A CRÓNICA: VISEU DEIXA BOA IMAGEM FRENTE A ARMADA LEONINA

O Viseu 2001 e o Sporting CP defrontaram-se em dois momentos opostos da época. A equipa da casa vinha de três derrotas consecutivas e a descer na tabela classificativa, enquanto que os leões vinham de nove vitórias consecutivas, em todas as competições, incluindo o facto de alcançarem a liderança na jornada anterior.

Os viseenses até começaram mais ativos, mas foi o Sporting a conseguir concretizar cedo. Merlim e Rocha, este num belo gesto técnico a controlar a bola com o peito antes de rematar, puseram os visitantes na frente no espaço de um minuto.

Depois dos golos leoninos, o jogo parecia confortável a partir dos 4´. O Sporting teve inúmeras oportunidades, principalmente através de remates de fora da área, para marcar mais golos. Só que Bruno Felipe disse “presente” e esteve intransponível na baliza. O Viseu 2001 parecia mais solto à medida que os minutos passavam e conseguiu chegar ao empate no espaço de dois minutos, aos 12′ e 13′. Rafa Stocker, de livre direto, e Lukinhas, num contra-ataque rápido, relançaram a partida.

O Sporting continuou a pegar no jogo, apesar de não conseguir penetrar com facilidade na área da equipa da casa. Precisamente num dos poucos lances em que chegou à área viseense, depois de uma perda de bola do Viseu 2001, Merlim assistiu Rocha, que colocou a bola fora do alcance de Bruno Felipe.

A segunda parte começou com o Sporting com mais posse de bola e mais perto da baliza viseense. No entanto, foi o Viseu 2001 a empatar num remate quase de área a área de Rafa Stocker, depois de uma perda de bola leonina e apanhando Guitta adiantado. Os viseenses estavam mais atrevidos e adiantados no terreno e os leões aproveitaram para conseguir mais espaço para penetrar na área adversária. Numa transição rápida, Rocha assistiu para Cavinato fazer o 3-4.

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Os visitantes tiveram várias oportunidades com Bruno Felipe novamente a brilhar. Já os viseenses, mais apagados no ataque, só estiveram perto de empatar por Kiko, que rematou à trave, num contra-ataque rápido. Só a cinco minutos do fim da partida é que o resultado voltaria a mudar. Numa boa jogada coletiva do Sporting, Cavinato finalizou à entrada da área e fez o 3-5.

Nos restantes minutos que faltavam, o Viseu 2001 não apostou no guarda-redes avançado para chegar ao golo. Vitória justa para a equipa que criou mais oportunidades.

 

A FIGURA

Rocha – Dois golos e uma assistência foi a marca que o jogador do Sporting deixou na partida. Participou na teia ofensiva dos leões, que originaram muito do perigo para a baliza viseense.

O FORA DE JOGO

Guitta – O guarda-redes do Sporting, um dos melhores do mundo, esteve aquém da partida, devido ao seu posicionamento mais adiantado no terreno. Em dois dos golos, esse facto foi decisivo, com o expoente máximo no golo de área a área de Rafa Stocker, que apanhou o guardião em contrapé.

 

ANÁLISE TÁTICA – VISEU 2001

Paulo Fernandes tentou através de jogadas rápidas a dois/três toques chegar perto da baliza do Sporting para finalizar. Rafa Stocker, em especial na primeira parte, era o jogador responsável pelas finalizações. Na defesa, a equipa de Viseu fez uma marcação homem a homem, não dando espaços para os leões penetrarem muitas vezes na sua área, em especial no primeiro tempo.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bruno Felipe (8)

Caio Santos (7)

Russo (6)

Lukinhas (7)

Rafa Stocker (7)

SUBS UTILIZADOS

Ginhu (-)

Kiko (6)

Matheus Jorge (6)

 Daniel Ramos (6)

Lucas Amparo (6)

Lucas Otanha (-)

Pássaro (-)

Ezequiel Reis (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – Sporting CP

Nuno Dias tentou controlar o ataque rápido do Viseu 2001 e esforçou-se para, com mais posse de bola, chegar à baliza adversária. Merlim e Erick tentaram organizar o jogo ofensivo leonino. Sem muitas vezes conseguirem chegar à grande área, apostaram nos remates de fora da área para surpreender Bruno Felipe.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Guitta (6)

João Matos (6)

 Erick (7)

 Merlim (8)

 Cavinato (8)

SUBS UTILIZADOS

Gonçalo Portugal (-)

Tomás (7)

Zicky (6)

Rocha (8)

Pany Varela (6)

Neves (-)

Mamadu Ture (-)

 Diogo Santos (-)

Bernardo Paço (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

VISEU 2001

BnR: Que análise faz ao jogo?

Paulo Fernandes: Estávamos à espera de uma entrada forte do Sporting e deu para perceber que eles traziam como estratégia conseguir dilatar logo no início o marcador para o Viseu correr atrás do prejuízo. Mesmo assim, conseguimos, com uma grande atitude, empatar a partida. Depois, não podemos, nem de perto nem de longe, pôr em causa o valor e a qualidade deste Sporting. De qualquer das formas, fizemos o nosso trabalho e saímos para o intervalo a perder 2-3. Depois, vem a qualidade e a maior capacidade de solucionar todas as dificuldades que o Viseu lhe punha. O Sporting tem jogadores que, em situações de um para um, conseguem desequilibrar. Estou orgulhoso daquilo que foi a prestação do Viseu 2001.

BnR: O Viseu 2001 não chegou a apostar no guarda-redes avançado nos últimos minutos, apesar de estar em desvantagem. Porquê?

Paulo Fernandes: Porque não se justificava. Aliás, tinha os jogadores muito cansados e, sabendo da qualidade do nosso opositor a defender de cinco para quatro, não justificava. Tentámos no jogo jogado. Criámos ainda duas boas oportunidades, na parte final da partida. O Guitta acaba por fazer três grandes defesas. Fomos até onde foi possível e agora é pegar nisto e trabalhar já para o próximo jogo.

SPORTING CP

BnR: Que análise faz ao jogo? Mais complicado do que à partida pensaram?

Nuno Dias: Esperávamos as mesmas dificuldades que o Viseu nos colocou. O Viseu é uma boa equipa que trabalha provavelmente de forma igual ao Sporting. Não se coloca aqui sequer a questão do profissional e do amadorismo. Os jogadores do Viseu são todos profissionais e dependem exclusivamente do futsal. Têm grande qualidade, trabalham bem e têm um bom treinador. A classificação e a pontuação que, neste momento, têm é o reflexo dessas dificuldades que podem colocar em todos os adversários. Basta terem esta atitude que tiveram hoje, basta terem estes comportamentos que tiveram, e dificultam qualquer equipa. Conhecemos o Viseu e sabemos das suas qualidades.

BnR: O Sporting teve, em especial na primeira parte, dificuldades em chegar à área adversária. Tendo em conta a defesa compacta do Viseu 2001, a equipa focou-se nos remates de fora da área durante a semana para concretizar no jogo?

Nuno Dias: Os remates são fora da área, quando não conseguimos chegar perto. Fomos conseguindo criando. A diferença foi que, a partir de certa altura da primeira parte, mudámos um pouco a nossa intensidade do jogo. Diminuímos a pressão, diminuímos as ações com bola e sem bola, diminuímos a velocidade com que executámos e isso fez o Viseu crescer. Fez o Viseu, num lance de um livre, que a bola passa, não percebi bem onde, no meio da barreira. Não era um lance de grande perigo, mas chegou ao 1-2. Num ressalto, chegou ao 2-2 e, com todo o mérito, estava a incomodar-nos, porque nós também, por culpa própria, deixámos de fazer aquilo que tínhamos de fazer. Deixámos de fazer, um pouco porque fomos menos intensos nas abordagens, mas, por outro lado, há mérito do Viseu na forma como nos dificultou.

BnR: O Sporting cometeu cinco faltas contra zero do Viseu 2001, na primeira parte. Houve aumento da agressividade para tentar conter o contra-ataque viseense, uma das principais qualidades da equipa da casa?

Nuno Dias: Não foi propriamente por ser o Viseu. É a nossa maneira de jogar. A nossa forma de jogar e de organização é assim. Independentemente disso, conhecemos o Viseu e sabemos que eles são fortes nesse tipo de lance, mas não foi algo preparado única e exclusivamente para o Viseu. É algo que nós fazemos contra todas as equipas, a forma como nós pressionamos, como queremos andar perto da baliza do adversário. É o nosso modelo e o que faz parte das nossas características. Na maior parte das vezes, o Viseu consegue libertar, porque tem qualidade. Movimenta bem, tem bons executantes. Outras vezes, conseguimos nós criar dificuldades e obrigar o Viseu a errar e a perder algumas bolas. Recordo-me de que foi nesse tipo de situações que nós recuperámos algumas bolas que deram golo a nosso favor. Não tem a ver com o Viseu, mas com a nossa organização.

Artigo revisto por Mariana Plácido

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