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Uma estreia agridoce! | Desportos de Inverno

Diogo Rodrigues · 3 min

Uma estreia agridoce! | Desportos de Inverno
Foto: COP Portugal

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No contexto dos Jogos Olímpicos de inverno Pequim 2022 seria no Esqui Alpino que teria lugar a primeira de  três participações lusas  no certame. Encarregue de dar o pontapé de saída estava a mais promissora esquiadora de alpino a falar a língua de Camões, tal como os dois pódios mais recentes, um em França e outro em Itália, o atestavam. Vanina Guerillot de Oliveira, de apenas 19 anos, cuja missão havia começado logo na cerimónia de abertura ao ser a porta estandarte. Ela que diga-se, a título de curiosidade, que embora resida em França já há vários anos é uma Portuguesa de gema nascida em Atães , freguesia do concelho de Guimarães.

Vanina participava em duas provas, ambas disciplinas técnicas: o Slalom Gigante e o Slalom, sendo que em minha opinião onde melhor poderia expressar todo o seu talento, garra e consistência seria  nos skis curtos.

Foto de capa: COP Portugal

VANINA JÁ PODE DIZER QUE SUPEROU A MELHOR DO MUNDO

Era com os termómetros a bater nos doze graus negativos que o Centro Alpino de Pequim recebia as mais de 80 esquiadoras participantes na prova de Slalom Gigante, título que era aqui defendido por Mikaela Shiffrin, ela que o havia conquistado em Pyeongchang, Coreia do Sul  em 2018, contudo cedo perderia tais hipóteses ao abordar de forma algo “displicente” a quarta porta do traçado. Este erro de memorização valer-lhe-ia uma saída precoce de cena, com uma prova não terminada, DNF. A vencedora do globo de cristal da disciplina, Marta Bassino, também não escapava ao exigente percurso, falhando exatamente no mesmo local que a esquiadora Norte Americana.

Num evento marcado pelas mais de três dezenas de provas não terminadas e confirmando a grande forma patenteada ao longo da época regular, a campeã olímpica seria a bem vocal Sara Hector da Suécia a relegar Brignone de Itália para a prata e Gut-Behrami para o bronze, helvética que juntava mais uma à extensa coleção de medalhas por ela já averbadas em competições de tamanha importância.

De referir que Katarina Truppe cometendo vários erros na segunda descida acabaria fora do pódio, austríaca  que era segunda no final da primeira. A maior desilusão era a eslovaca que lidera a classificação da disciplina na Taça do Mundo de esqui alpino, Petra Vlhova, que seria apenas 12º classificada, posição esta que se explica por uma primeira manga longe da sua real valia.

Quanto a Vanina, e embora acusando ligeiramente a pressão, perfeitamente justificável na primeira descida apontando apenas o 55º melhor tempo, soltar-se-ia na segunda concluindo logo na sua estreia nos Jogos na 43ª posição. Em minha opinião Vanina representou muito condignamente o país nesta prova, acabando por superar o resultado por mim esperado.

 COMPETIÇÃO DE ALTOS E BAIXOS

Dois dias mais tarde e  já  sem a presença de neve era tempo de Vanina conhecer a experiência de participar numa disputa de Slalom nos Jogos. O título esse era pertença de Katarina Liensberger, mas sob a qual pairava a forte suspeita de nem sequer conseguir subir ao pódio, isto olhando às suas prestações no decurso da temporada vigente.

Com uma pista novamente bastante exigente e repleta de armadilhas quase a cada porta, era com enorme surpresa que nomes grados da disciplina se juntavam às mais de três dezenas e meia de atletas que engrossavam o rol de provas não terminadas. Entre estas constava Shiffrin, ela que repetia a dose do Slalom Gigante, sendo que as medalhadas na referida prova também não conseguiram concluir esta.

Com o ouro a ficar para Vlhova que recuperara de um oitavo registo após a descida inaugural, a prata caberia a Liensberger sétima após a primeira metade de disputa, ao passo que o bronze ficava para Wendy Holdener  suíça que registava o quinto melhor tempo  aquando da primeira abordagem ao traçado. Já Vanina  e após impressionar com um tempo entre as 50 mais rápidas, 46ª , não aguentaria a fogosidade típica da juventude e optando por imprimir uma toada de risco máximo não acabaria a  segunda descida.

Apesar desta prestação agridoce , creio que a lusitana sai destes Jogos de consciência tranquila, com sentimento de missão cumprida e acima de tudo com uma experiência para recordar, que certamente a tornará mais forte, consistente e competitiva.

Diogo Rodrigues

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