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No mundo das duas rodas, e em particular no mundial de motociclismo, só existem dois tipos de vitórias: aquelas em que o piloto vencedor domina toda a prova e onde nenhum rival consegue sequer tocar-lhe ou aproximar-se; e aquelas em que só conhecemos o vencedor na última volta ou segundos antes da bandeirada de xadrez.
É destas de que vos falo hoje. As mais emocionantes; as que nos deixam com os nervos à flor da pele. De todas as corridas mais apertadas que vi até hoje, escolhi três. Acreditem, estas são mesmo de cortar a respiração. Ora leiam.
1.
GP da Grã Bretanha (2019) – Não precisei de recuar muito na memória para ter a certeza de que esta prova foi das melhores que vimos em 2019 e, arrisco a dizer, dos últimos anos. De um lado, o Rei e Senhor de 2019: Marc Márquez; do outro estava Alex Rins determinado a mostrar que a Suzuki também consegue ganhar corridas e lutar de mano a mano com os rivais mais temidos.
Em Silverstone, Márquez tentava recuperar o trono depois de ter perdido o GP da Áustria. E tudo parecia correr-lhe de feição: tinha feito a pole position e até se adiantou aos rivais logo nas primeiras voltas.
Mas havia um piloto chamado Alex Rins determinado a atacar o espanhol da Honda. O momento chave para isso apareceu apenas e só na última volta. Rins ultrapassou Márquez, que não se deu por vencido e ripostou, em seguida. Depois de muitas trocas e baldrocas, a última oportunidade para Alex Rins ficava resumida a um feroz ataque na última curva.
O piloto da Suzuki aproveitou uma trajetória mais aberta de Márquez, num autêntico golpe de sorte, que lhe valeu 13 milésimas de segundo e cruzou a linha da meta à frente da Honda.
2.
GP de Itália (2016) – Se em Silverstone, Márquez e Rins ficaram separados por apenas 13 milésimas de segundo; em Itália, Lorenzo e Márquez ficaram 19 milésimas de distância. Parece impossível? Acreditem, não o é.
O circuito de Mugello é conhecido como sendo o reino de Valentino Rossi, e o italiano até fez a pole position neste grande prémio. Mas o espetáculo ficou a cargo de outros dois pilotos. E não estranhem: o Jorge Lorenzo sabe pilotar uma moto – o ano de 2019 não conta.
Rossi teve de abandonar, e os espanhóis deram uma aula de pilotagem aos rivais. Mas a vitória e a emoção maior ficaram guardadas para as últimas três voltas. Depois de muitas trocas e baldrocas, Lorenzo puxou dos galões e valeu-se da velocidade da sua Yamaha para conseguir ser mais veloz que Márquez nos últimos 50 metros… A velocidade de ponta da sua M1 valeram-lhe 19 milésimas de segundo de avanço e a vitória num circuito onde Rossi costumava ser Rei.
3.
GP de Valência (2011) – Este grande prémio leva-nos a recordar dois pilotos que já não fazem parte do mundial de motociclismo: Casey Stoner e Ben Spies. Já confessei aqui que tenho especial apreço pelo australiano e esta prova não podia, de todo, ficar de fora deste top 3.
No circuito de Ricardo Torno, em 2011, os apaixonados das duas rodas prestavam a sua homenagem a Marco Simoncelli que tinha falecido semanas antes em prova. Stoner e Spies decidiram presentear-nos com uma prova muito ao estilo do italiano: cheia de emoção; ultrapassagens e muita adrenalina.
Ben Spies ficou a 15 milésimas de segundo da sua segunda vitória do mundial. Mas não nos podemos esquecer que do outro lado, estava Stoner.
A chuva veio apimentar este grande prémio, quando todos pensávamos que o australiano tinha tudo controlado. Spies, sedento de vitórias e de mostrar o seu valor, correu atrás e chegou a conseguir recuperar os dez segundos de avanço que tinha Stoner. Mas a Honda do australiano foi mais forte e bastou acelerar perto da reta da meta e roubar a vitória ao americano que teve uma curta carreira na categoria rainha do mundial de motociclismo.
Foto de Capa: MotoGP
Artigo revisto por Joana Mendes









