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Espanha 4-0 Portugal: Isto é tudo muito bonito, mas o que interessa é marcar

José Baptista · 3 min

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Pavilhão lotado e uma rivalidade histórica: a receita perfeita para encontrar o primeiro Campeão Europeu de Futsal Feminino. E que jogo! Um jogaço, especialmente de Portugal, sempre por cima, sempre com fome de baliza. Tudo muito bonito, mas… Pois, aí é que a porca torce o rabo, é que o que realmente importa é marcar e isso a Espanha fez, mas Portugal não. Foram bolas ao lado, foram bolas por cima, foi uma Aguete imbatível, mas não entrou. E a Espanha é Campeã da Europa.

A Espanha começou a partida e foi a primeira a criar perigo, mas Ana Catarina defendeu. Portugal respondeu por Carla Vanessa, cujo remate embateu numa adversária e resvalou para a barra. E depois, logo aos três minutos, começou a tragédia lusitana. Catarina defendeu um primeiro remate, mas a bola sobrou para zona proibida e Mayte inaugurou o marcador.

Um golo madrugador que mexeu com Portugal. Sentia-se o nervosismo e a pressão. Sara Ferreira fez uma asneira de todo o tamanho – perdeu a bola de forma infantil e aproveitou Anita para aumentar para dois a vantagem castelhana.

O filme repetiu-se no minuto seguinte, desta feita com Ruta Duarte, mas Ana Catarina evitou que situação piorasse ainda mais. Pouco depois, Jenny teve uma boa oportunidade para reduzir, mas falhou o chuto e, com apenas dez minutos jogados, a Espanha chegou ao terceiro, mas com polémica.

Num ataque que deveria ter dado canto para a equipa nacional, a árbitra decretou reposição pela guardiã espanhola. Apanhadas em contra-pé, as portuguesas tiveram de recorrer à falta. O remate saiu direto, ainda houve um ressalto antes de ela entrar, mas Catarina fica mal na fotografia.

O golpe de final: 4-0
Fonte: UEFA

Pode-se dizer que o mal estava feito, mas o treinador Luís Conceição pediu um timeout e conseguiu incutir alguma tranquilidade à equipa, que começou a carburar de outra forma. Tanto assim foi, que Portugal tomou definitivamente conta do jogo e com Pisko, Cátia e Carla Vanessa a crescerem no jogo começou o festival de remates, mas, ora para fora, ora para as mãos de Aguete, manteve-se tudo assim até ao intervalo.

A segunda metade foi o expoente desse domínio nacional. As portuguesas abafaram a Espanha, que poucas vezes se aproximou da baliza à guarda de Ana Catarina, mas nunca conseguiram concretizar e, desde os falhanços de Lídia aos remates perigosos de Fifó, a bola não queria entrar. Entrou foi do outro lado, aproveitando as espanholas uma altura em que Pisko jogava como guarda-redes avançado para matar a partida.

E pronto, foi isto. A Espanha é a campeã. Mas fiquemos com a vitória moral, jogámos melhor. Ah! E a Cátia… Não podia deixar de falar dela. Que exibição! De longe a mais lúcida jogadora em campo. Ainda ofereceu uns golos, mas as colegas não estavam para aproveitar.

EQUIPAS INICIAIS

Espanha: Aguete; Isa Garcia, Ampi, Peque, Vanessa Sotelo 

Portugal: Ana Catarina, Inês Fernandes, Carla Vanessa, Ana Azevedo, Pisko

A FIGURA

Fonte: UEFA

Aguete – Uma após outra, foi parando as tentativas lusas de marcar. Teve muito trabalho, mas não deixou entrar sequer um golo que desse esperança a Portugal. Imbatível nesta fase final, a Espanha tem aqui uma das principais razões para o título.

O FORA DE JOGO 

Fonte: UEFA

Janice – Talvez a mais desinspirada das portuguesas (ainda que Ana Catarina possa rivalizar com ela). Passou ao lado do jogo e fez Portugal jogar com uma estrela a menos.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Portugal

O Bola na Rede não colocou questões ao selecionador de Portugal, Luís Conceição.

Outras declarações:

«Temos de estar orgulhosos deste caminho. No futuro, havemos de estar nestes jogos e vão cair para o nosso lado.»

«Este resultado não nos vai desviar do nosso caminho.»

«Este ambiente é sinal de que as pessoas gostam da modalidade.»

Espanha

BnR: Portugal acusou um pouco a pressão do jogo e de jogar em casa. Crê que a força psicológica foi a chave para Espanha sair com a vitória?

Cláudia Pons: Sim, nós sabíamos o quão difícil ia ser jogar contra Portugal e estávamos preparados psicologicamente para isso. As raparigas, o grupo, foram especiais e notava-se, sentia-se que tudo podia correr bem se controlávamos essa pressão e esses nervos. 

E, no final, jogámos como sabíamos.  

Outras declarações:

«Quando nos colocamos na frente, ficamos com mais tranquilidade.»

«Houve momentos em que Portugal esteve melhor e nós soubemos sofrer.»

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: UEFA

José Baptista

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