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Havia tantas desculpas. O Mundial, a destituição de Bruno de Carvalho da presidência do Sporting e até, imagine-se, o sol e o calor no Rock in Rio. No entanto, apesar deste jogo não determinar já um campeão. Este domingo, 24 de junho, foram muitos os que marcaram presença no jogo 3 da final do campeonato nacional de futsal, no Pavilhão João Rocha. Motivos não faltavam, aliás, quem saísse vencedor nestes 40 minutos estaria a apenas outros tantos para conquistar o troféu.
Os dois primeiros jogos terminaram com vitórias para Sporting e Benfica, nesta ordem, sempre pela margem mínima. Os ingredientes pareciam ter sido escolhidos a dedo, mas a confeção não foi a melhor. Houve muitos golos e recurso ao prolongamento, sim, mas o jogo foi bastante agressivo, com muitas faltas, cartões, e logicamente bem menos espetacular e táctico como os dois jogos anteriores. O Benfica venceu este autêntico duelo por 6-9, quando esteve em desvantagem por várias ocasiões e bem por baixo na partida. Os “encarnados” são os primeiros a arrancar uma vitória no terreno do rival. Se seguir a tendência de vencer o jogo caseiro, como fez na passada quarta-feira, conquista o título nacional.
A partida iniciou com oportunidades para as duas equipas, especialmente provenientes de reposições de bola vindas das laterais ou dos guarda-redes. Os guarda-redes foram correspondendo com defesas seguras. Porém, era o Sporting que conseguia ter mais bola em sua posse, mesmo com a pressão alta dos jogadores do Benfica. Tal coisa se espelhou quando se inaugurou o marcador. Fortino, coberto por um adversário, “puxa” a bola com a sola para trás e encontra Pany Varela isolado para finalizar no frente-a-frente com Cristiano aos 6 minutos (1-0).
O Benfica quis responder no imediato e recorreu aos seus melhores criadores em campo, até que surge uma contrariedade para o Sporting. Ao minuto 10, Deo foi sancionado com um cartão vermelho direto após falta sobre Rafael Hemni que já tinha contornado dois adversários. Decisão do árbitro Tiago Silva foi muito questionada pelos adeptos do Sporting presentes no Pavilhão João Rocha. Com menos um elemento do lado dos “leões”, o Benfica passou a salientar-se no jogo e o golo (quase contraditoriamente) surgiu de um remate de Fernandinho perto da linha de meio campo que terá resvalado no braço de André Coelho. Golo validado, 1-1 e os protestos avolumaram-se entre os elementos sportinguistas. Neste cenário, o jogo estava com elevados níveis de agressividade e os ecrãs não mentiam: quatro faltas cometidas por cada equipa em apenas onze minutos. O Sporting voltava a ter cinco elementos em campo dois minutos depois.

Entretanto, a polémica continuava instalada com várias faltas “feias” contra as duas equipas, protestos e já com outra baixa por expulsão do lado do Sporting: o treinador Nuno Dias. Poucos segundos depois, foi a vez de Djô ser expulso após segundo cartão amarelo. O ala cometeu cometeu falta sobre Robinho quando já era o último adversário antes de chegar à baliza ocupada por André Sousa. Sexta falta cometida, livre direto sem barreira para Bruno Coelho, convertido sem sucesso após “muita cerimónia” pela equipa de arbitragem.
Nestes outros dois minutos com menos um jogador, o Benfica não conseguiu concretizar outro golo. Só mesmo em nova falta para o Sporting, em novo live de Bruno Coelho, mas desta vez com sucesso (2-1). Pouco minutos depois foram os “leões” a beneficiar de uma sexta falta do Benfica, mas sem sucesso. Só no livre seguinte, após outra falta dos “encarnados” com Alex Merlim a meter rasteiro no canto esquerdo da baliza de Cristiano (2-2). Terminava a primeira parte, jogo menos elegante por parte das duas equipas com muita agressividade, faltas (sete cometidas para cada lado) e polémica dentro e fora de campo devido às expulsões, o que levou a reforço policial nas bancadas de Benfica e Sporting para evitar males maiores.
Começava a segunda parte e o Benfica tomava a maior iniciativa. Todavia, ia-se pintando uma partida menos espetacular, apesar de os jogadores pedirem quase sempre o apoio dos seus adeptos. Os “encarnados” executaram alguns remates para defesas seguras de André Sousa e, para por as mãos na cabeça dos adeptos, complicaram num contra-ataque. E como quem não marca sofre (e da maneira que os adversários gostam), o Sporting chega ao golo com um remate fortíssimo de Pedro Cary aos 5 minutos (3-2).
A equipa leonina voltava à vantagem no marcador deste terceiro jogo da final depois de ter aberto o marcador na partida e voltava a ter o jogo em seu controlo. Com isto, obrigou o Benfica querer ter mais bola e regressavam as faltas. A meio deste segundo tempo, quatro faltas para os “encarnados” e duas para o Sporting. Canto para Alex Merlim que entrega para Diogo à entrada na área fazer o golo (4-2) num remate que vai à barra e entra. Era a primeira vez em algum tempo nesta final que se via as duas equipas separadas por mais de um golo. Esta tendência era para continuar. O Benfica, algo de cabeça quente – tal como o Sporting no final da primeira parte, mas que parecia ter “resfriado” – era várias vezes encontrado em sobressalto e Alex Merlim aproveitou ao seu estilo, com mais um golo (5-2), após efetuar um remate à entrada da área que entra no canto superior esquerdo da baliza.

Eram já três golos de vantagem para o Sporting. O Benfica avançou para o ‘cinco para quatro’, com Bruno Coelho a assumir a posição de guarda-redes móvel. Num dos vários lances que interrompeu a partida, Fortino recebeu o segundo amarelo e consequente expulsão por protestos.
Raul Campos reduziu ao minuto 35 (5-3), num golo validado pela equipa de arbitragem e que poucos perceberam entre os 2501 espetadores e jornalistas dentro do Pavilhão. Poucos segundos depois, o mesmo Raul Campos reduziu novamente a diferença no marcador (5-4) após ser encontrado algum espaço para finalizar devido ao ‘cinco para quatro’. Os últimos três minutos iriam ser intensos. O Sporting continuava a rematar, mas o Benfica avançava com o tudo ou nada usando mais um elemento na área adversária e chegou ao 5-5 com Bruno Pinto a encostar.
Pouco depois, já a faltarem 47 segundos para o final da partida, o Benfica completou a reviravolta no marcador com Rafael Hemni (6-5) num golo muito polémico pois o jogador “encarnado” fez uma entrada dura para chegar ao ‘um para um’ com o guarda-redes. O Pavilhão João Rocha silenciava-se com o regresso do Benfica à vantagem, mas o Sporting ainda chegou ao empate (6-6) que “mandou tudo abaixo”. Faltavam só 25 segundos e Cavinato conseguiu levar a decisão do jogo para prolongamento. Vinham aí mais 10 minutos, repartidos em duas partes de cinco. O Benfica levava para este tempo extra cinco faltas cometidas e o Sporting duas.
Arrancavam os primeiros cinco minutos do prolongamento e Bruno Coelho traz novamente a vantagem para o Benfica (6-7) que chuta de longe, surpreendendo o guarda-redes do Sporting, André Sousa, visivelmente adiantado da baliza. Observação que não retira o facto de ter sido um excelente golo do internacional português, execução só mesmo à distância de alguns jogadores.
O Benfica via-se condicionado por ter cinco faltas cometidas, mas teve de entrar forte em alguns lances para não deixar fugir a vantagem. Cristiano fez falta sobre Cardinal dentro de área e o próprio pivot falhou o penalty, rematando ao poste. Era o desespero para a maioria dos adeptos presentes no Pavilhão João Rocha, os vestidos de verde e branco, mas o apoio à sua equipa não diminuiu. O Sporting tentava, mas até com a baliza escancarada, Robinho apareceu do nada para impedir o empate quando a baliza do Benfica estava completamente pronta a receber o golo.
Os “leões” recorreram ao ‘cinco para quatro’ quando faltavam dois minutos para o fim da segunda parte do prolongamento. Numa jogada que não correu melhor, surgiu o golo do Benfica (6-8) por Bruno Coelho num alívio vindo da área do Sporting. Segundos depois, a mesma situação, com o guarda-redes avançado Alex Merlim a perder a bola no meio campo e a dar a Fernandinho o acesso ao golo (6-9).
Terminava a partida. Nada está decidido, mas os índices de confiança do Benfica sobem a olhos vistos pois tinha começado esta final de campeonato a perder. O jogo não foi perto de espetacular, mas para quem viu em casa muitos golos são sempre bem vindos. No entanto, muitas faltas e ações disciplinares foram o espelho da exibição das duas equipas. Para o próximo jogo da final, resta saber se os jogadores do Sporting expulsos na partida (Deo, Djô e Fortino), bem como o seu treinador podem estar presentes. Encontro marcado para a próxima quarta-feira, 27 de junho, às 21h00 no Pavilhão da Luz.
Cincos iniciais:
Sporting CP: André Sousa, Pedro Cary, Divanei, Cardinal e Alex Merlim.
No banco: Gonçalo Portugal, Djô, Diogo, Deo, Cavinato, Pany Varela e Fortino.
Não convocados: Varela, João Matos, Caio Japa, Marcão e Dieguinho.
SL Benfica: Cristiano Marques, Bruno Coelho, Fernandinho, Raúl Campos e Robinho
No banco: André Correia, Afonso Jesus, André Coelho, Fábio Cecílio, Tiago Brito, Rafael Hemni, Miguel Ângelo, Bruno Pinto e Deives Moraes.
Não convocados: Chaguinha, Roncaglio e Jacaré
A FIGURA

Bruno Coelho – Não foi a partida mais espetacular do ala internacional português, mas foi o autor de três dos nove golos do Benfica. Estes tentos foram ‘desbloqueadores’ do jogo do Benfica que se apresentou inferior ao do Sporting durante grande parte da partida. Exibição muito combativa a par do adversário, Alex Merlim (que pecou praticamente só quando “deu” o nono golo do Benfica), e do guarda-redes “encarnado” Cristiano.
O FORA DE JOGO

Deo – Falta muito feia sobre Rafael Hemni perto dos 10 minutos de jogo mancha a prestação do ala sportinguista que foi prontamente expulso. Este lance foi o início de uma onda de polémicas envolvendo vários intervenientes de jogo na quadra. Com baixas deste tipo de jogadores (rápidos e tecnicistas) acusou o desgaste na equipa do Sporting que, apesar de ser muito forte, era curta para esta final.









