas só começou a melhorar desde então.
Após uma troca furiosa de golpes, desde forearms, pontapés e lariots, um duplo superkick colocou os dois lutadores no chão e todo o público de pé. Este mal se sentaria até ao final do combate.
Todo o combate foi maravilhoso, até mesmo quando houve interferência exterior. Os Undisputed Era vieram ao ringue para ajudarem o seu líder a vencer o combate. Mas após aplicarem o High-Low em Gargano, este protagonizou um dos kick-outs mais chocantes dos últimos anos.
De seguida, após atacar os Undisputed Era, Gargano conseguiu aplicar o Gargano Escape e, finalmente, vencer o combate.
Foi uma história de underdog muito bem contada. A emoção do público era visível quando Gargano, o senhor NXT, chegou finalmente ao topo da marca amarela.
Este combate foi verdadeiramente memorável e, na minha opinião, o melhor da WWE em 2019.
3.
CM Punk vs John Cena (Money in the Bank 2011)- Há casos em que um público entusiasmado pode tornar um combate bom num grande combate. Neste caso, o público tornou um combate fantástico num memorável.
Pouco após a famosa pipebomb de CM Punk, onde este fez duras críticas à WWE (algumas delas até permanecem actuais) e após outra promo fantástica onde este discutiu o seu contrato com Mr. McMahon, ficou marcado o combate entre o campeão da WWE John Cena e CM Punk. Não só seria o último combate de Punk (este anunciara que não iria renovar o seu contrato), como o mesmo teria lugar na cidade natal de Punk, Chicago. E, caso Cena perdesse, este seria despedido.
Após um combate incrível, CM Punk derrotou Cena com o GTS no meio do ringue e depois saiu da arena com o WWE Championship.
O choque de ver Punk derrotar Cena, misturado com a autêntica explosão de alegria do público de Chicago, foi um momento incrível e nunca mais replicado num evento da WWE.
Além disso, este combate foi tão bom, que recebeu a classificação de 5 estrelas por parte de Dave Meltzer, apenas a sétima vez na história da WWE até essa altura.
2.
Johnny Gargano vs Tommaso Ciampa (NXT TakeOver: Chicago 2018)- Esta rivalidade foi uma das mais pessoais que assistimos na WWE nos últimos anos e este combate demonstrou isso mesmo.
Tratando-se de uma Chicago Street Fight, nenhum dos lutadores hesitou em fazer tudo o que estava ao seu alcance para castigar ao máximo o adversário. Mas, para mim, o melhor momento ocorreu perto do final.
Até aí o combate já estava a ser brutal, mas a certo ponto, Ciampa pegou na aliança de Gargano e atirou-a para o meio do público. No entanto, Gargano surpreendeu Ciampa e aplicou um white-noise do topo de uns caixotes para cima de duas mesas. E quando Gargano reparou que a sua aliança tinha desaparecido, enlouqueceu.
Ciampa até já estava a ser levado para uma ambulância, mas Gargano levou-o de volta para o ringue, prendeu-o com umas algemas e aplicou um número incalculável de super-kicks e o Gargano Escape. De seguida, vários “oficiais” do NXT tentaram impedir que Gargano continuasse o seu ataque, mas este atacou-os e voltou a entrar em ringue.
Mas quando o ia a fazer, Ciampa surpreendeu-o e, mesmo com as mãos algemadas, aplicou um DDT no ringue exposto e venceu o combate.
Este final foi chocante. Ninguém na arena queria acreditar, assim como todos a assistir em casa. Gargano ficara cego de raiva e cometeu um erro que lhe custou o combate (até então) mais importante da sua carreira.
Foi este final fantástico, emocional e chocante que ficará nas nossas memórias por muitos anos.
1.
Undertaker vs Shawn Michaels (Wrestlemania 26)- Este combate é especial por várias razões: foi a desforra do combate que os dois tiveram no ano anterior (um combate que muitos consideram ser o melhor da Wrestlemania), e era um combate onde muito estava em jogo: a streak de Undertaker contra a carreira de Shawn Michaels.
Nunca a WWE voltou a fazer um combate deste calibre, uma vez que, neste caso, aquilo que estava em jogo, era algo verdadeiro e que tinha um significado muito importante, não só para os fãs, como para os lutadores.
O combate começou de forma chocante, quando Undertake aplicou o Tombstone fora do ringue. Shawn não se mexeu por muitos minutos e todos conseguiam sentir o final da sua carreira a chegar.
Mas Michaels deu tudo o que tinha e o que não tinha para ser o primeiro a derrotar o Undertaker na Wrestlemania. Um dos momentos altos ocorreu quando Shawn aplicou um moonsault do topo das cordas através da mesa de comentadores. A manobra acertou nas pernas de Undertaker e a partir daí, o “Deadman” mal conseguia andar.
Mas o momento mais emocionante foi o final.
Undertaker aplicou o Tombstone, mas Michaels conseguira escapar. No entanto, o dano sofrido já tinha sido imenso e, como tal, ele sabia que o final estava a chegar. Mas ainda faria uma coisa para que todos se lembrassem dele e não do seu adversário (como fizera tantas vezes ao longo da sua carreira).
Apoiando-se em Undertaker, pôs-se lentamente de pé, e deu-lhe uma chapada. Undertaker olhou para ele com o olhar mais mortífero que se possa imaginar, e quando aplicou o Tombstone, saltou para causar o maior dano possível. E dessa vez, Shawn Michaels não conseguiu escapar do pin.
Apesar de HBK ter voltado da lutar, isso não importa, uma vez que este deve ser considerado o seu “retirement match”.
A emoção nos dois lutadores e no público era palpável, e quando o “Mr. Wrestlemania” se despedia do seu público de eleição, foi um dos momentos mais emocionantes da história da WWE.
E é por isso que este é, na minha opinião, o melhor combate da WWE na última década.
Artigo revisto por Joana Mendes













