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Os 4 momentos mais marcantes da MotoGP em 2020

Redação BnR · 6 min

Foto: Team Suzuki Ecstar

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O ano de 2020 no MotoGP fica marcado por alguns momentos. A pandemia roubou-nos o público nos eventos, mas não roubou a emoção das motos mais velozes do mundo.

Em 2020, vibramos com as vitórias do Miguel Oliveira, o regresso do MotoGP a Portugal para se estrear no Autódromo Internacional do Algarve, o campeonato de Joan Mir. Mas o mundo não é só coisas boas. Aqui ficam quatro momentos que marcaram o MotoGP em 2020.

Foto de Capa: Team Suzuki Ecstar

Artigo redigido por Carolina Neto e David Pacheco

1.

A queda e lesão de Marc Márquez – Acredito que este seja um dos momentos mais marcantes da já saudosa temporada de 2020 na categoria rainha do mundial de motociclismo. Pela sua prematuridade e por ter arredado aquele que seria o piloto favorito para a conquista do título de campeão do mundo, outra vez.

Márc Márquez sofreu uma violenta queda nas voltas finais do primeiro grande prémio da época, em Espanha no circuito de Jerez de la Frontera, e desde cedo se percebeu a gravidade da lesão. O que ninguém esperava era o que viria a seguir.

O piloto espanhol e a sua vontade louca de correr, ganhar e competir, decidiu subir para cima da moto na prova seguinte, poucos dias depois de ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica delicada ao úmero direito. E é aqui que está um dos momentos mais marcantes de 2020, já que com esta decisão, Márquez hipotecou toda a época, agravando, inclusive, a sua lesão e aumentando o tempo de recuperação… Que acabou por durar uma temporada inteira, que lhe valeu mais três cirurgias e que poderá ter repercussões ainda nesta nova época de 2021.

Se por um lado, a queda do piloto da Honda lhe roubou uma época e a possibilidade de competir, trouxe muito mais ao mundial de motociclismo. Acredito, firmemente, que a ausência de Márquez deu palco a outros pilotos e equipas – já que a Honda se viu privada do seu melhor piloto e andou toda a temporada a correr atrás do prejuízo. Acabando por mudar a sua abordagem e estratégia para 2021, abdicando, em parte, da Márquezdependencia crónica que tem sofrido nos últimos anos.

2.

Andrea Dovizioso e a Ducati – Quando se percebeu que Marc Márquez iria falhar algumas rondas em 2020, o candidato mais provável seria Andrea Dovizioso, piloto da Ducati que foi vice-campeão em 2017, 2018 e 2019. Eu estava certo que sim, mas…

O piloto italiano da Ducati nestas últimas temporadas ficou apenas atrás de Márquez e, mesmo com uma moto que por vezes não estava ao seu gosto, com várias queixas sobre a falta de viragem no meio da curva, Dovizioso conseguiu levar a luta ao espanhol.

Em 2020, acrescentando às várias queixas (a nova sendo o pneu traseiro Michelin que deu problemas a Dovizioso e a Danilo Petruci), o ambiente na equipa já não era o ideal. Ao Gazzetta Dello Sport, Dovizioso revelou que a tensão entre ele e o diretor geral da Ducati, Gigi Dall´Igna, não estavam com boas relações. Em 2020, o “caldo” acabou entornado e Petrucci e Dovizioso saem pela porta pequena da equipa italiana.

Petrucci ruma à KTM Tech3, para o lugar deixado por Miguel Oliveira. Já Dovizioso pode ficar mesmo de fora. O italiano não tem contrato com ninguém, mas a lesão do seu rival Marc pode abrir-lhe de novo a porta à Honda, onde esteve entre 2009 e 2011.

Para a Ducati, Jack Miller e Francesco “Pecco” Bagnaia assumem as motos da equipa oficial. Um começo novo para a equipa italiana pode ser o que precisa para suceder em 2021…

3.

YamahaGate – A Yamaha em 2019, no final da temporada, encontrou problemas com as válvulas dos motores da M1. Assim, em 2020, o construtor japonês decidiu que para resolver esse problema mudaria de fabricante dessa peça. A temporada de 2020 começou apenas em julho e aí Valentino Rossi, Maverick Vinales e Franco Morbidelli tiveram problemas de motor. De modo a colmatar o sucedido, o construtor japonês fabricou mais motores, só que mudou para o antigo fabricante de válvulas. Ou seja, não quebraram os selos que existem no início da temporada – as regras ditam que «um motor de MotoGP tem de conter os mesmos selos e será aprovado tendo todas as peças idênticas às incluídas na amostra entregue ao Diretor Técnico do MotoGP». Sendo que a amostra analisada tinha uma percentagem diferente de titânio à apresentada ao diretor técnico, os motores foram designados como ilegais.

O resultado da “trapalhada”: A Yamaha foi punida em 50 pontos no campeonato de construtores e no de equipas, com a Yamaha de fábrica e a Petronas SRT a perderam 20 e 37 pontos, respetivamente, ou seja, os pontos obtidos com estes motores ilegais. Mas, e os pilotos? A esses não lhes foi retirado pontos. E porque é que isto é um dos momentos de 2020? Porque, Fabio Quartararo, piloto da Petronas em 2020, foi um dos que esteve na luta pelo título. Infelizmente para o francês, quedas nas últimas rondas retiraram-lhe da luta e deram o campeonato a Joan Mir.

Agora, para 2021, Quartararo segue para o lugar de Rossi, enquanto Rossi toma o lugar de Quartararo. “Il Doctore” apesar de estar numa equipa privada continua a ser uma parte importante do desenvolvimento da Yamaha, de acordo com o diretor geral Lin Jarvis. Pelo menos não devem cometer o mesmo erro duas vezes…

4.

A ascensão de Joan Mir… De outsider a Campeão do Mundo – Falar da época de 2020 é falar, também e obrigatoriamente, de Joan Mir. O piloto espanhol da Suzuki que se tornou campeão do mundo da classe rainha do mundial de motociclismo.

Se decorridas três provas, Mir já somava dois abandonos, a verdade é que os sete pódios e uma vitória lhe valeram o título de campeão. Assim, de fininho, a tentar passar nos pingos da chuva até à vitória final.

O piloto da Suzuki foi o mais consistente de todo o pelotão, apesar de ter ficado várias vezes à porta da vitória que só apareceu no grande prémio da Europa. O suficiente para dar à marca japonesa o título de campeã do mundo… 20 anos depois.

A chave para este ano de sonho esteve na sua consistência e força mental que o espanhol provou ter, numa época em que se tornou vital e fundamental a gestão de emoções e de egoSe analisarmos ao detalhe todas as entrevistas de Mir, nunca o ouvimos ambicionar o título de campeão – mesmo que no seio da sua equipa isso começasse a ganhar cada vez mais força.

O piloto de 23 anos teve armas, sorte e uma moto perfeita para derrotar os seus rivais mais diretos e os fortes candidatos ao título, como Andrea Dovizioso, Fabio Quartararo ou Maverick Viñales.

Redação BnR

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