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Será a maldição finalmente quebrada? | Saltos de Esqui

Diogo Rodrigues · 11 min

Esqui
Foto: FIS Ski Jumping

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Saltos de Esqui em Engelberg

Com o Torneio dos Quatro Trampolins aí à porta, a Taça do Mundo de Saltos de Esqui cumpriria este fim-de-semana em Engelberg as duas últimas etapas, a nona e a décima do campeonato antes da pausa natalícia.

Depois de ter recaído um mar de dúvidas em torno da realização do evento, fruto da escalada de casos da nova variante Ómicron, foi com regozijo que chegava a notícia de que não só se cumpriria o  previamente agendado, como o público teria presença assegurada. Foi então, em clima de grande animação e com algum frio à mistura, onde os tradicionais chocalhos também não faltaram, já uma marca em eventos desta índole por estas paragens, que o fantástico e emblemático Gross-Titlis receberia os destemidos homens “pássaro”!

Estrutura esta, um K140, que via o K-Point estar situado aos 125m contando com um recorde co-partilhado, marca essa de 144m, assinada primeiramente já no distante ano de 2016 pelo então inexperiente Domen Prevc replicada dois anos volvidos pelo samurai Ryoyu Kubayashi, que chegava ao país do chocolate com os esquis a “ferver”, dado que arrecadara o triunfo na pretérita competição em Klingenthal. Ainda de referir que na época anterior, neste mesmo local, o vencedor do anterior campeonato Halvor Egner Granerud  havia logrado fazer a “dobradinha”.

A sexta-feira, como é norma, era  destinada à qualificação, da qual sairiam os participantes para a competição do dia seguinte, os melhores cinquenta!

Quem arrecadava mais 3.000 francos suíços, visto ter vencido a ronda qualificativa, era o nipónico Ryoyu Kubayashi que voara 136.5m realizados do portão 16. Uma posição mais, face ao utilizado inicialmente, com o vento a dar um impulso extra aos registos. Em segundo terminava, efetuando distância igual à do “comandante”, mas mais penalizado quer em termos técnicos quanto nas condições de vento, o inconstante esloveno Timi Zajc, com o “delfim” a averbar 136m.

O atleta do país do esqui, Jan Hoerl, rubricaria menos meio metro, com o natural de Bischofshofen a terminar no bronze, seguido respetivamente pelo norueguês Robert Johansson que se ficava pelos 135m quarto colocado e  por Kamil Stoch, que conta com três águias douradas no palmarés, a registar menos três metros.

Ainda dentro do lote dos dez melhores, espaço para os nomes de Marius Lindvik com o compatriota de Johansson a ser sexto. Peter Prevc, ex vencedor do grande globo de cristal concluía em sétimo seguido do caseiro Killian Peier. O atual detentor do título global, Halvor Egner Granerud a ser nono, ao passo que o atual líder da Taça do Mundo de Saltos de Esqui, o germânico Karl Geiger era décimo. Stephan Kraft, já vencedor no decurso da temporada seria 11.º posicionado, “sacando” uns 130.5m que indiciavam que caso forçasse a nota o baixinho poderia entrar para o extenso rol de saltadores a poderem assumir papel de destaque nesta equação!

O bávaro Markus Eisenbichler, que vinha de não pontuar em território pátrio, classificava-se na 13.ª posição, sendo que o melhor dos Russos, Evgeniy Klimov, terminava num moralizador 18.º posto três adiante de Simon Ammann, herói local que pretendia recuperar a forma atuando em casa, com o tetra campeão olímpico a realizar uns encorajadores 130m.

Quem ia dando indicadores de uma acentuada quebra, algo já conferido nos eventos mais recentes, era o também já vitorioso no decurso da época vigente Anze Lanisek, com o esloveno a ficar-se pelo 34.º registo nesta tarde de saltos no país dos relógios. Tarde essa que faria Dean Decker emergir dos demais compatriotas, com o californiano a assegurar a segunda presença consecutiva em provas da Taça do Mundo de Saltos de Esqui.

Ainda de realçar mais uma paupérrima exibição de David Kubacki, com o número dois polaco em atividade a registar apenas a 49.ª melhor marca enquanto o ucraniano Vitali Kalinichenko se posicionava um posto adiante do ex vencedor da “Champions” dos saltos de esqui.

Já o checo, que em tempos idos chegou a liderar a geral do campeonato  somando um par de sucessos, Roman Koudelka , a concluir em 41.º lugar ele que após uma ausência de mais de um ano devido a lesão passara pela II Divisão desta modalidade a nível mundial, a Taça Continental, por forma a adquirir o ritmo pretendido.

No polo das desilusões, reservando lugar VIP no hotel ou nas bancadas para assistirem comodamente ao apronto de sábado estariam Domen Prevc e o “homem do disco-polo”, Piotr Zyla, campeão mundial em trampolim normal que saltaria apenas 107m.

Agora havia que retemperar forças, pois o dia seguinte seria de incontáveis emoções e muito trabalhinho! Finalmente, após o aperitivo, chegava o grande banquete, a prova a “doer”! Com as temperaturas a baterem nos dois graus centígrados, o problema mais complexo no caminho dos atletas seria um terrível vento de cauda que ia estando bastante irregular, não ajudando ao espetáculo, com condições agrestes para se verem boas marcas.

Numa ronda em que o portão de saída seria o 16 quem ia ocupando o trono, totalizando incríveis 139m, era Timi Zajc confirmando sinais muito animadores desvendados na véspera. A 1.4 pontos de distância do esloveno, “rodava” o alemão Geiger que arrancava um registo de 137m, com o helvético Peier a somar menos meio metro sendo terceiro, ele sob quem recaía a incógnita quanto ao que conseguiria ou não rubricar na segunda tentativa, com o caseiro a procurar apenas o segundo pódio da carreira. O quarto posto ia pertencendo a Ryoyu, que averbara 137.5m, mais um metro que o quinto classificado por estes instantes, Jan Hoerl.

Ainda na disputa pelas medalhas pareciam estar os restantes membros do Top dez: Lanisek em sexto, Stoch era sétimo, Schmid “navegava” em oitavo, sendo que Granerud e Kraft fechavam respetivamente a parte de cima da tabela, com estes, fruto da sua maior experiência e consistência a poderem sonhar ainda com algo maior! Cene Prevc, uma das revelações da temporada para os eslovenos, ia seguindo no 11.º posto, com Klimov e Johansson a se lhe sucederem.

Abaixo, uns “furos” do que se lhes exigia, necessitando de um grande segundo salto para finalizar em lugares de relevo, estavam Marius Lindvik 18.º posicionado, Markus Eisenbichler dois postos mais atrás, Peter Prevc e Simon Ammann, esloveno e suíço  garantiam resvés a presença numa segunda ronda onde não participariam nomes como os dos polacos Stekala e Kubacki, o do norueguês Daniel Andre-Tande e o do alemão Andreas Wellinger, arredados do momento solene!

A ronda final arrancava, mas o maldito vento, esse mantinha toada semelhante à da primeira metade de jornada. Apesar das difíceis condições, dois nomes emergiriam no começo desse apronto derradeiro: o austríaco Daniel Tschofenig, que após efetuar um salto na casa dos 130m angariando apenas o 26.º registo averbaria uma segunda tentativa superior em três metros, conquistando assim o segundo melhor desempenho, de uma ainda curta carreira, a 17.ª posição. Assim como Lindvik, que após desapontar assinalando apenas 130.5m na primeira atuação, subiria oito postos concluindo em décimo depois de rubricar 134.5m.

A sua liderança, virtual, duraria até que os melhores pontuados entraram em ação, altura em que o portão caiu para o 15 e o nórdico não resistiu! Foi então que todos os seguintes foram um pouco na onda do que haviam conseguido na primeira fase, até que o Samurai elevou o nível voando 140.5m no segundo registo, algo que o colocaria no segundo lugar, um posto adiante de Zajc com o esloveno a bacilar ligeiramente perdendo a possibilidade de levantar os braços pela segunda ocasião na carreira.

Em quarto, comprovando toda a sua consistência e regularidade, ou não estivéssemos perante um helvético, ficaria Killian Peier que viu Hoerl fechar em quinto. Contudo quem somaria a segunda vitória da temporada, ao imitar Ryoyu em termos de distância alcançada seria Geiger revelando assim: astúcia, arte , engenho e confiança ao saber conviver salutarmente com os nervos, sagrando-se assim o detentor dos primeiros 100 pontos distribuídos no presente fim-de-semana, reforçando ainda mais a sua vantagem no topo do campeonato.

A décima prova da temporada abriria com uma qualificação a realizar-se na manhã de domingo, com 69 inscritos, dos quais apurar-se-iam os melhores 50.

Quem voltava a levar a melhor em eventos qualificativos era Ryoyu  Kubayashi, registando um salto de 134m, marca inferior em quatro metros à do caseiro Peier que era empurrado para a vice-liderança, devido a um resultado parco em termos técnicos e que viu a penalização correspondente ser-lhe atribuída.

Em terceiro, assinando 135m finalizava Stoch. Ainda dentro dos cinco melhores saltos haveria lugar para a dupla alemã Eisenbichler e Geiger, com o mais cotado na atualidade a ficar-se apenas pela cifra dos 127m, bem longe da marca que lhe permitira   o triunfo na véspera! Kraft, Hoerl, Sadreev , Zajc e Schmid, seriam por esta ordem de classificação os restantes membros do Top dez da ronda. Anze Lanisek parecia querer voltar a sorrir anotando a 11.ª melhor marca, 133m.

No entanto a grande surpresa pela positiva seria o estoniano Kevin Maltsev, que conseguiria 122m resgatando o 14.º posto, algo inédito para alguém oriundo de um país longe dos mais conceituados na modalidade.

Os noruegueses Forfang e Lindvik ficariam bem aquém do esperado, sendo que teriam de melhorar substancialmente caso desejassem partir de férias de natal com um resultado de elevada valia.

Kubacki e Wellinger conseguiriam, ainda que registando saltos bastante precários, lugar nos cinquenta melhores, objetivo igualmente atingido por Sergey Tkachenko, cazaque que repetia a gracinha da semana anterior e pelo romeno Daniel Andrei Cacina, que lograva assim apurar-se pela primeira vez para uma prova da Taça do Mundo de Saltos de Esqui após o ter conseguido em solo pátrio, em Rasnov na temporada transata. Fora do lote de qualificados, defraudando as espectativas ficariam Simon Ammann, Daniel Andre-Tande e os manos Sato.

Era altura de assistirmos a duas palpitantes rondas, que deixariam a descoberto quem seria agraciado com o presente no sapatinho, a vitória!

O vento mantinha a disposição do dia anterior, projetando os atletas rapidamente para o solo, visto soprar de cauda. Quem se revelava com maior capacidade para fazer face às condições, registando 136.5m no seu primeiro voo era o caseiro Peier que tentava que à segunda fosse definitivamente de vez!

No entanto, a quatro décimas de ponto, encontrava-se o todo-terreno, Ryoyu Kubayashi, que anotara menos três metros, enquanto que distanciado dos dois da frente, a menos de um ponto percentual, militava o germânico Geiger, com o bávaro a assinalar uma primeira marca de 135m.

O quarto posto ia sendo ocupado por Lindvik com 133m, quatro metros menos que o jovem de 19 anos Daniel Tschofenig, que já no sábado tinha estado a alto nível. De resto os austríacos pareciam estar a candidatar-se a um bom desempenho coletivo, visto que contavam ainda com Jan Hoerl e Daniel Huber nas posições seguintes. Klimov ia “descontando” 137m e ocupando o oitavo posto, sendo que  Paschke e Lanisek iam fechando os dez mais pontuados. Stoch 14.º classificado e Zyla um posto mais atrasado procurariam recuperar o tempo perdido tal como Granerud que fazia escassíssimos 122m, que lhe valiam o 22.º lugar.

Kraft, Wellinger ou Forfang eram outros nomes que deixavam muito a desejar. Zajc e Johansson seriam os derradeiros saltadores a passar à segunda fase do evento, ronda que estaria desfalcada de nomes como os de Eisenbichler, Domen Prevc e Kubacki, que teima em manter a péssima forma.

Visto que no grupo inicial de dez saltadores se constavam vários nomes sonantes seria sem surpresa que alguns desses mosqueteiros tentariam emendar a mão: Wellinger totalizando 131m concluiria no 18.º posto, um lugar atrás de Timi Zajc que rubricando 129.5m acabava por “salvar os móveis”!

Contudo a “mobília” seria recuperada por Granerud que atuando perto do seu nível “vintage” , 138m no segundo salto ascenderia até à sexta posição. Ainda de referir o melhor resultado da temporada obtido pelo polaco Pavel Wasek, 19.º lugar, saltando dois metros para lá do filtro do K-Point na segunda aparição.

Também pela positiva, somando o melhor resultado em duas temporadas ficaria o soviético Evgeniy Klimov, com o russo de Perm a conquistar uma mais que merecida quinta posição, beneficiando de um segundo registo de 135m. Ao contrário de Killian Peier, que “descarrilaria” e a grande velocidade no segundo salto, ficando-se somente pelos 131m perdendo assim de uma cajadada não só a vitória como também o pódio! Aí subiriam Marius Lindvik, assustando a concorrência com uma segunda marca de 138.5m garantindo o bronze. Geiger, arriscando o menos que pode optava por se resguardar, averbando apenas 131m capazes de lhe valerem a prata, enquanto que Ryoyu Kubayashi conquistaria a terceira vitória da temporada garantindo um serviço de 136m.

Ainda digno de menção o décimo lugar de Tschofenig, melhor marca da carreira do praticante de apenas 19 anos.

Fica tudo contado de mais um fim-de-semana de competições na Taça do Mundo de Saltos de Esqui, agora que teremos uma pausa, até ao reatar com o Torneio dos Quatro Trampolins a decorrer entre 29 de dezembro e 6 de janeiro.

Quem chegará de amarelo a Oberstdorf, palco do início do mítico certame, será Karl Geiger contabilizando 594 pontos. Ryoyu Kubayashi segue na sua pegada com um prejuízo de 98 pontos face ao germânico, sendo que bem mais atrás em terceiro encontramos o atual campeão Halvor Egner Granerud com o norueguês a somar 361 pontos.

Já sabe que o seu BNR acompanhará tudo sobre esse tradicional evento. Até lá fique bem, fique na nossa companhia!

Foto de Capa: FIS Ski Jumping 

A FIGURA

Karl Geiger – O atleta de 28 anos, que parece atingir já bastante tarde o topo de forma, vai-se mostrando super regular, capitalizando todas as migalhinhas que pode tendo em vista a luta taco a taco com o samurai pelo grande globo de cristal.

Numa altura em que se avizinha nova edição da maior e mais renomada competição de toda a temporada na qual o seu vencedor reserva um lugar na história do desporto, o Torneio dos Quatro Trampolins, será caso para os fãs da Mannschaft se interrogarem se finalmente a “maldição” de Sven Hannawald se manterá? Ele que foi o último saltador bávaro a conquistar a águia dourada já no longínquo ano de 2001.

A DESILUSÃO

Daniel Andre-Tande – Na luta pela edição de 2017/18 dos Quatro Trampolins o praticante de Oslo que invocou na altura problemas com o desprendimento de uma fixação em pleno voo como motivo para perder a disputa para Kamil Stoch, já mais se voltou a encontrar. Será que a luz voltará a brilhar para o ex cabeça de cartaz dos viquingues? Ou este andar-se-á a “arrastar” indefinidamente?

Artigo revisto por Joana Mendes

Diogo Rodrigues

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