Publicidade

24h Le Mans: «Nação Valente, Imortal!»

Redação BnR · 5 min

24h Le Mans: «Nação Valente, Imortal!»
Foto: European Le Mans Series

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Após cerca de três meses de atraso da data prevista do evento devido à pandemia, foi no passado fim-de-semana que finalmente se realizou o evento mais esperado do ano para quem bem conhece os Desportos Motorizados.

Deu-se o ponto de partida para as míticas 24h de Le Mans, e o Bola na Rede não podia ficar de fora da festa. Por isso, e sabendo que não é fácil resumir uma prova com 24 horas, iremos retratar a corrida em dois artigos, dividindo, assim, entre as categorias LMP1 e LMP2, e LMGTEPro e LMGTEAm.

Foto de Capa: European Le Mans Series

Artigo redigido por Angelina Barreiro e David Pacheco

LMP1

A categoria LMP1, como muitos sabem, está quase em vias de extinção. Ao que muito se diz por aí, a categoria que outrora era uma das mais fervorosas do Campeonato Mundial de Resistência (WEC), deixou-se abalar pela saída da Porsche em 2018, a equipa que dominava a categoria até então. Sendo assim, prevê-se a sua substituição para os chamados «Hipercarros», já para 2021, pois a LMP1 apresenta-se, neste momento, com apenas cinco carros.

Mas bem, falemos agora da corrida. Após uma luta marcada entre os Toyota e os Rebellion, é o carro #8 da equipa japonesa que acaba por ser a vencedora da grande prova de resistência. Pilotado por Sebastien Buemi, Brendon Hartley e Kazuki Nakajima, os três fizeram a festa, contabilizando, assim, a terceira vitória consecutiva da Toyota nas 24h de Le Mans.

Nas primeiras horas de corrida, parecia ser o carro #7 da Toyota que liderava, sem precedentes. Porém, ao final de cerca de 12 horas de corrida, o carro comandado por Mike Conway, Kamui Kobayashi e José Maria Lopéz acaba por detetar problemas no turbo, retirando-lhes, assim, a vantagem comparativa. Porém, não foi isso que os afastou do pódio, conseguindo, por fim, o terceiro lugar.

Já os Rebellion, acaba por ser uma corrida interessante e dramática, respetivamente. Com os problemas para o Toyota #7, o Rebellion #1 de Gustavo Menezes, Norman Nato e Bruno Senna aproveita a vantagem, passando para primeiro da fila, porém, o Toyota #8 conclui em primeiro, pelo que deixa assim o #1 para segundo lugar do pódio.

O Rebellion #3 (Romain Dumas, Louis Delétraz, Nathanael Berthon) depara-se, nas horas finais, com uma saída de pista de Delétraz, que dramaticamente o leva a parar nas boxes e a perder mais tempo do que o imaginado, devido a problemas mecânicos. Ficam, assim, em quarto e último lugar da categoria, visto que o quinto carro, da Bykolles Racing Team, acaba por se retirar ao fim de quase sete horas de corrida.

LMP2

As 24h de Le Mans não tiveram muita história nos LMP1 – a única história é que a categoria termina este ano. Já na LMP2, as coisas foram diferentes. Presença portuguesa, na forma de Filipe Albuquerque e António Félix da Costa. Não no mesmo carro, mas esse sonho não fica posto de parte por enquanto com o programa Peugeot, António Félix da Costa ser piloto DS Techeetah (Grupo PSA) e o Albuquerque a ter testado pela mesma equipa na Fórmula E…

O campeão em título de Fórmula E, António Félix da Costa, participou na edição deste ano das 24h de Le Mans
Fonte: JOTA Sport

Em 2020, Filipe Albuquerque esteve no #22 da United Autosports, juntamente com Phil Hanson e Paul Di Resta. Félix da Costa esteve no #38 da Jota Sport, juntamente com Anthony Davidson e Roberto Gonzalez.

Ao contrário da classe LMP1, a luta esteve ao rubro. Apesar da pole position do #22, no primeiro turno Albuquerque decidiu não impor um ritmo alucinante, mas sim controlado. Assim, a liderança à terceira hora mudou e o #37 da Jackie Chan Racing com Ho Ping Tung, Gabriel Aubry e Will Stevens, ficou na frente.

O #37 teve problemas, mas para além dos problemas, deitou tudo a perder. Não é a primeira vez em Le Mans da equipa, nem os seus pilotos são estreantes. Mas ao que parece Gabriel Aubry telefonou a alguém, que na altura da avaria eletrónica trouxe a peça necessária para que o #37 pudesse voltar a andar. Ou seja, pela meia noite e após investigação dos comissários, o carro #37 acabou desclassificado das 24h de Le Mans.

Herdando a liderança do #37 ficou o #32. O carro irmão da United Autosports, pilotado por Will Owen e companhia, ficou na frente, colocando o #22 na segunda posição, um 1-2 para a equipa de Zak Brown, o que seria excelente para a corrida de 2020 das 24h de Le Mans. Mas, não queria o destino. Durante a noite, o #32 decidiu ter uma fuga de óleo, ou seja, ficou arreado da luta pela vitória na classe. Um 1-2 que não se materializou.

O #22 herdou a liderança, seguido do #38 no segundo lugar. Mas, a corrida não estava decidida, um Safety-Car nos minutos finais veio baralhar as coisas. Uma paragem de Phil Hanson já nos últimos dez minutos de corrida levou todos os portugueses a colocar as mãos à cabeça. O #38 chegava-se ao #22, mas após alguns minutos de ‘coração nas mãos’ o #38 acabou por parar, decidindo assim o resultado da categoria. Terceira posição na categoria LMP2 para o Oreca 07-Gibson #31 da Panis Racing de Nico Jamin, Julien Canal e Matthieu Vaxivère.

A equipa de Filipe Albuquerque, United Autosports, foi a grande vencedora na categoria LMP2
Fonte: United Autosports

Para além da vitória à classe, Albuquerque é campeão virtual da categoria no Campeonato do Mundo de Resistência (FIA WEC), pois precisa de estar presente na última prova, as 8h do Bahrein.

António Félix da Costa campeão da Fórmula E, Miguel Oliveira o primeiro português a vencer no MotoGP, Grande Prémio de Fórmula 1 em Portugal, Grande Prémio de MotoGP em Portugal, duas rondas em Portugal do Campeonato do Mundo de SuperBikes, última ronda do Campeonato Mundial de Resistência de Motos e agora Filipe Albuquerque vence nas 24h de Le Mans e vai ser Campeão do Mundo de Resistência na LMP2. O COVID-19 vergou o mundo, mas Portugal nunca teve um ano destes no desporto motorizado…

Redação BnR

Redação Bola na Rede · ver artigos