Última horaJosé Juan Romero: do Real Bétis a Ceuta, dos milagres dentro de campo ao futebol em segundo plano
Publicidade

Testes de MotoGP: Quem começou melhor o ano?

Ana Rita Nunes · 5 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Depois de dois meses de pausa, os pilotos da categoria rainha de MotoGP regressaram às pistas. Os primeiros testes do ano tiveram lugar em Sepang, na Malásia, nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro.

Logo no primeiro dia, a curiosidade aguçava-se para ver o campeão do mundo, Marc Marquez (Repsol Honda Team), regressar às pistas depois de uma operação ao ombro, no final do ano passado. O piloto espanhol fez um duro trabalho de reabilitação após a cirurgia para poder estar presente nestes primeiros testes.

Marc Marquez deixou todos, uma vez mais, de queixo caído. Terminou o primeiro dia em primeiro lugar e foi um dos três pilotos que conseguiram baixar da marca dos dois minutos por volta. O atual campeão mundial terminou cedo para recuperar de todo o esforço. No dia seguinte, conseguiu o quinto melhor tempo e último desceu ao 11º posto, deixando a pista quatro horas antes do final da sessão. O espanhol diz ter conseguido sensações muito positivas, apesar de não se encontrar ainda a 100%.

Marc Marquez está de volta às pistas depois de uma operação ao ombro
Fonte: MotoGP

Destaque ainda para a ausência do novo companheiro de equipa de Marquez, Jorge Lorenzo. A ausência do piloto deve-se a uma fratura no braço, que não lhe permitiu testar com a sua nova mota. Espera-se que Lorenzo regresse para os testes no final do mês, no Qatar. 

Quem também regressou às pistas, desta feita devido a uma lesão no tornozelo, foi Cal Cruchlow. O britânico da LCR Honda ainda está em recuperação, mas conseguiu um início sólido com o 14º melhor tempo. Crutchlow foi melhorando os seus tempos ao longo dos três dias, apesar de ainda não se sentir totalmente confortável em cima da mota. No segundo dia, atingiu o quinto melhor tempo, baixando da marca dos dois minutos. No último dia, conseguiu baixar da marca dos 1.59 minutos e terminou no sexto lugar. O britânico está satisfeito com a sua prestação durante estes três dias, mas assume que poderá ter de alterar os seus objetivos para a próxima temporada devido à lesão.

Outra das grandes surpresas do primeiro dia de testes do ano foi Alex Rins (Suzuki Ecstar), que estabeleceu o segundo melhor tempo, abaixo da marca dos dois minutos. No segundo dia, melhorou o seu tempo por volta e manteve-se em segundo. No último dia, apesar de ter terminado em 12º lugar, melhorou o seu tempo. O espanhol apresentou-se em grande forma, fazendo prever ainda melhores resultados na temporada que se aproxima. O colega de equipa de Rins, o estreante Joan Mir, apesar de ter ficado mais para baixo na tabela dos tempos, como seria de esperar, também saiu satisfeito com a sua prestação. O jovem piloto espanhol conseguiu bons tempos, à semelhança dos outros rookies.

Mais importante do que conseguir boas marcas é mostrar melhorias nos tempos ao longo dos dias. Todos os estreantes conseguiram fazê-lo. Fabio Quartararo (Petronas Yamaha), à semelhança de Mir, teve três dias de testes bastante positivos e consistentes, apesar de um pouco abaixo dos adversários, como se fazia prever.

O português Miguel Oliveira não foi exceção, tendo conseguido melhoras significativas desde os últimos testes do ano passado, em Valência e Jerez. Oliveira conseguiu também melhorar ao longo dos dias e terminar a escassos 0.3 segundos da melhor KTM em pista, desta feita de Johan Zarco, que caminha para o seu terceiro ano na categoria rainha. O piloto de Almada terminou o último dia de testes a 1.7 minutos do melhor tempo, apontado por Danilo Petrucci. O piloto italiano da equipa oficial da Ducati conseguiu, para além do melhor tempo no último dia de testes, bater o record do circuito por quase seis décimos de segundo. A marca pertencia antes a Jorge Lorenzo.

Ainda relativamente aos estreantes, grande destaque para o campeão de Moto2, Francesco Bagnaia (Pramac Ducati), que se mostrou a um nível superior aos restantes rookies desde o primeiro dia aos comandos da sua Ducati. No último dia de testes conseguiu mesmo algo incrível. Antes de iniciar a sua primeira temporada em MotoGP, o jovem piloto italiano conseguiu o segundo melhor tempo, abaixo dos 59 segundos. Uma marca excelente para Bagnaia, que arranca o ano da melhor forma.

Francesco Bagnaia foi o melhor rookie nestes primeiros testes do ano
Fonte: Alma Pramac Racing

Depois de todas as queixas e problemas do ano passado, a ansiedade era grande para ver as máquinas da Movistar Yamaha Team saírem para a pista pelas mãos de Maverick Viñales e Valentino Rossi.

No primeiro dia, foi possível perceber que a equipa tinha feito vários progressos com a mota e os tempos mostravam precisamente isso, com os dois pilotos dentro do top seis. No segundo dia, Viñales estabeleceu o melhor tempo por volta. A Yamaha chegou assim ao final dos primeiros testes do ano com ambos os pilotos dentro do top dez durante os três dias em Sepang. Viñales e Rossi mostraram-se satisfeitos com o trabalho da equipa e descreveram sensações positivas aos comandos na nova Yamaha. No entanto, nem tudo é bom e, segundo ambos os pilotos, ainda há pontos a melhorar antes do início da temporada, tais como a aceleração e a travagem.

Viñales alcançou, no segundo dia de testes, o topo da tabela de tempos
Fonte: MotoGP

Apesar de a Ducati ter surgido em grande nestes primeiros testes de 2019, os tempos por volta não são tudo. Tal como os próprios pilotos e as equipas vieram a salientar, ser rápido é, de facto, muito importante, mas o ritmo de corrida e a consistência são absolutamente fulcrais para um bom desempenho. 

A Yamaha, por exemplo, não conseguiu tirar sempre os melhores tempos por volta e ser tão forte como a Ducati nesse aspeto, mas, em termos de consistência, conseguiram estar mais ou menos ao mesmo nível.

De realçar também é a presença dos pilotos das categorias de Moto2 e Moto3 em Valência, Espanha, para preparar a temporada que se aproxima. Estes são testes privados e nem todas as equipas estão a participar. Os primeiros testes oficiais do ano para estas duas categorias terão lugar nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro, em Jerez de la Frontera. 

No mesmo circuito irão também realizar-se, nos dias 23, 24 e 25 de fevereiro, os últimos testes do ano de MotoGP, antes do início da temporada.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: MotoGP

Ana Rita Nunes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

José Juan Romero: do Real Bétis a Ceuta, dos milagres dentro de campo ao futebol em segundo plano

SEVILHA, ANDALUZIA- Espanha não tem sido notícia apenas por boas razões nos últimos meses, bem pelo contrário. A queda do governo de Pedro Sánchez está na ordem do dia e tal ‘crise’ justifica-se com vários pontos: alianças políticas que já não estavam a funcionar, aumento do descontentamento da população, salários que não acompanham o custo de vida, crise habitacional que levou a manifestações por todo o território… No entanto, a memória é traiçoeira. Faz-nos pensar que certos acontecimentos já ocorreram há bastante tempo, quando não é bem assim. Quantos se recordam do dia 30 de julho de 2026? Foi nessa data que ocorreu o começo da crise migratória de Ceuta e as consequências da mesma ainda se fazem sentir hoje em dia. 70 mil pessoas oriundas de Marrocos entraram no território a partir do mar durante as 48 horas, provocando uma crise migratória totalmente inesperada. As razões que estiveram na origem desta entrada em massa não são o foco desta análise. A maioria das pessoas teria uma boa índole, procurando o melhor para si e para os seus. Histórias de vida diferentes umas das outras, mas o objetivo comum de atingir a felicidade. No entanto, também existiu o outro lado da moeda: quem procurou o conflito e a criação de um ambiente tóxico.

Ricardo João Lopes · 5 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Quem é o rei da Andaluzia? É o Real Bétis. Ah, bem me parecia!

SEVILHA, ESPANHA- As últimas temporadas permitiram confirmar um novo paradigma no futebol espanhol. A Andaluzia, recheada de históricos por todas as suas províncias, acabou por ver o Real Bétis transformar-se na instituição mais forte da região. O designado de número 1. Há poucas missões mais difíceis que esta. Uma Comunidade Autónoma larga, com cidades com um espólio enorme, não é fácil de dominar. Para isso, os béticos lograram montar um projeto com vários prazos e uma figura central, beneficiando também do mau momento vivido por outras instituições. Ao pensarmos no futebol na Andaluzia, sem dúvida alguma que o Real Bétis é um dos primeiros emblemas que nos vêm à cabeça. No entanto, o Sevilha já foi o Rei da Europa League e é lembrado em primeiro lugar por muitos. Málaga, Granada, Cádiz, Almería, Real Jaén… as preferências dividem-se, como em tudo. Porém, o domínio estabelecido pela instituição do Benito Villamarín é inegável. Vivemos tempos em que o verde e brancos está na moda no sul de Espanha.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.