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No dia 8 de abril, soube-se o futuro próximo do Futsal, pelo menos o do português: todas as competições foram dadas como concluídas. Devido à pandemia COVID-19, não estão reunidas as condições para as competições retomarem e, desta forma, a FPF declarou o fim das mesmas e também que não haverá campeões, subidas ou descidas. Certo é que a bola só vai começar a rolar nas quadras portuguesas na próxima época de 2020/21. E agora? É a questão que muitos devem estar a fazer…
A verdade é que para além do “e agora?” surgem, pelo menos, duas questões específicas muito importantes: a ida à UEFA Futsal Champions League de dois clubes e as subidas dos clubes que tinham pretensões a isso. Ao longo do artigo, olharemos em específico para cada uma delas, que estão em análise por parte da FPF também.
QUEM SÃO OS REPRESENTANTES PORTUGUESES NA EUROPA?
Desde que a UEFA Futsal Champions League sofreu alterações, há duas vagas para clubes portugueses e que, normalmente, são ocupadas por Sporting CP e SL Benfica. Porém, já houve a oportunidade de ver o SC Braga/AAUM na antiga UEFA Futsal Cup, juntamente com os leões. Apesar de os dois clubes lisboetas serem os mais fortes candidatos a estes lugares, quem não nos diz que podia haver outra surpresa como em 2017/18?
A problemática que pode aparecer é exatamente os poucos argumentos financeiros dos restantes clubes, à exceção de Sporting CP, SL Benfica e SC Braga/AAUM, para suportar uma aventura europeia. Sim, é verdade, mas ninguém os tira a possibilidade de chegarem à Final do play-off nacional e, consequente, ida às competições europeias. Já lá chegou a AD Fundão e o SC Braga/AAUM, logo, não é algo que seja impossível. Aqui, a FPF terá de ter muito cuidado quanto à sua decisão final no sentido em que era possível qualquer um clube dos oito nos play-off chegarem à Final.
The #UCLFutsal finals scheduled for 24-26 April in Minsk has been postponed: further information about the rescheduling of the competition will be given in due course, after a thorough assessment of options https://t.co/kvMyQvoe1l
— UEFA Futsal (@UEFAFutsal) March 18, 2020
De relembrar ainda que todas as competições da UEFA, ou relacionadas à mesma, continuam adiadas – em especial, a UEFA Futsal Champions League, que devia voltar a 24 e 26 de abril – até ordem ao contrário por parte do órgão que coordena a modalidade na Europa.
A TÁTICA DE “SEM SUBIDAS OU DESCIDAS”
Vivemos numa situação extraordinária e, por isso, pede também medidas igualmente extraordinárias. Porém, a temática “subidas e descidas” será muito delicada, mas que pode ser facilmente resolvida por parte da FPF e muito abona o facto de não se ter concluído a fase de subida na 2.ª divisão.
O que quero dizer com isto? Pois bem, CR Candoso e CF “Os Belenenses” estavam praticamente condenados à descida de divisão, mas quanto a esta situação pode ser pacífica, visto que não havia já dois clubes encontrados para suceder aos lugares dos clubes despromovidos. Caso houvesse já duas novas formações prontas a integrar o primeiro escalão, teríamos outra conjuntura – e aqui das complicadas…

Fonte: CF “Os Belenenses”
O problema encontra-se na possibilidade dos líderes das respetivas divisões distritais quererem subir, como é o caso do GD Mata/AAUBI, clube da Covilhã. “Um problema” que até teve uma boa solução, principalmente, no que toca aos aspetos importantes na temática “subida e descidas”. A formação da Covilhã apresentou três propostas, acreditando que a criação de mais duas séries na 2.ª divisão (com todos os líderes dos distritais) e a subida dos dois líderes da Fase de Subida Norte e Sul da 2.ª divisão, com consequente descida de CR Candoso e CF “Os Belenenses”, seja a melhor.
Neste aspeto ficará sempre questões como os “porquês” das subidas e descidas das formações ou os sentimentos de “revolta da não subida” depois de uma época perto do seu fim. Um problema que, muito provavelmente, será resolvido com a atual visão do “sem subidas e descidas”.
A COMPETITIVADE QUE O FUTSAL FEMININO PRECISA
Quando se fala no Futsal feminino a situação é mais “amigável”, de certa forma, no que toca a não haver uma equipa campeã ou subidas e descidas. Antes mesmo de se ter declarado a conclusão das competições, no dia 7 de abril surgiu uma proposta muito interessante para desenvolver a modalidade ao nível feminino.
Uma solução com origem no GD Valverde, formação do Fundão, e a proposta acabou mesmo por ser apresentada à FPF, sendo apoiada por 23 clubes. Da “terra da cereja” até à Cidade do Futebol, chegou a proposta da criação de um segundo escalão para o Futsal feminino. Numa altura em que se fala no crescimento da modalidade, e também da maior aposta por parte da UEFA, faz todo o sentido começarmos a pensar em criar este tipo de competições que promovam a modalidade.

Fonte: ACDR Arneiros
Não esqueçamos que, atualmente, apenas sobem quatro equipas à 1.ª divisão nacional através da Taça Nacional, que reúne em cada edição 24 equipas. Havia aqui uma grande possibilidade de dar a competição às atletas que precisem melhorar as suas capacidades. Porém, dado à realidade financeira dos diversos clubes tinha de ser uma proposta estudada até ao ínfimo detalhe para que as despesas não se sobreponham às receitas das formações em competição.
A decisão final cabe agora à FPF, que, em princípio, não deverá recuar quanto à posição tomada de “sem subidas ou descidas” no escalão sénior. Agora, fica apenas em aberto quem irá representar Portugal na próxima edição da UEFA Futsal Champions League. Pode até não parecer, mas há uma linha ténue entre a construção de um telhado de vidro ou de um bem consistente, visto que a decisão não vai agradar a todos – tal como em tudo na vida.
Foto de Capa: FPF














