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A CRÓNICA: VISSEENSES COMETERAM ERROS A MAIS
O duelo era entre duas equipas em zona de despromoção na I Divisão de Futsal. O Viseu 2001 precisava de vencer para sair dos lugares indesejados e tentar aproximar-se do acesso ao play-off. Já o Nun´Alvares, lanterna vermelha, precisava de ganhar para não reduzir ainda mais a probabilidade de se manter no escalão máximo.
Os visitantes começaram com mais bola mais próximos da baliza adversária e foram os primeiros a criarem oportunidades. O Viseu 2001 explorava sobretudo transições rápidas para chegar à baliza adversária.
Aos cinco minutos, o marcador foi inaugurado. À entrada da grande área viseense, Serginho rematou, o guarda-redes viseense ainda toca com a mão na bola, mas o esférico acabou por entrar na baliza.
O Viseu 2001 cresceu no jogo e dois minutos depois fez o empate. Numa situação em ataque organizado, Ture rematou, defesa incompleta do guardião adversário para a frente e, oportuno, Alexandre Lopes apareceu para a recarga e atirou para dentro da baliza 1-1.
As duas equipas iam criando oportunidades, mas era o conjunto da casa que estava mais perigoso. O terceiro golo viria a aparecer a oito minutos do intervalo. Douglas conseguiu arranjar espaço com defesas pela frente para rematar de meia distância e colocar os viseenses pela primeira vez em vantagem.
Depois do 2-1, os viseenses não baixaram o ritmo. Daniel Ramos e Kiko tiveram ocasiões para alargar a vantagem, mas não tiveram a melhor pontaria. Contra a corrente do jogo, o Nun’Álvares chegou à igualdade pouco mais de um minuto do intervalo. Luís Paulo enviou a bola de área a área e aproveitou o adiantamento de Côco para fazer o 2-2, num chapéu bem medido.
O segundo tempo começou com o Viseu 2001 mais ativo à procura de regressar à vantagem. Num lance individual, sem estarem decorridos dois minutos do reinício do jogo, Daniel Ramos conseguiu enganar o defesa adversário, no lado direito do ataque, e colocou os viseenses novamente a vencer.
Os viseenses tentaram controlar o ritmo de jogo em posse, mas o ritmo baixou e a equipa acabou por permitir que os visitantes chegassem à sua baliza. Primeiro, da esquerda Mano-Sele obrigou Côco a aplicar-se. Depois, aos oito minutos, novamente do mesmo lado, Jô rematou cruzado de fora da área para o fundo da baliza e restabeleceu o empate.
O Viseu 2001 tentava manter o ascendente e subia no terreno de jogo em ataque organizado, mas acabava por dar espaço ao adversário para contra-atacar. Precisamente, numa transição rápida, com origem numa bola longa de área a área, Ismael recebeu a bola na grande área viseense e isolado atirou para a reviravolta no marcador.
Apesar da desvantagem, o Viseu 2001 não desmoralizou e continuou próximo da baliza adversária. Os viseenses acabariam por empatar num lance de bola parada. A menos de cinco minutos para o final da partida, Rafa Stocker cobrou um canto à esquerda e a bola seguiu diretamente para a cabeça de Muskito que acabado de entrar, empatou novamente a partida
Já no penúltimo minuto da partida, o Nun’Álvares ficou com menos jogador por expulsão de Jô que parou em falta Daniel Ramos quando este se dirigia isolado para a grande área. O Viseu 2001 acabaria por não aproveitar a bola parada, nem a vantagem numérica para chegar à vantagem.
O empate aceita-se, num jogo bastante emocionante, com vários erros das duas equipas, especialmente do Viseu 2001 que falhou em momentos cruciais para garantir a vitória.
A FIGURA
Luís Paulo – O jogador do Nun´Alvares fez o golo da tarde, de área a área, num chapéu bem executado a Côco. Mostrou visão de jogo ao ver o adiantamento e a desconcentração do guarda redes contrário. Importante a pressionar os jogadores de Viseu 2001 e assim a equilibrar a equipa nos momentos sem bola.
O FORA DE JOGO

Côco – O guarda-redes do Viseu 2001 falhou nos dois primeiros dois golos sofridos e acabou por ser decisivo na partida. No primeiro golo, parece ser mal batido, num remate em que ainda toca na bola. No segundo golo que foi um balde de água fria à beira do intervalo, estava adiantado e deixou-se surpreender por um remate quase de baliza a baliza.
ANÁLISE TÁTICA – VISEU 2001
A equipa de Paulo Fernandes entrou com menos posse ao contrário do que é hábito. Enquanto esteve em campo, Peixoto dava a equipa verticalidade para chegar à baliza adversária em transições rápidas. O aumento de agressividade, no sentido positivo, na disputa de bola, e com Mamadú Ture a equipa ficou com mais posse e acabou por chegar à vantagem.
Na segunda parte, novamente em vantagem, o conjunto viseense conservou mais a bola e imprimiu o jogo em posse. Contudo, à medida que os minutos passavam, deixou que o ritmo diminuísse e que o adversário conseguisse chegar perto da baliza adversária.
5 INICIAL E PONTUAÇÕES
Côco (5)
Kiko (6)
Peixoto (6)
Rafa Stocker (6)
Daniel Ramos (6)
SUBS UTILIZADOS
Dudu (6)
Mamadú Ture (6)
Douglas (6)
Alexandre Lopes (6)
Muskito (-)
ANÁLISE TÁTICA – GCR NUN’ÁLVARES
António Aires teve a equipa sempre em rotação, com substituições constantes. Apesar de não ter jogadores com muita capacidade técnica, exceção para Jô e Mano-Cele, os atletas disputam cada lance como se fosse o último, o que obrigou o desgaste do Viseu 2001. Quando o adversário tentava imprimir um ritmo mais acelerado, a equipa de Fafe tinha alguma dificuldade em acompanhar.
Na segunda parte, com o Viseu 2001 mais organizado ofensivamente, o Nun´Alvares esperou o espaço livre na defensiva contrária que os viseenses deixaram através de transições rápidas e conseguiram criar várias ocasiões de golo.
5 INICIAL E PONTUAÇÕES
Kelvin (7)
Ismael (6)
Libânio (6)
Caio Santos (6)
Rafa Lopes (6)
SUBS UTILIZADOS
Serginho (6)
Jô (6)
Luís Paulo (7)
Mano Sele (6)
Diogo Dias (5)
Tiago Nogueira (6)
Pedrinho (6)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Viseu 2001
BnR: O Viseu 2001 acaba por empatar. Como viu a exibição da sua equipa?
Rafael Outeiro (Técnico adjunto): O resultado reflete o que se passou no campo. Cometemos erros que não podem ser cometidos. O Nun’Álvares tem crescido na segunda volta, com valores individuais mais fortes do que na primeira. Pagámos por isso. O resultado é muito mais demérito nosso do que mérito do Nun’Álvares, sem tirar mérito e valor à qualidade que eles têm. Os quatro golos que sofremos foram quatro erros. Quer sejam erros posicionais por levar a bola nas costas, quer sejam individuais. Não podemos facilitar tanto numa reta final em que ainda por cima todos os pontos são importantes e contam muito.
Levar daqui só um ponto e desperdiçar dois é muito pouco benéfico para aquilo que nós queríamos e para onde deveríamos estar nesta altura. O Campeonato vai ser até ao fim e os resultados hoje refletem isso. Está tudo muito embrulhado. Três pontos podem colocar-nos noutra situação, um ponto pode colocar-nos noutra e zero pontos começa a complicar a situação. Agora são adversários diretos que vamos ter até ao final do Campeonato, temos de ir jogo a jogo, discutir o máximo e ganhar o máximo de pontos possíveis.
BnR: O Viseu 2001 não entrou bem no jogo, não tendo tanta posse de bola como costuma ter. Como se explica esta situação? Os maus resultados [cinco jogos sem vencer, quatro no Campeonato] influenciam a atuação dos jogadores?
Rafael Outeiro: Sim, surpreendentemente. Quem conhece os jogadores e está dentro do treino durante a semana, é normal que tenha percebido logo que eles entraram desconfiados do valor individual e coletivo que eles têm. Foi flagrante em grande parte da primeira parte em que nem sequer conseguimos ter posse de bola que é característica da nossa equipa. O Nun´Alvares teve de certeza mais posse de bola do que nós na primeira parte e cometemos aqueles erros individuais que acabam por fragilizar também em termos psicológicos, durante o jogo.
Depois reagimos bem, apesar de termos levado outro golo no final da primeira parte, entrámos bem na segunda e conseguimos marcar outra vez. Contudo, com mais dois erros que não se podem cometer neste nível, tivemos de correr atrás do marcador e, depois, foi muito mais com alma do que com a razão e não conseguimos marcar mais golos.
Bola na Rede: Depois do 3-2, o Viseu 2001 pareceu tentar diminuir o ritmo de jogo. Esta situação ajudou o Nun’Álvares a chegar perto da baliza viseense?
Rafael Outeiro: Sim, baixámos um pouquinho, mas foi também responsabilidade do Nun´Alvares. Mesmo assim, foram dois golos muito consentidos. O terceiro golo foi um remate na ala que com um desvio traiu o guarda-redes no primeiro poste. O quarto golo foi uma bola nas costas, nós estávamos avisados para isso e distraímo-nos na marcação em termos de organização e depois tivemos de correr atrás. Deveríamos ter sido mais intensos ao longo da partida toda e não fomos. Quando assim é, sujeitamo-nos a que o resultado não seja favorável para nós.
BnR: A equipa sofreu o empate, à beira do intervalo. O que foi dito aos jogadores ao intervalo para que eles entrassem fortes no segundo tempo?
Rafael Outeiro: Eles sabiam da importância do jogo e o que lhes foi dito ao intervalo foi basicamente que eles estavam receosos de mostrar o seu valor individual e coletivo que eles têm. Cada vez mais do que os minutos vão passando, menos oportunidades nós temos de conquistar os pontos. Entraram melhor do que entraram na primeira parte, mas quem está por dentro, sabem que eles têm muito mais valor individual e coletivo para dar do que deram hoje.
GCR Nun’Álvares
BnR: Num jogo bem disputado, este resultado acaba por ficar aquém da necessidade de ponto da equipa. Que conclusões tira do jogo?
João Nuno: Concordo com o que disse. Não nos servia o empate. Estamos numa situação em que um ponto não chega e viemos lutar, dividir o jogo, tentar ganhar e estivemos muito perto de o fazer. Infelizmente acabámos por, na parte final, não segurar o resultado, sofrer o empate e ficar numa situação de 3×4 que até poderia ter sido prejudicial para nós. Acabámos por aguentar e ainda tivemos uma oportunidade para puder marcar, mas não serve.
Bola na Rede: Na segunda parte, o Nun’Álvares acaba por ter menos posse de bola, mas tem mais ocasiões de golo. O adiantamento da equipa adversária permitiu que o seu conjunto fosse mais perigoso?
João Nuno (Técnico adjunto): Foi estratégia. Ao intervalo, alterámos. Iniciámos o jogo com uma defesa mais alta, a tentar roubar bola no meio campo ofensivo e, depois, na segunda parte, reajustámos e tentámos ir mais um bocadinho à nossa identidade, tentar que o Viseu 2001 trabalhasse melhor a bola e pudesse se desequilibrar e nós conseguimos transitar que é aquilo em que somos mais fortes. Temos muitos jogadores rápidos e acabámos por baixar e dar a bola ao Viseu intencionalmente. Acabámos por se calhar, ter mais oportunidades com menos bola na segunda parte do que na primeira.
Bola na Rede: O Nun’Álvares fez uma rotação bastante frequente dos seus jogadores. Qual era o objetivo? Enganar o adversário, por exemplo nas marcações?
João Nuno: É difícil enganar com os scoutings que há, os vídeos e as transmissões dos jogos na televisão e em todo o lado. Não é uma questão de enganar. A intensidade desta Divisão obriga a este tipo de rotação, porque é uma intensidade alta e eles têm de jogar já sabem três, quatro minutos e a rotação é uma maneira de tentar manter a intensidade de jogo. Sabemos que tenho uma equipa que quando mexo, a coisa não anda tão bem. Não é que tenha dois quartetos, mas tem de ser assim, tem de se confiar em toda a gente e acreditar que ainda é possível [a manutenção].
É preciso uma combinação de resultados e nós ganharmos os jogos todos. Hoje fica um resultado muito triste para nós.
BnR: A imagem da equipa neste jogo, é a que pretende que o Nun’Álvares mostre nos duelos até ao final da temporada?
João Nuno: Sem dúvida. Aprendi neste clube que independentemente de conseguirmos o objetivo ou não, temos de manter a seriedade e tentar ganhar os jogos todos até ao fim. Temos gente que se quer mostrar nesta Divisão também individualmente. Temos pontos para fazer como meta, mesmo não chegando para a manutenção e é um clube que veio da Segunda Divisão. Fizemos agora um reajuste e realmente a segunda volta foi completamente diferente. Se contássemos só a segunda volta, quase que iriamos ao play-off. Como só fizemos quatro pontos na primeira, nesta situação na segunda, com 17 agora, ainda a faltar quatro jogos, um deles com o Benfica e os outros com equipas do “nosso campeonato” que possivelmente podemos ganhar. Por isso, a evolução foi boa. É pena não chegar. De resto, continuar a trabalhar até ao final. É assim que tem de ser.
Artigo revisto por Joana Mendes















