«Se calhar teria valor para jogar na Primeira Liga» – Entrevista BnR com Jordan Santos

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2019 foi um ano perfeito para Jordan Santos. Ganhou todas as competições possíveis a nível de clubes e de seleção e foi eleito o melhor jogador do mundo de Futebol de Praia. Com a saída de Madjer, o número um do Mundo quer continuar a somar conquistas e manter sempre a sua ambição bem alta para a conquista de novos troféus. Em entrevista ao Bola na Rede, Jordan Santos abre o jogo e, sem rodeios, fala sobre o seu passado, presente e futuro.

– As origens e o título de melhor do Mundo –

«Quero garantir um emprego, depois de jogar Futebol de Praia».

Bola na Rede: Jordan, temos de começar por aqui: qual é a sensação de ser eleito o melhor jogador do mundo de futebol de praia?

Jordan Santos: É um sentimento muito bom, é o atingir do topo para um atleta. Ainda para mais sendo de um país pequenino, de uma vila pequenina… Portugal teve poucos jogadores que são os melhores do mundo. Cristiano Ronaldo, Madjer, Ricardinho, Eusébio, Figo… E eu. É um motivo de muito orgulho, ainda para mais sendo de uma vila pequena como a Nazaré, e neste momento estou a desfrutar.

BnR: Depois de seres o melhor do mundo, o que ainda há para ganhar a nível individual?

JS: Depois de se ganhar o título de melhor do mundo, a nível individual há pouco para ganhar. Acabas por ganhar o prémio mais alto de todos. Em termos coletivos, praticamente também já ganhei os títulos mais importantes que há para ganhar e agora o melhor troféu que posso ganhar é garantir um emprego, depois de jogar Futebol de Praia, para sustentar a minha família. Espero que as pessoas se lembrem de mim.

BnR: Nasceste no Canadá, mas vieste cedo para Portugal. Podes explicar-nos de forma rápida a tua história inicial?

JS: Sim, vim com três meses para Portugal. Os meus pais estavam, na altura, no Canadá, e quando eu nasci vieram diretos para Portugal. Tenho lá família e já lá voltei, mas desde os meus três meses que toda a minha vida foi feita neste país.

O título de campeão do mundo foi a cereja no topo do bolo
Fonte: FPF

BnR: És pai, tens uma família grande. Como é que geres tudo isto, juntamente com a tua profissão?

JS: Às vezes, é complicado. Tenho três filhos e a minha mulher, que trabalha, tem sido uma grande mulher e uma verdadeira heroína. Não é fácil ficar sozinha com três crianças. Eu, quando estou cá, também passo praticamente os dias fora de casa porque estou sempre a treinar e então é difícil conciliar isso. Mas temos familiares que nos ajudam. Deixamos os meninos com a minha mãe ou com a tia dela e é assim que vamos gerindo isto.

BnR: O nome “Jordan” é raro em Portugal. Podes explicar-nos a origem do teu nome?

JS: É verdade… Acho que surge precisamente por causa do Michael Jordan. Ele estava, na altura, a aparecer e a minha mãe gostou do nome (risos). Pronto, há poucos nomes iguais. Aqui, na Nazaré, não há nenhum e acabo por ser o único. Também acaba por ser bom ser o único, não é? (risos).

Mário Cagica Oliveira
Mário Cagica Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
O Mário é o fundador e diretor-geral do Bola na Rede. É também comentador de Desporto na LiveModeTV, SIC e Rádio Observador e professor universitário.

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