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Este domingo, Joey Logano ganhou a “Championship Race” na Phoenix Raceway para se tornar campeão da NASCAR Cup Series pela segunda vez, depois de ter alcançado o título em 2018. Uma exibição de luxo por parte da Penske, sem erros nas paragens, com Ryan Blaney a ficar no segundo lugar da corrida final.
A “off season” ficou marcada por uma grande expetativa em relação à introdução dos carros “Next Gen “na NASCAR. Um veículo que nalguns aspetos constitui uma aproximação às origens do campeonato de “stock cars” e noutros uma renovação.
Foto de Capa: NASCAR
O CARRO “NEXT GEN”
Saiu de cena o “Gen 6”, carro que percorreu as ovais e circuitos convencionais da NASCAR entre 2013 e 2021. O “Next Gen” tem o objetivo de tornar as corridas de “stock cars” mais acessíveis. Implementam desde logo uma grande mudança, pois as equipas passam a ter de comprar as componentes dos carros a empresas como a McLaren, a Goodyear ou a Dallara.
A NASCAR aumenta a fiscalização do inventário de cada equipa, com vista a evitar gastos e discrepâncias excessivas, garantindo equilíbrio no campeonato. As equipas passam também a estar proibidas de substituir um carro antes deste ser utilizado em três corridas.
O novo carro apresenta uma estrutura completamente simétrica, reduzindo a importância da aerodinâmica em prol da configuração do carro e das capacidades do piloto. Os carros também passam a ser mais resistentes ao contacto com outros veículos e com o muro.
Ao nível tecnológico, destaque para um grande passo a caminho da introdução da potência elétrica nos motores da NASCAR. A transmissão e a mudança traseira dos carros passam a ser funcionalidades associadas entre si por um novo transeixo.
O destaque vai mesmo para a redução da influência da aerodinâmica nos carros. Novas entradas de ar no capot permitem ao motor trabalhar com melhor eficiência e pior aerodinâmica. O chassis também foi alvo de uma reconfiguração. Foram introduzidos amortecedores dianteiros e traseiros, com vista a dar mais garantias de segurança aos pilotos. A isto acrescem a ligação dos grampos traseiros e dianteiros à secção central do carro, para facilitar a reparação de danos.
.@dennyhamlin on how the Next Gen car is this bad with safety:
“Bad leadership.”
On avoiding safety issues going forward:
“New leadership.” #NASCAR pic.twitter.com/lTcqiAE0k3
— Noah Lewis (@Noah_Lewis1) October 1, 2022
UM INÍCIO ACIDENTADO EM DAYTONA
As 500 milhas de Daytona foram a primeira corrida oficial com o “Next Gen”. A especulação em torno do carro já não era tanta, uma vez que nos duelos (e antes numa prova de exibição em Los Angeles) para definir a grelha de partida da prova, foi logo possível assistir aos novos carros em ação. Brad Keselowski e Chris Buescher ganharam o primeiro e o segundo duelos, respetivamente, com a nota de maior destaque a pender para um acidente de Joey Logano e um peão de Denny Hamlin no acesso às boxes.
As 500 milhas de Daytona marcaram o arranque oficial da temporada. Uma corrida recheada de momentos, marcada por diversos acidentes, envolvendo nomes como Kyle Bush.
A 10 voltas do final, uma colisão com seis carros envolvidos, entre os quais o campeão de 2021, Kyle Larson, ficaram fora da luta pela vitória. Depois da bandeira amarela, foi a vez de Ricky Steinhouse Jr perder a ambição de ganhar em Daytona. Steinhouse teve um mau arranque e um toque na dianteira de Keselowski, deitaram por terra as hipóteses do carro da JTG Daugherty Racing.
Depois de um prolongamento e de aguentar a pressão forte de Ryan Blaney e também de Chase Briscoe, foi o “rookie” Austin Cindric, a conquistar a primeira vitória da carreira na Cup Series. Blaney ainda apanhou um acidente no fim da corrida. Daytona 500 mostrou, assim que os carros podiam ter mudado, mas a essência do campeonato mantém-se.
The #DAYTONA500 champion adds another honor! @AustinCindric is the 2022 #SunocoRookie of the Year in the NASCAR Cup Series! pic.twitter.com/NBsNOksxiJ
— NASCAR (@NASCAR) November 7, 2022
O CAMINHO PARA OS PLAYOFFS
O campeão não demorou a voltar e Kyle Larson chegou à “victory lane” logo na segunda corrida da época. Larson triunfou na Wise Power 400, uma corrida maioritariamente dominada por Tyler Reddick. O piloto da Richard Childress Racing liderou durante 90 voltas, mas um furo no pneu traseiro, seguido de uma colisão com o carro de William Byron, deixou o número 8 de fora.
O maior azarado da fase regular do campeonato terá mesmo sido Martin Truex Jr. O campeão de 2017 ficou no 22º lugar da fase regular, a 20 pontos do último lugar de acesso aos playoffs. Para além de ficar fora do top 20, Truex Jr não alcançou qualquer vitória nas primeiras 26 corridas do campeonato.
Uma das decisões táticas mais controversas ocorreu na Nashville Sperspeedway. A corrida foi ganha por Chase Elliott, mas o destaque foi para uma ocorrência a oito voltas do fim. O motor de Josh Billicki rebentou, causando uma bandeira amarela que vários pilotos aproveitaram para ir às boxes, na expetativa de um bom recomeço. Entre estes, esteve Martin Truex Jr que acabou por arrancar do meio da grelha, dentro das voltas finais. O veterano da Joe Gibbs acabou por ficar bem longe dos lugares cimeiros, onde teria terminado se não tivesse feito a paragem. Este erro pode ter sido o principal motivo para Truex Jr falhar os playoffs
Já Kyle Bush não viveu a melhor época da carreira, mas ainda conseguiu levar uma vitória e garantir a presença nos playoffs daquela que acabaria por ser a sua última época na Joe Gibbs Racing (vai para a Richard Childress Racing em 2023). Bush venceu no circuito de terra batida em Bristol, numa última volta dramática, quando Chase Briscoe tentou tirar a vitória a Tyler Reddick na última curva. Os dois carros ficaram de fora da luta, permitindo ao número 18 obter a vitória.
Outro piloto a arrancar “a ferros” um lugar nos playoffs foi Daniel Suárez, campeão da Xfinity Series em 2016. Foi no circuito convencional de Sonoma. Foi o primeiro piloto nascido no México a ganhar uma corrida na NASCAR e o quinto a ter nascido fora dos Estados Unidos. Suárez venceu com uma das maiores margens em toda a época. Conseguiu mais de cinco segundos de vantagem para Chris Buescher que ficou na segunda posição.
A última corrida da fase regular, em Daytona, foi marcada por um momento caótico. Um acidente envolveu os 15 primeiros da corrida, permitindo a Austin Dillon emergir para alcançar a primeira e única vitória da época, que lhe garantiu um lugar nos Playoffs. O campeão da fase regular foi Chase Elliott que, como tal, recebeu uma bonificação de pontos para os Playoffs.
Kurt Bush, lenda da NASCAR, estreou-se em 2000 e foi campeão no ano de 2004, com 34 vitórias (no total) no palmarés. Correu frente a nomes como Jeff Gordon, Dale Earnhardt e Bobby Labonte. Um piloto intemporal que venceu este ano, na Kansas Speedway, naquela que acabou por ser a última vitória da sua carreira a tempo inteiro. Em Pocono, o mais velho dos irmãos Bush embateu no muro e ficou com um traumatismo craniano que o colocou de fora do campeonato e dos Playoffs, sendo que em outubro, Kurt Bush anunciou que tinha de se focar na recuperação, pelo que não pode continuar a participar em todas as corridas do campeonato.
Con el retiro Kurt Bush se va el último piloto en la parrilla de Nascar en compartir pista con Dale Senior.
El final de una era.#nascarxfox pic.twitter.com/mNPXsVrzcl— Alberto Alba (@Alberto96Alba) October 16, 2022
10 PASSOS PARA A GLÓRIA: OS PLAYOFFS CHEGAM
A ronda de 16 dos Playoffs ficou marcada por vários problemas com os carros que chegaram a esta fase na luta pelo título. Kyle Busch teve uma avaria e um acidente em Darlington e na Kansas 300, respetivamente. Chase Elliott ficou também de fora em Darlington quando liderava pontualmente o campeonato.
O número reduzido de corridas em cada ronda do playoff levou a lutas intensas por uma boa classificação em cada etapa das corridas. Destaque neste campo para Christopher Bell que acumulou pontos na mesma que lhe permitiram acabar a primeira ronda no primeiro lugar pontual.
Em Bristol (desta vez em alcatrão), Suárez perdeu quaisquer ambições de lutar por um lugar na ronda de 12 carros, com um acidente a pouco mais de 200 voltas do final, que também danificou o carro de Tyler Reddick. O mais curioso foi mesmo nenhum piloto dos 16 ter ganho qualquer corrida na primeira ronda dos Playoffs.
Só a 6 corridas do fim, na mítica pista de Talladega é que finalmente um piloto dos Playoffs conseguiu ganhar após o término da fase regular. Nas três últimas voltas da corrida, houve uma grande luta entre Ryan Blaney e Chase Elliott. Blaney contava com um empurrão de Michael McDowell; já Elliott seguia com Erik Jones encostado à traseira do seu carro.
Blaney entrou na última volta em primeiro, ia perdendo o controlo do carro na primeira curva e perdeu de vez a liderança na penúltima curva da corrida. O piloto da Penske e o da Hendrick fizeram a última volta praticamente toda lado a lado, um final de corrida verdadeiramente espetacular.
Já nas 400 milhas de Charlotte, última corrida da ronda de 12, as derradeiras voltas foram de um suspense enorme. Uma recuperação de Christopher Bell rumo ao primeiro lugar (facilitada por uma bandeira amarela) no prolongamento garantiu um lugar na ronda de 8 ao jovem da Joe Gibbs Racing.
O mais prejudicado foi Kyle Larson, o campeão dominante de 2021. Larson tinha mais pontos do que Bell, mas a vitória em Charlotte deu passaporte automático ao jovem de 27 anos.Só em Charlotte é que o vencedor das 500 milhas de Daytona, Austin Cindric, ficou de fora da luta pelo título. Foi o “rookie” e é provavelmente a maior promessa do campeonato neste momento.
Em Las Vegas, Joey Logano e Ross Chastain tiveram uma excelente luta pelo primeiro lugar. Chastain aproveitou um recomeço após bandeira amarela para chegar ao primeiro lugar e só o piloto da Penske foi capaz de seguir, pressionar e (após duas voltas de pressão) ultrapassar Ross Chastain para garantir um lugar nos “Championship 4”.
Em Homestead-Miami, Kyle Larson dominou completamente e nem nas boxes podia ter alguém à frente. Que o diga Martin Truex Jr que, graças a um toque de Larson, perdeu o controlo do carro a caminho de uma paragem.
Em Martinsville foi a última hipótese para que três pilotos se juntassem a Joey Logano nos “Championship 4”. Tal como em Charlotte, uma vitória de Christopher Bell (abaixo da linha de água antes da corrida) ia trocar as voltas a todos. Denny Hamlin estava em grande, ganhou a primeira etapa do dia e nunca estava longe dos primeiros lugares.
A 20 voltas do final, os carros de Hamlin e de Chastain começaram a tocar-se várias vezes, sendo que ambos os pilotos sabiam que uma colisão entre si ou no muro tinha tudo para significar o fim das ambições a uma vitória final no campeonato. Chastain precisava de controlar a distância para Hamlin de forma a não perder o lugar nos “Championship 4”. Isto, no caso de um piloto abaixo do quarto lugar pontual, assegurar automaticamente o lugar em Phoenix (e assim foi).
Bell passou Chase Briscoe a 6 voltas do fim para não mais largar o lugar na luta final pelo título na Cup Series. O melhor momento da corrida e talvez do campeonato foi na última volta, inédito no automobilismo. Ross Chastain usou o muro para ganhar impulso à entrada da reta final, de forma a anular a vantagem de Hamlin no campeonato e assim chegar ao “Championship 4”. Juntou-se a Joey Logano, Christopher Bell e a Chase Elliott na luta pelo campeonato, em Phoenix.
This is the best thing of 2022 in motor racing !
We all did this on video games with damage disable. Never thought this could become reality 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 https://t.co/UOsfyxox7E— Fernando Alonso (@alo_oficial) October 31, 2022
Bell e Chastain chegavam como os mais inexperientes. O primeiro, da Joe Gibbs Racing, chegou à corrida com 3 vitórias na temporada, sempre fulcrais para avançar nos Playoffs. Ross Chastain, da Trackhouse Racing Team, nunca tinha terminado o campeonato no top 10, nunca tinha estado nos Playoffs e corre na Cup Series já desde 2017. Teve finalmente o ano de revelação com uma presença nos “Championship 4” e duas corridas ganhas.
Joey Logano, da Team Penske, e Chase Elliott, da Hendrick Motorsports, eram mais experientes. Campeões em 2018 e em 2020, respetivamente, tinham percorrido um caminho relativamente tranquilo até à última fase do campeonato, à qual o piloto de 32 anos chegou pela quinta vez (um recorde que partilha com Kyle Bush, Kevin Harvick e Martin Truex Jr). Elliott chegava pela terceira ocasião à corrida decisiva.
Foi uma exibição perfeita da Penske. Joey Logano liderou durante praticamente toda a corrida, criando por mais do que uma ocasião, diferenças significativas para o resto do pelotão. Ganhou a primeira etapa do dia, não teve quaisquer problemas nas boxes, e apenas durante uma volta não esteve à frente dos restantes adversários na luta pelo título.
A sorte não sorriu da mesma forma aos três adversários de Logano. Uma pequena colisão entre Elliott e Chastain, levou o número 9 a embater no muro e a perder quaisquer ambições de lutar pelo título. Ross Chastain e Christopher Bell tiveram resultados fracos na qualificação, em comparação com a “pole position” de Logano.
Bell teve uma má paragem a meio da última etapa da corrida e Chastain teve o mesmo problema no início da mesma. Ambos ameaçaram o carro número 42, mas estava mais do que claro que o título de pilotos e de equipas ia para Joey Logano e para a Team Penske. Nos construtores, foi a Chevrolet a sagrar-se bicampeã. Um fim de semana perfeito, na altura perfeita, para Joey Logano, que é campeão da Nascar CUP Series pela segunda vez, aos 32 anos.
The 22 in ’22 comes true!@joeylogano wins his second NASCAR Cup Series title! pic.twitter.com/38fGnbrZyp
— NASCAR (@NASCAR) November 6, 2022













