Serão as penalidades da FIA o grande problema da competição? | Fórmula 1

- Advertisement -
modalidades cabeçalho

O papel da Federação Internacional do Automobilismo (FIA) é de definir e fazer cumprir o regulamento na Fórmula 1. Mas o que é que acontece quando essas regras não estão bem delimitadas e são alteradas a meio da temporada? 

A resposta a essa pergunta ainda não foi encontrada e este artigo não o pretende fazer. Mas é inevitável questionar a credibilidade da FIA quando a sua discrepância para atribuir penalizações não foi clara em determinadas situações ao longo da temporada de 2023. 

Referimo-nos, para começar, às penalizações dos limites de pista. Ou melhor, ao pesadelo dos limites de pista. É que desta vez não foi só o Grande Prémio (GP) Austriáco que deu que falar. No GP do Catar assistimos a um autêntico massacre de penalizações. 

Os pilotos da Mclaren abriram as hostilidades sexta-feira no circuito de Losail. No fim da sessão qualificatória ambos tinham lugar garantido nas primeiras linhas da frente, mas passado 8 minutos receberam a notícias que a final Norris iria partir de 13º lugar e Piastri de sexto. 

E assim sucedeu o fim de semana, durante a corrida de Sprint foi a vez de Charles Leclerc e Lance Stroll serem penalizados em 5 segundos por excederem os limites de pista e na corrida de domingo Pierre Gasly, Esteban Ocon, Lance Stroll e Sergio Perez também receberam penalizações pelo mesmo motivo. 

Atenção que aqui ninguém condena esta regra, mas depois de tantos anos e tantas queixas dos pilotos, sobre esta questão de limites de pista nestes dois circuitos em particular, não haverá mesmo solução para que esta situação seja evitada? 

É que a falta de propostas para solucionar o problema não parece ser, já que os pilotos dão bastante inputs à entidade reguladora durante as entrevistas. Foi o caso de Hamilton no Catar, que fez questão de referir que a delimitação pela linha branca deve ser substituída pelas linhas zebras implementadas há uns anos pelos comissários. Estas zebras, são, para o piloto, um marcador mais eficaz para os ajudar a cumprir com o regulamento. 

Para além de que a decisão de penalizar por limites de pista chega sempre muito tarde em relação às corridas. Oscar Piastri soube da penalidade durante a entrevista pós qualificação, Leclerc e Stroll no final da corrida de Sprint. Quer dizer, qual o intuito de estar a ver uma corrida, se no final são atribuídas múltiplas penalizações que alteram os resultados da mesma?

Seria importante a FIA resolver estas questões sobre os limites de pista para tornar estes dois grandes prémios, em particular, mais interessantes. 

Segunda situação e recuando uns quantos GP’s, a penalização de Lando Norris no Canadá também pareceu um pouco descabida e a razão foi ainda maior. O número 4 da Mclaren foi penalizado por ter supostamente abrandado demasiado durante o safety car

Os comissários consideraram que Norris abrandou propositadamente para atrasar o pelotão atrás de si e ganhar tempo para entrar nas boxes. Assim, sendo a FIA decidiu punir Norris por adotar um “comportamento antidesportivo”. 

Uma decisão que deixou confuso Lando Norris e honestamente acho que todos nós. Porque se o piloto não estava 10 segundos acima do Delta, como ele refere à SKY Sports, e não tinha conhecimento de ir às boxes até receber essa ordem repentinamente, o argumento da FIA de que foi propositado não faz sentido. Consta ainda que a McLaren levou provas de situações semelhantes de outras equipas e não terem sido penalizadas. Então, estaremos perante uma FIA inconsistente? 

Parece que sim, basta olharmos para os grandes prémios do México e do Brasil. 

No México Max Verstappen, Fernando Alonso e George Russell foram investigados por impedirem na pit-lane. No entanto, após serem ouvidos a FIA determinou que a penalização não faria sentido. 

No entanto, durante o GP do Brasil, algo semelhante aconteceu a Ocon, Gasly e Russell. Os 3 pilotos não só foram investigados como também foram penalizados pelo motivo acima referido, bloqueio dos adversários na pitlane. A razão da punição? Não ficaram junto ao guard rail esquerdo da saída do pitlane enquanto guiavam lentamente para regressar à pista. 

Mas então o que determina que uns sejam punidos e outros não, em situações semelhantes? 

No caso do impedimento na Pit-lane, está em causa a alteração da regra. Entre estes dois GP’s a FIA determinou que os carros podem ir devagar na pit-lane mas têm de estar o mais possível à esquerda. Caso contrário seriam sancionados, tal como aconteceu aos dois pilotos da Alpine e ao da Mercedes. 

Mas é nestas situações que reside o problema. Alterar regras a meio da temporada, ou como neste caso, a uma semana do GP cria um sentimento de injustiça ou como a FIA gosta de lhe chamar, a adoção de um comportamento muito antidesportivo da parte da entidade reguladora. Seria melhor e menos confuso estabelecer este tipo de regras logo no início da temporada. E esta ideia aplica-se à mudança da regra dos pneus que também foi, no nosso entender, um verdadeiro caos, tendo-se revelado, aliás, ineficaz. 

Aliás, a FIA acusa os pilotos de adotarem comportamentos pouco desportivos, mas a verdade é que a situação com Carlos Sainz no GP de Las Vegas também foi muito condescendente. Então o piloto fica com o carro danificado por causa da pista e é ele que é penalizado. A FIA nem tentou ser tolerante tendo mesmo comunicado à equipa que as regras são as regras e devem ser cumpridas. 

E contra esse argumento, não há factos que se contraponham, mas então a FIA deveria ter um momento de maior retrospecção e notar que a sua inconsistência e discrepância pode mesmo resultar numa perda de credibilidade.

Cindy Tomé
Cindy Tomé
Nasceu em França, onde viveu grande parte da sua vida. Mas as suas raízes levaram-na a regressar a Portugal aos 18 anos. Formou-se no Porto, onde prosseguiu estudos em jornalismo. Eterna fascinada com a "caixa mágica", cresceu a querer ser apresentadora. Foi justamente esse amor pela televisão que a levou a prosseguir os estudos e, atualmente, é mestre em TV e Entretenimento. O pai foi quem lhe passou a paixão pelo Futebol e sendo também ele e a sua melhor amiga os grandes culpados por se interessar pela F1. Atualmente, caminha para se tornar repórter de TV nestes dois mundos desportivos.

Subscreve!

Artigos Populares

Adana Demirspor afunda-se na Turquia e termina época com -54 pontos e 169 golos sofridos: eis o porquê

Clube turco acaba com um registo profundamente negativo que reflete uma época marcada por castigos e fragilidades competitivas.

Diogo Dalot após a vitória frente ao Liverpool: «Muito feliz pela qualificação para a Champions League»

Em declarações à sua assessoria de imprensa, Diogo Dalot refletiu sobre o triunfo do Manchester United diante do Liverpool.

Jaime Faria perde final do Challenger de Mauthausen após reviravolta

Jaime Faria saiu derrotado este domingo na final do Challenger de Mauthausen, na Áustria, depois de um duelo frente a Roman Safiullin.

Thun faz história e conquista o primeiro título na Suíça ao regressar à elite

O Thun sagrou-se campeão da Suíça pela primeira vez na sua história, num feito alcançado na época de regresso à primeira divisão.

PUB

Mais Artigos Populares

Começo demolidor acaba em desilusão | Famalicão 2-2 Benfica

O fulgor inicial do Benfica foi diluído numa saída de cabeça baixa, com um resultado que não só sabe a pouco, como abre portas a uma luta acesa com o Sporting por um lugar na Champions League.

Gil Vicente empata a zeros contra o Rio Ave e não aproveita tropeço do Famalicão na luta pelo 5º lugar

Não houve golos no empate entre o Rio Ave e o Gil Vicente. Gilistas não conseguiram apanhar o Famalicão na tabela.

Consagração sem travão na Luz | Benfica 3-1 Sporting

O Benfica entrou em campo com o Hexacampeonato já garantido. Não haverá, no final da época, assim tantas exibições memoráveis em que uma equipa com o título no bolso decida não puxar o 'travão de mão'.