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WWE Wrestlemania 35: Becky Lynch vence main-event histórico!

Afonso Viana Santos · 12 min

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A Wrestlemania 35 está nos livros e foi uma noite histórica. O primeiro main-event feminino, a coroação de Kofi Kingston e, finalmente, um campeão Universal merecedor de ser assim chamado.

A certa altura, o evento começou a perder gás e pecou pela longa duração que teve. A partir do combate pelo WWE Championship, o público adormeceu e só voltou a apoiar quando chegou a altura do último combate.

Ainda assim, foi uma boa noite de wrestling. Contou com bons combates, mudanças de títulos que a maioria dos fãs desejava que acontecessem, e foi, para mim, a melhor Wrestlemania desde a 28.ª edição.

Deste modo, vejamos em maior pormenor tudo o que aconteceu na Wrestlemania 35.

Nota do evento: 7,5/10

Seth Rollins derrota Brock Lesnar

De forma surpreendente, a Wrestlemania começou com o combate pelo Universal Championship, com a justificação de que Brock Lesnar não queria esperar a noite toda para não estar no main-event.

O público foi apanhado de surpresa, assim como Seth Rollins, que foi violentamente atacado ainda antes de o combate começar. Após sofrer um F-5 e ser atirado contra a mesa de comentadores, as hipóteses de Rollins diminuíram consideravelmente.

Quando, finalmente, a campainha tocou, Lesnar não perdeu tempo e deu início à Suplex City. Mas deixou-se distrair pela própria confiança e, quando o árbitro não estava a ver, Rollins atacou-o com um golpe baixo que deixou a Besta em grandes dificuldades. De seguida, Rollins apenas precisou de aplicar um superkick seguido de três Stomps para vencer Lesnar e conquistar o seu primeiro título Universal.

Este combate foi rápido e só valeu mesmo a pena pelo resultado. Ainda assim, foi uma boa maneira de começar a Wrestlemania e dar o ritmo necessário para o resto do evento.

Nota do combate: 6/10

O SmackDown é a casa que AJ Styles construiu

Seguiu-se um dos combates mais antecipados do lado do SmackDown.

Randy Orton tentou rapidamente o RKO, mas AJ impediu-o. Ainda assim, foi Orton quem dominou os minutos iniciais, com o estilo lento e meticuloso pelo qual é conhecido. AJ ainda conectou um Phenomenal Forearm, mas Orton não deixou que isso o abalasse.

Foi necessário aumentar a velocidade para Styles equilibrar o combate e, escapando a mais um RKO, aplicou durante muito tempo o Calf-Crusher, o que deixou The Viper em dificuldades. No entanto, AJ cometeu um grande erro ao ir para o topo das cordas, uma vez que sofreu um superplex seguido do DDT.

Finalmente, à terceira vez, Orton conectou o RKO, mas Styles conseguiu safar-se da contagem de três!

Neste momento, Orton decidiu arriscar um RKO do topo das cordas, mas Styles reverteu-o para um pelé kick. De seguida, aplicou dois Phenomenal Forearm e assim derrotou o Apex Predator.

Os dois lutadores fizeram um combate à altura das suas capacidades e que terminou da melhor maneira, com Styles a provar que o Smackdown é a sua casa, assim como ele é (provavelmente) o próximo candidato a lutar pelo WWE Championship.

Nota do combate: 7,5/10

The Usos mantêm os títulos em combate de loucos

Durante as entradas para este combate ficou claro que o favorito do público era a equipa vinda do NXT. No entanto, todas merecem igual crédito por terem criado um ótimo combate.

A ação começou a alta velocidade e mal se alterou até ao final. Todos brilhavam, mas foi Ricochet a conseguir a maior ovação ao aplicar um incrível hurricarana em Cesaro. Mas este castigou-o e aplicou um Swing que durou quase um minuto, enquanto Sheamus distribuía chops pelos adversários.

Seguiu-se um Tower of Doom que envolveu sete lutadores, com Ricochet no topo do mesmo. Mas, incrivelmente, The One and Only conseguiu rodar e aterrar de pé, não sofrendo qualquer dano e, de seguida, aplicou um 630 em Sheamus que quase lhe deu a vitória.

Mas foi neste momento que os Usos provaram a razão de serem campeões. Isolaram Sheamus e aplicaram um dulpo splash que lhes deu a vitória.

Nota do combate: 7/10

Shane McMahon e The Miz protagonizam combate violento

Este combate opunha dois homens, que, no início do ano, não tinham nada que ver um com o outro. Juntaram-se numa Tag Team e sagraram-se campeões. Perderam os títulos na sua primeira defesa e, por isso, Shane achou que devia atacar o pai do seu parceiro.

Apesar da storyline não ser nada de especial, este combate foi. Começou com jogos psicológicos de Shane, que culminaram com este a atacar violentamente o pai de The Miz. A partir daqui, o A-Lister perdeu a cabeça e castigou o seu adversário enquanto passeavam à volta das bancadas.

Miz atacou o joelho de Shane ao ponto de este mal conseguir andar. Depois aplicou um spinebuster através de uma mesa e o Skull Crushing Finale, mas Shane não se deixou derrotar.

Os dois subiram a uma plataforma para câmaras e, do topo desta, Miz aplicou um suplex de uma altura de cinco metros que terminou num bloco de madeira cá em baixo. Este momento foi chocante, mas ainda mais chocante foi o facto de Shane ter conseguido aterrar em cima de The Miz e, assim, vencer o combate.

Como disse, a história entre os dois não era das melhores, mas o combate ofereceu momentos nunca antes vistos e isso é sempre algo a realçar.

Nota do combate: 7,5/10

Uma vitória Icónica

Seguiu-se o combate pelos Women’s Tag Team Championhips. Antes de começar, o principal destaque ia para o regresso de Beth Phoenix e para o favoritismo da Boss N’ Hug Connection.

No entanto, foram as Iconics as primeiras a causar algum impacto devido ao bom trabalho como equipa. Mas o seu momento foi interrompido devido ao Hart Attack que Billie Kay sofreu nas mãos de Natalya e Beth Phoenix.

Chegava a vez de Bayley e de Sasha Banks brilharem, e assim o fizeram ao colaborarem de forma perfeita para Sasha aplicar o Banks Statement em Phoenix. Rapidamente apareceu Natalya em auxílio da sua parceira e aplicou um duplo Sharpshooter nas campeãs.

O bom momento foi interrompido pelas Irrisistible Force, que dominaram brevemente, mas voltaram a sair do ringue num instante.

O final pareceu próximo quando Beth sofreu um flying-elbow de Bailey, seguido de um Frog Splash de Sasha, mas The Phoenix One conseguiu escapar do pin.

Quando Bailey decidiu acabar de vez com o combate, Beth aplicou-lhe o GlamSlam do topo das cordas. Só que não reparou que Billie Kay tinha feito o tag nela e, assim que Beth tentou vencer o combate, Peyton Royce tirou-a do ringue, permitindo à parceira fazer o pin que lhes deu a vitória e os títulos.

Nota do combate: 7/10

KofiMania is Running Wild!

Chegávamos ao combate mais antecipado do evento a seguir ao main-event. Kofi Kingston tinha finalmente a oportunidade pela qual lutara durante uns longos 11 anos. Até então, este era também o combate em que o público mais se fez ouvir.

Daniel Bryan começou melhor devido ao seu brilhantismo técnico, que castigava várias partes do corpo de Kofi. Foi preciso este aumentar o ritmo para aplicar um Boom Drop seguido de um voo que, infelizmente, terminou na mesa de comentadores.

Bryan voltava a dominar e o combate parecia aproximar-se do fim. No entanto, Kofi voltou a imprimir uma mudança de ritmo e ambos os lutadores tentaram aplicar os seus melhores golpes.

Foi Kofi o primeiro a fazê-lo com o SOS, mas Bryan reverteu-o para o Lebelle Lock. Kofi esteve quase a desmaiar, mas conseguiu chegar à corda. Assim que se levantou, sofreu um Flying Knee que parecia ter terminado com o seu sonho, mas conseguiu escapar do pin no último segundo.

Daniel Bryan tentou acabar de vez com o assunto: pontapeou violentamente Kofi Kingston na cabeça e voltou a castigá-lo com o Lebelle Lock. Só que o coração e a força de Kofi prevaleceram e este conseguiu escapar da submissão e pontapear violentamente Daniel Bryan. Quando este se levantou, Kofi conectou o Trouble in Paradise e fez, finalmente, o pin vitorioso.

A emoção que se seguiu foi quase indescritível. Finalmente, Kofi conseguira aquilo pelo qual sempre lutara e o estádio todo pôs-se de pé para saudar o novo campeão. Muitos parabéns, Kofi.

Nota do combate: 8/10

Samoa Joe coloca Rey Mysterio a dormir

O combate começou a toda a velocidade e Mysterio até conectou um DDT seguido do 619. No entanto, foi apanhado por Samoa Joe no Coquina Clutch e rapidamente perdeu a consciência e o combate.

Com tantos combates por realizar, alguns tinham de acabar muito rapidamente e este foi um deles. De resto, não quero dar nota a este combate, porque os lutadores não tiveram a culpa de terem de realizá-lo em tempo (quase) recorde. A culpa recai na WWE, que não tinha de fazer um evento com 12 combates e que durasse mais de cinco horas.

Roman Reigns não deu hipótese a Drew McIntyre

Chegávamos ao primeiro combate singles de Roman Reigns em seis meses e a grande dúvida que pairava no ar estava relacionada com a sua capacidade física: estaria a 100%?

Pelo início do combate, dir-se-ia que sim. Reigns começou melhor, ao aplicar vários murros e o Samoan Drop. No entanto, esse domínio seria de pouca duração, uma vez que McIntyre aplicou o Glasgow Kiss para ficar por cima do combate.

A partir deste momento, McIntyre começou a dominar Reigns de forma impressionante. Tinha resposta para tudo e causou-lhe muito dano, fruto de um suplex fora do ringue e do Alabama Slam. No entanto, Drew cometeu o erro de ficar demasiado confiante e deu uma estalada na cara do Big Dog.

Isto acordou Reigns e a partir daqui o escocês não teve mais hipótese. Roman rapidamente ganhou ímpeto e aplicou um Superman Punch, seguido pelo Spear e venceu o combate.

Foi um bom regresso à Wrestlemania para Roman Reigns, mas o final do combate pareceu-me um pouco apressado. De qualquer modo, Reigns venceu-o e poderá ser o próximo candidato ao Universal Championship.

Nota do combate: 6,5/10

Triple H vence o combate No Holds Barred

Como já tinha dito, este combate não teve uma grande construção, e o facto de a carreira de Triple H estar em jogo não lhe adicionava muito.

Ainda assim, era uma rivalidade muito pessoal e tal notou-se desde o início, com a violência a que assistimos. Triple H tratou de castigar Batista com uma corrente de ferro e depois partiu-lhe os dedos com o auxílio de um alicate.

The Game dominava de forma brutal, até que Batista conectou dois back-suplexes nas mesas de comentadores. Depois, Batista arriscou um Batista Bomb do topo das mesas, mas Triple H contra-atacou com um back body-drop. Ainda no topo das mesas, uma delas ficou destruída quando Triple H castigou The Animal com um Spear.

Já dentro do ringue, Batista trouxe para dentro umas escadas de ferro e Triple H tratou de trazer a sua marreta. Quando a tentou usar, Batista desviou-se e aplicou finalmente o Batista Bomb, que, por menos de um segundo, não terminou com a carreira do Cerebral Assassin.

Foi a vez de Triple H ficar perto da vitória ao aplicar um powerbomb em cima das escadas e um Pedigree, mas, de forma chocante, Batista conseguiu escapar ao pin.

Os dois homens estavam em dificuldades, mas foi neste momento que Ric Flair apareceu e deu uma marreta a Triple H. Este não se fez rogado e usou-a para atacar Batista. De seguida, aplicou o Pedigree e conseguiu a vitória.

Apesar de o resultado não ter sido chocante, o combate foi violento (até demasiado, em certos momentos), mas cumpriu com as expetativas e deu a décima vitória a The Game na Wrestlemania.

Nota do combate: 7,5/10

Até sempre, Kurt Angle

Seguia-se o último combate da carreira de Kurt Angle, talvez o mais emocional de toda a noite.

Angle começou melhor e, a certo ponto, parecia mesmo que ia ganhar. Mas, após falhar um moonsalut, Corbin aplicou o End of Days e venceu o combate.

Inicialmente, fiquei furioso com este resultado, mas há que compreender uma coisa: Angle já passou do seu pico há muito tempo e nem deveria estar a lutar em 2019. Este combate foi a confirmação disso.

Mas este resultado e este combate não interessam. O que importa é recordar Kurt Angle como um dos melhores lutadores da história deste desporto. Todos nós fomos abençoados por podermos assistir a um atleta fantástico como ele, um que iremos recordar para sempre.

No momento em que Kurt Angle se despedia dos fãs, Michael Cole disse uma frase que melhor definiu aquele momento: After an Hall of Fame career, Angle becomes immortal at Wrestlemania.

Obrigado, Kurt Angle.

Finn Bálor reconquista o Intercontinental Championship

Antes deste combate, só quero destacar a entrada fantástica de Finn Bálor.

Quando a campainha tocou, os dois lutadores impuseram um ritmo elevado, que não abrandou até o combate terminar. Bálor fez bom uso dos seus pontapés e Lashley usou a sua força bruta para dominar o Demon.

Quando Bálor estava na berma do ringue, Lio distraiu-o e deu a oportunidade a Lashley de aplicar um Spear que só terminou fora do ringue. Já dentro do mesmo, Lashley aplicou outro Spear, mas não foi suficiente para derrotar Bálor.

Depois, talvez inspirado pelo seu alter-ego, Bálor conseguiu levantar Lashley e aplicar um powerbomb incrível. Depois, subiu ao topo das cordas e aplicou o Coup de Grâce, que lhe deu a vitória.

Apesar de ter sido um combate curto, gostei muito, porque teve um ritmo elevado e terminou da melhor maneira – com Finn Bálor a vencer o título Intercontinental.

Nota do combate: 7/10

Becky Lynch é The Man da WWE

Chegávamos, finalmente, ao muito antecipado main-event. Três lutadoras fenomenais estavam prestes a criar história, estando os dois títulos femininos em jogo.

Ronda Rousey começou melhor e fazia questão de derrotar as duas adversárias ao mesmo tempo, uma vez que ia dominando ambas com os seus strikes e os Piper’s Pit fora do ringue.

Com a ação de volta ao ringue, Charlotte castigava Becky Lynch e o seu joelho. O público puxava pela irlandesa e esta ainda conseguiu aplicar o Disarmer. No entanto, era a Queen quem estava melhor, ao aplicar um boston crab em Rousey, que só não terminou com o combate devido à intervenção de Lynch.

Até aí, este foi o melhor momento do combate para The Man. Aplicou um duplo DDT, seguido de um Xploder suplex, em Charlotte, do topo das cordas. No entanto, Rousey voltou ao combate com um duplo crossbody e depois um duplo Armbar! Só que a força das duas adversárias era demasiado para Ronda aguentar e, por causa disso, foi castigada com um triplo powerbomb.

O combate aumentava de ritmo, assim como as chances de alguma mulher o vencer. Charlotte aplicou um fantástico spanish-fly do topo das cordas que não foi suficiente para derrotar Becky.

De seguida, Charlotte ficou sozinha em ringue com Rousey e atacou violentamente o seu joelho. Quase venceu o combate com o Figure Eight, mas The Man interrompeu a submissão com um leg-drop do topo das cordas. O combate estava perto de terminar e, pressentindo isso, Charlotte aplicou um duplo Spear! Mas, quando o tentou de novo, acabou por ser colocada atrás de uma mesa.

Sobravam Becky Lynch e Ronda Rousey. O combate que era para ter acontecido no Survivor Series ia decidir agora a vencedora do primeiro main-event feminino da história da Wrestlemania.

Ronda parecia estar em melhor condição física e preparou-se para aplicar o Piper’s Pit. Mas, ao fazê-lo, Becky reverteu para um crucifix-pin e conseguiu atingir a contagem de três!

A jornada de Becky Lynch foi memorável e a vitória deste combate é mais do que merecida. Apesar de haver alguma controvérsia em relação ao final, não há dúvidas de que Becky Lynch é The Man. Para além de ser agora a Raw e SmackDown Women’s Champion, Bekcy Lynch fez história ao vencer o primeiro main-event feminino de sempre na Wrestlemania!

Nota do combate:7,5/10

Texto revisto por: Mariana Coelho

Afonso Viana Santos

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