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Sonho do Olimpo #7: Duas medalhas voaram de Pequim e aterraram em Lisboa

Clara Maria Oliveira · 5 min

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Na sétima edição da rubrica “Sonho do Olimpo”, viajamos até à China. A capital, Pequim, recebeu a 29.ª edição dos Jogos Olímpicos, também marcados pelo regresso ao continente asiático. No país do sol nascente, também nascia uma nova tentativa de terminar com o jejum de medalhas de ouro dos portugueses.

Depois do bronze de Sérgio Paulinho, em 2004, as esperanças foram renovadas e novos talentos assumiram a liderança do sonho de Portugal. No final, a participação foi uma das mais positivas de sempre.

Foto de Capa: Comité Olímpico Portugal

20 ANOS DEPOIS… O REGRESSO A TERRITÓRIO ASIÁTICO

No dia 8 de agosto de 2008, a chama olímpica ardeu com mais intensidade na cidade de Pequim. A 29.ª edição dos Jogos Olímpicos marcou o regresso da competição a solo do continente asiático, depois de Seul, em 1988. Passados 20 anos, foi a China a estrear-se na receção a um evento desta magnitude.

O processo começou em 2001, quando a cidade chinesa venceu a votação para receber a olimpíada. Atrás, ficaram as cidades de Toronto, Paris, Istambul e Osaka. A partir desse momento, criaram-se as infraestruturas necessárias e foram gastos cerca de 42 bilhões de dólares, na esperança de serem considerados os maiores e melhores Jogos Olímpicos da história.

Em Pequim, nasceram heróis de uma geração. Usain Bolt e Michael Phelps dominaram no atletismo e natação, respetivamente, entrando para os livros com recordes de décadas a serem pulverizados em segundos. No futebol, Lionel Messi e a Argentina conquistaram o mundo com a medalha de ouro.

No final das contas, a China foi a comitiva com mais medalhas de ouro, 51 no total. Apesar de contar com mais medalhas (110 no total), os Estados Unidos da América terminaram no segundo lugar da tabela – com 36 ouros. A fechar o pódio, ficou a Rússia, com 23 medalhas de ouro e 72 no total.

Foi uma das melhores edições, não só pela ação das pistas e estádios, mas também pela envolvência. Apesar de algumas polémicas à mistura devido aos problemas de direitos humanos na China, a boa organização fez “esquecer”, por alguns momentos, o que se passava do lado de fora.

PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA ADOÇADA COM OURO E PRATA

Para os Jogos Olímpicos de Pequim, a delegação portuguesa sonhou com 77 atletas, distribuídos por 17 modalidades. Na 22.ª participação lusa na competição, assistiu-se a uma nova tendência. Pela primeira vez, o número de atletas femininas em prova era superior aos masculinos na vertente de atletismo.

O maior objetivo do Comité Olímpico de Portugal era voltar a saborear o ouro. Depois de não conseguir nenhuma nas duas edições anteriores, existia uma grande expectativa para os atletas portugueses. O porta-bandeira na cerimónia de abertura, Nélson Évora, tornou-se na maior esperança de obter sucesso.

Um ano antes, em Osaka, nos Campeonatos do Mundo de Atletismo, o atleta do triplo-salto aumentou a fasquia ao vencer a prova. Em Pequim, partia como favorito e não desiludiu. A marca de 17,67m foi a sua melhor marca e bateu o recorde nacional, mas a melhor sensação foi a de ouvir “A Portuguesa” no lugar mais alto do pódio.

Apesar de a marca de Nélson Évora ser a única “de ouro” da participação de Portugal nos Jogos Olímpicos de Pequim, ainda houve espaço para mais uma medalha na mala. Vanessa Fernandes, conquistou a prata na prova de triatlo e confirmou a grande esperança que todo o país tinha na participação da atleta.

A primeira triatleta a passar a linha de meta foi a australiana Emma Snowsill, que conquistou a medalha de ouro. A fechar o pódio, também se falava em inglês com sotaque da Austrália, com Emma Moffatt a receber o bronze no Triatlo feminino. Depois de algumas desilusões, esta foi uma participação para mais tarde recordar para Portugal.

A MODALIDADE: TRIATLO

Depois do sucesso de Vanessa Fernandes, João Pereira foi o triatleta que esteve mais próximo da glória. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, conseguiu um honroso quinto lugar, mas espera que em Tóquio consiga melhorar a marca do circuito brasileiro.

Para o Japão, a comitiva portuguesa conseguiu apurar seis atletas com os mínimos. No lado feminino, Gabriela Ribeiro, Melanie Santos e Helena Carvalho são as esperanças de um bom resultado. No masculino, além de João Pereira, João Silva e Vasco Vilaça levam o nome de Portugal no peito para uma das provas mais duras da competição.

Além das vertentes individuais, os Jogos Olímpicos da capital japonesa ficam marcados pela estreia da competição de estafeta mista. Para a nova prova, a equipa portuguesa falhou o apuramento, em casa, após terminar no sétimo lugar da geral, no circuito da cidade de Lisboa.

O percurso de Tóquio possui, como o nome da modalidade indica, três componentes. Primeiro, os atletas nadam 1,5 quilómetros e, mal saem da água, esperam 40 quilómetros em cima da bicicleta, para completar a parte de ciclismo. Para terminar, os triatletas têm de correr uma distância de dez quilómetros até à meta.

No Triatlo, não existem eliminatórias, sendo a finalíssima a única oportunidade para brilhar. Não é a modalidade que tenha o maior coro de entusiasmo por parte dos portugueses, mas a qualidade dos atletas pode surpreender e, quem sabe, trazer uma medalha.

Clara Maria Oliveira

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