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São precisos mais quantos anos?

João Pedro Barbosa · 3 min

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É um facto que o futsal feminino está em crescendo no velho continente e o ano de 2019 já nos trouxe até um Campeonato da Europa Feminino, o primeiro desta modalidade. Mas é certo também que só se deram passos em frente a nível de seleções porque quanto aos clubes continuamos à espera que a UEFA consiga organizar uma competição europeia.

Enquanto isso não acontece temos já o European Women’s Futsal Tournament. A competição vai para a terceira edição e vai reunir em Múrcia, Espanha, as campeãs nacionais dos respetivos países convidados (exceto a Itália). Assim, teremos a possibilidade de ver a jogar na mesma quadra as melhores equipas de futsal feminino do continente europeu.

Em 2019, vai, certamente, ser encontrado um novo campeão visto que o Atlético Navalcarnero foi quem venceu as duas edições já realizadas. A equipa de Madrid não foi a campeã da Liga Espanhola o ano transato e por este motivo não irá participar na competição deste ano.

O Atlético Navalcarnero foi a equipa vencedora nas últimas duas edições, mas este ano não irá marcar presença na competição
Fonte: Atlético Navalcarnero

No que diz respeito à participação de equipas portuguesas, na primeira edição o FC Vermoim foi o representante nacional e depois passou a responsabilidade de representar o país para o SL Benfica, que vai ter a sua segunda participação no torneio. Na edição de 2018, as “encarnadas” alcançaram a final, porém, foram travadas pelo Atlético Navalcarnero por 5-2. Este ano, procuram levantar o troféu que escapou o ano transato.

O SL Benfica vai ficar no grupo A que conta também com a equipa ucraniana do Inter Media Service, as vice-campeãs italianas do Kick Off C5 e ainda as holandesas do TPP Rotterdam. No grupo B ficaram as russas do FC Aurora St-Petersburg, o Jimbee Roldán FSF de Espanha, as polacas do AZS UAM Poznan e as croatas do MNK Alumnus. Depois da fase de grupos, o primeiro de cada grupo terá a oportunidade de jogar a final do torneio para chegar ao troféu.

O European Women’s Futsal Tournemant é uma competição muito recente no panorama do futsal, mas que conta já com o apoio da FIFA. Este torneio pode ser um grande passo para o que muitas jogadoras (e não só) ambicionam ter no contexto europeu de clubes. A UEFA já deu passos importantes nesta modalidade com a remodelação da Futsal Cup – agora renomeada Futsal Champions League – e também com a criação de um Campeonato da Europa Feminino de seleções. Porém, falta algo mais.

O SL Benfica vai em busca do terceiro título este ano, depois de já ter vencido a Supertaça e a Taça de Portugal
Fonte: FPF

Pode passar por aqui o investimento que a UEFA deve fazer para valorizar o futsal feminino, dando espaço e oportunidades a que mais jogadoras possam fazer aquilo de que gostam. Este torneio é a prova de que existem muitos clubes dispostos a abraçar uma possível nova competição. Mas, desta vez, com especial atenção às equipas femininas e àquilo que poderá ser uma grande oportunidade para os clubes aventurarem-se pela Europa.

Mas talvez haja um grande problema: uma decisão. Demorou-se muito tempo para se fazer o primeiro Europeu Feminino, imagine-se só quanto tempo não demorará para idealizar uma competição de clubes, que envolve centenas de formações? Já foi demonstrado em pleno campo do Pavilhão Multiusos de Gondomar que vontade e qualidade há para dar e vender por parte das jogadoras. Agora, a pergunta dirige-se à própria UEFA: vamos esperar mais quanto tempo para se criar uma competição europeia feminina de clubes?

Foto de Capa: FPF

João Pedro Barbosa

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Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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