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FIA ERC: Os campeões sem vitórias

David Pacheco · 5 min

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Chris Ingram e Ross Whittock tornaram-se campeões europeus este fim de semana, ao terminarem o Rali da Hungria na quarta posição, com os seus rivais pelo título, Alexey Lukyanuk e Alexey Arnautov a ficarem na segunda posição.

Mas, com o fim da época, podemos rever algumas coisas interessantes. Primeiro, a dupla da Grã-Bretanha vence o campeonato, coisa que não acontecia a um inglês há cerca de 50 anos. Vencem também o campeonato sem terem conquistado sequer uma vitória ao longo das oito rondas que constituem a temporada do Europeu.

A temporada começou em Portugal, mais propriamente nos Açores, na ilha de São Miguel. Depois de perder o patrocínio principal, a Azores Airlines, o rali dos Açores foi para a estrada, com a vitória a sorrir a Lukasz Habaj e Daniel Dymurski. Vitória esta que foi resultado da desistência de Lukyanuk, que este ano estreou-se com o Citroen C3 R5 da Saintéloc Junior Team. Segunda posição para o português Ricardo Moura e António Costa. Por fim, Chris Ingram e Ross Whittock foram ao pódio.

Lukasz Habaj venceu o seu primeiro rali no FIA ERC, nos Açores
Fonte: FIA ERC

A dupla britânica apresentou-se nos Açores a bordo de um Skoda Fabia R5, completamente despido de patrocínios, algo que poderia condicionar o restante campeonato. Continuo a achar muito estranho esta dupla não ter conseguido nada, mas, tal como Bruno Magalhães e Hugo Magalhães, os patrocínios foram-se conseguindo prova a prova.

Segunda prova do Europeu e mais uma ilha visitada. Desta vez os pilotos foram às Canárias, onde José Maria Lopez (Pepe Lopez) e Borja Rozada mostraram a sua superioridade. No Citroen C3 R5 da Sports & You, o espanhol viria a competir também no campeonato espanhol, onde se sagraria campeão. Mas de volta ao Europeu, o pódio foi completo por Chris Ingram e Ross Whittock e, no degrau mais baixo do pódio, por Lukasz Habaj e Daniel Dymurski.

No rali da Letónia tivemos um rapaz que surpreendeu tudo e todos. Estou a falar do jovem Oliver Solberg, filho do campeão mundial de ralis e bicampeão de ralicross, Petter Solberg. O norueguês, que correu com licença da Suécia, teve a companhia de Aaron Johnston no Volkswagen Golf GTI R5, batendo o campeão europeu de 2018, Alexey Lukyanuk. Terceira posição para mais um jovem talento, este mesmo da Letónia. Martin Sesks e Krisjanis Caune estrearam-se num carro com tracção às quatro rodas, o Skoda Fabia R5.

O rali da Polónia viu Alexey Lukyanuk e Alexey Arnautov ultrapassarem as dificuldades evidentes de adaptação ao Citroen C3 R5, vencendo assim o rali. A dupla russa parecia não estar muito confortável com a troca do Ford Fiesta R5 para o Citroen.

O ano de adaptação ao carro da marca francesa foi muito difícil para o campeão de 2018
Fonte: FIA ERC

Segunda posição para Jari Huttunen e Mikko Lukka e o pódio completo mais uma vez por Lukasz Habaj e Daniel Dymurski.

Em Itália, ninguém conseguiu bater a prata da casa. Giandomenico Basso e Lorenzo Granai saíram vitoriosos. Na estreia do Ford Fiesta R5 MkII em ralis do europeu, Simone Campedelli e Tania Canton ficaram com o segundo lugar. Andrea Crugnola e Pietro Elia Ometto completou o pódio.

Na Républica Checa a história foi muito idêntica. O campeão europeu de 2013, Jan Kopecky, que em 2013 venceu com um Skoda Fabia S2000, voltou ao rali de casa com um Skoda Fabia R5 Evo, a nova evolução da Skoda para a categoria R5. Dominou e não deu hipóteses a ninguém, sendo secundado por Filip Mares e Jan Hlousek. Esta dupla checa também venceu o Campeonato da Europa Junior 1, apenas por três décimos de segundo sobre um muito desiludido Chris Ingram.

Mas, apesar de perder este campeonato por décimos, restava tentar fazer de tudo para completar as duas últimas provas, já que o britânico estava em muito boa posição no Campeonato principal.

No Chipre tivemos o sétimo vencedor diferente. Nassar Al-Attiyah e Mathieu Baumel em Volkswagen Polo GTI R5 venceram um rali sempre difícil. Chris Ingram foi segundo e na terceira posição mais um regressado aos ralis. Mikko Hirvonen e Jarmo Ottman completaram o pódio com um Ford Fiesta R5.

E chegámos à última prova do campeonato. No Rali da Hungria eram três os candidatos ao título: Chris Ingram, Alexe Lukyanuk e Lukasz Habaj. Habaj foi o primeiro a ficar pelo caminho. Um acidente na especial de qualificação e depois uma saída de estrada no rali ditaram o azar do polaco.

Em condições muito extremas, nas quais grandes chuvas dificultaram imenso a passagem nas especiais de asfalto, que mais pareciam muitas vezes de terra, tal era a sujidade, os furos foram uma constante para todos os participantes. No fim, a última especial foi cancelada. Mas ainda havia mais drama.

Chris Ingram, desta vez com um Skoda Fabia R5 Evo, furava e perdia o lugar no pódio, mas Alexey Lukyanuk fazia o mesmo, tendo de mudar o pneu dentro da especial, perdendo a vitória e o campeonato para o britânico.

A cereja no topo do bolo, num ano muito difícil para Chris Ingram
Fonte: FIA ERC

Assim se passou um dos mais competitivos campeonatos da Europa. Oito vencedores diferentes em oito provas. Na Hungria, o piloto da casa Frigyes Turan venceu o rali.

Para nós portugueses, fica a participação, talvez um pouco mediana, do FPAK Portugal Team ERC, constituído por Pedro Antunes em Peugeot 208 R2 e Aloísio Monteiro em Skoda Fabia R5. Pedro Antunes fez a sua estreia no europeu, na categoria de duas rodas motrizes, tendo até boas prestações.

Pedro Antunes estreou-se no Europeu de Ralis
Fonte: FIA ERC

Já Aloísio Monteiro é um piloto muito mais velho, mas na minha opinião é um gentleman driver, ou seja, não está lá para lutar efusivamente pela vitória. Questiono-me se Ricardo Teodósio poderia ser uma das escolhas para esta equipa, se continuar em 2020. O campeão nacional de ralis já mostrou muito entusiasmo em correr fora de Portugal, e o Europeu seria uma boa aposta. Também temos Bruno Magalhães, que esteve em 2019 com a Hyundai Portugal no Campeonato de Portugal de Ralis, depois de duas épocas nas quais lutou pelo título europeu num Skoda Fabia R5 da ARC Sport.

Aloísio Monteiro e Sancho Eiró a bordo do Skoda Fabia R5 Evo, preparado pela The Factory Racing
Fonte: FIA ERC

O Europeu volta para o ano, com boas notícias: o Rali dos Açores volta a abrir o campeonato, depois de resolvidos os problemas do clube organizador, o Grupo Desportivo Comercial, que conta agora com a presidência de Rui Moniz.

Foto De Capa: FIA ERC

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

David Pacheco

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