
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Conor McGregor anunciou no passado sábado a sua retirada do MMA. Já não é a primeira vez que o irlandês utiliza o Twitter para revelar a sua intenção de abandonar o Desporto, no entanto, nunca o chegou realmente a fazer. Será isto tudo uma estratégia de marketing e negociação? Creio que sim. Será que isto significa que a sua próxima luta poderá ser no boxe? Também creio que sim.
Na sequência do seu anúncio, o Bola na Rede fez um top com as cinco melhores lutas de Conor McGregor. Para definir melhor, os critérios de seleção passam por: magnitude/impacto da luta e o que estava em jogo. Não me foquei tanto no resultado do combate em si e isso está expresso em duas seleções, mas noutras isso foi um critério decisivo. Chega de conversa, vamos ao top?
5.
Eddie Alvarez: McGregor Has Very Real Shot To KO Floyd Early https://t.co/k8fuHaT13f #boxing pic.twitter.com/XbklgJlXXL
— BoxingScene.com (@boxingscene) July 24, 2017
Eddie Alvarez vs Conor McGregor – 12 de novembro de 2016 marcou a estreia do UFC no estado de Nova Iorque e logo na maior arena: o famoso Madison Square Garden. O evento número 205 foi encabeçado pelo combate entre o então campeão de peso-leve, Eddie Alvarez, e o então campeão de peso-pena, Conor McGregor.
Depois de uma vitória frente a Nate Díaz no peso meio-médio, McGregor procurou concretizar mais um dos seus objetivos no MMA: ser campeão em duas divisões de peso diferentes. Já detinha o título de peso-pena, quando venceu José Aldo em dezembro de 2015, e procurava agora vencer na divisão acima.
Esta foi uma das melhores (se não mesmo a melhor) exibições de McGregor. Exímio a gerir a distância para o adversário, a acertar golpes precisos num timing excelente, a defender as tentativas de projeção, enfim, foi uma demonstração de toda a qualidade do irlandês. Após ter derrubado várias vezes Alvarez, que acusou muito os golpes de McGregor, na segunda ronda o árbitro John McCarthy não teve outra alternativa se não parar o combate após uma sequência brutal de golpes. Não acredita? Veja aqui:
Com a vitória Conor McGregor tornou-se no primeiro lutador a ser campeão de duas divisões de peso-diferentes em simultâneo. O evento ficou para a história pela sua magnitude, mas McGregor entrou num lote muito restrito de atletas e cimentou-se como a maior estrela de sempre do Desporto.
4.
QUEM LEMBRA?
Há exatos 4⃣ anos, Conor McGregor precisou de apenas 13 segundos para nocautear José Aldo, no UFC 194, e faturar o cinturão no peso-pena pela primeira vez em sua carreira! 🥊🏆#ESPNKnockOut pic.twitter.com/6BlwSj2ivY
— ESPN Brasil (de 🏠) (@ESPNBrasil) December 13, 2019
José Aldo vs Conor Mcgregor – Após uma sequência de cinco vitórias no UFC, Conor McGregor rapidamente captou a atenção dos fãs de MMA e começou a tornar-se num dos nomes mais falados. Quatro dessas cinco vitórias foram por finalização e face aos bons resultados foi concedida a McGregor uma chance de lutar pelo título de peso-pena.
O campeão era José Aldo e vamos explicar o cenário da altura para o leitor perceber a magnitude desta luta: McGregor tinha dado ótimas indicações, mas tinha apenas cinco lutas no UFC; Aldo estava invicto há dez (!) anos e era considerado o melhor lutador do mundo; era um dos campeões mais dominantes da história do Desporto, não só pelas fortes exibições, mas também pelas sete defesas de título.
Com imenso “hype” em torno do combate, o UFC decidiu fazer uma tour mundial para promover esta mega luta. Toda a gente estava de olho neste combate e muitas pessoas ficaram fãs do UFC graças a ele. O problema foi quando José Aldo se lesionou numa costela dias antes do combate. Para ser mais prático explicar, McGregor e Chad Mendes lutaram pelo título interino, McGregor venceu por KO técnico na segunda ronda e o combate contra Aldo foi remarcado para dezembro.
Uns meses depois da data inicial, a vontade de assistir ao combate era ainda maior: não só pela tour que já tinha sido realizada, mas porque McGregor venceu (e bem) mostrando novamente muita qualidade e relembrando aos fãs daquilo que era capaz.
Relembro: Aldo era invicto há dez anos, considerado o melhor lutador daquela época, sete defesas de título consecutivas, até que… McGregor o nocauteou em 13 segundos. Foi um dos maiores choques do MMA, mas também uma das melhores vitórias de sempre. Um golpe bastou para colocar um ponto final no reinado do brasileiro e coroar o novo rei do peso-pena.
Foi o primeiro título que McGregor conquistou no UFC (título unificado, o interino não entra nestas contas) e colocou-o ainda mais acima no patamar de megaestrela. O evento vendeu 1,2 milhões de PPV, tornando-se no segundo maior evento de sempre da história do UFC.
Nota: no balneário antes do combate há imagens de McGregor a treinar o movimento que fez para nocautear Aldo. Passo atrás e cruzado de esquerda. Veja:
3.
Nate Díaz vs Conor McGregor 2 – Vamos contextualizar: depois de derrotar Aldo, McGregor queria cumprir o objetivo de conquistar um segundo título noutra divisão de peso. Então, decidiu subir uma categoria e desafiar Rafael dos Anjos, então campeão de peso-leve. Porém, mais uma vez, o infortúnio de McGregor continuou: o brasileiro lesionou-se e o combate ficou sem efeito. Então, Nate Díaz aceitou combater contra McGregor duas divisões acima daquela que o irlandês combatia: meio-médio.
Quando toda a gente pensava que iria ser fácil para McGregor, Díaz chocou o mundo quando venceu por submissão no segundo round. Focado em conseguir a sua vingança, McGregor pediu uma desforra. E quem iria recusar? O UFC? Depois de vender 1,3 milhões de PPV? Nate Díaz? Depois de ter o melhor pagamento da carreira? Tudo parecia certo para uma segunda volta.
E assim foi, a 20 de agosto de 2016. McGregor e Nate Díaz têm uma autêntica batalha, onde ambos deram tudo o que tinham e o que não tinham para conseguir a vitória. A luta imediatamente se tornou num clássico e vista como uma das melhores de sempre. Não só pelo combate em si, mas também pela rivalidade que se gerou entre os dois atletas. No final, McGregor venceu por decisão maioritária (na altura também dei a vitória a Mcgregor, três rondas contra duas de Díaz).
Esta segunda luta tornou-se no maior PPV de sempre do UFC (até à data), ao vender 1,6 milhões. McGregor conseguiu vencer a sua desforra e um dos seus maiores rivais. Pela magnitude, vendas, história da primeira luta e rivalidade, este foi um dos maiores combates de sempre.
2.
Khabib Nurmagomedov vs Conor McGregor – Eu sei, eu sei o que estão a pensar: como é que um combate em que McGregor perdeu pode estar no seu top de melhores lutas? Como expliquei, os meus critérios não se baseiam só no facto de se foi uma vitória ou derrota.
A realidade é que a proporção que este combate atingiu e a rivalidade que se gerou entre estes dois atletas chegou a patamares nunca vistos. As constantes “bocas” nas redes sociais que por várias vezes ultrapassaram o limite do respeito; o ataque de McGregor ao autocarro onde estava Khabib; as imensas acusações perigosas que fez (por exemplo, acusou o agente do russo de ser terrorista).
McGregor fez uma das maiores campanhas de sempre de trash-talk e o “hype” que se gerou em torno do combate foi gigante, nunca visto. Prova disso? As vendas de PPV: 2,6 milhões! É, até à data, o maior evento de sempre do UFC e o terceiro evento com mais compras de PPV de sempre!
O combate foi muito bom, com algum domínio de Khabib, que conseguiu a finalização por mata-leão no quarto round. Mas a história do combate não fica por aqui. Logo após ter vencido, Khabib atira a proteção bocal contra Dillon Denis, parceiro de McGregor, e salta o octógono e atira-se para cima do lutador. Rapidamente, inicia-se uma autêntica batalha campal fora da jaula. Parecia que toda a gente estava a lutar, literalmente. Zubaira Tukhugov, da equipa de Khabib, foi em direção a Mcgregor e estes começaram literalmente a lutar antes de terem sido separados.
Por todos os acontecimentos envolvidos, esta foi a maior luta de sempre de Conor McGregor no UFC, apesar da derrota.
1.
Floyd Mayweather vs Conor McGregor – O anúncio desta luta caiu como uma bomba no mundo dos Desportos de Combate. Era a primeira vez que um lutador de MMA fazia a transição para o Boxe. Não só para enfrentar um pugilista qualquer, mas aquele que é considerado o melhor pugilista de todos os tempos, com um recorde invicto de 49 vitórias, o rei dos PPV: Floyd Mayweather.
A luta foi promovida através de uma tour entre Los Angeles, Toronto, Nova Iorque e Londres. Todas elas tiveram conferências de imprensa que entretiveram os fãs graças à trash talk que os dois atletas fizeram um ao outro.
Outro fator que tornou esta luta mais intrigante é que, ao contrário do que aconteceu com outros combates de Mayweather, acreditava-se que McGregor tinha uma boa hipótese de vencer. Era mais alto, mais forte, com mais distância, e mais novo que Floyd. O seu estilo de combate era pouco ortodoxo e poderia causar dificuldades ao americano.
McGregor esteve bem nas três primeiras rondas, onde se viu Mayweather a utilizar três estilos de jogo diferentes e Conor a responder a todos eles. Mas Floyd ajustou o seu plano e aí McGregor não teve resposta (o próprio admitiu isso na conferência de imprensa final) e foi derrotado na décima ronda por KO técnico.
Apesar da derrota, McGregor calou muitos críticos com a sua exibição, que foi bastante positiva. Afinal de contas, um atleta de MMA lutou dez rondas (em 12 possíveis) contra o melhor pugilista de sempre e deu boas indicações.
Falando agora de números: 6,7 milhões de compras de PPV fizeram deste combate a maior luta de todos os tempos. McGregor fez 100 milhões de dólares só por ter entrado no ringue, isto sem contar com patrocínios ou com a sua parte dos lucros do PPV. Em junho de 2018, foi considerado como o quarto desportista mais bem pago do ano, atrás de Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Floyd Mayweather.
Esta foi, sem dúvida, a maior luta de sempre de Conor McGregor e será difícil igualar tal feito. Não só pelo interesse mundial gerado no combate, ou pelo dinheiro que envolveu, mas por a segunda maior estrela dos Desportos de Combate enfrentar a maior estrela dos Desportos de Combate no seu próprio jogo.
Foto de Capa: UFC









