
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Último “Premium Live Event” do ano para a WWE, marcado pela estipulação do War Games, presente nos dois maiores combates da noite. A maior surpresa mesmo é desde logo, a inexistência dos combates tradicionais de eliminação em “tag team” aos quais o Survivor Series habituou os seus espetadores.
“Card curto”, cinco combates, com apenas dois títulos em jogo. O “build” para o espetáculo foi notável, criando uma onda de entusiasmo interesse em relação a todos os combates, talvez com exceção para título feminino do Smackdown, no qual a vitória de Ronda Rousey era extremamente previsível.
Os combates “War Games” foram extraordinários, a nível de performance técnica, mas com um estilo diferente de “storytelling”. O espetáculo foi capaz de apresentar progressão em todas as histórias, com o resultado, todavia a não ser satisfatório nalguns casos. “Flop” da noite foi sem dúvida o combate pelo título feminino do Smackdown.
Nota do evento: 7/10
Foto de Capa: WWE
O CAOS DO WAR GAMES FOI IMPOSSÍVEL DE CONTROLAR
Here we go, @RheaRipley_WWE vs. @BeckyLynchWWE inside #WarGames!#SurvivorSeries pic.twitter.com/8HIAtlGC6w
— WWE (@WWE) November 27, 2022
Combate espetacular, em que o público teve motivos para se importar com todas as intervenientes. Eram evidentes e foram trabalhadas as diversas rivalidades individuais que as lutadoras tinham entre si: Asuka vs IOSKY; Mia Yim vs Rhea Ripley; Bianca Belair vs Bayley, entre outras. O combate fez jus a uma estipulação que serve de eclosão para este aglomerado de rivalidades que se “misturam”, como é hábito no Survivor Series.
A protagonista foi sem dúvida Nikki Cross. Foi o elemento fundamental para alterar o ritmo do combate e garantir que os fãs não perdiam o interesse durante o interlúdio entre as primeiras entradas e a última. Nikki encheu o ringue de armas, possibilitando um dos spots da noite, uma luta de kendo sticks entre as várias lutadoras do combate, enquanto a escocesa se preparava para fazer um cross body do topo da jaula.
O combate findou com um excelente momento de Bianca Belair a aplicar um “KOD” a Bayley contra a parede da jaula, ao mesmo tempo que Becky Lynch fazia um “senton” em cima das campeãs femininas de tag team, para o culminar do cenário em que as Damage CTRL se estrearam no Summerslam.
Vários órgãos noticiosos como o “Wrestletalk” indicaram ao longo deste ano que Becky Lynch pode ser a adversária de Ronda Rousey na Wrsetlemania 38. Se for o caso, é compreensível querer dar uma vitória ao “The Man”. Ainda assim, a WWE podia usar o tempo que falta até ao dia 1 de abril para construir a personagem da irlandesa, deixando neste momento a vitória sorrir a Bayley e às Damage CNTRL que, desta forma, perdem a primeira rivalidade em que se veem envolvidas.
Nota do combate: 9/10
AJ STYLES É NOVAMENTE FENOMENAL
AJ Styles FINALLY gets a PPV win. He’d lost 10 in a row. His first singles PPV win since October 2019 against Humberto Carrillo
— Sean Ross Sapp of Fightful.com (@SeanRossSapp) November 27, 2022
Combate muito assente no “striking”, dinâmico, mas com um ritmo algo lento, focado essencialmente na psicologia de ringue. Styles começou por trabalhar muito uma perna de Finn Bálor, afetando, por exemplo, o “Coup de Grace”, “finisher” do elemento dos Judgement Day. Já Bálor ia trabalhando a zona abdominal de AJ Styles.
O aspeto metódico do combate foi muito inteligente, uma vez que remete para o estilo da New Japan Pro Wrestling, empresa na qual tanto Bálor e Styles lideraram o “Bullet club” fação em torno da qual, indiretamente, a rivalidade girou.
O combate foi eficaz na história que queria contar, afastou cedo os elementos dos O.C e dos “Judgement Day” para se focar numa luta de talento puro entre AJ Styles e Finn Bálor. Styles ganhou, o que foi um resultado adequado, visto que Styles precisava de uma vitória relevante desde a Wrestlemania 36, em 2020. Contudo, o combate acabou de uma forma repentina, com “near falls” em que era difícil ficar investido e ficou a impressão de que o combate ainda podia ter aumentado uma velocidade.
Nota do combate: 7,5/10
RONDA ROUSEY GANHOU, SEM SURPRESA
Shotzi pointing to the heavens and screaming “for you” for her father who passed away earlier this year got me. 😭 #SurvivorSeries pic.twitter.com/AV92OG8GfW
— Conner🇨🇦 (@ConnerPW_) November 27, 2022
Combate mais previsível da noite. Como tal, não teve grande investimento dos fãs ainda que SHOTZI tenha acabado por desferir alguma ofensiva, intercetada nalguns casos por Shayna Bazsler (que estava no canto da campeã). A história do combate tinha o objetivo de fazer SHOTZI passar por uma “underdog” que podia surpreender e tornar-se campeã no primeiro combate individual pelo título na sua carreira.
Não foi o caso, com Rousey a ganhar de forma clara. Um combate trapalhão, durante o qual os fãs cantaram “We want Sasha” (por causa de Sasha Banks) e no qual houve dois momentos de alguma “trapalhice” nomeadamente um “tornado DDT” de SHOTZI completamente falhado, em cima da berma do ringue. Destaque para o momento em que Shayna salvou Ronda de um “suicide dive” por SHOTZI, um momento que pode vir a ser usado no futuro para vir a construir alguma rivalidade entre as duas.
Nota do combate: 4/10
AUSTIN THEORY CONTINUA EM MISSÃO DE SALVAMENTO
Double Hurtlock!@fightbobby #SurvivorSeries pic.twitter.com/dnLFfW9LDL
— WWE on FOX (@WWEonFOX) November 27, 2022
Se o combate entre Bálor e Styles beneficiava em ganhar uma velocidade, o triple threat pelo título dos Estados Unidos beneficiava de um ou dois momentos para respirar. O início do combate focou-se muito na superioridade física de Bobby Lashley sobre Seth “Freakin’” Rollins e Austin Theory.
Austin Theory foi apresentado como um oportunista, uma pessoa que lutava com inteligência e de forma metódica. A apresentação do antigo Mr. Money in the Bank até estava a ser bem feita, quando surgiu um pequeno erro na psicologia do combate. Num momento, Seth “Freakin’” Rollins preparava-se para esmagar as costelas de Bobby Lashley com as escadas de aço, mas Theory impediu que tal acontecesse. Um momento algo pequeno, mas que mina a inteligência que a WWE tentava incorporar na personagem de Theory.
Rollins não podia ganhar fora do ringue e estava a prestes a arrumar com Bobby Lashley, um adversário fisicamente mais forte. Theory teria parecido mais inteligente se simplesmente não se envolvesse na luta entre os dois, a não ser nos momentos-chave. O combate acabou com Austin Theory a ganhar o Título dos Estados Unidos pela segunda vez na carreira. Rollins preparava-se para aplicar um “falcon arrow” em Theory, quando Lashley aplicou um spear no “Visionary”, que acabou por cair com Austin Theory em cima, para concretizar o “pin” e conquistar a vitória.
Um final com paralelismo em relação ao “Heist of the Century”, no qual Seth Rollins se sagrou campeão mundial pela primeira vez, ao depositar a mala do “Money in the Bank” no “main event” da Wrestlemania 31, em 2015.
Nota do combate: 7,5/10
SAMI ZAYN É UM HOMEM DE FAMÍLIA
What a roller coaster of emotions for @SamiZayn tonight at #SurvivorSeries #WarGames! pic.twitter.com/mgivxNUJE0
— WWE (@WWE) November 27, 2022
O “main event” tinha uma questão dominante: seria Sami Zayn leal a Roman Reigns e à “Bloodline” ou estaria Jey Uso certo e o canadiano deveria ser excluído da família? Foi o ponto central de todo o combate, o que atraiu muita atenção para o clímax que foi a decisão do “Honorary Uce”. Contudo, tornou todos os lutadores dos “Brawling Brutes” e Drew McIntyre, meros peões para fazer a história principal avançar.
Em termos técnicos, o combate foi fantástico, com diversos momentos memoráveis, com 3 mesas a ser trespassadas, com as “Beats of the Bodhrán, em simultâneo por todos os elementos da equipa. Mas o mais memorável foi a dinâmica entre Jey Uso e Sami Zayn.
Existiram 5 momentos chave no que a esta história diz respeito: primeiro, quando Roman Reigns indicou Jey Uso como o primeiro homem da “Bloodline” a entrar no combate; quando o “Tribal Chief” impediu Jimmy Uso de avançar em segundo lugar para que Sami Zayn provasse a sua lealdade ao ajudar Jey, que estava em desvantagem; quando Jey e Sami se empurraram ao decidir quem ia montar uma mesa e até quando Jey Uso aplicou acidentalmente um superkick a Sami Zayn, contudo, sem apresentar remorsos.
Mas o momento mais importante foi aquele que marcou o final do combate. Kevin Owens aplicara o “stunner” em Roman Reigns, quando Sami Zayn impediu a vitória iminente do “Prizefighter”. Owens confrontara Sami Zayn no último Smackdown, com a escolha em relação à confiança que tinha na Bloodline. O “Great Liberator” tornou evidente a escolha que estava a tomar, quando aproveitou uma distração para aplicar um golpe baixo no antigo Campeão Universal.
Foi então que Jey Uso concretizou a vitória da “Bloodline”, ao fazer o assentamento em Kevin Owens. O Survivor Series acabou com a “Bloodline” vitoriosa e com um abraço de Jey Uso a Sami Zayn. O combate foi bom, mas a dinâmica do “War Games” ficou afetada pela vantagem, no que diz respeito às entradas, ter ficado do lado dos“faces”.
Nota do combate: 8/10














