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Águia nas alturas

Maria Serrano · 3 min

Águia nas alturas

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O pavilhão do Sporting Clube do Livramento foi palco do duelo entre os eternos rivais Sporting CP e SL Benfica, que assinalou o início da segunda volta do campeonato nacional de hóquei em patins. O local do jogo tinha peso inicial igual para ambas as equipas. Livramento, considerado o melhor jogador português de sempre na modalidade, vestiu as duas camisolas durante a sua carreira desportiva, sendo que ficará conhecido mais pelo que deu ao clube de leão ao peito. E hoje jogava-se em território leonino, espaço que até ao momento tinha sido fiel ao sucesso dos verde e brancos: o Sporting mostrava-se imbatível em casa; em sete jogos, seis tinham sido vitórias e um empate fruto do clássico. Mas, já dizia Fernando Pessoa que “há um virar de página e a história continua, mas não o texto”, e o Benfica escreveu um capítulo diferente neste livro.

De um lado, estava o cabeça de cartaz, com 0 derrotas e apenas 1 empate. Do outro, estava o 3º classificado, com o factor casa a seu favor, que sem dúvida num pavilhão tão pequeno e pintado humanamente de verde, podia ser decisivo. Casa cheia: adeptos dos dois históricos clubes mas também muitos apaixonados da modalidade. Dérbi é dérbi, independentemente da modalidade em causa. Nervos à flor da pele, dentro e fora do ringue. Apito inicial, esperavam-se 50 minutos intensos. Numa baliza estava Ângelo Girão, grande responsável pelo caneco entregue ao Valongo na época anterior. Na outra estava Guillem Trabal, o muro vermelho. Duelo de titãs!

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João Rodrigues esteve em destaque pelo Benfica

Um jogo que tinha tudo para ser emocionante tornou-se previsível e sem sabor. O Benfica, que até ao momento tinha apostado mais no 3×1, começou a jogar em 2×2 com Valter e Tuco a dupla defensiva e Carlos Lopez com João Rodrigues a tomar conta do ataque, o que fez com que o jogo se partisse sem dar azo a contra-ataques da equipa leonina. Por seu turno, o Sporting jogava na expectativa. Nenhuma das equipas pressionava, tudo podia acontecer. Até que ao minuto 8′, com o Benfica a jogar em powerplay, João Rodrigues, o suspeito do costume, inaugurou o marcador. Estava feito o mote para a vitória gorda que se desenrolou. Os três golos seguintes vieram naturalmente, e numa altura em que o Sporting precisava urgentemente de se afirmar e de marcar um golo para provar que queria discutir o resultado; mas a hegemonia vermelha montada no erro do adversário não dava espaço para reviravolta. O Benfica provou ser uma equipa extremamente homogénea e com soluções de qualidade para todos os sectores do terreno, jogando com o italiano Nicolía a maestro. Dá gosto vê-lo jogar!

Com o segundo tempo vieram mais 3 golos e um Sporting cada vez mais apagado. As águias tiveram mais coração mas também mais pulmão e mais inspiração. Esperava-se um espectáculo maior ao nível de um dérbi, mas foram 50 minutos de mau desempenho leonino, onde todo o plantel entrou em campo mas sem ser a solução necessária e onde nem valeu a qualidade de João Pinto, que jogou desapoiado. Bastou um Benfica que não precisou de ser extraordinário e que tinha de fora Diogo Rafael, um dos “artistas” mais completos e importantes desta equipa, para vencer por 7-0. A equipa de águia ao peito assegurou, assim, a liderança, e o Sporting vai de cabeça baixa para o jogo difícil da próxima semana frente ao Valongo.

Alinharam pelo Sporting: Ângelo Girão (gr); Ricardo Figueira, André Moreira, Tiago Losna e João Pinto

Suplentes: Nicolas Fernandez, Daniel Oliveira, André Pimenta, Carlos Martins e Zé Diogo Macedo (gr.)

Treinador: Nuno Lopes

Alinharam pelo Benfica: Guillem Trabal (gr); Valter Neves, Esteban Ábalos,Carlos Lopez e João Rodrigues

Suplentes: Pedro Henriques (gr.), Diogo Rafael, Carlos Nicolia, Tiago Rafael e Miguel Rocha

Treinador: Pedro Nunes

Progressão do marcador: 8′ João Rodrigues (0-1); 12′ Ábalos (0-2); 18′ Carlos Nicolía (0-3); 23′ Valter Neves (0-4); 45′ Miguel Rocha (0-5); 47′ João Rodrigues (0-6); 48′ Carlos Nicolía (0-7)

 

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