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Após as duas primeiras etapas disputadas na Rússia, a Taça do Mundo de Saltos de Esqui faria escala em solo finlandês, mais em concreto na cidade de Ruka, para mais duas provas individuais. Seria altura de ver se o alemão Karl Geiger teria a “arte” necessária para defender convenientemente o dorsal amarelo envergado em consequência de entrar para o fim-de-semana na liderança do campeonato.
#WinterWonderland #Ruka is ready for lots of sports action this weekend @RukaNordic!#skijumping #FISskijumping pic.twitter.com/D87Fzzvkax
— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) November 26, 2021
Os atletas teriam de enfrentar o trampolim Rukatunturi, uma estrutura de 142m que via o K-Point estar situado aos 120m e cujo o record era co partilhado por três saltadores, que por curiosidade, estavam em competição: o austríaco Stephan Kraft, o japonês Ryoyu Kubayashi e o alemão Karl Geiger , que em anos consecutivos entre 2017 e 2019 haviam aqui voado 147.5m. Esperava-se que durante as duas provas individuais e respetivas rondas qualificativas fosse possível igualar ou até mesmo suplantar esses registos.
A qualificação de sexta-feira, que apuraria os melhores 50 saltadores para a terceira competição individual da época parecia prometer boas marcas, visto que o vento ia estando forte e a soprar no sentido do salto projetando assim os atletas para marcas mais distantes e vistosas. A mesma contaria com 76 competidores , em representação de 20 países, destacando-se de entre estes o imenso contingente finlandês, visto serem a nação anfitriã.
A qualificação, que inicialmente viu as marcas serem realizadas do portão 14, com este a cair uma posição mais para meados da mesma , por conta da força do vento que se fazia notar de forma mais intensa, seria arrecadada pelo samurai Ryoyu Kubayashi, que “tirava da cartola” um incrível salto de 147m deixando água na boca quanto a uma eventual nova melhor marca nesta estrutura.
O segundo posto, esse ficaria para o austríaco Daniel Huber que à semelhança do nipónico realizava um voo de enorme recorte técnico e em que a distância era para lá de boa, no caso 141.5m! Com o terceiro melhor registo ficava o discreto germânico de 31 anos, Pius Paschke ao voar 139.5m. Ainda dentro dos cinco melhores registos, nota para: Naoki Nakamura do Japão com 137me para Stephan Kraft, com o baixinho austríaco a efetuar 135m.
De resto este era um dia bastante feliz para o país do esqui, dado colocar três saltadores entre os dez registos mais fortes, cifra essa igualada pela sua arquirrival Alemanha. Ainda quanto a nações, de salientar os cinco atletas russos qualificados para a competição a ter lugar no dia seguinte, algo raro nos dias que correm.
No polo diametralmente oposto, a destacar os caseiros que com mais de uma dezena de homens a participar nesta qualificação viam somente o jovem Niko Kytosaho apurar-se para o evento, longe dos lugares cimeiros. Com maiores, ou menores dificuldades todos os presentes pareciam cumprir os seus objetivos, apesar do polaco David Kubacki o fazer recorrendo a serviços mínimos, visto que o antigo campeão do mundo em trampolim normal rubricara uns parcos 114m, qualificando-se apenas na 48.ª posição.
Contudo a maior surpresa deste começo de temporada ainda estaria por aparecer! O facto do norueguês Halvor Egner Granerud, campeão em título e vice-líder da Taça do Mundo de Saltos de Esqui, que seria alvo de uma enorme “tragédia”, com este a ter um desequilíbrio na saída do trampolim, o que fez com que se precipitasse rapidamente para o solo e registasse apenas 111m, que lhe valeram a 53.º marca da ronda.
Igual sorte teria o alfaiate polaco, Stefan Hula, que averbando 116.5mveria a prova de sábado das bancadas do Rukatunturi. Se haviam atletas a desiludir outros acabavam por surpreender pela positiva, casos como o do turco Fatih Arda Ipcioglu, ao qualificar-se pela segunda ocasião consecutiva para uma competição da Taça do Mundo de Saltos de Esqui, e os do transalpino Giovanni Bresadola e do gaulês Valentin Foubert.
Com a noite a adensar-se e com o frio a acentuar-se decorreria a ronda inaugural que prometia bastante , pois o vento ia estando fraco e favorável ao sentido do salto. Sem Granerud em competição, Geiger sabia que teria oportunidade de ouro para dilatar a margem no comando da geral. Quem saía na frente após a ronda inicial era o jovem esloveno Anze Lanisek, ao anotar impressionantes 141m realizados do portão 15, posição que desceria a pedido de Ryoyu Kubayashi que com 138m garantia a vice-liderança.
A completar o pódio, por estes momentos, ia estando outra jovem promessa dos eslovenos, Timi Zajc que voara 141m. Ainda dentro dos cinco mais da ronda, destacar os 140.5m da autoria do viking Robert Johanson que segurava a quarta posição e para os 139.5m assinados por Marcus Eisenbichler.
Ainda merecedores de destaque os austríacos: Jan Hoerl em sexto e Stephan Kraft um lugar atrás, com o primeiro a repetir a prestação da primeira ronda no segundo evento de Nizhny Tagil. A dúvida de se o mais jovem conseguiria mostrar dois saltos consistentes, essa permanecia!
A registar, com agrado, o facto de para além de Kubayashi também os seus compatriotas: Naoki Nakamura e Yukiya Sato conseguirem presença entre os dez primeiros da ronda. Kamil Stoch para a Polónia e Daniel Andre-Tand para a Noruega, eram atletas que embora qualificados para a ronda final viam como muito prováveis marcas bem distantes da frente.
David Kubacki e Andreas Wellinger, polaco e germânico, viam a segunda ronda tornar-se uma miragem, visto terem anotado respetivamente 124.5m e 123m. Mas não seriam apenas eles os nomes célebres a ficarem prematuramente pelo caminho, também o norueguês Marius Lindvik e o polaco Andrzej Stekala concluiriam a sua atuação mais cedo do que esperariam!
A segunda ronda prometia emoção, competitividade e espetáculo, visto os melhores estarem separados por escassas margens, aliás eram apenas 1.2 pontos a distar os dois primeiros.
A verdade e por incrível que possa parecer para aqueles que não estão tão familiarizados com estas questões dos saltos de esqui, é que as condições climatéricas, em apenas cerca de um quarto de hora, período que mediara as duas rondas alterar-se-iam drasticamente: o vento estava agora bastante forte, de cauda e contrário ao sentido do salto provocando que primeiramente as marcas fossem quilometricamente inferiores às vistas na primeira parte do certame, bem como que o portão fosse alterado variadas vezes ao longo da ronda, mas nunca estabilizando durante muito tempo.
Quem mais sorria dado o pobre espetáculo, eram os eslovenos: Lovro Kos, que “treparia” 15 lugares desde a 30ª até à 15ª posição e o recém papá Peter Prevc, por isso ausente das primeiras duas etapas da competição, que finalizava o dia com um saboroso 11º posto após ganhar 14 lugares. Também Killian Peier, helvético de 26 anos contaria 14 escalpes, “aterrando” na sexta posição. Em sentido inverso realçar a queda do austríaco Jan Hoerl, que demonstrando que terá de trabalhar o aspeto da consistência exibicional findaria num desapontante 17.º posto, depois de um sexto lugar na primeira ronda que indiciava algo bem mais abonatório! Em quinto, longe de impressionar, mas capitalizando a ausência de Granerud ficaria Karl Geiger, com Kraft a dar mais uma vez boa conta das suas capacidades a concluir em quarto.
Nas medalhas, registando um segundo voo de 132.5m ficaria Eise. A prata seria conquistada por Lanisek, que via o primeiro triunfo adiado, não propriamente por demérito, visto ter averbado 141m na segunda tentativa, mas porque teve o azar de contar com um super rival Ryoyu Kubayashi que “arrancando” 143m, salto que viu ser-lhe dada uma nota 20 símbolo da perfeição por um dos juízes, conquistava deste modo a 20ª vitória da carreira e a segunda da temporada. Stoch e Ammann, bem distantes do topo seriam grandes desilusões na segunda ronda.
Winning jump: Ryoyu Kobayashi / #Ruka, November 27, 2021#skijumping #FISskijumping pic.twitter.com/b0SU0VlQNb
— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) November 27, 2021
O dia seguinte amanhecia trazendo uma notícia bombástica! O vencedor do dia anterior seria forçado a falhar a competição de domingo, visto ter testado positivo para o SARS COV2, sendo de imediato e preventivamente colocado em isolamento. Diga-se que já em junho último havia contraído a infeção.
Apesar da ausência do nipónico a qualificação para a prova contaria com os restantes nomes de vulto, e com a mesma a ser vencida por Karl Geiger anotando 143.5m, meio metro mais que Jan Hoerl que faria o segundo registo, enquanto que a terceira melhor marca pertenceria ao germânico Eisenbichler.
Granerud falharia de novo a presença na prova, visto assinar apenas 106m que confirmavam um fim-de-semana “negro” para o saltador que saía assim de Ruka a zeros! Também Stefan Hula e Andrzej Stekala diziam adeus precocemente ao trampolim nórdico. Ainda de destacar as prestações de Simon Ammann e de Stephan Kraft, quartos e quinto posicionados respetivamente.
Ao anoitecer e com os termómetros a anotarem 20 graus negativos, a primeira ronda, por sinal bastante gélida principiava do portão 14, mantendo-se assim até que entraram em cena os 20 melhores posicionados da Taça do Mundo, altura em que se passou a usar o 13. Quem partiria na frente, seria e à semelhança do dia anterior o esloveno Anze Lanisek, ao voar meio metro menos que o record estabelecido na estrutura.
Com menos dois metros, o vice-líder ia sendo o vice-campeão em título Markus Eisenbichler, com Cene Prevc da Eslovénia a deter a terceira melhor marca, 141.5m. Em quarto com 138m destacava-se o dorsal amarelo Karl Geiger, seguido do surpreendente surfista austríaco Manuel Fettner, saltando igual distância.
Ainda a bom nível e todos acima dos 140m ficavam: Piotr Zyla, Marius Lindvik e Peter Prevc, com o polaco a tentar repetir o pódio aqui conseguido em 18/19. Stephan Kraft com 123.5m conseguiria à justa marcar presença no lote dos trinta magníficos! Sorte diferente tinham: Kamil Stoch, David Kubacki, Pius Paschke, Robert Johanson e Simon Ammann, todos ausentes de uma segunda ronda que prometia: doses extra de emoção, suspense q.b. e eventualmente um monte de surpresas!
Como se não fosse bastante o frio que se fazia sentir, a ronda final contaria ainda com um vento: irregular, forte, cruzado e intenso que condicionaria irremediavelmente a qualidade das marcas vislumbradas, bem como o habitual desenrolar da competição. Com o portão a ter de ser constantemente alterado, vista a imprevisibilidade das agrestes condições.
Quem mais aproveitava tal facto era o baixinho Kraft, que voando 138m ascenderia do 26º posto até ao sétimo, tal como Stephan Leyhe que recuperaria mais de 15 posições concluindo bem dentro do top dez. Marius Lindvik, seria o responsável por travar a ascensão de Kraft, com o jovem norueguês a salvar a honra do seu convento finalizando na quarta posição. Os manos Prevc seriam respetivamente quinto e sextos posicionados, com Cene a levar a melhor face a Peter.
Nas medalhas terminariam Eisenbichler no bronze, Geiger na prata e o grande vencedor Anze Lanisek, que após uma mão cheia de subidas ao pódio, finalmente festejou a primeira vitória na Taça do Mundo de Saltos de Esqui.
Congratulations, Anze Lanisek!#skijumping #FISskijumping pic.twitter.com/u3Y3YF97qj
— FIS Ski Jumping (@FISskijumping) November 28, 2021
Tudo contado quanto às etapas de Ruka. Referir que a competição dos “homens pássaro” voltará já na Polónia no próximo fim-de-semana, onde Karl Geiger chegará na dianteira da classificação da Taça do Mundo amealhando 305 pontos, seguido de Anze Lanisek com 252 e de Markus Eisenbichler com 192 pontos averbados.
Foto de Capa: FIS Ski Jumping
A FIGURA RUKA
Big congratulations to Anze Lanisek for his first World Cup victory.🏆
Result 2nd Competition #Ruka 🇫🇮
🥇 @anzelanisek 🇸🇮
🥈 Karl #Geiger 🇩🇪
🥉 Markus #Eisenbichler 🇩🇪Congrats!💪#skijumpingfamily #skijumping #skispringen #skokinarciarskie pic.twitter.com/r8X6p2d4Ka
— Skispringen Berkutschi (@berkutschi_com) November 29, 2021
Anze Lanisek – O saltador de Domzale, de 25 anos, e após bater na trave por diversas vezes conseguiu mesmo concretizar o sonho de triunfar entre a elite deste desporto. A persistência, a garra e o querer por ele demonstrados perspetivam uma época de clara ascensão. Os seus desempenhos fazem os amantes da modalidade perguntarem-se se não estaremos perante um digno sucessor de Peter Prevc, o último vencedor esloveno da Taça do Mundo de Saltos de Esqui.
A DESILUSÃO
#Sautàski
Week-end cauchemardesque pour Halvor Egner Granerud ↘https://t.co/h4J5gXUJPE
📸 Nordic Focus Photo Agency pic.twitter.com/xLvMs4cQCn— Nordic Magazine (@NordicMag) November 28, 2021
Halvor Egner Granerud – O atleta de Oslo, vencedor da pretérita edição da Taça do Mundo de Saltos de Esqui vai cumprindo uma verdadeira “travessia no deserto”, após ficar muito aquém numa das etapas russas sai agora a zeros de Ruka. Algo totalmente inesperado, até porque o competidor norueguês vinha dando boas indicações na pré-temporada, sendo indicado por todos como principal favorito a um título, que parece difícil!
Estando nós ainda em início de temporada começa a pairar no ar a seguinte questão: estaremos perante mais um dos inúmeros exemplos, dados ao longo da história da competição, de atletas que começam a vencer e que sem nada o fazer prever acabam por se “eclipsar”?












