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Vale tudo para ganhar o campeonato?

Simão Mata · 3 min

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Sporting e Benfica disputaram no passado domingo (24/06/2018) a terceira partida da final de futsal para o apuramento do campeão nacional da modalidade na época 2017-18. Assistiu-se no Pavilhão João Rocha a um jogo quente, como é aliás habitual em qualquer partida que coloque frente a frente os rivais de Lisboa. Mas o aquecimento do dérbi foi tal que os jogadores começaram a ferver em pouca água e é então que se cometeram – por parte dos jogadores de ambas as equipas – alguns excessos. O jogo terminou com cinco expulsões e com uma vitória das águias por nove bolas a seis. Essa vitória dá margem aos encarnados para, já nesta quarta feira, garantirem o título nacional da modalidade, bastando para isso levar de vencida a equipa sportinguista no Pavilhão da Luz.

Na sequência do “ambiente quente” no João Rocha durante o jogo, Miguel Albuquerque, diretor da secção de Futsal do Sporting Clube de Portugal, Nuno Dias, treinador da equipa e mais três jogadores (Fortino, Djo e Deo) estão suspensos pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Destes, Deo está suspenso por três jogos, Nuno Dias por oito dias e terá ainda que pagar uma multa de 51 euros.

Mas o que importa destacar de tudo isto são os comentários que, depois do jogo, Miguel Albuquerque teceu sobre aquilo que para ele –  e também para mim e certamente para milhares de sportinguistas – consideraram uma “arbitragem vergonhosa” protagonizada pelos árbitros Sérgio Magalhães e Tiago Silva, da Associação de Futebol do Porto, e Wilson Soares, da Associação de Futebol de Aveiro . Devido a tanta celeuma que se gerou em torno de tais declarações, voltei a ouvi-las na tentativa de escutar algo que fosse verdadeiramente atentatório à moral ou ao civismo. Nada encontrei sobre esse aspeto. O que vi e ouvi foi alguém que, na qualidade de diretor da secção de Futsal dos Leões, opinou sobre o que para ele tinha sido uma “arbitragem vergonhosa”, dando exemplos, inclusive, de lances de jogadores do Benfica que nos outros dois jogos anteriores protagonizaram agressões semelhantes a jogadores do Sporting e nada lhes aconteceu.

Fortino foi um dos jogadores mal expulsos no jogo três da final
Fonte: Sporting Clube de Portugal – Futsal

Albuquerque limitou-se, portanto, a dar a sua opinião. E isso num Estado de direito democrático deveria ser o mais elementar princípio da cidadania. Lamenta-se, isso sim, que a comunicação social e, mais uma vez, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol tenham associado um ato de agressão hediondo, protagonizado por pseudo-adeptos do Sporting, a um clube centenário que se pugna por valores inalienáveis de respeito como o Sporting Clube de Portugal. Aliás, o clube de Alvalade fez logo saber, através do seu sítio na internet, que repudiava as agressões cometidas sobre o árbitro da partida de domingo: “O Sporting Clube de Portugal repudia de forma veemente as agressões desta manhã ao árbitro Sérgio Magalhães, independentemente de quem tenham sido os autores deste acto cobarde. O Sporting CP pauta-se por valores de respeito na sociedade, nos quais não estão inseridas acções desta natureza (…).” (Comunicado do Sporting Clube de Portugal, site oficial, dia 25 de junho de 2018). Como disse Miguel Albuquerque, o Sporting é uma instituição centenária e merece, também por isso, respeito.

Sabemos que acima de tudo e de todos parece estar o Benfica que vê agora uma oportunidade única de alcançar o almejado título no futsal que lhe foge desde a época 2014-15. E para isso parece que tudo vale: berrar, exagerar, falar, ampliar acontecimentos, exercer influências. Se o Benfica ganhar ao Sporting no Pavilhão da Luz no jogo quatro pode sagrar-se campeão nacional. Mas se ganhar o Sporting, caramba, que festa de arromba não será na casa do eterno rival. Ganhar assim sabe melhor. Vamos Leões!

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal – Futsal

Simão Mata

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