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O arranque de cada época é sinónimo de sorteio de competições europeias e este ano não foi diferente. Na manhã deste sábado, no pavilhão da Física de Torres Vedras, que esta semana recebe o Europeu de Sub-17, ficou determinada a sorte das várias equipas portuguesas nas três provas da World Skate Europe Rink Hockey. Comecemos pela Liga Europeia!
Grupo A: Sporting CP, Reus Deportiu, Amatori Lodi e HC Quevert
O atual campeão europeu em título ficou inserido num grupo complicado, mas que com maior ou menor dificuldade deverá vencer. Nenhuma das deslocações será fácil, mas o Sporting parte em vantagem. Isto, porque manteve a maior parte da estrutura da época anterior, que por si só já é superior à dos adversários, mas ainda acrescentou valor. Este sorteio ditou ainda os reencontros de Alessandro Verona com o Amatori Lodi, de João Pinto com os leões e de Raul Marín com o Reus Deportiu.
Grupo B: FC Porto, CE Noia, HRC Monza e RC Biasca
Se na temporada passada a sorte grande havia saído ao Benfica, esta época saiu aos dragões. Com um plantel em reconstrução, tendo a saída de Hélder Nunes à cabeça, mas ainda a incorporação de quatro novos jogadores, apesar de dois jogarem ou já terem jogado no hóquei em patins português (Tiago Rodrigues e Sergi Miras), Guillem Cabestany pode estar descansado. As viagens à Catalunha ou a Monza não serão “favas contadas”, mas quando comparados os quatro grupos é fácil prever uma menor dificuldade. O Porto será primeiro com relativa tranquilidade e Cabestany terá tempo e jogos para contruir e rodar a sua equipa sem problemas de maior.
Grupo C: FC Barcelona, SL Benfica, H Sarzana e SKG Herringen
Os encarnados também não se podem queixar da sorte. Mesmo tendo ficado no grupo do Barcelona, que se tenta reerguer para níveis de outros tempos com a contratação de Hélder Nunes e o retorno, após lesão, de Sergi Panadero, as águias não deverão ter muitas dificuldades para, no mínimo, ficar na segunda posição. Porém, será necessário ter em atenção o Sarzana, vice-campeão da última edição da WS Europe Cup, que beneficiou das desistências de algumas das principais formações transalpinas e acabou por ser presenteado com inesperado convite por parte da federação italiana. Alessandro Bertolucci, que realizou um belíssimo trabalho na sua época de estreia no clube, continua ao comando da equipa da região de Ligúria, que tem como principais jogadores Corona, Borsi e o jovem Ipiñazar.
A viagem à Alemanha será difícil, mas o Benfica tem a obrigação de vencer. Por outro lado, nos encontros diante do Barcelona, o conjunto benfiquista poderá “testar as águas” para o resto da época. Será que depois de duas temporadas em sub-rendimento, as águias regressam a voos de outras épocas não muito distantes? Teremos de esperar para ver.
Grupo D: H Forte, UD Oliveirense, Deportivo Liceo e SCRA Saint Omer
A Oliveirense ficou inserida num grupo complicado, mas ao contrário das últimas épocas não deverá chegar à última jornada de calculadora nas mãos e a lutar pelo apuramento. O conjunto que continua a ser orientado por Renato Garrido manteve a sua principal base, tendo-lhe acrescentado maior qualidade e experiência. Passando a ter um plantel ainda mais forte em relação a 2018/2019. O Forte continua a ser uma equipa com bastante valor e com mais um ano de trabalho, tendo como principais jogadores o experiente Federico Ambrósio, que esteve nas cogitações da formação de Oliveira de Azeméis para esta época, assim como os jovens espanhóis Jordi Burgaya e Martí Casas.
O Deportivo Liceo, por seu lado, encontra-se numa situação bem diferente, pois está a criar uma equipa. Cinco dos seus principais jogadores saíram, mas foram bem substituídos. Neste momento, resta dar tempo a Juan Copa para trabalhar. Os gauleses do Saint Omer têm o seu valor, mas não farão parte da luta pela qualificação. A Oliveirense tem tudo para vencer o grupo, seja esse feito alcançado com maior ou menor dificuldade.

Fonte: World Skate Europe RinkHockey
Passando à WS Europe Cup, as equipas portuguesas tiveram um sorteio acessível para os dezasseis-avos-de-final. Contudo, a partir dos oitavos-de-final a história será bem diferente. Para já, o sorteio ditou os seguintes adversários:
RSC Uttigen vs Juventude de Viana
OC Barcelos vs Genève RHC
IGR Remscheid vs HC Braga
Seguindo para a seguinte eliminatória, Portugal até poderá ficar sem equipas na competição, pois a Juventude de Viana terá como adversário os italianos do Trissino, o Barcelos defrontará o CE Lleida e o Braga os transalpinos do Valdagno. Os espanhóis do Lleida dispensam qualquer tipo de apresentação, sendo a formação que venceu a competição nos últimos dois anos. O Valdagno é uma das melhores equipas italianas e depois há o Trissino. Conjunto que vai ser orientado por Sérgio Silva e que reforçou bastante para a nova temporada (Reinaldo Ventura, Diogo Neves, Emanuel Garcia, entre outros e que se juntam aos que já faziam parte do clube), sendo um dos principais candidatos à conquista da Europe Cup, podendo, igualmente, intrometer-se na luta pela Lega Hockey.
Não pretendo ser pessimista, mas creio que apenas o OC Barcelos, outro dos grandes favoritos e que deverá provocar mais estragos do que o habitual na liga portuguesa, tem condições para chegar à final-four da prova.
Na Liga Europeia feminina, que este ano se vai disputar num formato diferente do habitual, passando a ser composta apenas por uma fase de grupos e a final-four, o Benfica poucas ou nenhumas chances terá de reviver glórias de outros tempos. A formação que vai continuar a ser dirigida por Paulo Almeida ficou inserida no dificílimo grupo das espanholas do Voltregà (vencedor de três das últimas quatro edições da prova e que mais vezes a venceu-6) e do Manlleu e das francesas do Noisy Le Grand. Com apenas oito equipas a participar, o sorteio nunca seria bom para nenhuma equipa portuguesa.
Porém, tendo em conta o mercado das águias, que resultou nas saídas de Sandra Coelho, Aina Arxé, Raquel Abreu, Rute Lopes e Rita Lopes e as entradas de Margarida Brandão, “Maca” Ramos, Marta Piquero e Sofia Contreiras, a qualidade do conjunto benfiquista parece limitada até para as competições nacionais (que este ano contam com a estreia do Sporting), quanto mais para as competições europeias, ainda por cima com este tipo de modelo. Resta dar tempo ao tempo e esperar para ver se as decisões dos dirigentes encarnados foram as melhores ou não.
A Liga Europeia feminina arranca no dia 12 de outubro, enquanto que a Liga Europeia masculina e a WS Europe Cup apenas se começam a jogar uma semana depois, no dia 19.
Foto de Capa: World Skate Europe RinkHockey














