Publicidade

AFC Oeste: Comprar, manter ou vender stock? | NFL

Jorge Baptista Laires · 11 min

Foto: Kansas City Chiefs

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

 

Espero que esteja tudo bem desse lado. Hoje, estamos aqui para investir (ou não) no “mercado da bolsa” da NFL.

Com base nos acontecimentos da época passada e desta pré-temporada, principalmente na free agency, devido à incerteza dos jogadores que são escolhidos no Draft, darei a minha opinião em relação ao futuro de todas as equipas, para saberem em quem devem investir o vosso tempo.

Irei: “comprar”, se achar que esta equipa irá melhorar em relação ao ano passado ou se estiver numa fase ascendente no ciclo da NFL; “manter”, se achar que será uma época muito semelhante à anterior ou se tiver algumas desconfianças em certos aspetos; “vender”, se achar que a época será abaixo das expectativas ou se estiverem na fase descendente do franchise.

Mesmo assim, aconselho a acompanharem todos os acontecimentos da liga, pois a magia da NFL é haver motivos para acompanhar quase todos os jogos e haver jogadores espetaculares em todas as equipas.

No artigo de hoje falaremos da AFC Oeste, uma das divisões mais competitivas da liga, na qual todos tentarão quebrar o domínio dos Chiefs, algo que muito dificilmente acontecerá.

Foto de capa: Kansas City Chiefs

LOS ANGELES CHARGERS

Os Chargers tiveram um ano idêntico aos anteriores, começando com muitas expectativas, demonstrando alta qualidade, mas, por um conjunto de fatores, voltaram a desapontar. O saldo foi de 7-9, mas ficou a sensação de que poderia ter sido muito melhor, tendo perdido vários jogos por culpa própria.

A saída do quarterback Philip Rivers, ao fim de 16 anos ao serviço dos Chargers, deu lugar a Justin Herbert, escolhido com a pick número 6 do Draft. No entanto, foi Tyrod Taylor que iniciou o ano como titular, fazendo com que o rookie tivesse tempo para se adaptar à sua nova realidade.

Porém, tudo correu ao contrário do planeado. Depois de uma vitória na primeira semana, o médico da equipa cometeu um erro gravíssimo, perfurando o pulmão de Taylor enquanto administrava uma injeção para aliviar as dores do mesmo. Como resultado, Herbert descobriu que seria titular apenas 10 minutos antes do início do jogo contra os Chiefs.

Herbert estreou-se com uma exibição incrível, quase derrotando os campeões em título, na sua estreia. A partir daí, Justin tomou a liga de assalto, quebrando vários recordes, como o maior número de passes para touchdowns e o de passes completados de um rookie quarterback. A época só não foi um grande sucesso, uma vez que as lesões de jogadores muito importantes e os erros inadmissíveis resultaram em várias derrotas decisivas.

DECISÃO: COMPRAR STOCK

Como consequência dos resultados dos últimos anos, o general manager Tom Telesco decidiu despedir o treinador Anthony Lynn. Embora a equipa demonstrasse qualidade, e mesmo com o excelente rendimento de Justin Herbert no sistema de Lynn, os muitos erros de gestão de jogo e de decisões nos momentos decisivos resultaram na sua saída.

Para o seu lugar chegou o treinador Brandon Staley, vindo da outra equipa de Los Angeles. Após apenas um ano de experiência como coordenador defensivo dos Rams, Staley recebe assim a sua primeira oportunidade como treinador principal. Este, apesar de inexperiente, implementou um sistema defensivo que tornou os Rams na melhor defesa da liga.

Tendo em conta esta contratação, é esperada uma grande melhoria da parte da unidade defensiva dos Chargers. Tal como o seu sistema potenciou as qualidades de estrelas como Donald e Ramsey, é esperado que jogadores como o outside linebacker Joey Bosa e o safety Derwin James, no caso de o último se conseguir manter saudável, tenham grandes prestações nesta temporada.

No ataque, um importante reforço da offensive line – uma das piores do ano passado que colocou Herbert sob grande pressão, através das contratações do center Corey Linsley, na free agency, e do offensive tackle Rashawn Slater, na primeira ronda do Draft. Também merecem atenção especial o wide receiver Keenan Allen e o running back Austin Ekkeler.

A maior incógnita será a adaptação de Justin Herbert ao novo coordenador ofensivo, Joe Lombardi. Depois de uma época em que apresentou um nível de excelência, o foco principal estará no próximo passo de Herbert no seu segundo ano. Se a transição for a ideal, espero que Herbert tenha uma grande temporada – os Chargers deverão ter uma excelente defesa – e que lutem pelos playoffs.

DENVER BRONCOS

Os Broncos terminaram o ano com um saldo de 5-11, prestação muito negativa tendo em conta o que era esperado no início do ano. Os comandados de Vic Fangio voltaram a desapontar, aumentando a sequência de épocas com saldos negativos para quatro anos consecutivos.

A principal desilusão foram as más exibições do quarterback Drew Lock, que no seu segundo ano na liga não mostrou qualquer tipo de evolução, além de falhar alguns jogos por lesão. A forma do jovem quarterback regrediu imenso, acabando por ser considerado um dos piores jogadores da liga na sua posição.

O ataque foi bastante irregular, ao longo do ano, sendo muito afetado pelas lesões de alguns dos elementos mais importantes, como os wide receivers Courtland Sutton e KJ Hamler, para além das oscilações de rendimento do wide receiver Jerry Jeudy, que, embora tenha demonstrado imensa qualidade, falhou em diversos momentos.

Em relação à defesa: a lesão do outside linebacker Von Miller foi um rude golpe que acabou por influenciar o rendimento da equipa, pois este foi um dos jogadores defensivos mais dominantes nos anos anteriores. Apesar de esta unidade não estar ao nível de anos anteriores, jogadores como o safety Justin Simmons e o cornerback Bryce Callahan tiveram prestações excelentes.

DECISÃO: MANTER STOCK

Esta decisão deve-se à grande incerteza em redor da posição de quarterback. Depois de uma péssima prestação de Drew Lock, o veterano Teddy Bridgewater estará a lutar pela titularidade; o problema é que Teddy vem de uma má época ao serviço dos Panthers, havendo, por isso, uma grande incerteza em relação à prestação de ambos.

Excetuando a situação do quarterback titular, o restante plantel é considerado um dos mais talentosos e com maior potencial da NFL. O ataque tem armas com grande qualidade, com destaque para os wide receivers Courtland Sutton e Jerry Jeudy, assim como o tight end Noah Fant. O rookie running back Javonte Williams tem também potencial para assumir a titularidade.

Já a defesa será, muito provavelmente, uma das mais fortes e dominantes em todos os parâmetros. Na pass rush, é de destacar o regresso após a lesão de Von Miller, que jogará no lado oposto de Bradley Chubb. Na secondary, a qualidade é também imensa – para além da manter Simmons e Callahan, chegaram os cornerbacks Kyle Fuller e Patrick Surtain.

Embora uma boa época dos Broncos não me surpreendesse, tudo dependerá da prestação de Lock ou Bridgewater, podendo impedir a equipa de ir mais além. Esta realidade deixa o novo general manager George Payton sob pressão, pois o plantel está preparado para altos voos, mas este optou por não escolher Justin Fields ou Mac Jones no Draft, perdendo uma boa oportunidade para tentar agarrar o quarterback do futuro.

LAS VEGAS RAIDERS

Este foi um ano de bastantes mudanças para os Raiders, pois o franchise mudou-se para Las Vegas ao fim de 24 anos, nos quais foram conhecidos como Oakland Raiders. Esta mudança começou da melhor forma, iniciando a época com um saldo de 6-3, mas tiveram uma grande quebra, perdendo cinco dos últimos sete jogos, acabando com um balanço de 8-8.

Com o grande começo de época, que incluiu uma vitória frente aos Chiefs, os Raiders eram um dos grandes candidatos aos playoffs. Embora surpreendente, a quebra que aconteceu a partir do final de novembro é já habitual nas equipas comandadas pelo treinador Jon Gruden, que tem um histórico bastante negativo nas partes finais das épocas.

O ponto de maior destaque, principalmente na primeira metade do ano, foi, sem dúvida alguma, o ataque liderado pelo quarterback Derek Carr.

A unidade ofensiva apresentou números impressionantes em vários jogos, sendo as maiores figuras o tight end Darren Waller e o running back Josh Jacobs, tendo ambos mais de 1000 jardas no jogo de passe e de corrida, respetivamente.

Se por um lado o ataque teve momentos avassaladores, por outro lado, a defesa voltou a desiludir, tendo prestações muitíssimo negativas.

Reforços como o linebacker Cory Littleton, que assinou um contrato milionário na free agency, e o cornerback Damon Arnette, escolhido na primeira ronda do Draft, são exemplos de jogadores que tiveram um rendimento muito aquém do esperado.

DECISÃO: VENDER STOCK

A pré-época dos Raiders criou uma onda de dúvidas em redor da equipa. Depois do colapso na parte final da última temporada, o treinador Jon Gruden enfrenta uma grande pressão para apresentar resultados na sua quarta temporada ao leme dos Raiders. Na tentativa de mudar, houve um grande fluxo de entradas e saídas de jogadores durante este mercado.

Um exemplo disso foram as imensas trocas ocorridas na offensive line, saindo três dos cinco jogadores que haviam sido titulares no ano anterior. Um dos substitutos escolhidos foi o offensive tackle Alex Leatherwood, decisão esta bastante polémica, uma vez que a grande maioria dos analistas não o considerava um talento de primeira ronda.

Estas mudanças poderão não ser positivas, pois causaram uma grande imprevisibilidade num dos grupos mais consistentes do ano passado, que protegeu Derek Carr.

No ataque, ocorreram outras mexidas, como a saída do wide receiver Nelson Agholor, sendo esperado, por isso, que Henry Ruggs assuma o seu lugar e tenha uma grande evolução. Darren Waller e Josh Jacobs deverão voltar a ser as maiores figuras da equipa.

Apesar das mexidas no ataque, a maior incerteza será mesmo a prestação da defesa. É imprescindível que esta unidade registe uma evolução significativa, porque no ano passado custou vários jogos. No sentido de melhoria, chegaram o defensive end Yannick Ngakoue e o cornerback Casey Hayward na free agency, tal como o safety Trevon Moehrig, escolhido no Draft.

Mesmo reconhecendo imensa qualidade a um conjunto de jogadores dos Raiders, principalmente no ataque, certas decisões nesta pré-época deixam-me com imensas dúvidas. Devido a estas mudanças e instabilidade, juntando a elevada concorrência na sua divisão e na AFC, acredito que os Raiders não conseguirão alcançar os playoffs.

KANSAS CITY CHIEFS

Os campeões em título começaram a temporada com um único objetivo em mente: revalidar a conquista do Super Bowl. Este objetivo apenas falhou, uma vez que, no derradeiro jogo, a equipa liderada pelo quarterback Patrick Mahomes defrontou uma defesa intransponível e um Tom Brady determinado a conquistar o sétimo anel.

Algo que se revelou decisivo para este desfecho foram as baixas por lesão dos offensive tackles titulares Mitchell Schwartz e Eric Fisher, lesionando-se o último no jogo anterior ao Super Bowl. Estas baixas criaram uma grande instabilidade na proteção de Mahomes, fazendo com que este fosse um alvo demasiado acessível para a pass rush dos Buccaneers.

No que diz respeito à restante temporada, os Chiefs voltaram a ser bastante dominantes, terminando o ano com um saldo de 14-2. Durante todo o ano, a equipa pareceu jogar em velocidade cruzeiro, vencendo oito jogos por apenas uma posse de bola de diferença. No entanto, a equipa voltou a estar ao seu melhor nível nos playoffs, vencendo os seus jogos de uma forma bastante natural.

As principais figuras do ano anterior voltaram a estar ao seu melhor nível, sendo que, na defesa, o safety Tyrann Mathieu e o defensive tackle Chris Jones tiveram grandes prestações. Já o ataque voltou a ser dos mais dominantes da liga, com Patrick Mahomes a contar com as suas melhores armas na máxima força e com o wide receiver Tyreek Hill e o tight end Travis Kelce a terem performances espetaculares.

DECISÃO: COMPRAR STOCK

Os Chiefs voltaram a ser capazes de manter as principais estrelas do plantel, algo que já havia sido determinante no ano anterior. Além de jogadores, a equipa técnica do treinador Andy Reid manteve-se também intacta, com maior relevo para a manutenção do coordenador ofensivo Eric Bienemy, que foi bastante cobiçado nesta pré-época.

O clima de estabilidade vivido apenas não se aplica à offensive line, que sofreu muitas mudanças. Depois do colapso no Super Bowl, o general manager Brett Veach decidiu dispensar os lesionados Mitchell Schwartz e Eric Fisher, contratando jogadores de grande qualidade como o offensive guard Joe Thuney e o offensive tackle Orlando Brown Jr.

Estas alterações causam alguma preocupação, pois a offensive line é uma das unidades na qual a química e entrosamento têm maior importância. É determinante que esta unidade consiga proteger o prodigioso quarterback Patrick Mahomes, para que este se possa exibir novamente a um nível extraordinário. Será também determinante que Tyreek Hill e Travis Kelce voltem a ter um grande rendimento.

Na defesa, também permaneceram as principais figuras como Jones e Mathieu, mas será necessário que certos jogadores tenham um melhor rendimento. Um desses jogadores é o defensive end Frank Clark, que não tem justificado o facto de ser um dos elementos mais bem pagos do plantel.

Por fim, a única opção é mesmo considerar os Chiefs como os principais candidatos a vencer a AFC e a chegar ao Super Bowl.

Se na temporada passada foi assustadora a maneira como dominaram a concorrência, mesmo não estando ao melhor nível, este ano, o sentimento de revolta pela humilhação frente aos Buccaneers poderá levar a equipa para outro patamar, podendo Mahomes jogar o seu terceiro Super Bowl consecutivo.

Este foi o último artigo com o tema de “Comprar, manter ou vender stock”. Espero, por isso, que, ao longo destes dois meses, tenha sido capaz de facilitar a transição para a nova época que aí vem, esperando também não falhar muito nas minhas previsões. Até ao próximo artigo!

 

Artigo revisto por Andreia Custódio

Jorge Baptista Laires

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Jorge Jesus chegou e Portugal voltou a jogar como uma grande seleção

Quatro jogos, quatro vitórias e um lugar nos quartos de final da Liga das Nações já assegurado. Dificilmente Jorge Jesus poderia ter imaginado um arranque melhor enquanto selecionador nacional.  Mais importante do que os resultados, porém, é aquilo que começa a acontecer dentro de campo. Ainda estamos perante uma pequena amostra, e existem problemas por corrigir (sobretudo defensivamente), mas Portugal parece finalmente uma equipa disposta a explanar todo o potencial que tem.Há mais velocidade, mais movimentos sem bola, mais jogadores a aparecerem entre linhas e menos posse estéril. Depois de uma seleção demasiadas vezes previsível sob o comando de Roberto Martínez, os primeiros sinais da nova era são refrescantes.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.