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Tudo adiado para Planica | Saltos de Esqui

Diogo Rodrigues · 7 min

Foto: FIS Ski Jumping

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Com a luta pelo grande globo a prometer ser intensa e rasgadinha até ao fim, era na ressaca dos Mundiais de voos de Esqui que os destemidos homens “pássaro” voltavam a ter de “domar” um trampolim gigante.

A ação da Taça do Mundo de Saltos de esqui voltaria, pela segunda vez na temporada, a passar pela cidade de Oberstdorf, bem no sul da Alemanha. Destacar que a estrutura que receberia mais um fim de semana de competição dava pelo nome de Heini-Klopfer, tinha 235m, um K-point situado aos 200  e possuía um recorde em vigor desde 2018, 238.5m, pertença de Daniel Andre-Tand, ele que havia posto termo à temporada.

Referir que, ao contrário do que acontecera aquando da passagem a contar para o Torneio dos Quatro Trampolins, as bancadas estavam repletas de público como não se vira ainda na presente época.

Ainda de destacar que, no universo dos saltos de Esqui, o germânico de 30 anos, Richard Freitag, havia pendurado em definitivo os esquis, ele que teve como melhor resultado à geral o vice-campeonato em 2016.

Foto de Capa: FIS Ski Jumping

KRAFT COM ASAS PARA VOAR

Com a qualificação a contar com 65 participantes, sendo que apenas 40 carimbariam passaporte para a jornada de sábado, quem se imporia, realizando 225m, que assustavam e muito a concorrência, era Kraft, deixando a quatro metros Lanisek. Já em terceiro, aparecia o outsider, Bendik, ele que parecia dar-se bem ao voar 226m. Quanto a Geiger e Lindvik, marcando-se mutuamente, averbando respetivamente 217.5m e 220.5, fechavam os cinco melhores. Quanto ao voo mais distante do dia, era conseguido por Hayboeck, com o “tubarão” a efetuar 228m. Ryoyu não entusiasmava ao ficar-se pelos 210, 13º registo, ainda assim bem melhor que Eisenbichler, que se qualificava à justa, superando apenas em meio metro a barreira psicológica dos 200. Já Peier, o Kobayashi mais velho e o soldado Leyhe diziam adeus à guerra pelos pontos.

NOVO SUCESSO ALI TÃO PERTO

Com mais um episódio na titânica luta pelo colete amarelo, reservado para a 32ª prova da época, quem liderava com mais de uma dezena de pontos de vantagem e, por conseguinte, com a passadeira estendida para mais um triunfo estava Kraft, que registava 232m. Voando menos 9.5m, encontrávamos Zajc em segundo, enquanto em terceiro militava o especialista Jelar, que averbara distância igual à do comandante. Lindvik  e Lanisek, ficando ambos pelos 217m, eram quarto e quinto respetivamente, com o Top dez a incorporar ainda: Zyla, Wellinger, Stoch, Peter Prevc e Geiger. Quanto a Kobayashi, parecia perder folgo, fruto de 204.5m que lhe valiam apenas o 13º provisório, quatro adiante de Eisenbichler. No entanto, a grande deceção, falhando a qualificação para a ronda final, seria mesmo Granerud, que, com 189.5m, deitava borda fora não só as possibilidades de um bom resultado na prova, como, e mais importante, dizia adeus à luta pela revalidação  do céptro de campeão da Taça do Mundo.

SERVIÇOS MÍNIMOS RUMO A NOVO TRIUNFO

Com as mudanças sucessivas de portão, por conta da direção irregular do vento, a serem mais que muitas, quem aproveitaria para subir até ao 11º, depois de um registo de 225.5m, seria Hayboeck. O novato Bendik dava seguimento ao realizado durante a qualificação e acabaria por garantir o melhor desempenho de uma curta, mas auspiciosa carreira, o sétimo posto, dois melhor que Geiger encurtando mas não muito a diferença para Ryoyu, décimo. Após um primeiro salto em que arrancaria duas notas 20, foi recorrendo a serviços mais que mínimos, 207m, que Kraft colecionava a quarta da temporada e a 25ª da carreira, secundado por Jelar  que igualava o melhor resultado entre a elite e por Zajc. Lanisek e Zyla também se colocavam dentro dos cinco mais do dia relegando, surpreendentemente, Lindvik para fora do lote.

UMA QUALIFICAÇÃO RECHEADA DE SURPRESAS

Num início de jornada em que o vento se fazia sentir, e de que forma, a ronda qualificativa, que contava com 58 atletas em busca de 40 vagas, seria tudo menos previsível. Para começar, a melhor marca da mesma seria também novo recorde da estrutura, fixado por Domen Prevc, 242.5m. Em segundo, aterrando nos 228.5, víamos Kraft, com a terceira marca a pertencer a Zajc, 238.5m. Dando mostras de querer recuperar o nível, Kos seria quarto, enquanto Huber parecia recuperado em pleno da aparatosa queda sofrida na véspera, anotando o quinto registo. Ainda dentro dos dez melhores, de evidenciar a sexta marca assinada por Kobayashi assim como a nona obtida pelo irregular viking Bjoereng. Quanto a Granerud, ficar-se-ia pela 17ª marca, cinco adiante de Eisenbichler. Geiger e Cene Prevc salvariam à pele a face, pois ficariam bem aquém dos 200. Quem, e com “estrondo”, se despedia bem mais cedo do que por certo desejaria, seria Lindvik, pois o detentor da coroa mundial da especialidade saltaria somente 151.5m.

AFINAL HAVIAM OUTROS…

Com um vento frontal a transportar os atletas para longe no começo da ronda inaugural, à medida que esta foi decorrendo tal acabou por desvanecer-se. Quem detinha a liderança, ainda que com escassa margem para o duo perseguidor, era Zila, totalizando 218.5m. A dois metros e meio, na segunda posição, estava um para lá de pouco habituado a tamanhas responsabilidades, Nousiainen, com Kraft, depois de alcançar os 212m, a ocupar o terceiro patamar. Kubacki voltava a dar mostras de um nível elevado após voar 221m, ao passo que, em quinto, aparecia Ryoyu, executando menos quatro. Geiger atingindo os 214m era oitavo, num dia em que Eisenbichler, Stoch e Kos, embora bem distantes da frente, marcariam presença entre os 30 melhores. Contrariamente a Granerud e Cene Prevc que direcionavam já atenções para as etapas de Planica.

OBERSTDORF: A TERRA PROMETIDA DE ZAJC

Com o vento agora de cauda, as coisas estavam bastante mornas, até que aproveitando a volatilidade do mesmo e assinando 232.5m, Jelar ascenderia desde a 11ª posição até a quarta. Quem somaria mesmo a segunda da carreira, repetindo o feito de 2019 aqui alcançado, seria Zajc após 232m. Zyla concluía em segundo, sendo que Kraft fechava em terceiro. Ainda de destacar que Forfang salvava a “honra do convento viking” com a quinta posição. Ryoyu voltava a aumentar a margem no topo, sendo sexto e Geiger nono, pelo meio realçar o sétimo lugar de Kubacki e o oitavo de Nousiainen, o melhor da carreira por larga margem. Isto num dia em que Lanisek fechou a meio da tabela.

Agora, e numa altura em que restam 200 pontos em jogo, as contas da geral estão assim: Ryoyu lidera totalizando 1544 pontos, com Geiger a acumular um déficit de 66 face ao nipónico. Já Granerud e Lindvik lutarão pelo terceiro posto, com o mais velho a deter 1176 pontos, mais 65 que Lindvik.

Quanto a nós, marcamos encontro para Planica. Até lá, já sabe, fique bem, na nossa companhia!

A FIGURA

Timi Zajc  – O jovem esloveno, de 21 anos, depois do vice título da semana anterior, justificou todos esses pergaminhos, mostrando-se sempre bastante regular e à vontade neste trampolim. Apesar da superior forma de Kraft, o miúdo parece querer oferecer -lhe grande na disputa pelo globo de voos de esqui. Calmo, ciente do seu valor, mas principalmente muito consistente, é um valor seguro e um dos que garantem o futuro da modalidade.

A DESILUSÃO

Halvor Egner Granerud – A saída a zeros de Oberstdorf espelha a desinspirada temporada que viveu o ex-detentor do grande globo de cristal. Num fim de semana, globalmente mau para a sua pátria, Granerud foi o seu expoente máximo, ele que apenas soma dois sucessos na presente época. A ver vamos se o talentoso saltador conseguirá voltar de cabeça limpa e em condições de retomar os bons velhos tempos já na próxima temporada.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Diogo Rodrigues

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