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Fórmula 1: Tornar o impossível… Possível?

Ana Catarina Ventura · 3 min

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A Fórmula 1, em conjunto com a FIA (Fédération Internationale de l’Automobile) e com a aprovação do World Motor Sport Council, oficializou o calendário para a temporada de 2023, que conta com um recorde de 24 corridas, com início a 5 de março e fim a 26 de novembro. É o calendário mais longo do desporto.

Apesar de ser algo que entretém os adeptos da categoria, com corridas quase todos os fins de semana (tendo apenas 2 triple-headers durante toda a temporada), deixa algumas questões em relação ao compromisso de sustentabilidade e ao bem-estar de todos aqueles que estão presentes, em trabalho, nas corridas.

Embora estejamos habituados à (pobre) logística da Fórmula 1, com o dito “compromisso” para poluir menos o ambiente, poderíamos assumir que teríamos mais corridas dentro de um continente e depois passar para outro, e assim, reduzir em gastos de viagens, bem como poluição ambiental. Mas não é o que sucede: depois da corrida no Azerbaijão, viajam até Miami (com uma semana de descanso) e regressam para correr no Mónaco. Ou então, correr em Espanha, viajar para o Canadá e (com uma semana de descanso) voltar para Áustria. E, por último, correr no Japão, corrida no Qatar e USA depois, com uma semana de pausa entre as três corridas. Para não falar da colisão do GP da Bélgica… com as 24h de Spa.

Poderia simplificar-se as logísticas para melhorar o calendário, para não existir tantas viagens de um continente para outro. Qual seria o problema de juntar as três corridas dos Estados Unidos da América em três fins de semana seguidos, com uma pausa, e a corrida no Canadá? Não seria melhor começar, por exemplos, na Austrália, e dai tentar seguir ou o caminho asiático (Singapura, Japão, China), Médio Oriente, Europa e terminar nas Américas, ou vice-versa?

Poderão dizer, “mas há momentos para cada corrida” ou “mas o adepto já sabe que em x mês será esta, esta e esta corrida”, mas não passa de um visão incoerente de factos, uma vez que o calendário sempre mudou, inclusive recentemente com a troca da primeira e última corrida da temporada. Se se querem comprometer com algo, não poderão ser palavras vagas sobre o assunto.

Depois há a situação mais pessoal de quem trabalha dentro do desporto. Não só os pilotos e os team principals, mas todos os intervenientes que acompanham as equipas em todas as corridas. Mecânicos, engenheiros, estrategas, social media managers, jornalistas, repórteres e muito mais que possam existir. Essas pessoas também têm uma vida, muitas vezes esquecida pelo trabalho que levam.

Numa altura em que Sebastian Vettel se vai retirar para passar mais tempo com a família, tal como Kimi Raikkonen ou Felipe Massa, deixa a pensar naquilo que é o afastamento de um membro da família por grande parte do ano, perdendo momentos que, raramente, se recuperam. Para além da saúde física e mental dos intervenientes, que poderá piorar ao longo do ano.

A parte positiva disto? Nenhuma corrida de Fórmula 1 bate no fim de semana das 24h de Le Mans, que será nos dias 10 e 11 de junho, que celebra o seu centenário no próximo ano.

Foto de Capa: Formula 1

Ana Catarina Ventura

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Ricardo João Lopes · 6 min de leitura
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