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Kickoff Matches
Baron Corbin vs Dolph Ziggler

A WWE decidiu à última da hora colocar este combate no Kickoff do “Payback”, o que acabou por se revelar uma decisão tanto boa como má. Boa porque o combate foi bastante divertido de se ver. Corbin e Ziggler têm uma ótima química e a diferença de estilos de ambos dá uma dinâmica interessante aos seus combates. No entanto, o facto de este ter estado no Kickoff e não no cartaz principal é um erro, dada a push que a WWE estava a dar a Baron Corbin e o investimento que fez na história entre ele e Ziggler. Corbin é um ótimo heel, tem mostrado grandes melhorias no ringue – tanto a nível técnico como de postura e relacionamento com o público – e tem todo o potencial para ser uma das principais figuras da companhia no futuro.
O final do combate deixou algo a desejar mas não é muito preocupante. Apesar de Ziggler ter ganho, isto não abranda em muito o ímpeto de Corbin, visto que dominou a grande maioria do combate e perdeu por um roll-up. Embora ache que Corbin devesse ter ganho e seguido em frente para uma feud com, por exemplo, Kalisto, também acho que a continuação de uma feud com Ziggler pode ser bastante benéfica para Corbin. Ziggler é um dos, se não o melhor seller da WWE, algo que combina perfeitamente com o estilo de Baron Corbin.
Kalisto (c) vs Ryback (United States Championship)

Kalisto venceu aquele que foi um combate bastante mais interessante do que aquilo que se esperava e que tornou a deixar a ideia de que o high flyer merece muito mais do que o pre-show de um Pay Per View. Há um ano atrás o título dos Estados Unidos era um dos maiores focos de interesse da WWE, e Kalisto tem tudo para fazer com que este o seja novamente. Este combate com Ryback, que fez de tudo para chatear o público de Chicago (inclusive gozar com CM Punk), foi bastante mais interessante do que o da Wrestlemania, muito por culpa da exibição do mexicano e do seu ritmo frenético.
Kalisto venceu Ryback com o Salida del Sol logo após ter sofrido um Gorilla Press do canto superior direito. A decisão de manter o título em Kalisto é a mais acertada: o campeão tem tudo para ser a nova sensação da WWE enquanto “ultimate underdog”, pelo que esta jornada de tomba-gigantes deve continuar. Baron Corbin é, como foi dito anteriormente, uma escolha óbvia e que dará a ambos uma feud capaz de os catapultar para o estrelato.
WWE Payback
Enzo Amore & Big Cass vs The Vaudevillains

É uma grande pena que aquele que estava a ser um grande combate tenha terminado da forma que terminou: Enzo Amore, ao ser mandado pelas cordas, bateu com a cabeça numa corda e depois na borda do ringue, ficando inconsciente. O árbitro mandou terminar o combate assim que os médicos se aperceberam da gravidade da situação. Enzo acordou posteriormente mas aparentou não conseguir mexer os membros.
Posteriormente, Michael Cole deu a notícia de que Enzo estava a caminho do hospital e já falava e mexia as extremidades. Mais tarde foi dada a notícia de que Enzo tinha uma concussão mas que, felizmente, todos os outros testes tinham dado negativo. Enzo tem muito a dar na WWE, pelo que seria uma pena ver uma carreira tão promissora terminar tão cedo.
Quanto ao panorama da divisão de Tag Team após este infortúnio de Enzo & Big Cass, que eram indubitavelmente, e juntamente com os The New Day, das Tag Team mais “over” dos últimos anos, fica em dúvida. Assumindo que Enzo não vai voltar no imediato, podemos apenas assumir que os Vaudevillains se vão dar como vencedores do torneio. Aiden English e Simon Gotch têm dado mostras de talento e, apesar de terem uma gimmick algo tonta, esta tem tudo para encaixar na perfeição com o estilo dos New Day.
Luke Gallows e Karl Anderson poderiam entrar na equação, mas, para além de estarem metidos numa boa história com AJ Styles e Roman Reigns, ainda me parece cedo para os antigos wrestlers da NJPW entrarem na luta pelo título.
Kevin Owens vs Sami Zayn

Kevin Owens e Sami Zayn até de mãos atadas davam espetáculo. Estes dois estão destinados a produzir inúmeros combates da noite, e este foi apenas mais um deles. O combate foi frenético do início ao fim e bastante partido quanto a domínio. Tanto Owens como Zayn tiveram a oportunidade de se mostrar e não a desperdiçaram, pelo que, se continuarem assim, tanto Owens como Zayn estarão, muito brevemente, no main event da WWE. Quando se lhes dá tempo, ambos são capazes de contar uma ótima história, repleta de momentos memoráveis – eu, pessoalmente, não me vou esquecer da maneira como Owens reverteu um DDT de Zayn para um Backbreaker e de como Zayn fez um Backdrop a Owens para cima da borda do ringue.
Owens acabou por vencer após aplicar uma Pop-up Powerbomb. Após a vitória, Owens chamou Byron Saxton ao ringue e exigiu que este lhe perguntasse como ele se sentia após vencer Sami Zayn. Após se vangloriar, Owens afirmou que ia novamente atrás do Intercontinental Championship. Foi um grande momento que, a meu ver, estabeleceu Kevin Owens como O Heel da WWE.
The Miz (c) vs Cesaro (WWE Intercontinental Championship)

Com Kevin Owens a comentar, e o que de bom isso traz sempre, Miz e Cesaro deram um bom combate. A luta foi quase toda controlada pelo suíço que voltou a mostrar porque é dos melhores no que a wrestling diz respeito e que está mais do que conectado com o público. No final do combate, Sami Zayn apareceu e atacou Owens e no meio daquela confusão, Miz desistiu perante uma manobra de submissão mas o árbitro estava distraído com a luta dos 2 ex-melhores amigos. O campeão aproveitou e venceu com um rol-up. De seguida os 4 wrestlers envolveram-se, com Owens a sair por cima.
Com este resultado, é quase certo que os 4 vão lutar pelo título no Extreme Rules. Apesar de que talvez a feud Owens vs Zayn devesse continuar sozinha, a inclusão destes 2 na rota do IC Title não mata a feud e é sinal de combate de qualidade, o que só faz bem ao título.
Chris Jericho vs Dean Ambrose

Ambrose só podia vencer este combate. A derrota contra Lesnar não foi muito saudável para o Lunatic Fringe, pelo que esta vitória contra Jericho é muito bem vinda. Chris Jericho está, a meu ver, numa das melhores fases da carreira: esta nova versão, em que ele se auto-intitula como o melhor do mundo naquilo que faz, é bastante refrescante e bastante diferente daquela que há uns anos defrontou Fandango, naquela que foi uma das piores feuds do ano. Agora, Jericho está mais agressivo, mais convencido e, assim, bastante mais credível, algo que só beneficia quem partilha o ringue com ele.
O combate foi bastante técnico numa fase inicial, em semelhança com aqueles que Jericho teve contra AJ Styles. Com o decorrer do tempo o combate foi ganhando ímpeto, criando um bom contraste que definitivamente tornou o combate mais interessante de se ver. Não foi extraordinário, é certo, mas foi bastante bom, servindo como uma ótima forma de: 1 – acalmar os espetadores depois de um combate louco pelo Intercontinental Championship; 2 – Dar a Ambrose uma tão importante vitória para o seu futuro próximo na WWE.
Charlotte (c) vs Natalya (WWE Women’s Championship)

Em primeiro lugar, há que destacar o regresso de Bret Hart. Depois de ter derrotado um cancro, “The Hitman” voltou às luzes da ribalta. Quanto ao combate, foi sólido, com bons momentos, apesar de a certa altura Natalya estar um bocado limitada devido a uma pequena lesão. O pior estava para guardado para o fim. Charlotte aplicou o Sharpshooter e o árbitro mandou soar a campainha para o fim do combate, mesmo sem Natalya ter desistido. Um momento a relembrar o Montreal Screwjob, onde Bret Hart perdeu o seu titulo na mesma situação que a sua sobrinha. No final, os 2 Harts acabaram a aplicar a manobra de submissão característica desta família nos 2 Flairs.
Um final ridículo para este combate. O Montreal Screwjob foi bastante controverso, levou ao afastamento de Bret Hart da WWE durante muitos anos, mas já são águas passadas. Não faz sentido estar a relembrar este episódio, principalmente quando Bret Hart está na situação em que está e quando o foco deveria estar nas lutadoras. A rivalidade deverá continuar, mas a WWE podia ter tomado outras opções de modo a que a rivalidade continuasse viva.
Vince McMahon decide quem controla a RAW

Num segmento onde o público de Chicago mostrou o porquê de ser um dos mais fanáticos por wrestling, Vince tinha que decidir, entre Shane e Steph, quem iria mandar na Raw. O segmento foi demasiado longo, talvez para preencher o tempo que estava destinado ao combate de tag team, com ambos a mostrarem as razões pelas quais deveriam ser escolhidos. Tudo isto para o Chairman da WWE afirmar que os 2 iriam mandar na Raw, desafiando-os a serem melhor do que o outro.
Uma decisão deste tipo aponta para a ideia de Brand-Split. As possibilidades são algumas, mas provavelmente teremos Shane e Steph a tentarem ser tomarem, cada um, as melhores decisões e a dividir o roster no apoio a ambos. Apesar de não ter sido a decisão de que se esperava, ainda há esperança na Brand-Split.
Roman Reigns (c) vs AJ Styles (WWE World Heavyweight Championship)

Com (mais uma) grande assobiadela enquanto entrava no ringue, Roman Reigns, juntamente com AJ Styles, conseguiu ter um bom combate. O “main-event” foi bem mais interessante do que o da Wrestlemania, teve os seus momentos altos e algumas “near falls” e a dúvida sobre como seria o final do combate esteve sempre presente. Primeiro, quando AJ venceu por “count-out”, Shane apareceu e recomeçou o combate. Depois, após um final por desqualificação, Steph apareceu para dar inicio a um combate sem desqualificações. Isto permitiu que Karl Anderson e Luke Gallows aparecessem e atacassem Roman Reigns. Os Usos vieram em defesa do primo e gerou-se uma grande confusão, mas um final de grandes momentos. Por várias vezes AJ Styles esteve a segundos da vitória após aplicar os seus “finishers”, numa dessa situações, o que salvou Roman Reigns foi ter metido o pé na corda durante o “pin”. O problema é que o combate já tinha a estipulação de não ter desqualificações e portanto o pé na corda não conta para nada. Um grande lapso por parte da WWE. No final, Roman Reigns aplicou o “Spear” e venceu o combate, como tem vencido grande parte deles.
E acredito que a pequena contestação que há ao “main-even”t seja mesmo pela parte final. Roman Reigns conseguiu sair do “pin” em todas as manobras de AJ Styles, mas este sucumbe ao primeiro “Spear” que sofre. É neste tipo de escolhas que a WWE falha com Roman Reigns. Já não é de agora que o campeão da WWE sofre várias manobras, escapa, aplica o “Spear e ganha. A WWE já devia ter percebido que esta não é a formula certa para Roman Reigns ter sucesso perante o público. A juntar a isto o facto de não ter havido turn do Roman Reigns e aliança com Gallows e Anderson ou o aparecimento de Balor, ou seja tudo na mesma e a aposta no final mais preguiçoso. No entanto, o rematch no Extreme Rules está marcado e pode ser que seja diferente.
Em suma, foi um bom PPV, apresentou bons combates e quase todas as decisões foram acertadas. No entanto, no combate que mais importava, a WWE preferiu ir pelo caminho mais fácil em vez de sair da sua zona de conforto, o que deixa um sabor a pouco no final do PayBack.













