Cabeçalho modalidadesO Rali a que injustamente chamam Dakar chegou ao fim, numa prova com muitos problemas devido ao mau tempo, que levou mesmo à anulação de duas etapas e ao encurtamento de outra.

A questão de a prova ser em África ou na América do Sul, ou até em qualquer outra parte do mundo, deu muito que falar devido a todos os problemas que existiram nesta edição. A questão é-me totalmente indiferente, o que não me é indiferente é o uso do nome Dakar: se querem usar o nome Dakar, a prova tem que ser em África e começar ou acabar nesta cidade senegalesa. Assim como está, eu serei sempre contra o nome e, enquanto tiver liberdade para isto, escreverei o mínimo de vezes possível que o artigo é sobre o “Dakar”, porque não o é.

Paulo Gonçalves bem atacou, mas não deu para mais Fonte: Paulo Gonçalves
Paulo Gonçalves bem atacou, mas não deu para mais
Fonte: Paulo Gonçalves

Mas os problemas e as polémicas não foram só devido ao mau tempo. O caso mais polémico passou-se com a Honda, equipa de Paulo Gonçalves: a equipa da marca japonesa foi toda penalizada em uma hora por ter, supostamente,  reabastecido numa zona em que não era permitido.

Paulo Gonçalves foi, apesar desta penalização, o melhor português, terminando em sexto e merecendo mais do que isto pela prova que fez. O piloto de Esposende, não fosse a penalização, e teria lutado pela vitória, vitória esta que sorriu a Sam Sunderland. O inglês da KTM elevou assim para 17 o número de anos em que a equipa austríaca ganhou a prova consecutivamente.

A grande surpresa da prova, para mim, foi o Joaquim Rodrigues: o motard de Barcelos estreou-se na prova com um brilhante 10º lugar, aos comandos de uma Hero Speedbrain. Um resultado que mostra que existem bons valores em Portugal, fora o Paulo Gonçalves e o Hélder Rodrigues.

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Joaquim Rodrigues foi o segundo melhor estreante Fonte: Joaquim Rodrigues
Joaquim Rodrigues foi o segundo melhor estreante
Fonte: Joaquim Rodrigues

Hélder Rodrigues é que para mim foi uma desilusão, mesmo acabando à frente de Joaquim Rodrigues. Esperava-se muito mais de Hélder Rodrigues, que ficou muito afastado da liderança quando o seu objetivo era lutar por ela. No entanto, de realçar a presença de três portugueses nos 10 primeiros.

Quanto aos restantes portugueses, Mário Patrão foi 20º, um resultado que se pode dizer positivo; não muito atrás ficou outra boa surpresa, Gonçalo Reis, que esteve sempre dentro dos 30 primeiros e acabou em 26º. Fernando Sousa Jr  foi 42ª; Fausto Mota foi 49º; Rui Oliveira ocupou a posição 53 e Pedro Bianchi Prata terminou em 57º – assumo que esperava mais dele. Já Luís Portela de Morais e David Megre não conseguiram terminar.

Nos carros, a Peugeot dominou em mais uma vitória de Stephane Peterhansel, a sua 13ª. Sebastien Loeb deu bastante luta ao seu colega de equipa, mas foi incapaz de o tirar do topo da classificação. Cyril Despres fechou o pódio. Paulo Fiúza levou o 15º lugar, enquanto Filipe Palmeiro desistiu na penúltima etapa, quando era sétimo.

Para finalizar, nos camiões, José Martins foi 30º, enquanto Armando Loureiro desistiu, na categoria ganha por Eduard Nikolaev.

Foto de capa: Dakar

Artigo revisto por: Francisca Carvalho