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Wisla: O quintal de Kubacki | Saltos de Esqui

Diogo Rodrigues · 6 min

Kubacki
Foto: FIS Ski Jumping

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Era na cidade polaca de Wisla que seria dado o pontapé de saída na 44ª edição da Taça do Mundo de Saltos de Esqui, naquela que será a temporada mais longa da história, dado terminar somente em inícios de Abril ao invés de cessar em meados de Março.

Para esta nova época havia a realçar duas ausências: Severin Freund, germânico vencedor por uma vez do certame, e do esloveno Cene Prevc, ambos que haviam tomado a decisão de pôr termo à carreira desportiva durante o Verão.

A estrutura que acolhia a abertura da temporada era o Malinka Adam Malysz  de 134 metros, cujo K-Point está situado aos 120m, e que vê o record  fixado nos 139m, da autoria de Stephan Kraft a vigorar desde o ano de 2013. Ainda de enfatizar que a competição decorria sem a presença de neve! Sim, devido às altas temperaturas e aos elevados custos da energia a organização optava por utilizar uma pista de aterragem composta por relva sintética, algo usual durante a competição estival do GP de Verão.

Foto de Capa: FIS Ski Jumping

KUBACKI CONFIRMA INDICAÇÕES POSITIVAS

Com a primeira qualificação do ano a ver 70 rostos nela inscritos, com as figuras de proa deste desporto presentes, quem parecia dar sequência ao triunfo no Grande Prémio de Verão era o polaco Dawid Kubacki, ele que arrancava o campeonato com um apronto de 133m, deixando o campeão de há duas temporadas Halvor Egner Granerud a 1.2 pontos e a cinco metros. Já o terceiro posto ficava entregue ao saltador natural de Wisla, Piotr Zyla, com o homem da “mosquinha” a totalizar 131m. Impressionando-me pela positiva, Phillipp Raimund da Alemanha era quarto, enquanto o tubarão de Anif, Michael Hayboeck fazia quinto. Daniel Tschofenig, Marius Lindvik, Manuel Fettner, Daniel Andre Tand e Phillipp Aschenwald preenchiam, com todo o mérito, a segunda metade dos dez mais. Num dia em que: Geiger, Kobayashi, Eisenbichler e Johansson  garantiam a presença entre os 50 melhores, contudo bem longe do seu real valor! Como destaque pela negativa: o facto do vencedor da temporada cessante, Jan Hoerl, com míseros 107m falhar a entrada nesse restrito lote, iniciando a época com o pé esquerdo!

KUBACKI: UM DEGRAU ACIMA DA CONCORRÊNCIA

Mesmo com a chuva a cair em força e o vento a soprar com grande intensidade, as bancadas iam estando bem compostas: presente no público o Presidente da República do país. Para alegria das mesmas e concluída uma primeira ronda muito afetada pelas condições atmosféricas, algo que prejudicou grandemente o espetáculo, imune a qualquer tempestade Kubacki parecia colocar uma mudança acima e angariando 131m ia estando no comando, detendo uma vantagem na casa dos três pontos perante o viking Granerud que rubricava meio metro menos. A terceira posição sorria a Kraft que totalizava 125. Ainda dentro dos cinco melhores  de salientar a presença de dois veteranos: Zyla e o mais velho do clã Prevc , Peter. Já como surpresas no lote dos dez melhores contávamos com o local, Pawel Wasek, o germânico Constantin Schmid e o austríaco Daniel Tschofenig. Lindvik era apenas décimo, Stoch e Zajc tinham de recuperar muito para entrar na luta por algo de significativo, assim como Ryoyu Kobayashi.  Para a ronda final não voltariam Karl Geiger e Daniel Huber, que seriam eliminados acabando a primeira competição da temporada sem pontos!

REI DAWID VENCE COM AUTORIDADE

Com a chuva a manter-se impiedosamente forte , havia, contudo, que realçar a mudança de direção do vento, soprando agora de frente ,ajudando os atletas a chegar mais longe. Quem beneficiaria com a alteração da direção e de sentido do vento seria o samurai Ryoyu  que assinando 128.5m ascenderia até à sétima posição: um mal menor! Também : Lanisek, Lindvik, Eisenbichler e Wellinger mostravam ter ainda de afinar, e bem, os motores para serem reais candidatos ao globo! Quanto a Kubacki somava mesmo a vitória, dando sequência a uma excelente pré temporada, fechando com 132m, mais quatro que Granerud, prata, enquanto que o baixinho Kraft seria bronze. Quanto a Fettner dava lastro à melhor temporada da carreira, iniciando esta com uma saborosíssima quarta posição, relegando Zyla para quinto.  Os austríacos Tschofenig e Aschenwald conseguiam salvar um bem razoável top dez. Salientar ainda as primeiras pontuações entre a nata por parte do norueguês Kristoffer Sundal , do nipónico Ren Nikaido e do jovem de 18 anos, o cazaque , Danil Vassilyev, tal como se destacou o transalpino Giovanni Bresadola ao conseguir a 14ª posição, a sua melhor na Champions dos saltos!

VIRAVA O DISCO, MAS TOCAVA O MESMO!

Com o tempo a ajudar, a qualificação pautar-se-ia por marcas mais agradáveis face às vislumbradas na véspera! Kubacki continuava o seu solo, embolsando novo cheque, fruto de 134.5m, mais meio que Lanisek e mais cinco que Kraft. Granerud e Zyla respetivamente quarto e quinto colocados prometiam não facilitar a vida a Kubacki e seus pares. Quanto aos austríacos: Fettner, Tschofenig e Aschenwald pareciam manter o ritmo! Sendo que Daniel Huber, operado de urgência aos ligamentos do joelho direito era baixa de vulto, à semelhança de Kamil Stoch arredado da disputa por irregularidades nas medidas do fato.

LANISEK: O ÚNICO CAPAZ DE PERTURBAR O COMANDANTE

Com o espetáculo nivelado por cima, quem ia liderando ajudado pelas condições de vento aquando do momento do voo ia sendo o inevitável Kubacki com 131m, enquanto Lanisek mais penalizado somava meio metro mais. Já Ryoyu querendo subir a parada era terceiro totalizando 128.5m. Eisenbichler quarto e Granerud quinto também não desarmavam! Por seu turno Geiger era apenas 12º colocado e tinha consciência que uma segunda marca de excelência urgia! Zero baixas de relevo para a decisão da segunda prova da temporada.

KUBACKI COROA FIM-DE-SEMANA DE SONHO

Com o melhor período do fim-de-semana a ficar reservado para a derradeira ronda, quem acabava por fazer o pleno era Kubacki ao brindar a multidão com 133.5m, mais dois metros e meio que o rival esloveno Lanisek. O campeão olímpico em trampolim grande, Lindvik seria terceiro colecionando 130.5m. Granerud e Ryoyu fechavam o Top cinco, num dia em que Fettner, Kraft e Hoerl eram os melhores do país do esqui. Eisenbichler e Tschofenig ficariam aquém, com a maior deceção a ser Geiger apenas 18º.

Na corrida ao grande globo Kubacki é líder somando 200 pontos, mais 70 que Granerud ao passo que Kraft amealha 105 pontos.

Com o campeonato a parar uma semana o regresso está marcado para a Finlândia, mais em concreto para Ruka. Marcamos encontro?

A FIGURA

Dawid Kubacki – Após uma temporada na sombra dos rivais, o ex campeão mundial parece estar no ponto para brilhar, e muito, na nova época! Depois do sucesso do verão Kubacki foi sempre o melhor em todos os saltos demonstrando um poder, uma confiança e uma vontade como não víamos à muito da sua parte. Terá isto que ver com  a alteração à frente dos destinos da sua seleção?

A DESILUSÃO

Karl Geiger – O veterano soldado alemão, vice-líder mundial da temporada cessante não iniciou esta com o requinte, capacidade e força das anteriores. Depois de saltos a meio gás nas qualificações nunca mostrou a massa de que é feito! Estarão os motores ainda a processar e a  retomar o curso natural, ou o genial atleta desmoralizou com o mau tramo final de temporada anterior? Uma coisa é certa: nenhum germânico atinou com este trampolim!

Diogo Rodrigues

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