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Boccia: Uma modalidade para conhecer

Diogo Rodrigues · 4 min

Boccia: Uma modalidade para conhecer
Foto: IPDJ

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Com o intuito de continuar a dar voz a modalidades paralímpicas, habitualmente, fora do radar mediático, hoje destaco o Boccia. Uma das modalidades deste segmento com maior sucesso no nosso país, sendo a par do atletismo adaptado as que mais alegrias nos deram em Paraolimpíadas.

COMO TUDO COMEÇOU

A referida modalidade descende de um jogo praticado na Grécia antiga, portanto, de origens bem ancestrais! A civilização romana seria a grande responsável por o difundir no velho continente, originando bem mais tarde ao Boccia. Este é um desporto de lançamento da família da Petanca e do Bowling  que cresceu após o términus das duas grandes guerras, fruto dos estragos que daí advieram. De referir que fora do continente Europeu o primeiro país onde se desenvolveu foi no Brasil, ainda hoje uma das potências mundiais.

Em Portugal surge corria o ano de 1983, fruto de um evento organizado pela APPC- Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral, em estreita colaboração com a CP-ISRA- Associação Internacional de Desporto e Recriação para a Paralisia Cerebral, sendo no ano seguinte incluída como modalidade de demonstração nos campeonatos nacionais para indivíduos portadores de paralisia cerebral, competição esta que teve lugar no complexo do Jamor. De resto este seria um ano de ouro para o referido desporto, visto esta ser a data da estreia em Paraolimpíadas nos Jogos de Nova Iorque, algo que se considera um marco na afirmação do Boccia, reconhecido   pelas mais altas instâncias mundiais.

MUITO MAIS QUE UM SIMPLES DESPORTO

Sendo o Boccia uma modalidade que estimula: o desenvolvimento muscular, cerebral, motor, cognitivo, bem como as relações interpessoais:  aspetos cruciais para pessoas com certo tipo de limitações, é também e nos últimos tempos bastante incrementado e adaptado junto dos idosos, ainda que com diferentes regras face ao Boccia tradicional, pois estimula a parte cógnito-sensorial mantendo-os física e mentalmente ativos, dado que a tática, a estratégia e a habilidade  são traves mestras para o sucesso neste fantástico desporto. A esta espécie de submodalidade dentro do desporto mãe, mas com caracter de lazer dá-se o nome de Boccia Sénior, que segundo dados viu na época desportiva anterior mais de 800 séniores em representação de mais de três dezenas de clubes/organizações inscritos. De referir que o modelo competitivo está assente num campeonato nacional, com direito a fase final e  na disputa da Taça de Portugal, á semelhança do adotado na vertente tradicional.

QUEM, ONDE E COMO SE JOGA

Disputado num recinto de dimensões consideráveis, por norma um pavilhão, o campo de Boccia possui uma área bem larga para facilitar a movimentação das cadeiras de rodas normalmente utilizadas por grande parte dos atletas, embora e contrariamente ao que se julga possa ser praticado por pessoas sem quaisquer limitações. A salientar o facto de não existir uma restrição quanto ao sexo do/a atleta, ou seja: competem nas mesmas categorias homens e mulheres. Quanto ao objetivo do jogo é simples: tentar colocar as doze bolas (seis azuis contra seis vermelhas) o mais perto possível da bola branca, bola “alvo”, de  preferência tocando-lhe, esta terá sido previamente arremessada  por um dos atleta. De realçar que uma partida  pode ser jogada a nível individual, em pares ou em equipas de três elementos, sendo que podem ser todos, ou não, do mesmo sexo. Coordenação, estratégia, cooperação e controlo muscular são também fundamentais para a prática de um desporto que se divide em classes consoante o grau de dependência/incapacidade dos atletas.

CLASSIFICAÇÃO

O Boccia enquanto modalidade desportiva, sendo que enquanto atividade de pura recreação/lazer não tem de obedecer aos referidos condicionalismos, foi criada com a finalidade de ser praticada por atletas portadores de deficiência motora grave  (P.C .  ou outras ). Por forma a todos estarem em pé de igualdade e  circunstâncias foram criadas várias classes , mediante o grau  destas patologias:

BC1– Atletas tetraplégicos, com pouca amplitude de movimento funcional e com escassa força funcional em todas as extremidades e tronco. Necessitam de alguém que os auxilie , tanto no ajuste e estabilização da cadeira de rodas como para lhes dar a bola.

BC2- Tetraplégicos com pouca força funcional em todas as extremidades e tronco, mas que possuem capacidade para propulsionar a cadeira de rodas.

BC3– Classe onde se compreendem pessoas com diferentes tipos de deficiências/incapacidades, tendo em comum o facto de não possuírem força funcional que lhes permita executar um lançamento para dentro de campo. Também revelam extremas dificuldades na preensão da bola, motivo pelo qual são utilizadas calhas na referida classe.

BC4-Praticantes portadores de deficiência motora e cujo limite funcional seja superior ou idêntico aos BC2.

Como já destaquei Portugal tem um amplo histórico de medalhas nesta modalidade em Paraolimpíadas e nos principais palcos, exemplo disso é a constante presença de atletas de terras de Cabral nos postos cimeiros das classificações mundiais. Expoente máximo desta tradição de fazer muito com pouco é António Marques, um fantástico atleta que representa a APPC- Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Coimbra, que ao longo da carreira colecionou 21 medalhas , sendo oito conquistadas em Paraolimpíadas: um record mundial no Boccia. Um verdadeiro mago destas lides!

Muito mais havia a dizer e a destacar acerca de um desporto: fantástico, excitante  onde se prova que não existem barreiras que possam derrubar os nossos sonhos!  Espero ter-vos aguçado  o apetite e a curiosidade para que  procurem saber mais sobre o Boccia. Serão certamente bem-vindos caso queiram assistir, praticar ou simplesmente experimentar.

Foto de Capa: IPDJ

Diogo Rodrigues

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