Publicidade

Itália com medalhas inesperadas | Esqui Alpino

Diogo Rodrigues · 6 min

Itália com medalhas inesperadas | Esqui Alpino

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Concluídas as competições de paralelo, foi tempo dos 46.º’s Campeonatos do Mundo de Esqui Alpino, em Itália, transitarem para as provas técnicas, de forma a concluir-se o certame. Os palcos para estas competições foram, do lado masculino, a pista “labirinto” e, do lado das mulheres, foi a Olímpia de le Tofane, a receber as provas de Slalom Gigante e de Slalom. Foi também nesta fase final dos Mundiais, que se assistiu à representação lusa.

No presente artigo, não só conferiremos os medalhados destas disciplinas, bem como daremos conta de como foi a representação nacional nas mesmas. Referindo ainda os destaques positivos e negativos ao longo de mais de 15 dias de competição, emoção e muitos momentos incríveis!

Slalom Gigante Feminino

Após estar em plano de destaque na velocidade e, quando se pensaria que viria ao Gigante apenas tentar a sua sorte, não é que a suíça, Lara Gut, voltou a fazer das suas? Pois bem, após ter impressionado na primeira manga, conseguiu ascender do terceiro melhor tempo, para acabar por suplantar as favoritas e levar o ouro para casa.

Relegada para a prata, ficou a norte-americana, Mikaela Shiffrin, campeã olímpica em título desta especialidade que, tal como Gut, somou aqui a sua terceira medalha. Apesar de ter errado tecnicamente na primeira descida, pois creio que se não tivesse sido essa pequena mudança de aresta mais tardia, estaria em condições de dar mais luta à líder atual da Taça do Mundo.

O bronze acabou por ser entregue à austríaca, Katharina Liensberger, que somava desta forma a segunda medalha, nesta sua participação, que não seria a última! Nomes como o da neozelandesa Alice Robinson, que fechou em quarto, ou o da polaca Maryna Gasienica Daniel, que terminou no sexto lugar, foram surpresas que quase se iam intrometendo nas medalhas. De referir que a atleta da Oceânia, conta com apenas 17 anos e é ainda a campeã do mundo júnior em título, visto que os mundiais de 2020, que deveriam ter sido realizados em solo norueguês, acabaram por ser adiados, devido à situação de pandemia.

Pela negativa, voltou a evidenciar-se a transalpina Frederica Brignone, que após os insucessos na velocidade, terminou ainda prematuramente, logo à terceira “porta”, a competição na variante que dominara na vigente edição da Taça do Mundo. Desta forma provou que a época regular, nada tem que ver com as provas em âmbito de Mundiais, dado que estas sendo competições de apenas um dia e a duas mangas podem trazer alterações drásticas em relação aos diferentes momentos das atletas que  podem eventualmente estar num mau dia e assim ficarem arredadas da discussão das medalhas.

A participação nacional era para ser inaugurada pela jovem Vanina Guerillot de Oliveira, que nasceu em Guimarães, mas que foi ainda jovem para França, onde reside. No entanto, a portuguesa acabou por rubricar um DNS (falhando a comparência na casa de partida) devido a uma pequena lesão nas costas contraída durante o aquecimento para a corrida.

Slalom Feminino

Na última prova dos Mundiais, no que às senhoras diz respeito, as derradeiras medalhas foram atribuídas, com a discreta Katharina Liensberger a superiorizar-se às demais, com uma segunda manga simplesmente memorável, a melhor da sua carreira, fechando com a medalha de ouro.

Na prata terminou a eslovaca, Petra Vlhova, que falhou por um segundo o desejado degrau mais alto do pódio. No bronze com a quarta medalha: duas de bronze, uma de prata e uma de ouro, terminou a esquiadora com mais vitórias ainda em atividade, Mikaela Shiffrin, que findou a 1,98 do ouro. À partida estavam inscritas 107 competidoras, mas apenas 43, menos de metade das participantes, lograram cumprir o traçado nas duas partes da prova, tal ficou a dever-se à exigente pista que tiveram pela frente.

Com um desses DNF, provas não terminadas, a pertencer à atleta nascida em Atães, concelho de Guimarães, Vanina Guerillot de Oliveira. Assim, viu os seus Mundiais terminarem sem tanto sucesso, quanto era aguardado, mas é importante realçar que esta é já a sua segunda participação em competições deste género, isto com apenas 18 anos.

Artigo redigido por Diogo Rodrigues

Foto de capa: FIS Alpine

Slalom Gigante Masculino

Nesta prova, o ouro foi para a seleção francesa, pelos esquis de Mathieu Faivre, que apenas compete nesta disciplina. Diga-se que, apesar de reconhecer imenso valor ao esquiador do clube de Ski de Nice, o mesmo não figurava entre as maiores hipóteses da minha lista de possíveis medalhados, uma vez que ocupava o 13º lugar do ranking desta disciplina.

No lugar da prata, terminou Luca De Alibrandini, que tão pouco era possibilidade para conseguir o pódio, sendo que este foi uma das grandes surpresas dos Campeonatos do Mundo, no que diz respeito às disciplinas técnicas foi, para mim, a segunda maior. O bronze coube ao austríaco, Marco Schwarz, que juntou este metal ao ouro obtido no Combinado alpino. De acrescentar que a diferença entre os medalhados foi de somente 0,87 segundos.

O luso, natural da Covilhã, Ricardo Brancal, conseguiu um extraordinário 40.º posto, nesta que foi a sua terceira participação em Mundiais, tendo ascendido 18 lugares, face à sua classificação no final da primeira parte da prova.

Slalom Masculino

Na prova que, mais uma vez, teve a honra de encerrar com “chave de ouro” o certame, a Noruega foi a grande dominadora arrebatando duas das medalhas em disputa. O ouro ficou com o inconfundível, devido à posição que adota sob os esquis, Sebastian Foss-Solevaag, autor desta façanha.

A prata ficou com aquela que foi, para mim, a grande surpresa nas disciplinas técnicas, o praticante da Áustria, Adriane Pertl, que apenas somava um pódio em toda a carreira em provas da Taça do Mundo. No degrau mais baixo do pódio logrou ficar o mais célebre esquiador norueguês do momento, Henrik Kristoffersen, que espera deste modo ter dado finalmente um pontapé na crise, dado que a época está a ser uma das mais fracas do atleta de 26 anos.

Acrescente-se que o luso, Baptiste Aranjo, que vive em França e que, embora tenha concluído a primeira manga, não repetiu semelhante cenário na derradeira descida. Diga-se que de entre uma centena de inscritos, foram apenas 37 corajosos os que conseguiram terminar a competição. Um deles foi o desportista de Timor Leste Yohan Goutt Gonçalves, que embora tenha sido o último da classificação, a 46,74 do vencedor, inscreveu o seu nome nos livros deste país de língua oficial portuguesa, ao ser o primeiro daquele país a terminar uma disputa nesta modalidade.

Já sabe que com o BNR, nunca fica fora de jogo. Semanalmente, contamos-lhe o que de mais importante se passa no Desporto.

A FIGURA

Lara Gut – A helvética esteve “intratável”: medalhas no Super Gigante, a sua disciplina predileta, novo metal no Downhill e o inesperado título no Slalom Gigante, onde nem sempre compete, fazem dela a figura deste certame. Após duas/três temporadas, onde sofreu um apagamento atroz, soube voltar a focar-se e, acima de tudo, competir sem pressão nas “costas” e os resultados estão à vista. Talvez o casamento tenha feito bem à “jóia do Ticino”!

 

A DESILUSÃO

Federica Brignone – A atleta da nação organizadora falhou em toda a linha nestes Mundiais, sendo que o melhor que fez foi fechar entre as cinco melhores, no Super Gigante. A vencedora da pretérita edição da Taça do Mundo, bem como uma das grandes porta-estandartes da nação, no que aos desportos de inverno diz respeito, ainda tentou emendar a mão no Slalom, disciplina na qual nem tem por hábito competir, mas nada correu bem à grande esquiadora. Ver-se-á se a mesma conseguirá apagar da sua memória esta edição caseira dos Mundiais, bem como se voltará a dar espetáculo na Taça do Mundo.
Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos