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As Figuras e os Momentos que marcaram 2018

Redação BnR · 24 min

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O ano que agora termina trouxe mais um grande conjunto de eventos para as páginas do livro da história do Desporto. De grandes competições a internacionais a disputas internas acérrimas, tivemos de tudo um pouco.

Então, para terminar 2018 da melhor maneira, olhamos para o ano em perspetiva e relembramos os momentos e as figuras que o marcaram.

WRESTLING

Figura do Ano Masculina

Fonte: WWE

AJ Styles – Não dá para negar que AJ Styles foi a maior figura masculina, não só do Smackdown como de toda a WWE. Foi campeão da WWE durante a maior parte do ano, reinado esse que ultrapassou os 365 dias, sendo já o oitavo mais longo da história do título. Além destas conquistas, foi o superstar com os melhores combates e feuds ao longo do ano: desde Shinsuke Nakamura a Samoa Joe, e finalmente Daniel Bryan.

Devido a tudo isto, e apesar de já ter 41 anos, a WWE mostra confiar nesta estrela, uma vez que está a tentar que assine uma extensão de contrato por mais cinco anos. Styles tem vindo a confirmar todo o seu potencial e a provar que terá sido das melhores contratações que a WWE fez na última década. Neste momento, é difícil dizer qual o próximo rumo para ele, após ter perdido o título para Daniel Bryan. Já eu, adorava que vencesse o Royal Rumble e fosse o main-event da Wrestlemania. Porque se há alguém que o merece é o “Phenomenal One”.

Figura do Ano Feminina

Becky Lynch – Podia ter escolhido Ronda Rousey, que abraçou uma experiência nova ao vir para a WWE e foi evoluindo de forma extraordinária com o passar do tempo, mas o primeiro nome que me veio à cabeça foi o de Becky Lynch! Já falei sobre ela no artigo de Natal e volto a fazê-lo, porque foi o verdadeiro ponto alto de 2018. O desenvolvimento da sua personagem foi magnífico, tal como a rivalidade com Charlotte Flair, os combates e segmentos que protagonizou e, no topo da lista, a conquista do Smackdown Women’s Championship pela segunda vez. Carregou uma divisão em constante evolução como ninguém, deu sempre cartas e foi, durante boa parte do ano, o único motivo de interesse para acompanhar a extensa programação. Em 2019, não será muito diferente! O main event da WrestleMania, o combate de sonho contra Ronda Rousey e Charlotte Flair no Showcase of the Immortals e muitas mais conquistas estão à sua espera! 

Momento do Ano Masculino

Roman Reigns retira-se (temporariamente?) – Após finalmente vencer Brock Lesnar e conquistar o seu primeiro Universal Championship, Roman Reigns estava no topo do mundo. Já o defendera várias vezes e, após os The Shield voltarem a formar-se, o céu parecia o limite. No entanto, a vida real interveio. Para abrir um episódio do Raw, Roman fez um discurso emocional e chocante, lançando a bomba de que tinha leucemia e teria imediatamente de se afastar dos ringues. A promo foi chocante, e muito pouca gente sabia disto. Roman abdicou do seu título e retirou-se imediatamente da arena. Foi sem dúvida a promo do ano e uma para ficar na memória de muitos.

Penso que falo por todos quando desejo que Roman recupere para que possa cuidar da sua família e ter uma vida saudável. Tudo o que vier para além disso será um bónus.

Momento do Ano Feminino

Fonte: WWE

Momentos históricos – Não escolho um só momento, mas sim vários e todos com uma palavra em comum: (R)evolução! Este ano foi próspero em first time ever’s para o plantel feminino: primeiro Royal Rumble, Elimination Chamber e TLC matches, a contratação de Ronda Rousey e, no culminar das novidades, o primeiro evento feminino: WWE Evolution e, no Raw de dia 24, o anúncio da criação de títulos de equipas para as lutadoras femininas. A esta lista junta-se a segunda edição do Mae Young Classic e o terceiro Money in the Bank Ladder Match.

Se pudesse eleger um ano marcante para o wrestling feminino seria sem sombra de dúvidas 2018. A WWE manteve a aposta para as mulheres ao oferecer mais competição e motivos para cimentar de uma vez por todas a igualdade de género na empresa. É certo que ainda existem pontos a precisar de melhorias, e isso vai com o tempo, mas este ano foi histórico e um dos mais importantes para a evolução feminina na WWE.

Afonso Viana Santos & Miguel Catarino

DESPORTOS MOTORIZADOS

Figura do Ano Internacional

Fonte: Mercedes AMG

Lewis Hamilton – O britânico pode ficar orgulhoso de conseguir mais um prémio este ano. Na discussão ainda surgiram nomes como Alonso pelas suas vitórias na WEC e Marc Marquez na MotoGP, mas, após uma época que aparentava ser difícil na sua primeira metade, Hamilton engrenou mais uma mudança e esteve num nível muito acima dos seus competidores na segunda metade do ano, ganhando pole positions e corridas sobre uma pressão gigantesca, enquanto que Vettel e a Ferrari sucumbiam perante ela.

O seu título deste ano permite que se junte a uma elite onde só Fangio e Schumacher estão presentes, a dos 5 títulos mundiais, talvez esteja na hora de mirar o recorde de 7 de Schumi…

Figura do Ano Nacional

Fonte: Hyundai Motorsport Portugal

Armindo Araújo – Um regresso há muito esperado. Armindo Araújo, bicampeão mundial de produção nos ralis (2009 e 2010) e pentacampeão nacional de ralis (2000, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2018), regressou após cinco anos de ausência completa das competições. 

O piloto de Santo Tirso correu pelo Team Hyundai Portugal, com o seu carro a ser preparado pelos espanhóis da RMC Motorsport. 

Armindo venceu metade das provas que disputou e nas outras contou com concorrência muito forte de Ricardo Teodósio e José Pedro Fontes. Mostrou que a longa paragem não afetou nada no seu ritmo competitivo e só elevou mais a competitividade no Campeonato de Portugal de Ralis. 

Acabou por bater o recorde de campeonatos em Portugal ao conquistar o quinto, ultrapassando Carlos Bica e Joaquim Santos.

Assim, o CPR torna-se cada vez mais atrativo para os fãs e para patrocinadores desta modalidade do desporto motorizado, com uma esperança que 2019 seja ainda melhor.

Momento do Ano Internacional

Retirada de Fernando Alonso da F1 – Como é que se é considerado um dos melhores de sempre quando “apenas” tens dois campeonatos mundiais de Fórmula 1?  Sendo um génio atrás do volante que não desiste por nada, nem por ter quase sempre um carro mais fraco que a concorrência.

Essa é a definição de Fernando Alonso, o espanhol venceu os seus campeonatos em 2005 e 2006 e desde aí esteve quase sempre a uma unha negra de conseguir mais, aliás, se ele tivesse apenas 11 pontos em 3 épocas diferentes, poderia ser um pentacampeão bem antes de Lewis Hamilton. É verdade que muitas vezes ele foi o seu próprio inimigo, queimando pontes com boas equipas na Fórmula 1, mas inegável o seu talento e a influência que teve no desporto motorizado nos últimos 16 anos.

Felizmente, é só um fim ou até já no que toca a F1, com a vitória em Le Mans e o campeonato de WEC quase no bolso e a participação na Indy 500 do próximo ano, Alonso pode chegar à tão cobiçada Coroa Tripla do desporto motorizado, que inclui essas duas corridas e o Grande Prémio do Mónaco. Uma imagem que ficará para sempre gravada na memória dos fãs de Fórmula 1 será a sua despedida em Abu Dhabi este ano, com guarda de honra de Vettel e Hamilton, um momento de respeito entre 3 dos melhores de sempre, e para a equipa dos desportos motorizados, o momento do ano 2018.

Momento do Ano Nacional

Miguel Oliveira no MotoGP – Miguel Oliveira conseguiu, este ano, algo que parecia inalcançável. Se há alguns anos se dissesse que Portugal teria um representante no topo do mundial de motociclismo, provavelmente, poucos acreditariam. 

O piloto português provou que nada é impossível e poderemos vê-lo em pista, a competir com os melhores do mundo, já no próximo ano. Com apenas 23 anos, estará ao lado de grandes nomes como Marc Marquez, Valentino Rossi e Andrea Dovizioso. Depois de ter sido vice-campeão mundial em Moto2, esta nova experiência é para o português a realização de um sonho. As dúvidas quanto à permanência de Rossi para a temporada de 2019 dissiparam-se e Miguel Oliveira vai ter a oportunidade de competir com o seu ídolo de infância. 

O Miguel tem um grande desafio pela frente. Nova categoria, novos adversários e uma nova mota: maior, mais pesada e mais potente. 

A bandeira portuguesa estará pela primeira vez representada na grelha da classe rainha, em 2019, por Miguel Oliveira, aos comandos da sua nova KTM.

Ana Rita Nunes, David Pacheco & Luís Manuel Barros 

DESPORTOS DE INVERNO

Figura do Ano Internacional 

Martin Fourcade – Pelo sétimo ano consecutivo, foi o grande vencedor da Taça do Mundo de Biatlo, ultrapassando o lendário Ole Einer Bjorndalen no número de troféus conquistados. 

Nas Olimpíadas também esteve ao seu melhor nível e subiu ao podium para receber três medalhas de ouro, subindo para sete medalhas o seu registo Olímpico.

Tudo isto até poderia ser só mais um ano para quem está habituado a dominar o seu desporto época após época, mas o que ainda mais impressionou foi tê-lo feito numa temporada em que teve um grande rival a afirmar-se para lhe morder os calcanhares, Johannes Thignes Bo, que parece cada vez mais capaz de levar o francês ao limite.

Figura do Ano Nacional

Fonte: Comité Olímpico de Portugal

Arthur Hanse – Depois de não ter conseguido terminar nenhuma das provas em Sochi 2014, os Jogos Olímpicos deste ano na Coreia do Sul eram importantes para definir o legado que Hanse deixaria nos Desportos de Inverno em Portugal.

A resposta foi extremamente positiva e, depois de um resultado razoável no Slalom Gigante, superou-se a si mesmo para chegar ao 38.º posto no Slalom, conseguindo atingir o objetivo de terminar uma prova entre os 50 melhores e, acima de tudo, alcançando o melhor resultado relativo da participação nacional em Olimpíadas de Inverno.

Momento do Ano Internacional 

Ireen Wust vence Ouro Olímpico nos 1500 metros – A veterana holandesa bateu o recorde de medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos e chegou às medalhas nesta distância pela quarta vez consecutiva, desde Turim 2006.

O tempo passa, mas ninguém tira Ireen Wust do topo da patinagem de velocidade e, quando parecia começar a abrandar, PeyongChang veio provar o contrário.

Momento do Ano Nacional 

Fonte: Federação de Desportos de Inverno de Portugal

Prata na Development Cup – Os Desportos de Inverno continuam a crescer em terras lusitanas e, no final do ano, foi a Seleção Nacional de Hóquei no Gelo a obter um bom resultado para as cores portuguesas. Na Alemanha, a equipa participou na segunda edição da IIHF Development Cup e chegou à final, onde foi derrotada pela Macedónia.

Há um ano, em Andorra, a seleção já tinha feito história e terminado em terceiro, num torneio disputado por quatro nações, ganho por Marrocos. Desta feita, o conjunto luso rumou ao estrangeiro com mais ambições e regressou com uma medalha e um conjunto de boas exibições que deixam boas perspetivas para o futuro. 

Apesar de não ser o tão desejado troféu, a Seleção Nacional saiu de Fussen com muito para celebrar.

José Baptista

SNOOKER

Figura do Ano 

Mark Williams – Campeão do mundo pela terceira vez na sua carreira, o galês ainda levou para casa o German Masters e o World Open. Termina o ano na segunda posição do ranking mundial e ameaça seriamente a liderança de Mark Selby. Deu espetáculo dentro e fora das mesas de snooker. Um dos melhores anos da carreira do experiente jogador de 43 anos.

Momento do Ano

Fonte: World Snooker

Mark Williams nu em Conferência de Imprensa – Decorriam os Quartos-de-Final do Campeonato do Mundo quando, durante uma entrevista, Mark Williams prometeu que, caso vencesse a competição pela terceira vez, iria comparecer na conferência de imprensa após a final completamente nu. Williams prometeu… e cumpriu.

Diogo Reganha

ANDEBOL

Figura do Ano Internacional

Carlos Ruesga – Não havia volta a dar. Desde o momento em que pisou um pavilhão em terras lusas, que Carlos Ruesga se firmou como o melhor jogador a atuar em terras portuguesas. 

O experiente central espanhol, que passou por clubes como Portland San Antonio, Barcelona, Veszprém e agora Sporting CP, veio dar a experiência e magia que faltava, não só ao plantel do Sporting CP, mas também ao campeonato português. 

Desde que chegou a Portugal, em 2016, Ruesga já atingiu um Bi-Campeonato Nacional, uma Taça Challenge e, este ano, já auxiliou a equipa de Hugo Canela a passar a fase de grupos da Liga dos Campeões pela primeira vez na sua história. 

Mais do que a qualidade técnica e incrível leitura de jogo, o central espanhol trouxe uma voz de comando, tornando-se várias vezes um treinador dentro de campo, uma autêntica extensão de Hugo Canela no terreno de jogo. Sempre que a equipa necessita de um golo aparece Ruesga. Quando a equipa parece desorientada e é necessário acalmar o jogo, aparece Ruesga. 

Não devem ser só os adeptos Sportinguistas que devem estar contentes com a vinda de Carlos Ruesga para Portugal. Todo o amante de andebol deve ficar contente por ver as grandes estrelas mundiais jogar e quando temos o privilégio de as ver competir no nosso campeonato, então a única coisa que devemos fazer é encostar-nos na nossa cadeira e apreciar. 

Figura do Ano Nacional

Fonte: Sporting CP

Hugo Canela – É preciso recuar 37 anos para reencontrar um Sporting bicampeão nacional de andebol. Nunca uma equipa portuguesa tinha passado a fase de grupo da Liga dos Campeões no formato atual. Podia continuar a enumerar feito do Sporting de Hugo Canela, mas o objetivo é sagrar o treinador português dos leões como a Figura Nacional do ano de andebol.

O trabalho realizado até agora é de louvar. É verdade que os recursos são muitos – em Portugal, os verde e brancos são o clube com maior orçamento – mas também é verdade que a equipa corresponde às expectativas dos adeptos e não se cansa de vencer. O treinador pegou na equipa numa altura complicada e ergueu a confiança dos jogadores. Atualmente lidera um grupo mais coeso, mais potencializado e, acima de tudo, mais vencedor. 

Neste momento, comanda uma equipa com uma força ofensiva enorme e que se superioriza aos rivais a maior parte das vezes. O ano que se segue vai ser de grandes decisões para o clube de Alvalade, que se pode qualificar para a fase de eliminatória da Liga dos Campeões (um acontecimento inédito para equipas portuguesas) e uma possível revalidação do título de campeão nacional.

A equipa dos leões tem cumprido os objetivos e alcança vitória atrás de vitória. Hugo Canela já contribuiu e muito para o desenvolvimento da modalidade e é a figura do ano do andebol nacional. Ainda é jovem e tem uma carreira que promete ser brilhante e cheia de grandes feitos. Dois campeonatos seguidos pelo Sporting colocam-no num patamar de treinadores de elite em Portugal.

Momento do Ano Internacional 

Fonte: EHF Champions League

Montpellier vence a Liga dos Campeões 15 anos depois! – O Montpellier é um dos históricos do andebol mundial. A equipa, fundada em 1982, conta no seu palmarés com 14 campeonatos, 13 Taças de França, 10 Taças da Liga e atingiu o auge no ano de 2003, quando venceu a sua primeira Liga dos Campeões, batendo na final o Portland San António de Espanha por um resultado agregado de 46-50 (27-19 na 1ª mão e 19-31 na 2ª). 

No entanto, a equipa sofreu um pouco com a chegada dos investidores ao PSG, que tornaram a equipa da capital a grande força do andebol francês ao investirem quantidades de dinheiro nunca antes vistas na equipa. Não só isso, mas o crescimento do Nantes veio aumentar as dificuldades no plano interno. 

Foi assim que, na época 2017/2018 que agora terminou, o Montpellier entrou na Liga dos Campeões no grupo D, teoricamente o mais fraco de todos, onde encontrou equipas como o Sporting CP, Besiktas e Metalurg. Sem grandes dificuldades, passou em primeiro lugar do grupo com oito vitórias e duas derrotas em dez jogos, passando assim para o play-off de acesso aos 16-avos de final, onde encontrou o CB Ademar León, que venceu com um resultado agregado de 43-48, apurando-se assim para a fase a eliminar.

E aí começou a caminhada gloriosa da equipa de França, onde o central argentino Diego Simonet emergiu como figura principal. Nos 16-avos de final, eliminaram a poderosa equipa do Barcelona, vencendo em França por 28-25 e perdendo em Barcelona, passando assim para os oitavos de final graças à diferença de um golo.  

Na fase seguinte foi a vez de enfrentarem os alemães do Flensburg-Handewitt, vencedores da competição em 2014. Ao contrário do que se poderia pensar, esta eliminatória foi mais calma para a equipa francesa, que empatou a 28 golos na Alemanha, vencendo depois em França por 29-17, e carimbando assim a passagem à final-four pela primeira vez.

Como tem sido costume, a final-four realizou-se em Colónia, Alemanha, e, pela primeira vez na história, estavam presentes três equipas francesas, o PSG, Nantes e Montpellier, demonstrando a força desde campeonato.

Na meia final, a equipa de Patrice Canayer defrontou o Vardar, vencendo 27-28 e carimbando assim a passagem à final pela primeira vez desde a vitória de 2003. Na final, o adversário foi HBC Nantes, que vencera o PSG por 32-28. Era uma final totalmente francesa pela primeira vez na história, e daí saiu mais forte o jogo coletivo do Montpellier que, graças a uma exibição estrondosa do central Diego Simonet (eleito melhor jogador da final-four) e do guarda-redes Vincent Gerard, venceu por 32-26.

O Montpellier recuperava assim a glória europeia que lhe escapava desde o ano longínquo de 2003 e demonstrava que o andebol é muito mais do que ter mais dinheiro ou os melhores jogadores, mas que uma equipa coesa e apoiada num jogo colectivo consegue sempre ultrapassar a qualidade individual de um ou outro jogador.

Momento do Ano Nacional

Portugal Campeão da Europa de andebol em cadeira de rodas – O momento nacional do ano não podia ser outro. Os atletas portugueses de andebol em cadeira de rodas conquistaram o Campeonato europeu ao vencerem a seleção da Croácia por 20-7, na final do torneio que decorreu em Leira. Estes jogadores merecem um enorme reconhecimento por colocarem Portugal no topo da modalidade, numa competição realizada com um desempenho assinalável.

A seleção nacional venceu todas as equipas que encontrou no torneio: frente à Holanda, impôs-se por 12-9, à Croácia, ainda na fase de grupos, por 18-15, e à Hungria por 14-3. Um grande momento dos nossos jogadores. Ricardo Queirós recebeu ainda o prémio de melhor jogador da prova. Portugal já tinha sido 2º classificado nas outras duas participações nesta competição. “À terceira é de vez” e foi mesmo. Portugal não deu grandes hipóteses aos adversários, tendo passado mais dificuldade na fase de grupos contra a Croácia do que na “finalíssima”. Os atletas portugueses entraram em campo com grande concentração e convencidos em conquistar o Torneio diante dos adeptos lusos – ao intervalo já venciam o jogo por 8-1.

Mais uma conquista do andebol nacional, mais uma prova de que a modalidade está a crescer assim como a cultura à volta deste desporto. Uma grandiosa demonstração de qualidade, de determinação e de esforço da Seleção portuguesa. Quatro jogos e quatro vitórias para Portugal e uma medalha de ouro. Espero sinceramente que esta sede de vitória portuguesas continue e que se espalhe por mais e mais desportos. A equipa orientada por Danilo Ferreira chega assim ao topo do andebol em cadeira de rodas e precisa agora de continuar o trabalho duro em torno de um projeto iniciado em 2009 e que já dá muitos frutos.

Francisco Reis, Leonardo Costa Bordonhos & Pedro Palma

FUTSAL

Figura do Ano Internacional

Ricardinho – Ricardinho, o melhor jogador do mundo de futsal, vai para sempre lembrar-se do ano de 2018 como, possivelmente, o melhor da sua carreira enquanto profissional da modalidade. Em 2018, o português venceu com Inter Movistar a Liga Espanhola – pela quinta vez consecutiva -, a Supertaça Espanhola e a UEFA Futsal Cup. Já ao serviço da seleção das “Quinas” conquistou o Europeu na Eslovénia, o tão desejado troféu que já ambicionava há muito tempo. O atleta do Inter Movistar recebeu, em 2018, o prémio de melhor do mundo, relativamente ao ano transato, pela quinta vez. Por todo o seu esforço e troféus conquistados ao longo do ano foi novamente o melhor do mundo, pela sexta vez. Por isto, Ricardo Filipe da Silva Duarte Braga é para nós a Figura do Ano do Futsal no contexto internacional.

Figura do Ano Nacional

Nuno Dias – No ano que está prestes a terminar, o Sporting CP manteve o domínio do futsal nacional, só falhando a conquista da Taça da Liga este ano. De resto, o plantel leonino fez o pleno em todas as competições nacionais e, apesar de o plantel verde e branco ser extremamente forte e poderoso, muito do mérito tem que ser dado ao treinador da equipa, que pegou num conjunto de grandes jogadores e transformou-a numa grande e competitiva equipa, a melhor em Portugal e uma das melhores do nosso continente.

Momento do Ano Internacional

Fonte: FPF

Conquista do Europeu de Futsal na Eslovénia – O impossível foi mesmo feito e, certamente, 2018 entrará na história da Federação Portuguesa de Futebol por, finalmente, ter conquistado um Europeu de Futsal.

Portugal partia para terras eslovenas em busca de um feito inédito e que poucos acreditavam que podia ser conseguido, mas realizou-se o sonho. Com uma geração nova e algumas caras experientes conduziram a equipa das “Quinas” ao trono europeu da modalidade e, finalmente, ouviu-se “a Portuguesa” a alto e bom som. Um torneio que não ia ser fácil para a seleção nacional, mas a força e ambição dos nossos atletas que meteram em campo fez com que trouxessem o “caneco” para terras lusitanas. Para nós, este foi o momento mais marcante do ano no Futsal por ter sido o primeiro troféu da modalidade para a nossa seleção, e como se costuma dizer “a primeira vez nunca se esquece”.

Momento do Ano Nacional

Fonte: FIFA

Medalha de Ouro nos JO da juventude – Para coroar um ano de excelência no futsal português, conseguimos uma excelente vitória em Buenos Aires, nos Jogos Olímpicos da Juventude. A final não teve grande história, uma vitória clara de quatro zero sobre o Japão, que chocou o mundo ao eliminar a forte equipa da Espanha nas meias-finais. Uma grande vitória, independentemente do oponente no jogo decisivo, numa equipa onde pontifica Fifó, um verdadeiro diamante e uma das melhores jogadoras do mundo, apesar de apenas ter 18 anos.

Eduardo Nunes & João Pedro Barbosa

HÓQUEI EM PATINS

Figura do Ano Internacional

Aitor Egurrola – O experiente guardião espanhol continua a colecionar títulos. Apesar da sua veterania, Edu Castro continua a utilizá-lo como o principal guardião do Barcelona, o que se tem revelado como uma aposta ganha. Na época de 2017/2018, o capitão dos blaugrana venceu a OK Liga, a Taça do Rei e a Liga Europeia. Em relação à presente temporada, Egurrola já foi decisivo na conquista da Taça Continental e da Taça Intercontinental.

Vitórias que permitem a Egurrola distanciar-se, ainda mais, na lista dos hoquistas mais titulados de sempre, contabilizando trinta e dois troféus. 

Figura do Ano Nacional

Fonte: Carlos Silva Photography

Ângelo Girão – Após vários anos com inúmeras defesas decisivas para confirmar vitórias em alguns jogos, Girão foi determinante na conquista do campeonato. Tendo sido o principal elemento de uma equipa que mais do que atacar, preocupava-se em defender. Este foi um ingrediente essencial para a vitória final na liga. 

Girão foi quase sempre titular, falhando apenas dois jogos, tendo somente sofrido trinta e oito golos, o que equivale a uma média de 1,6 golos sofrido por encontro, sendo que ainda alcançou o feito de terminar quatro partidas sem conceder qualquer tento ao adversário. Algo que mais nenhum guarda-redes conseguiu.

Momento do Ano Internacional

Taça Intercontinental na Argentina – A Taça Intercontinental nem sempre foi uma competição bem tratada pelas entidades competentes. No entanto, desde a entrada de pessoas como Carmelo Paniagua ou Fernando Claro na FIRS, agora denominada World Skate, a prova tem vindo a ganhar outro destaque. O modelo de dois jogos, que na maior parte dos casos era de apenas um devido à incapacidade financeira da equipa sul-americana, foi alterado para uma final-four. Quadro competitivo onde foi inserida a possibilidade de participação dos campeões de África e Ásia/Oceânia. Contudo, apesar das provas de África e Ásia/Oceânia se disputarem, nenhum dos vencedores tem participado na Taça Intercontinental. 

Em 2017, as duas vagas em aberto foram ocupadas pelo Benfica e o Andes Talleres, equipas que ganham o direito de participar na prova de 2016, que nunca se veio a realizar na altura correta. Este ano, foi o Porto e o Concepción a ocuparem os lugares livres na vertente masculina, pois pela primeira vez a prova também foi disputada pelas mulheres. Vencedoras e vencidas da Euroliga e Sul-Americano de Clubes estiveram presentes, ao invés das campeãs de África e Ásia/Oceânia. 

Após vários anos com a prova a disputar-se sempre no velho continente, o melhor do hóquei em patins europeu foi demonstrar todo o seu valor à principal catedral da modalidade, o pavilhão Aldo Cantoni, em San Juan, na Argentina. Infraestrutura que esteve quase sempre cheia durante os três dias de competição, com cerca de sete mil pessoas nas bancadas, número bastante superior às melhores casas europeias, o que embelezou, ainda mais, o espetáculo que se desenrolou dentro de pista.

Momento do Ano Nacional

Fonte: Sporting Clube de Portugal

Sporting CP vence Campeonato – O dia 2 de junho é um dos mais importantes da história do hóquei em patins leonino, pois, uma semana depois de ter vencido o dérbi na Luz por 7-4, o Sporting, em pleno João Rocha, com possibilidade de conquistar algo que já lhe fugia há trinta anos, não desperdiçou a oportunidade e carimbou a vitória no Campeonato Nacional de Hóquei em Patins. Num clássico diante do Porto, equipa que até então não tinha derrotado desde o seu regresso ao hóquei senior, os leões não defraudaram as expetativas e venceram os dragões por 5-4. Vitória que abrilhantou a temporada espetacular que os verde e brancos realizaram nas modalidades.   

Diogo Nunes

BASQUETEBOL

Figura do Ano Internacional

Fonte: Dallas Mavericks

Luka Doncic – Ainda no Real Madrid, ganhou a Euro Liga, competição na qual foi MVP (também o foi na Final 4). Foi também o MVP da Liga Espanhola, mas nos Estados Unidos ainda duvidavam dele. Agora já ninguém duvida! Luka já é uma estrela da NBA, o melhor jogador de uns Mavericks a fazer um campeonato acima do esperado e o grande candidato a rookie do ano. E tudo isto com apenas 19 anos.

Figura do Ano Nacional

Neemias Queta – É mais um dos jogadores portugueses que tenta a sorte no país do Basquetebol: os Estados Unidos da América. Numa altura em que o basquetebol português começa a recuperar do seu estado vegetativo ter um português a poder chegar à NBA só pode ser considerado positivo e é por isso que selecionei como figura nacional. Havia alguns jogadores a poderem ser figuras de destaque em 2018. Mas quer queiramos quer não, terá mais destaque um português no banco da NBA que um a marcar 80 pontos por jogo no campeonato português.

Momento do Ano Internacional

Free Agency – Os playoffs foram tudo menos surpreendentes, com LeBron a dominar o Este até apanhar os super-Warriors nas finais, que não deram hipótese. Por isso, a free agency mexida merece o prémio. LeBron acabou nos Lakers e levou a “meme team” com ele e DeMarcus Cousins decidiu ir para o único onde ninguém queria que ele fosse. Para além disso, Jimmy Butler criou o caos em Minnesota até ser trocado e Kawhi Leonard conseguiu, finalmente, sair de San Antonio onde estava infeliz, com destino a Toronto.

Momento do Ano Nacional

Fonte: FPB

Título para a Oliveirense – O momento do ano é difícil de escolher. Estive em dúvida entre dois, o título da Oliveirense ou a conquista da Taça por parte do Illiabum. Acabei por ir para o título da Oliveirense. Foram ambos momentos marcantes, mas o da Oliveirense foi, na minha opinião, mais especial. Ganhar um jogo é mais fácil que ganhar três e a Oliveirense limpou a final contra o Porto com muita categoria.

António Pedro Dias & Rodrigo Fernandes

CICLISMO

Figura do Ano Internacional

Fonte: Quick-Step Floors/Getty Images

Elia Viviani – Depois de em 2017 nem sequer ter participado numa única Grande Volta, o italiano estava a precisar de mudar de ares, mas a ida para a Quick-Step Floors poderia muito bem ser um presente envenenado, já que substituir um Marcel Kittel que havia ganho cinco etapas no Tour não seria tarefa fácil.

No entanto, Viviani não só esteve à altura do desafio, como se tornou figura incontornável do ano, sendo o ciclista com mais vitórias (18), sete delas em Grandes Voltas, quatro no Giro e três na Vuelta.

O triunfo nos Campeonatos Nacionais transalpinos foi a cereja no topo do bolo de uma época de sonho, não só pelo que representa, mas também pela forma como foi alcançado à base da força num circuito que nada lhe assentava.

Figura do Ano Nacional 

Fonte: Volta a Portugal

Domingos Gonçalves – O barcelense foi fenomenal ao longo de todo o ano e somou várias vitórias em território lusitano, além de conseguir estar entre os melhores em todo o tipo de provas. 

É claro que a conquista dos Campeonatos Nacionais tanto de crono como de fundo bastavam para o colocar num nível demasiado alto para o cenário português, mas a forma como se comportou na Volta a Portugal, como uma etapa conquistada e um top dez na Geral final, impressionou ainda mais, para um atleta que está longe de ser um trepador puro.

Momento do Ano Internacional 

A cavalgada a solo de Chris Froome – Quando o triunfo no Giro e, por consequência, na terceira Grande Volta consecutiva parecia perdido, o britânico deu a volta ao texto como só os melhores dos melhores são capazes, com um ataque a solo de mais de 80 quilómetros, nos quais amealhou para cima de três minutos face aos opositores e lhe valeu a camisola rosa.

Alcançar a tripla coroa do ciclismo já seria impressionante, mas Froome fê-lo da melhor forma possível, como uma das melhores exibições da história da modalidade.

Momento do Ano Nacional

Prata de Ivo Oliveira no Mundial – Depois dos títulos mundiais de Rui Costa (Estrada) e Tiago Ferreira (BTT), Portugal dedica-se agora a tentar conquistar a Pista, e os Mundiais deste ano foram um passo de gigante para esse objetivo.

Num evento em que foram alcançados três resultados que bateram o anterior melhor resultado das cores nacionais, todos eles através dos gémeos Ivo e Rui Oliveira, foi na Perseguição Individual que surgiu a primeira medalha da história da nossa seleção em Mundiais de Pista.

Após obter o melhor tempo da qualificação, foi batido na final pelo italiano Filippo Ganna. Esperemos que 2019 traga a desejada vingança.

José Baptista

Foto de Capa: Carlos Silva Photography/Bola na Rede

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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