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Após a pausa natalícia a Taça do Mundo de Saltos de esqui regressava e logo para um dos, se não o ponto mais alto da temporada, o emblemático torneio dos quatro trampolins cujo seu vencedor fica para a posteridade da modalidade.
Naquela que seria a sua edição 70, Kamil Stoch procuraria chegar à quarta águia dourada da carreira, mas contava com uma vasta concorrência dos quais se destacavam Karl Geiger líder da classificação geral do campeonato, Ryoyu Kubayashi o mais vitorioso no decurso da época, Halvor Egner Granerud, Marius Lindvik e Markus Eisenbichler. Isto para além dos tradicionais atletas outsiders, saltadores que acabam por “explodir” sem nada nem ninguém o fazer prever, e que já tantas ocasiões acontecera neste torneio.
Desta feita tínhamos como nota negativa o facto de em todos os quatro palcos da competição as bancadas se encontrarem despojadas de público, algo relacionado com a escalada no número de casos provocada pela variante Ómicron.
Foto de Capa: FIS Ski Jumping
RYOYU SERVIA O APERITIVO PARA O GRANDE BANQUETE
Tudo começaria a ganhar forma em Oberstdorf, palco da primeira etapa do certame com o trampolim Schattenberg de 137m cujo K-Point era de 120m e o record da autoria do já retirado norueguês Sigurd Pettersen de 143.5m que datava de 2003, a receber 70 homens que se digladiariam por 50 vagas para a prova do dia seguinte. De realçar que a chuva forte e a intensidade do vento fariam interromper por duas ocasiões a ronda dificultando e muito a vida dos atletas.
Contornando estes percalços e revelando superioridade face aos rivais, quem venceria a qualificação seria Ryoyu Kubayashi abrindo com 129m. Em segundo voando menos dois metros terminava Karl Geiger, com Johann Andre Forfang a fechar o pódio efetuando 132m, ele que me ia surpreendendo face ao apresentado recentemente. Igualmente em terceiro aparecia Halvor Egner Granerud ao assinar 126.5m que mostravam que o norueguês se queria intrometer e ganhar respaldo para a “luta”!
Com o Top cinco a fechar com a presença do super regular Killian Peier, sendo que o helvético assinava 130.5m. Eisenbichler sexto, Kraft sétimo, Hoerl oitavo, Freund nono e Tande décimo, pareciam ser nomes com quem contar, pelo menos para esta primeira etapa!
Destaque-se ainda a primeira presença de toda a história da Turquia numa prova deste torneio com Fatih Arda Ipcioglu a ser o autor deste feito e para o tímido arranque de Stoch, com o campeão do evento a realizar somente a 38ª melhor marca. Ausências para a prova eram saltadores como Andreas Wellinger ou Timi Zajc que se viam arredados da luta pela águia dourada!
O vento e a chuva, agora já menos profícuos marcavam novamente presença num dia em que voltariam os tradicionais mata-mata, duelos diretos, uma especialidade deste torneio. Quem finalizados os 50 primeiros saltos se ia demonstrando como principal candidato a vencer era Robert Johansson anotando uma marca inicial de 135.5m, mas que me deixava muitas dúvidas de o poder replicar na segunda ronda.
A cerca de quatro pontos estava o compatriota Granerud saltando menos três metros e meio, enquanto que a terceira posição estava entregue a Geiger com 131m. Ainda na luta pelo pódio encontravam-se : Marius Lindvik em quarto voando 129.5m, um metro mais que Kubayashi, ele que teria de puxar dos galões na segunda aparição. O melhor esloveno era Lovro Cos em sexto, ao passo que o melhor austríaco, contrariando a minha ideia, era Daniel Huber, com o líder dos suíços a ser Gregor Deschwanden em oitavo.
A fechar os dez mais encontravam-se respetivamente Leyhe e Eisenbichler. Stephan Kraft apenas 17º parecia perder o comboio na luta pela geral da qual Zyla e Stoch, este último o detentor do troféu, se despediam não se livrando de uma surpreendente eliminação. No polo contrário evidenciar a primeira pontuação de sempre para os turcos, com Ipcioglu a escrever novamente história, sendo que este atleta, independentemente do que fosse o seu futuro na competição já ficaria com o seu torneio pessoal ganho!
VINDO DE TRÁS, RYOYU MOSTRA FIBRA DE CAMPEÃO
Congratulations, Ryoyu Kobayashi!#skijumping #FISskijumping #4hills pic.twitter.com/YZ0xktBZs5
— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) December 29, 2021
No começo da ronda final, a chuva voltava em força com o vento a fazer as marcas ficarem subitamente mais curtas, quem começava por dar nas vistas era Eisenbichler que realizando 132.5m ascendia até ao sétimo posto que lhe permitia manter-se em jogo. Este seria parado pelo surpreendente Lovro Cos que após voar 139.5m terminava em sexto lugar, naquele que até à data era o melhor resultado da carreira do jovem de 22 anos. Karl Geiger, dececionar-me-ia ao fazer apenas 131m “caindo” para a quinta posição, com Lindvik a ser quarto arrancando 137.5m.
O pódio veria várias mudanças face ao vislumbrado na primeira ronda: desde logo Johansson comprovaria a minha ideia de que fruto da sua pouca experiência em realizar o derradeiro salto não defenderia convenientemente a liderança, com o viking a defraudar com 131m. O segundo posto seria conseguido por Granerud com um segundo apronto de 133m. Quanto à vitória, a quarta da temporada e a segunda consecutiva seria conquistada por Ryoyu Kubayashi que voaria impressionantes 141.5m, passando a ideia de que estaria um degrau acima dos rivais. Com o desportista de Sapporo a terminar a primeira etapa com uma vantagem de 2.8 pontos para Granerud e mais de seis face a Johansson.
Por esta ordem, Huber, Leyhe e Deschwanden seriam os restantes membros do Top dez, com Kraft apenas 12º classificado a quase hipotecar as suas chances em somar a segunda águia dourada. Lanisek com o 23º posto averbado, demonstrava ser ainda muito “verdinho” para as contas da geral!
EISENBICHLER REACENDIA A CHAMA GERMÂNICA
Winning jump: Markus Eisenbichler / #GarmischPartenkirchen – Qualification, December 31, 2021#skijumping #FISskijumping #4hills pic.twitter.com/7yJWOpaSSL
— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) December 31, 2021
Depois da festa de Ryoyu na abertura, a segunda paragem do torneio seria o moderníssimo Grobe Olympiaschanze em Garmisch PartenKirchen, uma estrutura de 142m cujo o K-Point se situava nos 125m e que contava com um record feito em 2020 por David Kubacki, com o detentor de uma águia dourada a voar 144m num evento que veria a qualificação decorrer ainda em 2021 e a prova acontecer já no dia um de janeiro de 2022. Numa qualificação com 77 inscritos entre os quais diversos saltadores caseiros, quem levaria a melhor seria Eisenbichler, com o polícia que fizera 137m a relegar Ryoyu para a segunda posição com 134m, enquanto que a fechar em terceiro teríamos Karl Geiger com 135.5m.
A formar o Top cinco víamos Jan Hoerl em quarto com 138m e Piotr Zyla em quinto rubricando meio metro mais. De entre o lote dos dez melhores realço o sétimo melhor salto pertença de Daniel Tschofenig, um austríaco de 19 anos de quem espero muito.
A meio gás estavam Lindvik e Granerud com os dois noruegueses a serem respetivamente 14º e 27º. Ainda a referir como surpresas positivas a dupla da Estónia, Kevin Maltsev e Artti Aigro que asseguravam presença na prova de abertura do novo ano, contrariamente a Kraft que abandonaria em definitivo a luta pela geral ao falhar a presença na segunda etapa do torneio.
KOBAYASHI IGUAL A SI PRÓPRIO
Winning jump: Ryoyu Kobayashi / #GarmischPartenkirchen, January 1, 2022#skijumping #FISskijumping #4hills pic.twitter.com/oro6VbyN6E
— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) January 1, 2022
Um clássico no centro e norte da Europa, as boas-vindas a 2022 far-se-iam com saltos de esqui num dia em que as condições eram perto de perfeitas para a prática da modalidade. Desfeada a ronda inicial, o samurai não ia acusando a pressão, pois liderava após uma marca canhão de 143m, com uma vantagem de três pontos para Eisenbichler que com 141m confirmava as indicações deixadas na véspera, enquanto que a seis pontos do asiático militava Lindvik aqui vencedor em 2019 a ficar-se pelos 138m.
De assinalar ainda o quarto posto de Zajc com 137m e a quinta posição de Cos que registando 135.5m comprovava que a prestação de Oberstdorf não havia sido fruto do acaso! Quem parecia colocar em risco, não só a candidatura ao torneio como o seu dorsal amarelo, era Geiger apenas oitavo no fim da ronda inaugural.
Depois de bons desempenhos na primeira etapa a dupla Johansson e Granerud, respetivamente 14º e 22º teriam de subir a parada sob pena de abandonarem a discussão. Stoch ia estando irreconhecível, pois falhava de novo a presença na ronda final descontando apenas 118m.
NEM SEMPRE É NECESSÁRIO ACELERAR, POR VEZES BASTA GERIR!
Oberstdorf ✅
Garmisch-Partenkirchen ✅
Innsbruck
Bischofshofen#skijumping #FISskijumping #4hills pic.twitter.com/6GRbLJpK73— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) January 1, 2022
Numa segunda ronda em que o espetáculo ia mantendo a qualidade, quem “atacou” inicialmente foi Granerud que saltando 140.5m, terminaria em oitavo algo que não obstante o valoroso esforço deixou o torneio muito complicado para o praticante de Oslo.
Outro freguês que disse praticamente adeus à luta foi Johansson ao concluir no 13º posto. Contudo o maior perdedor do dia seria Geiger que cedia em dois tabuleiros: os quatro trampolins ficavam quase perdidos ainda a meio e como se já não fosse pouco despiria o colete de líder da geral, com o mesmo a passar para o corpo de Kubayashi que vencia fazendo a dobradinha ao realizar 135.5m de perfeita nota artística!
O segundo posto seria para Eisenbichler, com o local a esticar-se até aos 143.5m, marca muito penalizada em termos técnicos visto as dificuldades na “aterragem”!
Já o bronze tinha o carimbo de Kos, como estreante em pódios a apontar uma segunda marca de 138m, ele que em minha opinião é a grande surpresa/ revelação desta primeira metade de torneio. Dentro do Top cinco ainda realçar as presenças de Lindvik quarto e Hoerl quinto.
Com o torneio a transitar para a Áustria e com muito a poder ainda certamente acontecer, Kubayashi leva vantagem comandando com 13.2 pontos face a Lindvik e 17.7 sobre Cos.
Na “corrida” pelo grande globo, o nipónico também assume a liderança contabilizando 696 pontos, mais 21 que Geiger enquanto Granerud detém 473.
Agora as cidades austríacas de Innsbruck e de Bischofshofen receberão as duas últimas etapas da edição 70 deste torneio, competição que continuará a merecer ampla cobertura aqui no seu BNR. Até lá fique bem, fique na companhia do que de melhor o desporto tem para oferecer!












