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IEM Road to Rio: O sonho inalcançável | eSports

Tiago Alexandre · 9 min

IEM Road to Rio: O sonho inalcançável | eSports
Foto: sAw

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Há cinco meses, os sAw ficaram a cerca de duas décimas de segundo do apuramento para o Major de Antuérpia, depois de terem perdido os dois jogos finais, quando precisavam de apenas uma vitória. Depois, surgiram as mudanças na equipa. Stadodo e vts rumaram à então número um nacional, a FTW, arki assumiu o papel de treinador e, em sentido inverso, ewjerkz (jerkz) e story ingressaram nos warriors.

Inicialmente, as críticas começaram por surgir, com a opinião pública a acusar a equipa de MUTiRiS (MUT) de ter influência direta na hipotética perda de qualidade da equipa rival. O que é que certo é que no primeiro embate entre ambas, sAw levaram a melhor em duas ocasiões e conquistaram o OMEN WGR Retake S4. Já com a nova temporada em andamento, lá surgiram os qualificadores para o RMR Europeu. A qualificação acabou por surgir apenas no último qualificador, mas em grande: a equipa de MUT venceu essa etapa e pelo caminho bateu GamerLegion, 1WIN e Astralis.

Depois do primeiro objetivo ser cumprido com distinção, o calendário foi-se desenrolando. Chegou a ESL Challenger e a realidade voltou a ser traiçoeira: duas derrotas por 0-2 contra 1WIN e forZe, último lugar do grupo e sAw vai lutar pela manutenção nesta competição. Seguiu-se o Qualificador para a FiReLEAGUE, competição que iria ser decidida em pleno Camp Nou. Os warriors voltaram a apresentar-se bem, venceram vários adversários do mesmo nível, mas acabaram por cair, na final, diante de MASONIC. Já na Elisa Invitational Fall, uma vitória e uma derrota, contra Sprout. As dores do crescimento teimavam em aparecer tão perto da luta por um lugar no Rio de Janeiro.

“O caminho faz-se caminhando”. Esta velha máxima pode perfeitamente aplicar-se ao conjunto português. As exibições podiam não ser as melhores, os resultados ficavam aquém, mas, aqui ou ali, iam aparecendo e, o mais importante de tudo, os portugueses começavam a (re)acreditar nesta equipa. Nas últimas semanas, as vitórias começaram a aparecer na Master League Portugal e na ESL Masters Espanha, mas, diga-se de passagem, contra equipas (Gravity 0 e Byteway) muito abaixo dos sAw. Já com a equipa em Malta – país que acolheu a fase europeia –, MUT elevava a fasquia e dizia publicamente que a equipa “está mais bem preparada” que anteriormente e “é possível fazer a história que queremos”, dizia numa entrevista à RTP Arena.

Porém, o revés apareceu e os fãs foram do céu ao inferno muito rapidamente. A confiança estava lá em cima e desmoronou-se num instante. O tombo foi grande e aquela equipa que impressionou o mundo em abril eclipsou-se completamente nos primeiros jogos do Grupo B. Primeiro, Heroic confirmaram o favoritismo e venceram sAw sem grande contestação, em Nuke, o melhor mapa dos sAw. Ainda assim, boa réplica para o conjunto português que, sem grandes argumentos, teve duas ocasiões de se aproximar dos dinamarqueses. Depois, o malogrado Nuke teimava em não desaparecer dos nossos horizontes e, frente a uns Monte teoricamente inferiores, um 16-3. Claro. Autoritário. Sem qualquer resposta. “O que se passa?”, ecoava nas cabeças de todos, e o sofrimento ia prolongar-se por mais dois dias, pois os portugueses tiveram um dia de descanso. Dia esse que podia servir para dar o “clique” e mostrar a verdadeira qualidade desta equipa.

Foto de Capa: sAw

SAW E OS “OUTROS”

Apesar do claro destaque para sAw, praticou-se muito e bom Counter-Strike ao longo dos dois primeiros dias da competição. No Grupo A europeu, o destaque vai para o sofrimento pelo qual os FaZe – campeões em título – iam passando, depois de vencerem os dois primeiros jogos apenas no overtime. Também pela negativa, forZe e Eternal Fire apresentavam-se com a “corda ao pescoço”, depois de perderem os dois primeiros jogos. De frisar que três vitórias dava passaporte para o Brasil e três derrotas a eliminação direta.

Já no Grupo B, o destaque do primeiro dia foi, sem margem para dúvidas, electroNic. O russo dos NAVI rubricou uma exibição de sonho contra Illuminar, ao registar 41 kills em 21 rondas. Com este “boost” individual, a equipa ucraniana chegava ao segundo dia com um 2-0, sem grandes surpresas. BIG, ENCE e Outsiders seguiam-se com o mesmo saldo, ao passo que OG e Vitality já tinham conhecido o sabor da derrota.

No lado americano, o qualificador disputou-se em Estocolmo, na Suécia, e trouxe-nos algumas surpresas no primeiro dia. Com as equipas brasileiras a reunirem as maiores doses de favoritismo, 9z bateu 00NATION e Imperial no overtime e estava a apenas um mapa de alcançar uma das vagas. Também Evil Geniuses (EG) venceu FURIA e estava 2-0. Liquid mantinha o nível apresentado na ESL Pro League e não se deparava com qualquer sobressalto. As duas equipas confirmaram o favoritismo no dia seguinte e apuraram-se para o Major. Já ARCTIC e Infinity foram para casa, numa ronda marcada pela derrota de Imperial no dérbi frente a 00NATION.

Na zona europeia, NiP, FaZe e NAVI asseguraram presença na Legends Stage – a segunda de três fases – no Rio de Janeiro e Aurora e ECSTATIC foram eliminadas no Grupo A. Sem k0nfig, que foi afastado da equipa após se envolver num episódio de violência após a fase de grupos da Pro League, Astralis continua a desiludir e desta feita perdeu por 16-3 diante de Bad News Eagles (BNE), que contou com uma grande performance de sinnopsyy. Também fnatic e G2 voltaram a perder, frente a B8 e 1WIN, respetivamente, e colocaram-se em posição difícil.

O antepenúltimo dia de competição marcou o início do RMR asiático, em Melbourne, na Austrália, e o regresso de sAw, num autêntico tudo ou nada, onde só a vitória interessava. Ao todo, foram mais 17 jogos de Counter-Strike, mais sete vagas conhecidas e outras oito equipas a dizerem adeus ao Rio de Janeiro. Infelizmente, a série à melhor de três frente a Heet não correu da melhor forma, os sAw tiveram a sua chance de ganhar, mas acabaram por não conseguir e perderam por 1-2. Deste modo, MUT, JUST, rmn, story e jerkz despediram-se do Major com três derrotas.

Também FANTASY disse adeus ao Brasil, depois de perder por 1-2 diante de Illuminar. Em sentido oposto, ENCE venceu BIG por 2-0 e qualificou-se com um saldo de 3-0. Spirit, Cloud9 e Sprout ficaram com as vagas do Grupo A para as equipas que perderam apenas uma vez, num dia que ficou marcado pela despedida de Eternal Fire, Astralis e G2. Gla1ve, Xyp9x, NiKo ou m0NESY são alguns dos nomes incontornáveis que não comparecer no Brasil. Um dia triste para o Counter-Strike, portanto.

No lado americano, FURIA tornou-se na primeira equipa brasileira a alcançar a qualificação para o Major no seu país, depois de bater paiN por 2-0. 9z obtiveram a mesma proeza, ao vencerem ATK pelo mesmo resultado. Seguiu-se 00NATION a alcançar a qualificação, com as lágrimas de TACO a virem ao de cima no final da partida. Já O PLANO, Team One e Isurus abandonaram a prova. Na zona asiática, IHC venceu JiJieHao International, de facecrack, por 2-0 e apurou-se para a Final, onde viria a encontrar Grayhound, que bateram Rare Atom por 2-1.

Nessa final, IHC acabou por levar a melhor diante da equipa australiana e apurou-se para a Challenger Stage. Na partida de eliminação, os israelitas bateram Rare Atom por 2-1 e a equipa chinesa abandonou de imediato a competição. No Grupo A europeu, o dia de sábado trouxe a jornada de tudo ou nada, com os últimos passaportes em jogo. Fnatic passou sem grandes dificuldades frente a 1WIN e, num jogo um tanto ou quanto semelhante, GamerLegion bateu B8. A fechar o dia, forZe e BNE protagonizaram uma excelente partida de Counter-Strike, que acabou por pender para o lado kosovar.

AS ÚLTIMAS DECISÕES

No Grupo B, a manhã começou com as partidas do 2-1, onde se iria ficar a conhecer mais três equipas presentes no Major. A saber: Heroic, Vitality e OG ficaram com os passaportes. O dia prosseguiu e, depois, teria de se ficar a saber quem seriam as três equipas eliminadas. Assim, Illuminar, Monte e HEET, duas das equipas que bateram sAw, foram para casa no penúltimo dia.

Em Estocolmo também era dia de decisões e de conhecer as três equipas eliminadas, embora não houvesse ainda espaço para se saber a quem pertenceria a última vaga. PaiN começou a tarde a vencer ATK por 2-0 e, a prosseguir a maré de vitórias para as equipas brasileiras, Imperial venceu Nouns. Por fim, Complexity teve de sofrer, mas acabou por eliminar Isurus.

Ao cabo de seis dias competição, faltavam ainda conhecer-se cinco equipas que iriam marcar presença no Rio de Janeiro. A abrir, Grayhound e JiJieHao International disputaram uma autêntica final, em que se iria decidir a última equipa asiática a avançar na competição. O jogo acabou por não ser fácil, mas sorriu aos australianos, que venceram por 2-0 e vão assim regressar a um Major depois de terem atingido as meias-finais em Berlim 2019.

Na Europa, faltava decidir que ficaria com o estatuto de Legends no Grupo A. Nessa partida, Spirit venceu Cloud9 por 2-1 e apurou-se diretamente para segunda fase do Major. No outro agrupamento, BIG eliminou K23, MOUZ passou por Sangal e Outsiders superou Falcons e apuraram-se para a Challengers Stage. Por fim, faltava decidir o terceiro, o quarto e o quinto classificados. Primeiro, Vitality perdeu para Heroic e terminou no quinto posto, com passagem para essa mesma fase. Depois, Heroic venceu OG por 2-1 e apurou-se como Legend.

Por fim, faltava conhecer a última equipa americana apurada. Antes, dizer que Liquid venceu EG por 2-0 e conquistou o primeiro lugar do apuramento, que contemplava a vaga para a Legends Stage. No primeiro jogo de eliminação, o dérbi entre Imperial e paiN terminou com um 2-0 favorável ao conjunto capitaneado por Fallen. No entanto, faltava ultrapassar Complexity para que o projeto “The Last Dance” estivesse presente na sua casa. Na sua map pick, os brasileiros venceram por 16-13, e os norte-americanos responderam com um 16-11. No decider, Imperial esteve a vencer por 9-6, a perder por 9-11 e depois teve um match point, mas acabou por ceder o 15-15.

No overtime, o equilíbrio continuou a predominar e, após Complexity terem vencido a primeira de seis rondas, Imperial respondeu e colocou as duas rondas que se seguiram. Após a mudança de side, os brasileiros passaram para o lado Terrorista e, numa ronda magnífica do “Professor”, Imperial ficou com mais dois match points. O primeiro acabou por não ser aproveitado e o derradeiro teve o mesmo seguimento. Já com mais de quatro horas de jogo, o nó parecia não desatar e estava garantido mais um overtime. O quinteto brasileiro voltou a entrar bem, venceu por 2-1 a atacar e voltou a colocar a ronda seguinte, voltando a estar com dois match points. Complexity voltou a salvar o primeiro e, posteriormente, Imperial venceu a 42.ª ronda e apurou-se para o Major.

O primeiro Major de Counter-Strike a disputar-se no Brasil tem início a 31 de outubro e termina a 13 de novembro. Será sediado no Rio de Janeiro, com as duas primeiras fases a serem jogadas no Riocentro e os play-offs na Jeunesse Arena. O prizepool é de 1.250.000 dólares e, pela primeira vez na história, as três fases terão público a assistir.

Assim, e após esta longa maratona de 110 jogos em seis dias, as 24 equipas apuradas são as seguintes: FaZe, NAVI, NiP, ENCE, Sprout, Heroic, Spirit e Liquid (Legends Stage), OG, Vitality, EG, Cloud9, BIG, BNE, MOUZ, 9z, GamerLegion, Outsiders, 00NATION, FURIA, Fnatic, IHC, Imperial e Grayhound (Challengers Stage).

Tiago Alexandre

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