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Em plano de ausências, foram as «segundas linhas» a festejar | Esqui Alpino

Diogo Rodrigues · 6 min

Foto: FIS Alpine

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O “circo branco”, Taça do Mundo de Esqui Alpino, cumpriu, neste fim de semana, a segunda etapa de 37 que farão parte do calendário de competições para a temporada 2021/22.

O palco para este evento de Slalom Gigante paralelo individual, a ser disputado por ambos os géneros em dias consecutivos, foi a estância de Lech/Zuers, na zona da alta Áustria. Aliás, destaque-se que a mesma, juntamente com as estâncias de St. Anton, St. Christoph e Stuben, formam o sétimo maior domínio esquiável do mundo, totalizando 302 quilómetros de pistas.

Antes de passarmos à ação dentro da pista, referir que esta seria a única competição de Esqui Alpino no formato a constar no rol de eventos da presente temporada, bem como é merecedora de realce a atitude do antigo Downhiller helvético, Urs Lehmann, aos dias de hoje Presidente da Federação Suíça de Esqui Alpino, que dias antes havia proferido declarações bastante duras para com a Federação Internacional. Tudo porque o mesmo não só confessou discordar do formato dos eventos paralelos, como exprimiu o seu desagrado pelo facto de a mítica vertente de combinado alpino, que esteve nas origens da competição ao mais alto nível, ter desaparecido de cena.

Resultado? Os principais atletas do país dos relógios não se apresentaram na estância austríaca, aproveitando para treinar tendo em vista o início das disciplinas de velocidade. Deste modo, e ainda que com imensas polémicas à mistura, lá principiavam os eventos no traçado austríaco.

Análise à taça do mundo de Esqui Alpino

O sábado, marcado pelas intensas e perigosas condições, devido a um forte nevão, pertenceu ao setor feminino, no qual havia várias ausências de monta: a líder da geral, após vencer em Soelden, Mikaela Shiffrin, a concentrar as atenções nas provas de disciplinas técnicas que se seguem, nomeadamente o Slalom, a ser realizado em Levi, na Finlândia, no dia 20 deste mês. Outros nomes de relevo a falhar o evento seriam as suíças Michelle Gisin e Wendy Holdener, esta última por lesão, a eslovaca Petra Vlhova, a francesa Tessa Worley e as italianas Sofia Goggia e Federica Brignone.

Quem estava presente e com doses de favoritismo bem altas para corrigir a prova não finalizada em Soelden era a transalpina Marta Bassino, campeã do mundo da disciplina, título esse festejado em conjunto com Shiffrin. Contudo, a detentora do grande globo de cristal, a “joia do Ticino”, a helvética Lara Gut-Behrami, também pretendia somar muitos e importantes pontos para a geral individual.

De reforçar que, tanto nas senhoras, quanto nos senhores, a competição desenrolar-se-ia nos mesmos moldes: duas descidas, sendo que na primeira um dos atletas partiria na pista encarnada e o outro na azul, com os mesmos a trocarem na segunda descida. No final, quem somasse melhores tempos no agregado passaria à fase seguinte. Ainda explicar que apenas os 16 mais rápidos das qualificações, realizadas horas antes, reservavam lugar para a prova que decorreria a partir dos oitavos de final, num sistema de eliminação.

Logo na primeira fase ficaria pelo caminho Gut, derrotada sem mácula por uma norueguesa até à data sem grandes resultados na “Champions League” do Esqui Alpino, Thea Louise Stjernesund, que havia já surpreendido ao efetuar o melhor registo nas qualificações. Assim, a fabulosa esquiadora acabou relegada para a 15.ª posição, não retirando grandes dividendos da participação neste evento.

Com o evoluir da competição, foi-se percebendo que Stjernesund e demais  companheiras de seleção estavam inspiradas e prontas para alcançarem resultados incríveis. Também Andreja Slokar, eslovena de 24 anos, que apenas levava um top 10 em toda a carreira na Taça do Mundo, ia progredindo entre os “pingos da chuva”, eliminando atletas bem mais consagradas, com a prestação a fazê-la sonhar com algo bem grande.

Quanto às anfitriãs, viam as três Katharinas, Huber, Gallhuber e Truppe, abandonarem prematuramente a competição. Quanto à mais famosa, Liensberger, embora marcando presença entre as melhores 16, quedou-se somente pelo 16.º lugar. Diga-se a esse propósito que a melhor e única representante caseira entre as dez mais fortes foi Stephanie Brunner, com a atleta de 27 anos a terminar no nono posto.

Os indícios que apontavam para uma prestação coletiva bem relevante das norueguesas acabariam mesmo por se confirmar, com o país nórdico a  conseguir colocar três representantes no top 10: Marte Monsen, de 21 anos, campeã do mundo júnior em título, concluiria na sexta posição, averbando o seu melhor resultado entre a elite.

De situação idêntica gozaram as suas compatriotas, Kristin Lysdahl, ao garantir o seu primeiro pódio, e Thea Louise Stjernesund que, apesar do melhor tempo na fase da manhã , não resistiu a uma mais que inspirada Andreja Slokar, que somaria a sua primeira conquista na Taça do Mundo.

Assim, as contas ficavam fechadas nas senhoras, com lugar a um pódio surpreendente e inédito para todas elas, demonstrando que, quando as principais figuras estão ausentes, outros nomes podem emergir.

No dia seguinte, foi a vez de os senhores, novamente com um pelotão depauperado, se fazerem a um traçado de 19 portas e com descidas na ordem dos 20 segundos de duração. Os atletas suíços Marko Odermatt, Justin Murisier e Loic Meillard eram baixas por opção, assim como o austríaco Marko Schwarz.

O caseiro Roland Leitinger,vencedor na abertura em Soelden, após contrair lesão bem grave enquanto treinava, era ausência, não só para esta prova, como para a restante temporada. Com estas cartas fora do baralho, era de supor que o gaulês Alexis Pinturaut, campeão da Taça do Mundo em título, pudesse somar os 100 pontos  correspondentes à vitória, só que tal não se concretizaria, sendo que apenas o norueguês Henrik Kristoffersen se perfilava como maior candidato a evitar o triunfo do gaulês.

O inesperado aconteceria e logo na fase de qualificação, quando o Pinturaut, registando somente o 20.º tempo, ficaria fora da fase a eliminar. Momento esse falhado por escassos milésimos pelo britânico de origem nacional, Charlie Raposo, que ficaria na 17.ª posição. Desta forma, Kristoffersen parecia ter o seu caminho para a vitória cada vez mais escancarado, mas haveria pretendentes a querer evitar o seu triunfo.

Numa prova marcada pelas condições bem mais favoráveis para quem partia na pista vermelha na segunda descida, Kristoffersen seria uma das várias vítimas de tal situação, terminando em quarto lugar, vendo as medalhas escaparem-se-lhe por entre os esquis, perdendo essa chance para o seu bem mais jovem compatriota Atle Mie Mcgrath que, aos 21 anos, somou o seu segundo pódio da carreira.

Já os austríacos Dominik Raschner, de 27 anos, que chegara já bastante tarde à equipa principal, na prata, e Christian Hirschbuehl, de 31, no ouro, veriam pela primeira vez, a título individual, o que é subir a um pódio na “Champions”.

Deste modo, e numa etapa marcada pelas estreias no pódio, cumpriu-se mais um capítulo na Taça do Mundo de Esqui Alpino. Já sabe que o seu BNR é o melhor local para seguir a ação dos desportos de inverno.

Foto de Capa: FIS Alpine

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Diogo Rodrigues

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