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No dia 26 da última semana, foram apontadas muitas críticas à WWE por ter produzido, na opinião de muitos, o pior Monday Night Raw de sempre. Embora possa parecer exagerado, a verdade é que foi um episódio aborrecido, previsível, e que nada acrescentou às storylines em curso. Infelizmente, tem sido assim nos últimos meses.
E isto é preocupante para algo que se intitula como “entretenimento”. Aquele que é o principal programa semanal da WWE não é considerado must-see TV, e dá a sensação de que apenas vale a pena ver o PPV’s na Network.
Entretanto, o SmakDown tem apresentado bons programas, com histórias melhor contadas, e com um melhor aproveitamento dos lutadores (mesmo não sendo perfeito). No entanto, não está isento de críticas e continua longe (tal como o Raw) de ser algo que prenda os espectadores aos ecrãs.
Tudo isto leva-nos a uma pergunta inquietante: Que factos levam a WWE a produzir programas banais, e às vezes muito maus, todas as semanas?
Insistência em part-timers

Não é de agora, mas ultimamente parece que a WWE insiste na velha fórmula de trazer de volta part-timers para vender um combate e até um evento.
O principal caso disto é, obviamente, Brock Lesnar. Desde o seu regresso em 2012 que tem direito a uma agenda folgada, aparecendo apenas nos principais eventos do ano e no Raw que antecede os seus combates. E o pior é que o faz muitas vezes enquanto campeão.
Este é um dos principais problemas do RAW: não ter um campeão mundial presente. Mas a WWE parece não entender isso. O facto de o campeão Universal estar mais vezes de folga do que em trabalho tira imenso interesse ao programa e é uma das razões que levam os fãs a não se darem ao trabalho de o ver.
No entanto, há outros casos, tal como Goldberg. Antes da Wrestlemania 32, ele era a principal estrela a caminho do evento. Regressou antes do Survivor Series, participou no Royal Rumble, ganhou o título no Fastlane e perdeu-o na Wrestlemania. Facto interessante: durante o seu regresso, a participação de Goldberg em combates durou menos de 10 minutos. No entanto, teve imensa exposição, foi bem pago, mas o seu regresso acabou por não acrescentar muito ao produto.
E depois há os casos (já habituais) de Triple H, Undertaker, Kane. Até Shawn Michaels voltou recentemente para demonstrar que ainda tinha algo a dar.
No entanto, raramente estes lutadores ajudam a criar uma nova estrela na companhia; só regressam para dar mais exposição aos eventos e combates em que participam. Para mim, este é o principal problema da excessiva utilização de part-timers.
Heel-turns sem sentido

Este ano tem sido propício a heel-turns que têm deixado muito a desejar. Momentos em que lutadores adorados pelo povo decidem virar-lhes as costas e deixam de olhar a meios para atingir os seu objectivos. Quando é bem feito os resultados podem surpreender, mas não tem sido o caso.
Para além de Daniel Bryan, o caso mais chocante terá sido o de Shinsuke Nakamura. Raramente ao longo da sua carreira, ele fora o vilão numa rivalidade. E, apesar de ter cumprido bem o seu papel, os fãs já estão outra vez desesperados para o apoiar e cantarem a sua música de entrada.
O outro caso relevante é o de Becky Lynch. Após muito tempo a ser deixada de parte no que tocava ao SmackDown Women’s Championship, conseguiu a sua oportunidade no Summerslam. Mas Charlotte intrometeu-se no combate e acabou mesmo por ganhar o título.
O passo lógico seria tornar Charlotte a vilã. Ela tirou a oportunidade à melhor amiga de ganhar o título e quando Lynch a atacou após o combate os fãs enlouqueceram porque a entendiam e apoiavam essa decisão.
É verdade que Lynch acabou por ganhar o título e tornar-se uma das principais Superstars de todo o roster, enquanto heel. Mas isso só aconteceu devido ao extraordinário apoio demonstrado pelo público, que sente que este reinado é mais do que merecido e irá apoiá-la até ao fim.
Isto são só alguns exemplos de heel-turns que falharam redondamente e que acabaram por tornar o lutador em questão ainda mais popular entre os fãs. Enquanto que o objectivo deveria ser exactamente o contrário.
O azar das lesões

Uma das razões para a má qualidade do Raw da última semana foi a falta de nomes de topo. O evento andou todo à volta de lutadores, ou com algo a provar, ou que não tenham o apoio dos fãs. O principal motivo disto foi o afastamento repentino de Roman Reigns e Braun Strowman.
Roman Reigns é o caso mais sério. O seu surto de leucemia surpreendeu tudo e todos e, apesar de ter feito recentemente uma aparição num jogo de futebol americano, não se sabe se pode de todo voltar a lutar.
É óbvio que a sua saúde é o mais importante, mas esta interferiu e muito com os planos da WWE. Após finalmente ter ganho o Título Universal, teve de o abdicar e deixou um enorme vazio na empresa. Vazio esse que parece longe de estar preenchido.
Estando os outros membros dos The Shield em rivalidade, a opção mais sensata para tomar o lugar de Reigns seria Braun Strowman. Mas uma lesão no cotovelo e aparentemente algum heat entre colegas puseram um travão a esta ideia.
Deste modo, dá a sensação que a WWE não pretende preencher o vazio deixado por Reigns, preferindo esperar pela recuperação de Strowman para voltar a produzir conteúdo que valha a pena ver.
A WWE pode ter culpa de muitas coisas. Mas lesões é algo que não pode ser previsto e até neste ponto a empresa tem tido muito azar.
A justificação

A WWE produz semanalmente cinco horas de conteúdo ao vivo (excluindo PPV’s). Esta quantidade de horas é abominável e são muito poucos os fãs que as desfrutam na totalidade. A verdade é que a WWE acaba por pôr imensa pressão sobre si mesma, pois preencher tantas horas com wrestling que valha a pena ver é dificílimo, para não dizer impossível.
Mas não é só a duração dos programas que tem influência. Todo o processo de alugar arenas, montar toda a produção necessária e desmontar tudo assim que o programa acaba é do outro mundo, e a WWE acaba por fazer este processo mais de 100 vezes ao longo do ano! Ora com todas as complicações que isto pode acrescentar, não é de surpreender que o booking e a criatividade de cada programa tenham qualidades muito abaixo do esperado.
Outro problema é tudo o que a WWE promove. Desde outros programas semanais como o NXT e o Mixed Match Challenge, aos próximos eventos como o TLC ou ao RAW e SmackDown da semana seguinte e até a campanhas de solidariedade chegam a promover quatro e cinco coisas ao longo dum programa, o que por sua vez leva a um descontrole criativo.
Finalmente, não nos podemos esquecer de todas as finanças, recursos humanos e scouting que uma empresa como esta necessita. Trata-se de uma empresa multimilionária, com receitas que aumentam de ano para ano. Perante isto, penso que Vince McMahon não acredita estar a fazer algo de errado, uma vez que a WWE está a facturar como nunca. Deste modo, é normal que a criatividade do booking seja negligenciada, uma vez que foi com essas ideias qua a WWE chegou onde está hoje, logo é compreensível que não altere o seu modo de produzir a programação.
Na minha opinião, resta-nos aguardar por algo melhor, mas não será certamente a ira dos fãs que levará a alterações significativas. A WWE, e sobretudo o seu dono, operam deste modo há anos, e isso raramente lhes trouxe problemas, por isso é de esperar que assim continuem. No entanto, a época da Wrestlemania está ao virar da esquina, e é nessa altura que assistir ao Raw e ao SmackDown começa a valer a pena.
Foto de Capa: WWE
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro












