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O Rally Dakar está de volta. A mais dura prova de todo-o-terreno tem início e fim em Jeddah (Arábia Saudita), de 3 a 15 de janeiro, e conta com um total de 7646 quilómetros. São onze etapas, com um dia de descanso em Há’Il, a 9 de janeiro.
🗺 Dakar 2021 🇸🇦
📍Jeddah – Jeddah 🏁
📏 7600km 🏜
100% 🆕 4700 km SS #Dakar2021 #DakarInSaudi pic.twitter.com/jYk6FhPTiW— DAKAR RALLY (@dakar) November 25, 2020
Somos presenteados pela prestação de Autos, Motos, Camiões, Quads, SSV e Clássicos (veículos anteriores ao ano de 2000, que competem numa prova de regularidade). São cerca de 500 participantes a percorrer as areias da Arábia Saudita.
👶 The Classics.
What modern vehicles from 2021 edition do you see becoming iconic/classic?#DakarClassic #Dakar2021 pic.twitter.com/8udS3fapAz
— DAKAR RALLY (@dakar) January 8, 2021
Em 2020, Paulo Gonçalves deixou-nos, naquele que foi um ano de imensas perdas. Com a pandemia da COVID-19, muitos eventos foram cancelados, mas David Castera e a sua equipa conseguiram montar a edição de 2021 do Dakar, no segundo ano da Arábia Saudita.
A edição de 2021 traz novidades em termos de regulamentos. Para além dos novos lugares, é apresentada uma nova navegação e os moldes da prova são alterados: mais técnica, mais lenta e mais segura é o grande propósito da organização. Esta sentiu que os acidentes, os danos e as perdas até então, teriam de ser eliminadas. É impossível não recordar as perdas trágicas da passada edição, em solo saudita. Assim:
– A organização decidiu entregar aos pilotos das categorias principais a informação sobre o percurso do dia apenas uns minutos antes da partida de cada etapa, evitando consequentemente que as equipas pudessem estudar o traçado ao pormenor. Os pilotos de elite recebem um tablet com a informação mapeada, transformada num “roadbook digital”. Esta medida torna a prova ainda mais competitiva pela ausência de possibilidade do estudo prévio do roadbook (utilizando tecnologias como GPS ou drones) e também mais equitativa pois, habitualmente, quem tinha acesso a esses recursos eram as equipas com maiores possibilidades financeiras;
– Pilotos vão passar a receber um sinal sonoro quando estiverem a 200 metros de zonas de mais perigo;
– Nas motos, uso obrigatório de um colete com ‘airbag’;
– Pilotos de motos passam a contar com um limite de seis pneus traseiros para toda a prova;
Estas são estas as principais alterações. Esta é, sem sombra de dúvida, uma prova marcada pela introdução de novidades, que se adivinham ser para “acalmar” um pouco o risco de acidentes. Em termos da pandemia da COVID-19, pilotos, equipas e organização submetem-se ao funcionamento “em bolha” e à realização de testes, tendo já realizado quarentenas, antes do prólogo.
Em 2020 a Honda quebrou a hegemonia da KTM nas motos e com certeza que o construtor austríaco quer recuperar a vitória. Toby Price, Sam Sunderland entre outros estão a apontar ao lugar mais alto de Ricky Brabec. Kevin Benevides, Xavier de Soultrait, são outros candidatos. Quanto às cores portugueses, Joaquim Rodrigues volta na Hero para homenagear Paulo Gonçalves. O luso-português Sebastian Buhler também regressa de Hero, enquanto o Campeão Mundial de Motocross MX2 de 2009, Rui Gonçalves, faz a sua estreia no Dakar com uma Sherco. Alexandre Azinhais leva uma KTM.
Nos carros, as ‘raposas velhas’ voltam a estar no topo da lista de inscritos do Dakar. Carlos Sainz, Stéphane Peterhansel no Mini Buggy, Nasser Al-Alttyiah na Toyota, Sébastien Loeb e Nani Roma no novo BRX. Fora da luta pela vitória, Yazeed Al-Rajhi, Cyril Despres, Giniel De Villiers também vão querer lutar pelo pódio. Nas cores portuguesas, em 2020 os navegadores lusos compõe a caravana dos autos: Paulo Fiúza, Filipe Palmeiro e José Marques. Ricardo Porém volta ao Dakar com o Bogward, mas desta vez com Jorge Monteiro ao seu lado.
Nos Quads, Ignacio Casale larga as motos e vai para os camiões, sendo assim a vitória está em aberto. Manuel Andujar, Alexandre Giroud, Pablo Copetti, entre outros, vão querer ser os mais rápidos.
Nos SSV, a grande estrela do Dakar é o antigo piloto do WRC da Citroen e da Toyota, Kris Meeke. Mattias Ekstrom também estará presente no Dakar. Francisco ‘Chaleco’ Lopez volta a ser o favorito nos SSV, depois de terminar no pódio em 2020. Entre os portugueses, duas duplas: Lourenço Rosa e Joaquim Dias; Rui Carneiro e Filipe Serra.
Por fim, nos camiões, as contas há muito tempo que são simples. Kamaz traz o seu contingente russo e espera dominar nos pesos-pesados. Veremos mais à frente se a IVECO, a MAN ou a MAZ consegue fazer frente aos russos. Nos camiões, José Martins está como piloto e Nuno Forjo Silva como mecânico. No Camião #524 de Javier Jacoste/Francesc Ester Fernandez está José Rosa Oliveira. No camião #547 estão Jordi Ginesta/Marc Dardaillon e o português Armando Loureiro.
Hoje é dia de descanso no Rally Dakar, onde pilotos e equipas aproveitam para recuperar forças antes da primeira etapa Maratona, entre Ha’il e Sakaka com 471 km cronometrados, já no próximo domingo.
Foto de Capa: Rally Dakar
Artigo redigido por David Pacheco e Helena Escaleira
MOTOS: DAKAR AO MINUTO

Na categoria das motos, parece que todos querem estar na frente. Após seis etapas já tivemos quatro líderes diferentes. Começou com Toby Price, passou por Joan Barreda, Skyler Howes, Xavier de Soultrait, Kevin Benevides e o círculo ficou completo por Toby Price novamente. Curiosamente, o vencedor de 2020 não tem estado na frente, com um Dakar até agora um pouco inconsistente. Um pequeno desvio na última etapa, mas Brabec termina em quarta e apesar de «não estar onde quero», o americano já afirmou que está preparado para a próxima semana com «pneus sólidos».
Já o líder das motos, Toby Price, beneficiou do corte de quilómetros da última etapa e no final afirmou que «estamos na luta e tudo pode acontecer. Amanhã é dia de descanso e tentarei reagrupar-me para o resto do rali». Algumas dificuldades em dunas e algumas dificuldades na navegação para Price são as coisas a melhorar para a próxima semana.
Atrás de Price está o argentino Kevin Benevides, a cerca de dois minutos. O argentino abriu as hostes na sexta etapa e apesar de algumas dificuldades, «com dores nos tornozelos e no nariz» conseguiu estar na luta. A completar o pódio está Jose Ignacio Cornejo Florimo. Atrás do companheiro da Honda, os homens de Ruben Faria com certeza que irão atacar Price a partir de domingo.
Em termos de portugueses, Joaquim Rodrigues é o melhor nas motos. O piloto da Hero, a homenagear Paulo Gonçalves, segue na 17º posição à geral, a 45min da liderança. O português já impressionou com duas presenças entre os dez mais rápidos, com o melhor resultado a chegar na etapa 4, com a sexta posição.

O luso-germânico Sebastien Buhler, companheiro de equipa de Rodrigues na Hero, segue na 21.º, a mais de uma hora dos líderes.
O estreante Rui Gonçalves, na Sherco, está na 28.º posição da geral. O campeão do mundo de motocross MX2 em 2009 virou-se para o todo-o-terreno e o Rally Dakar tem corrido bem. Na etapa 3 foi até 9.º classificado.
Alexandre Azinhais não teve a mesma sorte. O piloto que tripula uma KTM partiu o motor na etapa 4 e já não está no normal, fazendo agora o Dakar na classe Adventure. Na sexta etapa foi 72.º classificado.
QUADS: SEM CASALE, MAS YAMAHA DOMINA

Ignacio Casale decidiu que em 2021 o desafio do Dakar deveria ser feito de camião. Por isso, a luta pelos Quads não tem o chileno. Manuel Andujar, quarto em 2020, está agora na luta pela liderança. O argentino é segundo, estando a meia hora de Nicolas Cavigliasso. Alexandre Giroud, que chegou a liderar, é agora terceira, mas já a 45 minutos da liderança. Se Andujar jogar bem a sua mão, pode passar a semana a controlar esta vantagem. No final do dia de hoje, para Andujar «foi um dia bom, com bom ritmo e conseguimos manter um bom tempo para ficar na frente da geral. Amanhã é descansar para a etapa de domingo».
AUTOS: PETERHANSEL LIDERA

Em relação aos carros, pilotos e equipas tiveram a sua ordem de saída após percorrerem os 11 quilómetros do prólogo. Ainda sobre o prólogo, Al-Attiyah (Toyota) não terá visto muitas traseiras sendo que o venceu, com um tempo igual ao de Brian Baragwanath (Century). Em terceiro lugar, Yazeed Al-Rajh (Overdrive Toyota). Carlos Sainz, um dos favoritos, perdeu tempo devido a um furo no seu Mini e a ter-se perdido na navegação.
Não seria o seu último furo, no entanto, não o impediu de vencer a etapa numa disputa com Peterhansel, batendo-o por 25 segundos apesar das adversidades, e liderando no final do primeiro dia. O campeão em título do Dakar, Carlos Sainz, cumpriu os 448 km cronometrados da sexta etapa, (de Al Qaisumah a Ha’il) em 3h38m27s. Gnahou 4m03s a Yazeed Al Rajhi (Toyota) e 7m16s a Nasser Al-Attyiah (Toyota).
Apesar da dupla conquista, foi Stéphane Peterhansel quem manteve a liderança. O francês, que partiu esta manhã como líder da classificação geral, chegou a estar a ganhar mais de dois minutos ao segundo classificado, Al-Attyiah, mas acabou por concluir a jornada na quarta posição, a 7:34 minutos do vencedor. O resultado bastou para manter a frente da prova, com 5:53 minutos de vantagem sobre Nasser Al-Attyiah. Carlos Sainz é o terceiro, a 40.39 minutos do seu companheiro de equipa.
Quanto aos portugueses, o melhor classificado é Filipe Palmeiro. O navegador de Benediktas Vanagas na Toyota Hilux, segue na 13.º posição da geral, a menos de um minuto do décimo classificado, Martin Prokop.

Ricardo Porém e Jorge Monteiro levam o Bogward até à 24.º posição da geral, enquanto José Marques, navegador de Gintas Petrus, segue na 35.º posição da geral.
Infelizmente, Paulo Fiúza, que navegava Vaidotas Zala, ficou pelo caminho. Após duas etapas com problemas no Mini da X-Raid, o motor cedeu, e a dupla terminou o Dakar de 2021 a reboque.
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CAMIÕES: KAMAZ 1-2-3

Relativamente aos camiões, a sexta etapa do Rally Dakar deu um marco importante à Kamaz: a vitória 150 no Rally Dakar, honras do #509 da tripla Airat Mardeev, Dmitriy Svistunov e Akhmet Galiautdinov.
Na geral, o Kamaz #507 de Dmitry Sotnikov, Ruslan Akhmadev e Ilgiz Akhmetzianov a ganhou tempo nesta última etapa e já tem uma vantagem de 37min34s para o Kamaz #501 de Anton Shibalov, Dmitri Mikitin e Ivan Tatarinov.
No lugar mais baixo do pódio a luta está ao rubro. O Iveco #503 de Martin Macik, Frantisek Tomasek e David Svanda foi ultrapassado pelos vencedores desta sexta etapa, o Kamaz #509 da tripla Airat Mardeev, Dmitriy Svistunov e Akhmet Galiautdinov. A mais de uma hora dos dois primeiros, estas triplas estão separados por cerca de um minuto na geral.
Em termos de portugueses, no Camião #521, o mecânico Nuno Fojo, na assistência aos Polaris, ao lado dos espanhóis Alberto Herrero e Juan Carlos Macho são 20º da geral. No Camião #524 de Javier Jacoste/Francesc Ester Fernandez está José Rosa Oliveira. Ficaram-se pela primeira etapa, onde foram 42.º. No #542 o piloto é José Martins e tem a seu lado Jean François Cazeres e Jerôme Naquart. As coisas não correram bem e abandonaram após a Etapa 2. Por fim, no camião #547 estão Jordi Ginesta/Marc Dardaillon e o português Armando Loureiro. Foram 40º no prólogo e por aí ficaram, tendo em conta que a missão de todos é a de assistência rápida, continuam a cumpri-la.
SSV: DOMZALA NA LIDERANÇA. QUINTERO FAZ HISTÓRIA

Nos SSV, começamos primeiros pelo momento histórico de 2021. Seth Quintero, jovem americano de 18 anos, fez história ao vencer a etapa 6, tornando-se assim o mais jovem piloto a fazê-lo. Mas antes do jovem fazer história, foi a vez de Christina Gutiérrez. A piloto foi a mais forte na primeira etapa dos SSV, igualando Jutta Kleinschmidt ao vencer uma etapa. Kleinschmidt é a mulher com mais vitórias no Rally Dakar, com 10 (a última foi em 2005). Jutta Kleinschmidt também venceu a edição do Dakar em 2001.
Na classificação geral, Aron Domzala/Maciej Marton são os líderes, aproveitando os problemas mecânicos de Francisco ‘Chaleco’ Lopez/Juan Vinagre nesta sexta etapa. Na segunda posição da geral seguem Austin Jones/Gustavo Gugelmin a 40 segundos dos líderes. Seth Quintero é terceiro, com a vitória na sexta etapa.
Lourenço Rosa e Joaquim Dias estão no 13.º lugar da geral. Nas etapas, também conseguiram estar entre os dez primeiros, com o nono lugar à geral na Etapa 6.
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Rui Carneiro e Filipe Serra conseguiram recuperar muitas posições depois de um primeiro dia muito difícil, em que os furos os atrasaram muito. Também conseguiram estar entre os dez primeiros, com o oitavo posto na etapa 4, e encontram-se na 36.º posição à geral.








