Publicidade

Saltos de Esqui, Torneio dos 4 Trampolins | E Kamil Stoch é «tri»!

Diogo Rodrigues · 6 min

Saltos de Esqui, Torneio dos 4 Trampolins | E Kamil Stoch é «tri»!
Foto: FIS-Ski Jumping

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O passar do ano fez-se com saltos por terras germânicas e tudo começou com uma polémica. Depois do teste positivo de um dos seus atletas, toda a equipa polaca foi proibida de participar pelas autoridades alemãs e não compareceu à qualificação. Contudo, a FIS forçou a barra e a seleção da Polónia acabou por saltar nos eventos principais.

No dia 29 Oberstdorf recebeu a primeira das quatro provas. Na colina de Schattenberg, dominou um homem da casa, o campeão do mundo de Ski Flying, Karl Geiger. Ao primeiro salto, Philipp Aschenwald foi mais longe (130 metros) e vários outros também saltaram mais que os 127 metros de Geiger, mas com melhor vento e, somados os pontos, o alemão já liderava. Os segundos saltos tiveram como figura principal um incrível Markus Eisenbichler, que com 142 metros subiu do 27.º posto até ao quinto lugar. Com a terceira melhor pontuação, Geiger defendeu-se e conquistou a vitória, apesar de por curta margem sobre Kamil Stoch. Entre os homens importantes para a Geral, destacou-se ainda Granerud, quarto, enquanto Kubacki (15.º) e Zyla (21.º) desiludiram.

2021 começou em Garmisch-Partenkirchen e, no primeiro dia do ano, Dawid Kubacki voou para a vitória, reentrando nas contas da competição. A primeira ronda mostrou logo quem estava para ganhar, com Granerud e Kubacki a serem, respetivamente, primeiro e segundo separados por somente um ponto, e já só com Stoch e Eisenbichler a menos de dez pontos de desvantagem e saltos mais modestos destes na segunda ronda ditaram que tudo se decidisse nos dois saltos finais. Então, o polaco fez magia e com uns soberbos 144 metros não só se transportou para o topo da tabela, como estabeleceu um nove recorde no trampolim de Grosse Olympiaschanze. Granerud, por seu turno, cumpriu e assegurou o segundo posto, ainda com larga margem sobre os polacos Zyla e Stoch e o vencedor da primeira prova, Geiger.

Findos os saltos do lado norte da fronteira, liderava a prova a regularidade do norueguês Halvor Egner Granerud, mas apenas quatro pontos adiantado face a Karl Geiger. Não muito atrás, ambos ainda a menos de dez pontos do líder, era a dupla polaca de Stoch e Kubacki que também ainda mantinha as opções em aberto para a Geral.

Concluídas que estavam as duas primeiras etapas em solo germânico, o torneio dos quatro trampolins, rumou à Áustria. Foi em Innsbruck , no Bergisel, o mais pequeno dos quatro palcos da edição 69 deste mítico evento, que se desenrolou a terceira etapa deste torneio que todos os anos decorre entre finais de Dezembro e inícios de Janeiro. Recorde-se que este trampolim tem uma caraterística muito particular: no final da rampa de aterragem, os saltadores têm como cenário um cemitério!

A questão era: quem iria enterrar aqui as suas aspirações, no que concerne à luta pelo “Four Hills Tournament”?

A equipa polaca estava em alta, depois de quase ter ficado de fora devido a um falso positivo que  os ia excluindo da prova. Estavam agora com dois homens na luta pela “águia dourada”, falo de Kubacki e Stoch, ambos já campeões da prova. O mais novo, de Nowy Targ, conquistara este troféu na temporada finda. Já Stoch natural de Zakopane, havia vencido o torneio em duas ocasiões, a última delas com um “poker”, tornando-se apenas no segundo atleta da história a poder orgulhar-se de tal façanha, depois do germânico Sven Hannawald ter realizado tal feito em 2002. Stoch veria no ano seguinte (2018/19) o nipónico Ryoyu Kobayashi imitá-lo, fazendo parecer algo banal.

Sem mais delongas vamos focar-nos na terceira etapa dos quatro trampolins.

Como já tive oportunidade de referir o evento teve como cenário o trampolim olímpico de Innsbruck, capital do Tirol.

Gregor Schlierzauer , o mais vitorioso de sempre da modalidade, contabilizando 53 subidas ao lugar mais alto do pódio em etapas alusivas à Taça do Mundo, atuava em casa. Mesmo que sem grandes ambições na geral, os locais esperavam conseguir um pódio, diga-se que qualidade tinham!

O norueguês Marius Lindvik, continuava ausente, pelo facto de ter arrancado um dente do siso. Sim caro leitor! Ouviu bem! Após ter feito pódio em Oberstdorf, eis que o vice-campeão da época transata foi acometido por uma forte dor de dentes, que o  fez falhar as etapas de Garmisch e de Innsbruck.

Por sua vez os germânicos, também viam cada vez com mais dificuldade a reconquista de uma competição que lhes escapa já há 19 anos.

Convém explicar aos menos familiarizados com o formato deste mítico evento de inverno, que o mesmo é distinto do verificado nas demais provas da Taça do Mundo. Na prova participam  cinquenta atletas, que anteriormente disputam uma qualificação. A novidade é que os saltadores se enfrentam nos tradicionais e tão sui generis “mata-mata”, que proporcionam 25 duelos , ficando apurados para a ronda final os que vencem estes face a face, bem como os cinco melhores “Lucky Losers” (os cinco atletas que tendo perdido no confronto direto, logram voar mais longe).

Destaque-se que as condições de vento, longe de serem as ideais, contribuíram para que as marcas não fossem tão distantes quanto era inicialmente espectável, num trampolim em que a técnica faria a diferença, dado ser o de menor dimensão dos quatro que constituem a competição.

Os polacos estavam definitivamente com «ganas» de se afirmarem como a seleção mais forte da atualidade, demonstrando todo o poderio neste evento, colocando Kamil Stoch na primeira posição, ascendendo desta forma à liderança do torneio. David Kubacki depois da terceira posição no Bergisel, ia-se  perfilando como o maior rival de Stoch. O esloveno Anze Lanisek, que já era “carta fora do baralho” para a geral do “Four Hills”, devido a uma má exibição nas duas primeiras provas, arrecadou a prata. Nomes como Stefan Kraft da Áustria ou o do líder da Taça do Mundo, o norueguês Alvor Egner Granerud, viam ir “por água a baixo” as esperanças de conseguir resgatar a tão sonhada “águia dourada”.

À chegada ao Paul Ausserleitner de Bischofshofen, tínhamos a polémica instalada, tudo devido a umas declarações proferidas por Granerud. Nas mesmas o norueguês dava a entender que Stoch estava no comando por ter tido sorte com as condições de que havia disposto.

Devo dizer que na minha opinião defendo que o atleta de Oslo não teve a melhor das posturas. No entanto, acho que as declarações foram empoladas, inclusivamente na Polónia vasculharam o passado do atleta, trazendo a lume alguns episódios menos felizes do nórdico. Granerud acabou por pedir desculpa ao polaco, que referiu idolatrar.

Logo na qualificação houve um nome de peso a acabar mais cedo a sua participação no torneio. Anze Lanisek, que, não obstante estar a fazer a melhor temporada de sempre (já com três idas ao pódio), veio confirmar o que já se pensava: que ainda é bastante inconsistente e verdinho para conseguir fazer a diferença, numa competição em que o que mais interessa é a regularidade.

Após o términus da primeira ronda, as probabilidades de vermos Stoch a levantar pela terceira vez a “águia dourada” disparavam em flecha, tudo porque  os seus mais diretos perseguidores: Kubacki e Granerud, encontravam-se fora dos cinco primeiros.

Ainda de destacar que Gregor Schlierzauer, vencedor do torneio em duas ocasiões, se recusou a que o seu equipamento fosse verificado, o que terminou em desqualificação para o “puto de Rum”.

O guião esperado cumpriu-se mesmo e Kamil Stoch carimbou não só a 38.ª vitória da carreira, ficando a uma de Adam Malysz, como ergueu pela terceira vez este emblemático troféu. Fazendo-se acompanhar pelo norueguês Lindvik, que se não fosse a ausência forçada talvez tivesse sido o maior rival de Stoch e ainda por  Karl Geiger, que consegui assim não só o bronze em Bischofshofen, como o segundo posto nos quatro trampolins, relegando David Kubacki para o degrau mais baixo do pódio no certame.

Já na geral da Taça do Mundo: Granerud continua na dianteira, com cerca de 150 pontos de vantagem para o germânico Eisenbichler, que falhou desde Oberstdorf. Já Stoch trepou até ao terceiro lugar.

Embora o polaco esteja momentaneamente a mais de três centenas de pontos do norueguês, acredito que com tanto campeonato ainda pela frente, este possa voltar a vencer o grande “globo de cristal”.

Escusado será dizer que o BNR dar-lhe-á semanalmente conta de tudo o que se irá passar na Taça do Mundo de saltos de esqui.

Foto de Capa: FIS-SKI

Artigo redigido por Diogo Rodrigues e José Baptista

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.