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Infelizmente, não é em 2020 que vamos ver o regresso da Rali Safari às contas do Campeonato Mundial de Ralis. Após um intervalo de 18 anos, este ano seria o regresso da prova africana, mas a pandemia coronavírus retirou-nos esse prazer. Mas, para 2021, já está garantido o regresso.
Com a sua primeira edição em 1953 foi dominado pelos locais, sendo que a primeira vitória de um piloto de fora do continente africano deu-se em 1973. Hannu Mikkola venceu com o Ford Escort RS1600.
Este rali tinha várias particularidades. As regras do Safari eram únicas. Os organizadores faziam as suas próprias regras para se saber que carros podiam ser modificados. Mas o desporto começou a ser cada vez mais profissional e as tensões começaram a aumentar. Em 1988, o Delegado Técnico da FIA encontrou irregularidades nos carros inscritos por seis equipas de fábrica, com os carros inscritos pela Daihatsu a serem os únicos considerados pela FIA totalmente legais.
A manutenção era incrível, com helicópteros a serem usados para levarem os mecânicos e peças suplentes para a cena da prova, em espaços remotos, muitas vezes a milhares de quilómetros da civilização, enquanto havia luz do dia. E, ao longo da noite, equipas de mecânicos podiam seguir atrás do rali, pelas mesmas estradas, para o caso de ser preciso ajuda. O evento era tradicionalmente realizado em estrada aberta, com os tempos contados ao minuto e com os troços a serem decididos (como sucedeu em 1973) pelo princípio de quem o fez da forma mais limpa.
Quando a FIA insistiu para que as secções competitivas fossem medidas ao segundo, isso criou uma infindável confusão quando essas secções foram integradas no resto do evento. A singularidade do rali, juntamente com a liderança inevitavelmente robusta dos organizadores, gradualmente começou a chocar com a FIA e isso levou a várias mudanças de chefia na prova ao longo dos anos. As mudanças na política [desportiva] no início dos anos 90 significaram que o rali teve de passar por algumas mudanças, embora por vezes continuasse a usar secções competitivas mais duras do que o ideal.
Assim, fomos ao baú para recordar alguns momentos desta icónica maratona.
Foto De Capa: Safari Rally Kenya
Artigo de Helena Escaleira e David Pacheco
1.
47th Safari Rally (1999) – Em 1999, o Mundial de Ralis passava para fase de glória de Tommi Mäkinen e a Mitsubishi. O icónico Mitsubishi Lancer Evo gravou o seu nome para a história. Mas outro carro que também nos vem à memória no final dos anos 90 e no início do século é o Ford Focus WRC. Em 1999, o Focus estreou-se no Mundial de Ralis e no Rali Safari conquistou a sua primeira vitória, com Colin McRae e Nicky Grist. Aproveitando a dureza do rali, McRae aproveitou que os seus rivais mais próximos foram desistindo ou tendo problemas para conseguir carimbar a primeira vitória do Focus WRC.
2.
50th Inmarsat Safari Rally (2002) – A última edição do Rali Safari foi intensa. Mais uma vez, muitas mecânicas não aguentaram e assim os pilotos foram ficando para trás. A liderança era de Colin McRae, que estava em luta com Tommi Mäkinen (Mäkinen já estava na Subaru, a bordo do Impreza WRC 02, mas o quatro vezes campeão do mundo também acabaria por desistir. Até Richard Burns, o campeão em título nessa altura, ficou preso nas areias africanas com o Peugeot 206 WRC. No final, McRae voltou a vencer.
3.
43rd Safari Rally (1995) – O vencedor da 43.ª edição foi Yoshio Fujimoto (Toyota Celica Turbo 4WD), acompanhado por Arne Hertz. O segundo lugar pertenceu a Shinozuka Kenjiro (Mitsubishi Lancer Evo III) e o terceiro lugar a Duncan Ian (Toyota Celica Turbo 4WD), ao lado de Williamson David Duncan Ian.
A edição ficou conhecida pela pequena/grande peripécia da Toyota. A história remonta a 1985, ano da apresentação do Toyota Celica GT-Four. A “máquina” tornar-se-ia no trunfo da Toyota no WRC durante uns belos cinco anos.
O Toyota Celica Turbo 4WD chegou rapidamente às vitórias, começando pela edição de 1992 e permanecendo no topo por mais três anos consecutivos sendo que, na edição referida, estaria o japonês Yoshio Fujimoto ao volante.
A “supremacia” do Toyota Celica terminaria em 1995 e ficaria marcada pela negativa. A marca esteve envolvida num escândalo após a utilização de restritores do turbo de dimensões acima do permitido pela FIA, no carro utilizado no Rali da Catalunha. Esta peripécia levou à exclusão da equipa do campeonato, provocou o anulamento dos resultados e à suspensão para a temporada seguinte.
4.
44th Safari Rally (1996) – Tommi Mäkinen conquistou a vitória no Safari, ao lado de Seppo Harjanne. A Mitsubishi tinha apresentado um contrato apelativo (com o novo Lancer Evolution III para 1995) a Mäkinen. Tão apelativo que a relação se estendeu por vários anos. Com uma vitória no Rali Safari em 1996, carro e piloto provaram o seu valor e o finlandês conseguiu manter-se distante do seu rival de sempre, Colin McRae.
Na fase inicial, a prova era dominada por McRae, seguido de Carlos Sainz e, em terceiro lugar, encontrava-se Makinen, não muito distante dos seus adversários.
As condições meteorológicas contrariaram o que era expectável, os terrenos áridos transformaram-se em lagos, o que originou o cancelamento de alguns troços e o surgimento de complicações técnicas que levaram, por exemplo, à queda de McRae para terceiro lugar.
Apesar de uma prova atribulada, Tommi Makinen sagrou-se vencedor, seguido de Kenneth Eriksson (Subaru) com mais 14:16s do que o finlandês. O terceiro lugar pertenceu a Ian Duncan (Toyota) com mais 44:00 e, apesar de não ter lugar no pódio, em quarto lugar ficou Colin McRae a mais 1:07:04.
Artigo revisto por Inês Vieira Brandão















