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AFC Norte: Comprar, manter ou vender stock? | NFL

Jorge Baptista Laires · 10 min

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Espero que esteja tudo bem desse lado. Hoje, estamos aqui para investir (ou não) no “mercado da bolsa” da NFL.

Com base nos acontecimentos da época passada e desta pré-temporada, principalmente na free agency devido à incerteza dos jogadores que são escolhidos no Draft, darei a minha opinião em relação ao futuro de todas as equipas para saberem em quem devem investir o vosso tempo.

Irei: “comprar” se achar que esta equipa irá melhorar em relação ao ano passado ou se está numa fase ascendente no ciclo da NFL; “manter” se achar que será uma época muito semelhante à anterior ou se tiver algumas desconfianças em certos aspetos; “vender” se achar que a época será abaixo das expectativas ou se estiverem na fase descendente do franchise.

Mesmo assim, aconselho a acompanharem todos os acontecimentos da liga, pois a magia da NFL é haver motivos para acompanhar quase todos os jogos, e jogadores espetaculares em todas as equipas.

No artigo de hoje falaremos da AFC Norte, uma das divisões mais competitivas da liga, e que no ano passado levou três equipas aos playoffs. Após anos de domínio dos Steelers e dos Ravens poderemos estar a assistir a um novo ciclo de dominância.

Foto de capa: Baltimore Ravens

BALTIMORE RAVENS

Os Baltimore Ravens foram eliminados nos playoffs, na Divisional Round, frente aos Buffalo Bills. Depois de um mau arranque de época, no qual venceram apenas seis dos primeiros 11 jogos, a equipa conseguiu atingir o pleno de vitórias nos últimos cinco jogos chegando aos playoffs.

A vitória frente aos Tennessee Titans, na Wild Card Round, foi a primeira da carreira do quarterback Lamar Jackson, sendo esta muito importante para o mesmo uma vez que mesmo após ter ganho o prémio de MVP há dois anos, os seus críticos continuavam a afirmar que este não era capaz de estar no seu melhor nível nos playoffs.

Pela positiva, é de destacar mais um ano fortíssimo do jogo de corrida da equipa, catapultado pelo atleticismo incrível de Lamar e a sua capacidade para desequilibrar com as suas arrancadas, criando uma grande parceria com os running backs JK Dobbins e Gus Edwards. A defesa também voltou a ter uma performance muito boa.

Pela negativa, o jogo de passe do ataque esteve muito aquém das expectativas, dificultando a tarefa da equipa em vários jogos. Diversos jogadores manifestaram-se negativamente em relação à performance e previsibilidade deste aspeto do ataque, incluindo Lamar Jackson e o principal wide receiver Hollywood Brown.

DECISÃO: COMPRAR STOCK

Esta decisão baseia-se principalmente no ambiente de estabilidade vivido em Baltimore antes do início desta nova época, após o regresso às vitórias nos playoffs do ano passado, prevendo que atinjam esta fase novamente e que se possam intrometer na luta pelo Super Bowl.

A equipa perdeu duas peças importantes com as saídas do edge rusher Matthew Judon e do offensive tackle Orlando Brown Jr., ambos jogadores que foram figuras de destaque na época anterior, e que poderão ter impacto na prestação da pass rush e da offensive line, respetivamente. Deste modo os Ravens escolheram o edge rusher Odafe Oweh na primeira ronda do Draft, e contrataram o offensive guard Kevin Zeitler, vindo dos Giants.

Apesar destas mudanças, a grande maioria das figuras principais irá permanecer, destacando na defesa, o defensive end Calais Campbell, e os cornerbacks Marlon Humphrey e Marcus Peters, uma das melhores duplas da liga. No ataque, para além de Lamar e dos dois running backs, existem grandes expectativas para Ronnie Stanley, offensive tackle, e Mark Andrews, tight end.

Um dos grandes objetivos para este novo ano, passa por uma melhoria significativa da performance do ataque no jogo de passe, algo já referido por Lamar Jackson e pelo coordenador ofensivo Greg Roman. O primeiro passo para que isto aconteça, foi a chegada dos wide receivers Sammy Watkins, ex-Chiefs, e Rashod Bateman, primeira escolha dos Ravens no Draft.

CINCINNATI BENGALS

O ambiente em Cincinnati no início da época anterior era de grande esperança e expectativa uma vez que a equipa escolheu o quarterback Joe Burrow com a pick número 1 do Draft de 2020, iniciando-se assim uma nova era no franchise. Os Bengals terminaram o ano com um saldo de 4-11-1, com prestações bastante irregulares.

Joe Burrow embora tenha tido algumas falhas, como o seu jogo de passe longo, confirmou várias das qualidades que lhe eram atribuídas, demonstrando ser um líder carismático capaz de mudar o rumo e aura da sua equipa. O momento decisivo foi a lesão gravíssima de Burrow, na semana 11 frente a Washington, que o deixou de fora o resto do ano.

Por um lado, a equipa teve jogos bastante positivos, nomeadamente o ataque, que foi sem dúvida a unidade com mais motivos para sorrir na época transata. Sobressaíram as performances do running back Joe Mixon, mas principalmente da dupla de wide receivers composta por Tee Higgins e Tyler Boyd.

Por outro lado, as prestações da offensive line foram bastante negativas e altamente prejudiciais para o ano da equipa, falhando imenso na proteção do seu quarterback. Burrow foi um dos quarterbacks que mais sacks e tackles sofreu, podendo ter colocado em causa o futuro da sua carreira, principalmente com a lesão que sofreu no joelho.

DECISÃO: MANTER STOCK

Este novo ano começa envolto em inúmeras incertezas, com maior relevância para o estado de saúde de Joe Burrow. O treinador Zac Taylor estará também debaixo de grande pressão após duas épocas abaixo do desejado, podendo a sua continuidade estar dependente de uma boa campanha.

No entanto, vejo qualidades suficientes para prever que não haja uma regressão face à época anterior. A decisão de maior destaque aconteceu no Draft, no qual os Bengals escolheram o wide receiver Ja’Marr Chase, com a quarta pick, ao invés de Penei Sewell, offensive tackle.

Esta decisão causou alguma polémica, pois a maioria dos especialistas considerava essencial o reforço da offensive line, após a fraquíssima prestação do ano anterior. Cincinnati preferiu reforçar-se com os offensive tackles Rilley Reiff, veterano ex-Vikings, e Jackson Carman, escolhido na segunda ronda do Draft.

Apesar de considerar que foi uma decisão bastante arriscada, percebo a lógica por trás da mesma. Chase jogou com Burrow na universidade tendo ambos uma química incrível, alcançando resultados históricos, sendo que o wide receiver é considerado um talento geracional, que poderá ser decisivo para a melhoria do jogo de Burrow. Ao reunir esta parceria na NFL, os Bengals poderão ter um dos melhores trios de wide receivers da liga.

A defesa também sofreu várias mudanças, com as saídas do defensive end Carl Lawson e do cornerback William Jackson. Para as suas posições chegaram, respetivamente, Trey Hendrickson, ex-Saints, e Mike Hilton, ex-Steelers. A figura principal a seguir nesta unidade, será o safety Jessie Bates, tal como nos últimos anos.

PITTSBURGH STEELERS

O ano dos Pittsburgh Steelers foi bastante atípico, com a equipa a manter-se invicta durante mais de metade da época alcançando um saldo de 11-0. Durante este período incrível de resultados, era perfeitamente visível a existência de algumas falhas e fraquezas que apenas eram ignoradas devido ao registo perfeito de vitórias.

Contra todas as expectativas, até mesmo dos seus críticos, tudo mudou aquando da primeira derrota frente a Washington na semana 13. O que poderia ter sido apenas uma derrota num registo praticamente imaculado, tornou-se no início de um ciclo altamente negativo com quatro derrotas nos últimos cinco jogos da época regular, terminando com um registo de 12-4.

A espiral negativa que assolou a equipa no final da temporada estendeu-se até aos playoffs, perdendo na primeira ronda, Wild Card Round, numa derrota humilhante, em casa, frente aos seus rivais Cleveland Browns por 37-48. Neste jogo, toda a estrutura da equipa colapsou, acabando os primeiros 15 minutos a perder por 28 pontos, revelando-se um início fatal.

Apesar deste final de época terrível, não se pode ignorar tudo o que de bom aconteceu, nomeadamente a prestação demolidora da unidade defensiva dos Steelers. A defesa liderada pelo edge rusher TJ Watt, foi uma das melhores da liga, sendo absolutamente decisiva em vários jogos, com destaque também para o defensive end Cam Heyward e o safety Minkah Fitzpatrick.

DECISÃO: VENDER STOCK

Esta decisão deve-se principalmente à incerteza que rodeia o ataque liderado pelo quarterback Ben Roethlisberger. Na época passada, a principal característica da unidade ofensiva foi a rapidez do passe de Big Ben, demorando pouco mais de dois segundos por cada lançamento de modo a colmatar a sua falta de mobilidade e lacunas existentes na offensive line.

As exibições de Roethlisberger causaram grande preocupação, com o rendimento do veterano quarterback a piorar bastante, o qual começará esta nova época com 39 anos. Algo que poderá servir de atenuante, é o facto de Big Ben ter regressado no ano passado vindo de uma séria operação ao cotovelo, podendo este ano estar mais saudável.

Algo terá de mudar drasticamente no jogo de corrida, que foi um dos piores da liga no ano passado. O primeiro passo foi a escolha do running back Najee Harris, na primeira ronda do Draft, sendo que é esperada uma grande aposta no mesmo este ano. Esta escolha foi bastante criticada, pois muitos defendiam que o reforço da offensive line deveria ter sido a prioridade, devido às saídas do center Maurkice Pouncey e do offensive tackle Alejandro Villanueva.

Por isso, acredito que este ano será bastante abaixo das expectativas e dos resultados nos últimos anos, prevendo que falhem o acesso aos playoffs. Porém, será quase garantido que a equipa terá uma época com mais vitórias do que derrotas, uma vez que o treinador Mike Tomlin, em 14 anos ao leme dos Steelers, nunca teve um saldo de resultados negativo, além de que provavelmente a defesa voltará a ser das melhores unidades da liga.

CLEVELAND BROWNS

O ano de 2020 foi um ano histórico para os Cleveland Browns. Depois de um saldo de 11-5 na época regular, os Browns tiveram a sua primeira vitória nos playoffs em 26 anos, em casa dos Pittsburgh Steelers, sendo que a última vez que venceram os seus rivais fora de casa foi em 2003, tendo 20 derrotas desde então. O seu caminho acabou com uma derrota, na Divisional Round, em casa dos Kansas City Chiefs.

Os últimos anos em Cleveland foram bastante desapontantes, sendo uma das piores equipas da liga. Todo o ambiente e cultura à volta do franchise mudou com a chegada do treinador Kevin Stefanski, que ganhou o prémio de melhor treinador da NFL, no seu primeiro ano como treinador principal.

Apesar de uma campanha muito boa, existiam várias dúvidas sobre a capacidade dos Browns para vencer os jogos mais difíceis, uma vez que foram a única equipa nos playoffs com um saldo negativo de pontos na época regular, com destaque para as derrotas frente aos Ravens por 6-38 na semana 1, e frente aos Steelers por 7-38 na semana 6.

Embora a defesa nem sempre tenha estado à altura, o ataque liderado pelo quarterback Baker Mayfield foi um dos melhores da liga, com o principal destaque a ser o jogo de corrida, onde as estrelas foram os running backs Nick Chubb e Kareem Hunt, assim como a offensive line, considerada unanimemente como a melhor da NFL. O único ponto negativo foi a lesão do principal wide receiver Odell Beckham Jr.

DECISÃO: COMPRAR STOCK

Pela primeira vez na carreira de Baker Mayfield, este irá iniciar uma nova época com o mesmo treinador da anterior, algo altamente revelador da mudança de paradigma em Cleveland comparativamente com a instabilidade dos anos anteriores. Um segundo ano no sistema ofensivo de Kevin Stefanski poderá beneficiar imenso toda a equipa.

O general manager Andrew Berry, também ele a entrar no seu segundo ano ao leme dos Browns, fez um excelente trabalho na construção do plantel para este ano. Identificou a principal lacuna do ano passado, neste caso a defesa, reforçando-a e tornando-a numa possível força para esta nova época.

Para além do talento já existente, como o defensive end Myles Garrett e o cornerback Denzel Ward, juntaram-se o defensive end Jadeveon Clowney para reforçar a pass rush, sendo as principais contratações, a chegada da dupla vinda dos Rams para reforçar a secondary, sendo eles o safety John Johnson e o cornerback Troy Hill. Jeremiah Owusu-Koramoah, linebacker escolhido no Draft poderá ser muito interessante de acompanhar.

Por fim, o foco principal deste ano serão as prestações de Baker Mayfield, que está num ano decisivo para demonstrar se merece ou não um contrato de longa duração para ser o líder da equipa no longo prazo. A equipa tem talento para lutar pela vitória na sua divisão, e chegarão muito provavelmente aos playoffs, podendo ser um dos candidatos de segunda linha para lutar pelo Super Bowl.

Espero que tenham tido uma boa leitura, e até ao próximo artigo!
Jorge Baptista Laires

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