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A segunda metade de torneio abria em mais um palco de culto para os amantes dos Saltos de Esqui, o Bergisel de Innsbruck, uma estrutura onde a técnica faria certamente a diferença, visto ser o mais pequeno dos quatro trampolins a receber o certame. Com 128m, via o K-Point estar localizado aos 120 e tinha como record uma marca assinada por Michael Hayboeck, 138m, obtidos em 2015. O mesmo seria bastante complexo , uma vez que a aterragem se dá numa espécie de fosso que se encontra à saída da rampa, de onde também contemplam um cemitério. Cenário certamente dantesco! Num palco onde, e devido a um forte temporal não tinha sido possível competir na edição anterior.
SERIA O INÍCIO DE UMA REMONTADA?
Depois de se saber que Ammann falharia, igualmente, as etapas austríacas e numa jornada onde o vento adverso e contrário ao sentido do salto não estaria afeto à causa dos artistas, com as marcas a serem pouco distantes, quem acabava por conviver melhor com tamanhas adversidades seria Kubacki, conquistando novo cheque após 128m. Stoch concretizava uma moralizadora dobradinha polaca ao realizar menos dois metros. Já Lanisek ficando-se pelos 121 seria terceiro, com a dupla norueguesa, Lindvik e Forfang ,a fechar o lote dos cinco melhores. Nomes como : Kraft, Peter Prevc e Kos também davam boas indicações para o “filme” do dia seguinte. Quanto a Granerud desiludia, relativamente, ao ficar fora dos dez melhores registos, tal qual Zyla aquém dos 20. Num dia em que Ryoyu se mantinha a anos-luz do nível apresentado num passado bem recente, a nota de maior surpresa era a presença na competição a “doer” dos dois elementos da formação turca, assim como dos atletas estonianos. Já pela negativa havia que destacar o estrondoso desaire de Geiger que efetuando parcos 108.5m falhava pela primeira vez em nove anos uma qualificação. Algo que dava que pensar em relação ao atual estado de forma dos germânicos!
KUBACKI IA “ASSUSTANDO” VIKINGS!
Com as bancadas muito mais bem compostas face à véspera, também devido às melhorias atmosféricas registadas, decorria uma ronda onde e como é norma neste palco, as marcas continuavam longe de entusiasmar! Contudo era Kubacki quem ia “abraçando” a dianteira, com cerca de sete pontos de avanço face a Lanisek e pouco mais de uma dezena sobre o compatriota Stoch, com o trio a possuir 127m. Lindvik parecia retomar as boas sensações, com Kraft a ser o melhor dos anfitriões. Hayboeck e Hoerl, com o jovem a surpreender , iam também rodando entre os dez mais. Numa ronda inolvidável para os estonianos, pois veriam os seus dois homens aceder à ronda final, algo virgem em competições deste prestígio .Eisi desapontava novamente com o maior destaque pela negativa a ser a ausência de Kobayashi, com o nipónico a despedir-se de Innsbruck sem pontos na “algibeira!”
UMA RESPOSTA À CAMPEÃO!
Numa segunda ronda em que as condições seriam iguais para todos, o grande destaque seria para o voo mais longo do dia conseguido por Granerud, que após atrasar-se na sequência de uma primeira aparição em que arrecadaria 123m assinados de um portão mais alto, emendaria a mão e batendo esse registo em dezena e meia de metros, ascenderia desde a sexta até à segunda posição, praticamente uma vitória moral, tamanho era o terreno recuperado! O triunfo ficava mesmo para Kubacki que recorrendo a serviços mínimos, 121.5m faria valer a vantagem trazida da ronda inaugural. Em terceiro igualando a distância do polaco terminava Lanisek, com Kraft a confirmar a boa relação que sempre teve com o Bergisel, onde Stoch mantendo a regularidade seria quinto. O jovem talento, Lindvik, “acordava”, concretizando, finalmente um resultado decente nesta edição, sexto, isto numa jornada em que Zyla hipotecava, praticamente as chances de um pódio final, sendo apenas décimo.
SUSPEITOS DO COSTUME PARTIAM NA FRENTE
Com a 25ª maior diferença da história, à entrada da derradeira prova, o trampolim Paul-Ausserleitner de Bischofshofen receberia a mesma. Uma estrutura de 142m, cujo K-Point se encontra aos 125 e que via o record vigorar desde 2019, 145m, da autoria de Dawid Kubacki, marca que certamente não se importaria de repetir nesta fase do campeonato! Com o vento deveras irregular, tanto em termos de direção quanto de intensidade, seriam os melhores na presente temporada a fazer valer esse estatuto na ronda de qualificação. O líder do evento somaria novo êxito e com 137m parecia bem lançado para a inédita conquista da águia dourada. Kubacki totalizando meio metro mais, embora mais prejudicado pelas condições do vento , faria segundo, enquanto Lanisek seria terceiro rubricando três metros e meio menos que o atleta que fora pai neste mesmo dia pela segunda vez. Stoch e Hayboeck prometiam bater-se por um pódio na 11ª prova da época, tal como Kraft e Prevc também a bom nível. Ryoyu apresentava, porventura a atuação mais animadora da temporada, enquanto Lindvik qualificava-se, mas longe de empolgar. Agora era momento de um curto, mas merecidíssimo descanso, pois no dia seguinte estava agendado o frente a frente decisivo entre Granerud e Kubacki!
UM SONHO PERTO DE SER REALIDADE
Com os 23.5 pontos de vantagem, o norueguês tinha tudo para chegar à glória, e de facto percorrida metade de compita isso ganhava cada vez mais contornos de certeza, pois e não obstante o desafiante vento, era ele quem liderava fruto de 139.5m, um metro menos que o regular Lanisek, embora assinados de um portão mais alto e com o jovem a militar a cerca de dois pontos da liderança. Kubacki com 135.5m parecia entregar as fichas e sabia que só uma hecatombe do rival lhe possibilitaria abraçar pela segunda vez na carreira o troféu mais desejado. Kraft e Hayboeck também sonhavam com um pódio na despedida do torneio. Isto num dia em que, para grande admiração , Raimund era o melhor dos bávaros, enquanto “Koba” ia sendo apenas 17º colocado e em que Eisenbichler voltaria a sucumbir aos mata-matas. De realçar também o facto do caseiro, Maximilian Ortner se estriar na Taça do Mundo de Saltos de Esqui a pontuar!
A “SECA” CHEGAVA AO FIM!
Após 39 saltos para além do K-Point, numa primeira ronda que demonstrava a qualidade, espetacularidade e nível desta competição, a toada manter-se-ia para a final, onde e sem surpresa , Granerud acabaria por devolver a águia à noruega, após a conquista de Anders Jakobsen em 2007, algo concretizado em pleno e com um salto a metro e meio do máximo da estrutura. Em segundo no evento e garantindo bronze no torneio findaria Lanisek ao despedir-se com 139m, enquanto Kubacki conseguiria o inverso ao arrecadar no fecho 140m.Hayboeck e Hoerl davam um colorido especial ao Top cinco, contrariamente a Kraft e Stoch: o primeiro cairia a pique ficando fora dos dez melhores, enquanto o segundo era novamente sexto. Isto num dia em que Ryoyu ficaria de novo muito atrasado e em que Raimund era mesmo o melhor alemão no 13º posto.
Concluído um dos momentos mais altos do ano competitivo, os saltadores estarão de volta à ação já no presente fim-de-semana onde Kubacki e seus pares quererão a desforra, visto que competirão entre portas, em Zakopane! Aí chegados, e nas contas da geral o vice campeão dos quatro trampolins contabiliza 930 pontos, Lanisek é segundo totalizando 822, ao passo que Granerud segue em terceiro com 796 pontos.
Até lá, fique bem, sempre na melhor companhia.
Marcamos encontro?
A FIGURA
Halvor Egner Granerud – Sempre muito esclarecido, e mesmo tendo admitido que os nervos se poderiam apoderar de si, mascarou essa situação sempre de modo exemplar e adotando uma fácies onde isso parecia não estar visível. Calma, consistência e assertividade foram palavras ilustrativas de um triunfo que nunca esteve verdadeiramente em causa. Granerud é já aos 26 anos o atleta mais vitorioso do seu país nesta modalidade e parece ter tudo para conquistar ainda mais. Um seríssimo candidato a alcançar grandes recordes, podendo ser um dos melhores de sempre!
A DESILUSÃO
Coletivo germânico – O “borrego” durou mais um ano, sendo que este foi dos piores dos últimos para a Alemanha nesta competição, falo de um jejum que já dura desde 2002, altura em que Sven Hannawald venceria e logo fazendo um póquer! Com Eisenbichler, Geiger e Wellinger a serem os atletas mais cotados do país aos dias que correm, seria, no entanto, o novato Raimund quem melhor estaria destacando-se de uma exibição coletivamente confrangedora. Depois de num passado recente: Geiger, Freund ou Freitag terem sido sempre apontados a vencer o torneio, salvo melhor opinião, não vejo ninguém com capacidade para almejar ao mesmo nos próximos longos anos. É caso para afirmar: renovação é urgente, tanto em termos de nomes como no capítulo técnico!












