O campeão do mundo chinês, Sun Yang, diz um adeus forçado à Natação, após o Tribunal Arbitral do Desporto (CAS) o ter condenado a uma suspensão de oito anos por violação das regras anti-doping, o que impede, obviamente, de participar nas Olímpíadas de Tóquio 2020, mas, acima de tudo, na prática implica o fim da carreira para o atleta de 28 anos.

Todo o caso, em que Sun Yang era acusado de destruir uma sua amostra sanguínea, foi bastante caricato e a própria audiência no CAS, a primeira pública do tribunal suíço, ficou marcada por erros de tradução. Agora, o chinês poderá tentar recorrer para o Tribunal Federal Suíço, mas será difícil que o caso seja sequer ouvido, já que este recurso serve, essencialmente, para questões procedimentais.

A decisão, apesar de não me parecer a mais correta, aceita-se numa visão positivista. Contudo, cabe a quem tem o poder de decidir nestas situações moderar a letra da lei, de modo a garantir uma aplicação ao caso concreto adequada e digna.

Franco Frattini, antigo Ministro de Berlusconi e Comissário Europeu, presidiu ao painel que decidiu o caso
Fonte: OSCE

Não vejo que tal tenha aqui ocorrido. Pelo contrário, por muito incorretas que as ações de Sun Yang tenham sido, estas não podem ser tomadas isoladamente. Devem, de facto, ser analisadas à luz da situação Kafkiana em que o mesmo se viu naquela noite e, assim visto, ninguém pode considerar esta sentença justificável.

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Um outro aspeto que me fica desta decisão é que, tal como já havia ficado patente, por exemplo, no Caso Cardoso na UCI, o atual sistema de “tudo ou nada” do Código da WADA está ultrapassado e uma boa aplicação da justiça implica que haja previsão para a atribuição de sentenças reduzidas em casos que o justifiquem.

De qualquer forma, Ian Meakin, o advogado de Sun Yang, conseguiu, ao colocar o caso em audição pública, mostrar imensas fragilidades no processo de teste anti-doping e, por muito satisfeita que a WADA se diga com a decisão, os seus problemas no respeito pelos atletas, aqui revelados, ainda poderão fazer correr muita tinta.

Foto de Capa: Republic of Korea

Artigo revisto por Joana Mendes