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E-Prix de Berlim (Corrida 1 e 2): E vão duas vitórias para a mesa do António!

Luís Manuel Barros · 6 min

Foto: Formula E

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A Fórmula E está de regresso após a paragem devido à pandemia de COVID-19, e no espaço de pouco mais de uma semana, verá esta temporada decidida em seis corridas no circuito de Berlim. Antes da paragem, o português António Félix da Costa (DS Techeetah) seguia em primeiro lugar no campeonato com 11 pontos de vantagem para Mitch Evans (Jaguar), e termina este primeiro par de corridas com 68 pontos de vantagem para o novo segundo classificado, Lucas Di Grassi (Audi). É seguro dizer que estas duas corridas correram bem ao português.

CORRIDA 1: NADA COMO UM GRAND SLAM PARA REGRESSAR

Na Fórmula E, devido às regras que procuram promover o equilíbrio e manter as corridas imprevisíveis, nunca tinha acontecido um piloto conseguir a volta mais rápida na qualificação, a volta mais rápida na Super Pole, a volta mais rápida na corrida e a vitória nunca abandonando o primeiro posto, porém, António Félix da Costa, veio para Berlim para provar que a vantagem no campeonato que trazia das cinco primeiras corridas, não era por acaso.

O piloto português conseguiu todos os feitos mencionados acima, e durante a corrida liderou e convenceu, mantendo o colega de equipa e ainda bicampeão de Fórmula E, Jean-Eric Vergne, a uma distância confortável, onde os dois seguiam solitários na frente durante a primeira metade da corrida.

Esse conforto diminuiu quando foi chamado o Safety Car causado pelo choque de Robin Frijns (Virgin) contra uma parede, após um toque de Max Guenther (BMW). O pelotão voltou a aproximar-se, e a hipótese de alguém tentar chegar aos homens da frente reacendeu, mas Félix da Costa quis mostrar como se cumpre o distanciamento social, e desapareceu no horizonte, deixando o seu colega de equipa para lidar com os pretendentes.

A partir deste momento a corrida de Vergne desintegrou-se, sendo que o francês, prejudicado por um “Full Course Yellow” durante o seu segundo Attack Mode, começou a cair pela tabela, até que na última volta, com um toque de Lucas di Grassi, que aparecia em nono vindo de 21.º, o piloto da DS Techeetah foi atirado para 20.º.

Mitch Evans podia e devia ter sido um dos pilotos a aproveitar a má corrida de Vergne, contudo, após ultrapassar o francês, entrou em batalha com Max Guenther, caindo para a 15ª posição, e perdendo a oportunidade de fazer a aproximação a António Félix da Costa.

O top 10 acabava então por não apresentar grandes surpresas, sendo Stoffel Vandoorne uma delas, que, tal como di Grassi, começara a corrida em 16º, terminando em sexto, envolvendo-se na fantástica batalha que desenrolava pelo quinto lugar de Jerome D’Ambrosio (Mahindra).

Os lugares do pódio acabaram fechados por André Lotterer (Porsche) em segundo, após uma corrida em que controlou quase sempre o ritmo atrás dos DS Techeetah, e aproveitou da melhor maneira a queda de Jean-Eric Vergne, já o terceiro lugar ficou para Sam Bird (Virgin), que fez uma corrida segura, sem muito a apontar e acaba por entrar no pódio, com o top 4 fechado por Nick de Vries (Mercedes), que chegou a ter o pódio nas mãos.

Acabou por ser uma vitória tranquila de António, apesar de todo o caos e batalhas atrás de si, e de passar a bandeira axadrezada com precisamente 0.0% de bateria no seu carro dourado. Esta primeira vitória aproveitou da melhor forma a má corrida dos adversários diretos, aumentando a vantagem para Mitch Evans para 40 pontos, após conseguir o máximo possível de 30 pontos em todas as sessões.

CORRIDA 2: E DE REPENTE, SÃO 68 PONTOS DE VANTAGEM

Para não fugir à regra, e mostrar mesmo a sério a quem estranhamente não acredite que António Félix da Costa vai com tudo para vencer o título, esta performance deve ser suficiente. Mais uma vez, o piloto português conseguiu a Super Pole, arrancou de primeiro, e nunca mais olhou para trás, liderando confortavelmente o restante pódio constituído por Sebastien Buemi (Nissan) e Lucas di Grassi.

Contando com a quinta ronda em Marraquexe, esta vitória na segunda corrida de Berlim foi a terceira seguida para o português, e tal como a de ontem, conseguida de forma que quase parece fácil.

O único piloto que ainda foi qualquer coisa parecida com uma ameaça foi Buemi, e mesmo assim não passou do quase. As coisas aparentavam estar tão “fáceis”, que após 15 minutos de corrida, nenhum dos pilotos do top 5 do campeonato, para além do António, estavam nos pontos.

As batalhas desta feita só fervilhavam para lá do segundo lugar de Buemi, particularmente pelo sexto lugar,  com  Oliver Rowland (Nissan), Sam Bird, Alex Lynn (Mahindra) e Edo Mortara (Venturi) em batalha acesa pela posição. Mais à frente, o homem que eventualmente chegaria ao pódio, Lucas di Grassi, aliviava Nick de Vries do quarto lugar, e de seguida Robin Frijns de terceiro, onde ficaria até ao final da corrida, apesar das tentativas do piloto da Virgin de regressar à posição.

Nick de Vries não chegaria ao final da corrida, mas o seu colega de equipa da Mercedes, Stoffel Vandoorne estava ocupado com a melhor ultrapassagem da corrida, em que ultrapassa de uma vez Rowland e Bird, subindo para a quinta posição. O belga da Mercedes e o britânico da Virgin ainda se tentaram intrometer na batalha pelo pódio, mas o brasileiro Lucas di Grassi negou qualquer avanço para o lugar que terminou seu.

Uma das corridas mais catastróficas foi a de Jean-Eric Vergne, que foi incapaz de acompanhar o ritmo de António Félix da Costa, e mais uma vez, perto do final da corrida começou a tropeçar pela tabela classificativa abaixo, desta vez queixando-se de falta de tração nos pneus. Vergne terminou em décimo atrás de André Lotterer, tornando quase impossível a revalidação do título.

Com 120 pontos ainda em disputa nas próximas quatro corridas, António Félix da Costa já leva 68 de vantagem, um número astronómico em qualquer desporto, mas que com erros pode desaparecer. A missão neste momento deve ser amealhar pontos, e manter-se longe de problemas, mas se para o nosso António isso significar dominar por completo as corridas sem ninguém o incomodar na frente, também serve, e até se recomenda.

Foto de Capa: Formula E

PILOTO DO(S) DIA(S)

Fonte: Formula E

António Félix da Costa – Não é necessário acrescentar muito ao que já foi dito, duas performances absolutamente dominantes em termos de qualificação e de corrida. A maioria dos pilotos teria tendência a relaxar, ou até sucumbir à pressão, Félix da Costa parece que melhora com ela, e deu aqui dois passos de gigante para trazer o campeonato para Portugal. Agora faltam quatro corridas, vamos todos acender uma velinha para que o António mantenha o DS longe das paredes.

DESILUSÃO DO(S) DIA(S)

Fonte: Jaguar Racing

Mitch Evans – Até o campeonato parar, Mitch Evans parecia o único piloto capaz de lutar pelo título com António Félix da Costa. Vinha no segundo lugar, a apenas 11 pontos que facilmente são recuperáveis, mas foi incapaz de pontuar nestas duas corridas, e de um segundo lugar bem confortável onde se encontrava, caiu agora para quarto, a 69 pontos de António Félix da Costa. Alguém que avise o Mitch para acordar, porque a quarentena já terminou, e já vem com duas corridas de atraso.

Artigo revisto por Joana Mendes

Luís Manuel Barros

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