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NFL | NFC Oeste: Comprar, manter ou vender stock?

Jorge Baptista Laires · 9 min

Foto: Los Angeles Rams

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Espero que esteja tudo bem desse lado. Hoje estamos aqui para investir (ou não) no “mercado da bolsa” da NFL.

Com base nos acontecimentos da época passada e desta pré-temporada, principalmente na free agency devido à incerteza dos jogadores que são escolhidos no Draft (destacarei os meus dois jogadores favoritos escolhidos por cada equipa), darei a minha opinião em relação ao futuro de todas as equipas para saberem em quem devem investir o vosso tempo.

Irei: “comprar” se achar que esta equipa irá melhorar em relação ao ano passado ou se está numa fase ascendente no ciclo da NFL; “manter” se achar que será uma época muito semelhante à anterior ou se tiver algumas desconfianças em certos aspetos; “vender” se achar que a época será abaixo das expectativas ou se estiverem na fase descendente do franchise.

Mesmo assim, aconselho a acompanhar todos os acontecimentos da liga, pois a magia da NFL acarreta motivos suficientes para acompanhar quase todos os jogos, ao passo que há jogadores espetaculares em todas as equipas.

Hoje, começamos pela divisão – vista por muitos – a mais forte e competitiva de toda a liga, e na qual atua a minha equipa favorita, os Los Angeles Rams (quem não tiver por quem torcer é livre de se juntar). Venha daí!

Foto de capa: Los Angeles Rams

Artigo redigido por Jorge Baptista Rocha

LOS ANGELES RAMS

 Como é óbvio iremos começar pelos meus LA Rams.

No ano passado o recorde durante a época regular foi de 10-6, tendo caído nos playoffs, na Divisional Round, frente aos Green Bay Packers e ao MVP da liga, Aaron Rodgers.

Por um lado, e ao contrário do que seria de esperar, não foi o ataque liderado por um dos génios ofensivos da NFL, o treinador Sean McVay, o destaque positivo da equipa, mas sim a defesa liderada por futuros Hall of Famers, Aaron Donald e Jalen Ramsey. Esta defesa foi a número um da liga nas principais categorias, tendo sido fundamental em vários jogos.

Por outro lado, a inconsistência do ataque comandado pelo quarterback Jared Goff, pecou pela falta de jogadas explosivas e pelos muitos turnovers causados por Goff, um dos principais motivos para a saída do mesmo no final da época.

Aspetos negativos a realçar, para além dos turnovers, passam pela prestação do grupo de linebackers que no ano passado foi dos piores da liga, assim como o conjunto de equipas especiais que foi o terceiro pior da NFL.

 

DECISÃO: COMPRAR STOCK (E MUITO)

Esta decisão baseia-se principalmente na chegada do novo quarterback Matthew Stafford, vindo dos Detroit Lions após a troca que levou Jared Goff a fazer o caminho inverso.

Tendo em conta as características do novo quarterback é de esperar que o ataque tenha uma prestação diferente, para melhor, e que faça as delícias de Sean McVay, voltando a ser uma das unidades mais fortes da liga, tal como em 2019 na caminhada que os levou ao Super Bowl.

No entanto, devido à saída do inexperiente, mas genial coordenador defensivo Brandon Staley (contratado como novo treinador dos LA Chargers após apenas um ano como coordenador), assim como a perda na free agency de figuras muito importantes na secondary como Troy Hill (cornerback) e John Johnson (safety), é provável que a defesa deixe de ser a número um da liga, baixando ligeiramente de rendimento.

Figuras a destacar para além de Matthew Stafford passam novamente pela defesa liderada por Aaron Donald e Jalen Ramsey, assim como Cam Akers, running back que após um grande final de época poderá completar a sua afirmação na liga, esperando também um ano muito positivo para os wide receivers Cooper Kupp e Robert Woods.

A classe de rookies escolhida no Draft pelos Rams, é caracterizada por jogadores com alguma inexperiência, mas com uma capacidade atlética acima do normal. Destaco por isso: Bobby Brown, defensive tackle escolhido na quarta ronda, que tem uma elevada capacidade física e deverá ser o sucessor direto de Michael Brockers; e Jacob Harris, tight end também ele escolhido na quarta ronda, considerado um atleta acima da média, nomeadamente a sua velocidade tendo em conta o seu tamanho.

SEATTLE SEAHAWKS

De seguida passamos para os Seattle Seahawks, que durante a época regular tiveram um recorde de 12-4, sendo eliminados em casa no primeiro jogo dos playoffs, na Wild Card Round, perante os LA Rams.

Esta época foi marcada por duas partes distintas: Uma parte inicial com uma defesa muito débil e o lema de “Let Russ Cook”, dando uma grande liberdade à sua principal figura, o quarterback Russell Wilson, apostando imenso no jogo de passe, tendo os wide receivers DK Metcalf (este até defensivamente se destacou com uma perseguição brutal a Budda Baker) e Tyler Lockett um excelente rendimento.

Na segunda parte da época tivemos o inverso, havendo ajustes na defesa com uma correspondente melhoria exibicional, mas abdicando da grande aposta inicial no jogo de passe do ataque, algo que deixou Russell Wilson bastante desagradado.

De realçar pelo lado negativo as exibições da linha ofensiva da equipa, tendo sido uma das piores na liga, fazendo com que o seu quarterback tenha sido o terceiro com mais sacks sofridos da liga durante a época, sendo este um dos grandes focos de desagrado de Russell Wilson.

 

DECISÃO: VENDER STOCK

Após um início de pré-época marcado pela novela em redor da permanência ou não de Russell Wilson na equipa devido às suas frustrações com o treinador Pete Carroll, que tem uma mentalidade bastante defensiva, é de esperar que o ambiente no plantel não seja o ideal podendo levar a demasiada pressão sobre a equipa.

Após perder alguns jogadores na defesa como Shaquill Griffin e KJ Wright, e como apenas puderam escolher três jogadores no Draft, e as únicas contratações significativas foram as chegadas do tight end Gerald Everett vindo dos Rams e do offensive guard Gabe Jackson vindo dos Raiders, espero que haja uma quebra de resultados, principalmente pelas fortes apostas e reforços dos seus rivais de divisão, achando que irão falhar um objetivo fundamental, o acesso aos playoffs.

Em contrapartida, o ataque continuará a ser muito interessante de acompanhar, podendo Gerald Everett ser uma agradável surpresa, sendo que DK Metcalf e Tyler Lockett deverão manter o rendimento da época passada, fazendo deste um ataque de grande nível na liga. Na defesa recomendo especial atenção para o linebacker Bobby Wagner e Jamal Adams, um dos melhores safeties da liga.

Em relação ao Draft realço novamente que apenas foram escolhidos três rookies, destacando-se D’Wayne Eskridge, wide receiver escolhido na segunda ronda, considerado pela equipa como altamente dinâmico podendo ter várias funções para além de terceiro wide receiver, nomeadamente como punt returner; e também Stone Forsythe, offensive tackle escolhido na sexta Ronda, e visto por alguns analistas como um talento de rondas superiores, podendo ser uma grande ajuda para proteger Russell Wilson.

ARIZONA CARDINALS

 Passamos aos Arizona Cardinals, que tiveram uma época regular com 50% de aproveitamento, com um recorde de 8-8, falhando por pouco os playoffs. De destacar a chegada de um dos melhores wide receivers da NFL, DeAndre Hopkins, que catapultou o ataque para outro nível e sendo crucial para a evolução de Kyler Murray, quarterback no seu segundo ano de liga (de destacar o momento “Hail Murray”, num passe brutal para touchdown de Murray para Hopkins, que resultou na vitória sobre os Buffalo Bills a seis segundos do fim).

No entanto após um grande início de época, houve uma quebra de resultados, principalmente devido a algumas lesões que afetaram Kyler Murray, causando alguma previsibilidade e ineficácia do ataque. Na defesa, o rendimento da linha defensiva ficou algo marcado pela negativa devido à lesão de Chandler Jones.

 

DECISÃO: MANTER STOCK

É esperado um novo salto de rendimento para Kyler Murray, por ser o seu terceiro ano na NFL (ano em que muitos quarterbacks têm um salto de rendimento) e, consequentemente, consolidar a relação com os seus wide receivers, principalmente Hopkins, juntamente com a chegada mediática de JJ Watt, e do regresso de lesão de Chandler Jones, para comandar a defesa.

A chegada do center Rodney Hudson, vindo dos Raiders, poderá ser muito importante para proteger Kyler Murray e evitar que este sofra mais lesões. O problema é mesmo a competitividade da divisão onde estão inseridos, que me faz duvidar de uma grande melhoria da parte dos comandados de Kliff Kingsbury, treinador com pressão crescente para atingir resultados, esperando que voltem a ficar aquém dos playoffs.

Destaco o ataque dos Cardinals como potencial ponto forte, assim como na defesa é de realçar, os dois veteranos já referidos, assim como o safety Budda Baker, que foi uma das principais figuras da equipa na época passada.

Na classe de rookies escolhidos no Draft destaco: Zaven Collins, linebacker escolhido na primeira ronda, que teve uma das avaliações mais altas na cobertura de passes, sendo também um jogador fisicamente muito evoluído; Rondale Moore, wide receiver escolhido na segunda ronda, destaca-se pela quantidade de tackles e placagens que aguenta, desviando-se dos seus adversários.

SAN FRANCISCO 49ERS

 Por fim, temos os San Francisco 49ers.

A época dos 49ers foi um exemplo quase perfeito de tudo o que poderia ter corrido mal, efetivamente ter acabado por acontecer, resultando num saldo de 6-10, muito aquém da época anterior, na qual chegaram ao Super Bowl. Uma onda terrível de lesões assolou a equipa, chegando a ter 22 jogadores do plantel lesionados, incluindo peças fundamentais como o quarterback titular Jimmy Garoppolo, George Kittle, Deebo Samuel e Nick Bosa, tendo o último falhado toda a época. Mesmo com a capacidade do treinador Kyle Shanahan para melhorar o rendimento de qualquer quarterback devido aos seus esquemas de jogadas altamente amigáveis para os mesmos, a perda constante de titulares não lhe permitiu fazer melhor do que as seis vitórias alcançadas.

 

DECISÃO: COMPRAR STOCK

Esta pré-temporada ficou marcada pela troca de posições com os Miami Dolphins no Draft, que lhes permitiu escolher um jogador na terceira posição, sendo essa escolha o quarterback Trey Lance, um jogador muito promissor, mas com uma amostra de jogos na faculdade bastante reduzida pela pandemia.

Embora haja uma grande incerteza envolvendo Trey Lance, o facto de ser bastante inexperiente fará com que esta época, muito provavelmente, Jimmy Garoppolo se mantenha como titular e seja o seu mentor, embora as opiniões se dividam e certos analistas pensem que, mais cedo ou mais tarde, será Trey Lance o titular.

Na minha opinião, a única maneira de Lance ser titular – numa fase inicial da época – será caso Jimmy G sofra alguma lesão, algo que infelizmente tem ocorrido imenso, sendo que este falhou 23 jogos devido a lesão nos últimos três anos. Não havendo novamente uma assombração com lesões, acredito que os 49ers tenham tudo para ser um dos principais candidatos a ir ao Super Bowl.

Destaco no ataque o tight end George Kittle, a dupla de wide receivers Deebo Samuel e Brandon Ayuk (como esquecer aquele salto para touchdown), assim como o fortíssimo jogo de corrida, já característico das equipas de Kyle Shanahan. sendo que na defesa, jogadores como Fred Warner, que é um dos melhores linebackers da liga, e o defensive end Nick Bosa, merecem especial atenção.

Em relação à classe de rookies escolhidos no Draft destaco: Trey Lance, quarterback escolhido na 1ª Ronda, que representa uma dupla ameaça, sendo muito forte no jogo de passe assim como no jogo de corrida; e Trey Sermon, running back escolhido na 3ª Ronda, no qual vejo muito potencial e acredito que sairá altamente beneficiado pelo jogo de corrida dos 49ers.

Espero que tenham tido uma boa leitura, e até ao próximo artigo!

Jorge Baptista Laires

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