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SL Benfica 2-6 Sporting CP: Avalanche do leão destrói o ninho da águia

Simão Mata · 5 min

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Foi num ambiente verdadeiramente eletrizante que o vencedor da Taça de Portugal da época transata (Sporting CP) e o atual campeão nacional (SL Benfica) se encontraram para a final da Supertaça de Futsal 2019-2020. O palco foi o Palácio dos Desportos, em Torres Novas. As duas formações partiram para este jogo/troféu com desempenhos desportivos muito semelhantes na pré-época e o resultado podia perfeitamente cair para cada um dos lados.

O Sporting entrou melhor no jogo e criou, logo de início, ocasiões de perigo para a baliza defendida pelo ex-leão André Sousa. Logo ao minuto um, a formação comandada por Paulo Luís – Nuno Dias estava na bancada juntamente com o diretor das modalidades leoninas, Miguel Albuquerque – abriu o marcador por Taynan.

O jogador brasileiro, naturalizado cazaque, finalizou ao segundo poste da baliza benfiquista após um livre cobrado de forma irrepreensível por Alex Merlim na esquerda do ataque. Taynan fez do seu pé esquerdo aquilo que muitos tenistas fazem com as suas raquetes – um subtil amorti para o fundo das redes.

O Sporting continuava com uma enorme avalanche ofensiva e, do lado dos encarnados, residia alguma surpresa pela forma como a formação leonina abordava o jogo. O Sporting foi sempre condicionando a fase de construção ofensiva benfiquista, atuando com uma pressão muito alta. Além disso, a formação de Alvalade esteve sempre mais esclarecida na quadra e, sobretudo, mais confiante. Guitta não teve qualquer problema em atuar em zonas mais avançadas, enquanto se via no Benfica uma timidez em lançar André Sousa para a fase de organização ofensiva.

Não conseguindo responder ao vendaval verde e branco, a formação comandada por Joel Rocha sofre, ao minuto três, o segundo golo. Desta vez foi o pivot Rocha que aproveita uma jogada de contra-ataque do Sporting após remate falhado de André Coelho perto da área leonina. Boa receção de bola do jogador verde e branco que orienta a bola com o seu pé esquerdo e remata com o mesmo pé, deixando André Sousa sem possibilidades de defesa.

Joel Rocha pensava muito sobre o que se estava a passar e procurava soluções para travar a onda verde que se lançava sobre o Benfica. Foi então que lançou Fits, corria o minuto seis. O objetivo era tentar que o pivot encarnado segurasse o jogo, procurando inverter a tendência do Sporting para ter bola. Ao mesmo tempo, explorava o jogo físico, um aspeto em que o brasileiro é exímio.

O que é facto é que o Benfica foi crescendo no jogo e apareceu com maior perigo perto da baliza de Guitta: ao minuto oito, o guarda-redes brasileiro teve mesmo que se aplicar a fundo para desviar um remate de Fernando Drasler que ia com selo de golo e, ao minuto treze, o Palácios dos Desportos em Torres Vedras assiste a mais uma excelente intervenção do guardião leonino perante um livre direito cobrado por André Coelho.

Para finalizar a primeira parte, ao minuto dezoito, Drasler, na direita do ataque encarnado, remata cruzado “pedindo” a Fernandinho que encostasse apenas para o golo mas o brasileiro não finaliza por escassos milímetros. Foi a melhor oportunidade de golo desta primeira parte. Na resposta, Rocha podia ter feito o três a zero mas a bola passou ao lado da baliza do Benfica.

Rocha, que o ano passado já tinha sido destaque, voltou a estar em grande num derbi entre os dois grandes lisboetas
Fonte: FPF

O segundo tempo foi o corolário do primeiro: entrada a todo o gás da formação leonina com a formação benfiquista a assistir atónita. E, tal como nos primeiros vinte minutos, o minuto um do segundo tempo, viu o marcador a ser alterado a favor da equipa comandada por Paulo Luís – desta vez por autogolo de Chaguinha que com o calcanhar direito desvia a bola para a sua própria baliza, após cobrança de um canto de Merlim.

André Sousa nada podia fazer. Estava feito o quarto golo para o Sporting e o desfecho da partida começava a desenhar-se aos poucos. O quarto golo deu ainda mais garra à equipa do Sporting e isso impedia que o Benfica criasse situações de muito perigo.

Joel Rocha optou por continuar com um sistema tático 2×2 enquanto o Sporting mantinha-se fiel ao 3×1, com um pivô fixo, normalmente, Cardinal. Ao minuto dezasseis, Miguel Ângelo manda a bola ao poste da formação leonina, após uma desconcentração atípica da formação campeã da Europa. Ao minuto cinco surge o cinco a zero – o “mago” Merlim corre pela ala esquerda do ataque e cruza para a área restando a Rocha encostar para o golo. Era o quinto para os “leões”.

O Benfica, já sem forças, procurou responder e, ao minuto sete, consegue mesmo dar um ar da sua graça por Tiago Brito que, com um portentoso remate, leva Guitta a mais uma excelente defesa. O guardião do Sporting foi, aliás, uma verdadeira muralha na defesa sportinguista. Mas, no mesmo minuto, surge o sexto golo do Sporting por parte de Cardinal que aproveita da melhor forma uma perda de bola infantil de Chaguinha em zona proibida.

O Benfica, procurava nesta altura apenas lavar a imagem, e jogou desde o minuto oito da segunda parte com guarda-redes avançado. Mas o cinco para quatro não intimidou a formação do Sporting que se mostrou sempre uma equipa atenta e perspicaz no processo defensivo. Mas a superioridade numérica dos encarnados levou ao golo de Fits, ao minuto dezassete. Num duelo de brasileiros na área leonina – Guitta e Fits – foi o Pivot encarnado que levou a melhor sobre o guardião verde e branco.

O resultado já estava no patamar da “humilhação” penalizadora dos encarnados, mas o Sporting ainda deu mais perfume ao vendaval que protagonizou em Torres Novas. João Matos, após recuperação de bola na zona defensiva e aproveitando o facto do Benfica estar a jogar com guarda-redes avançado, rematou em jeito para a baliza encarnada e marcou o sexto e último golo dos Leões no encontro.

O Benfica ainda teve tempo para diminuir a desvantagem e marcou mesmo o seu segundo e último tento por Fernandinho, após um remate cruzado na esquerda do ataque por Fits.

O jogo terminou com uma vitória justa do Sporting por 6-2 ainda que se estranhe a apatia da formação benfiquista durante todo o encontro. Mas, dado ser o primeiro jogo da época, nem Nuno Dias tem que embandeirar em arco, nem Joel Rocha deve ser mauzinho para os seus jogadores. É que jogos são sempre jogos e não definem temporadas inteiras.

CINCOS INICIAIS:

SL Benfica: André Sousa (GR), Fernando Drasler, Bruno Coelho, Robinho e André Coelho

Sporting CP: Guitta (GR), João Matos, Merlim, Taynan e Cardinal

A FIGURA

Fonte: Sporting CP

Rocha – Bisou na goleada sportinguista diante do eterno rival, sendo o obreiro deste feito histórico. O primeiro golo denota excelentes qualidades técnicas, só acessível aos melhores e a quem sabe verdadeiramente o que faz. Tem tudo para brilhar esta temporada como emblema do leão.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Chaguinha – Os dois erros que cometeu no encontro – seja pelo auto-golo seja pela perda da bola em zona proibida – não colocam este brasileiro muito bem na fotografia. Mas, verdade seja dita, Chaguinha mostrou excelentes recortes técnicos, lembrando até, não só neste aspeto mas também na aparência física, o nipónico portista Shoya Nakajima. Mas este jogo ficará sempre na memória de Chaguinha. Pelos piores motivos, é claro.

artigo revisto por: Ana Ferreira

Simão Mata

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