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Super Bowl LV | Brady, o Incrível, encontra Mahomes, o Inevitável

André Amorim · 7 min

Super Bowl LV | Brady, o Incrível, encontra Mahomes, o Inevitável
Foto de capa: NFL

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Todas as gerações têm os seus heróis, todas as eras têm jogadores que acabam por nos fazer sonhar e jogadores que se tornam ícones mundiais e inesquecíveis. Foi assim ao longo das últimas duas décadas, com Tom Brady e antevemos que seja assim nas próximas décadas com Patrick Mahomes.

Como tal, o Super Bowl LV, será um jogo especial. Este é um encontro para o qual as expectativas já costumam ser elevadas, mas este marca um jogo onde a presença destes dois ícones, destes dois jogadores que marcaram e marcarão gerações, nos faz antever um jogo incrível.

Mas este jogo incrível, entre dois talentos ímpares, é possível porque duas equipas fizeram o seu percurso até este momento, com vitórias e algumas derrotas, mas sempre com a mentalidade certa – a de acreditar.

PERCURSO DOS TAMPA BAY BUCCANEERS

A viagem dos Tampa Bay Buccaneers até este jogo foi pautada por altos e baixos. Durante a fase regular venceram 11 jogos e perderam outros cinco. Dos jogos que perderam, três deles foram por apenas uma posse, incluindo o jogo contra os Kansas City Chiefs na semana 12. O grande arquirrival, equipa que os venceu duas vezes (ambos os jogos por mais de uma posse) foram os New Orleans Saints de Drew Brees, mas já lá iremos, porque onde realmente conta, o resultado foi diferente.

Essa montanha russa de resultados dos Buccaneers culminou com uma excelente subida de forma. Uma excelente sequência de quatro vitórias consecutivas no final da fase regular deixou esta equipa dos Buccaneers como um equipa “quente” para a fase de playoffs.

Nos playoffs, o caminho dos Buccaneers passou por viajar para fora de casa, ironia das ironias, culmina com o Super Bowl na casa deles, um feito ímpar na NFL pois nunca antes tinha acontecido.

Na viagem até à capital dos Estados Unidos, tiveram de superar uma improvável equipa de Washington, que só ter chegado aos playoffs foi uma vitória. Os Buccaneers conseguiram vencer (31-23), ainda que talvez de uma forma algo sofrível. Seguiu-se uma viagem até New Orleans, para defrontar os seus rivais, a equipa que os tinha vencido duas vezes na fase regular, como mencionado, e jogo para o qual os Buccaneers eram vistos como underdogs.

A surpresa foi consumada e os Buccaneers venceram de forma segura (30-20), naquele que poderá ter sido o último encontro entre Brady e Brees no relvado, se assim for, termos tido direito a três embates entre ambos ao longo da temporada, foi uma bonita despedida.

O final de conferência da NFC seria uma viagem até ao mítico Lambeau Field para defrontarem os Green Bay Packers de Aaron Rodgers. Se o duelo com Brees foi um duelo histórico, um duelo com Rodgers, num final de conferência, em Lambeau Field, ganhava contornos de uma utopia e que seria certamente inesquecível. E, as expectativas foram cumpridas, um jogo disputado até ao final, vitória para os Buccaneers (31-26) com Tom Brady a ter uma exibição de “duas caras” mas onde foi capaz de no final segurar a vitória e carimbar o seu 10.º Super Bowl em 21 anos de carreira.

Mas, enquanto tudo isto aconteceu na NFC, do outro lado, na AFC, os Kansas City Chiefs também percorriam o seu percurso e desenhavam a sua história…

Foto de Capa: NFL

Artigo redigido por André Amorim, comentador Eleven

PERCURSO DOS KANSAS CITY CHIEFS

A epopeia de Kansas City começou da mesma forma que terminou a anterior, com vitórias e domínio. Foi uma fase regular onde venceram 14 dos 16 jogos disputados, num calendário duro, com viagens complicadas a Baltimore, Buffalo, Tampa Bay, New Orleans e Miami.

As duas derrotas que sofreram na fase regular têm de ser analisadas de acordo com o contexto. A primeira foi contra os Las Vegas Raiders, rival divisional, que na semana 5 surpreendeu tudo e todos ao vencer os Chiefs num valente “tiroteio” de touchdowns, em Arrowhead, casa dos Chiefs.

A segunda derrota, ocorreu na última jornada da fase regular, diante dos Los Angeles Chargers, igualmente rivais divisionais. No entanto, Mahomes e muitas das estrelas não jogaram sendo que a passagem aos playoffs estava garantida e optaram por os fazer descansar.

No que toca aos restantes rivais que foram encontrando e que acabaram por vencer, o jogo contra os Panthers na semana oito foi um valente desafio. Na semana 12, venceram os seus rivais deste Super Bowl, os Buccaneers, num jogo onde entraram com tudo e controlaram o resultado e na semana 16 quase que foram surpreendidos em casa pelos Atlanta Falcons.

Mas, surpresas à parte, os Chiefs entraram nos playoffs como a melhor equipa da AFC. Descansaram mais uma semana do que as restantes equipas e apenas entrariam em campo diante dos Cleveland Browns que eram, na altura, a grande surpresa da prova ao terem derrotado os Steelers na primeira fase dos playoffs.

O jogo começou desequilibrado e com domínio dos Chiefs, mas onde a partir do momento da lesão do menino de ouro, que o afastaria durante alguma parte do encontro, os Browns capitalizaram e quase conseguiram surpreender. Acabaria por ser o improvável Chad Henne a liderar o ataque na fase final do jogo e a selar a vitória (22-17), mostrando que estes Chiefs são uma equipa muito capaz face a qualquer circunstância ou adversidade.

Seguiu-se um duelo diante dos Buffalo Bills no final de conferência da AFC, uns Bills que chegavam a este jogo vindos de oito vitórias consecutivas. Uns Bills liderados pelo talento de Josh Allen e uma equipa que estavam num excelente momento de forma. Na semana anterior, depois da lesão de Mahomes, a semana foi de nevoeiro e incerteza sobre o estado do prodígio.

As dúvidas continuaram ainda durante o primeiro quarto, em particular pelos nove pontos marcados pelos Bills, sem resposta dos Chiefs, mas a determinada altura Mahomes transformou-se em “Mahomais” e com um bom trabalho individual e um excelente trabalho colectivo, os Chiefs venceriam (38-24) e carimbavam o segundo acesso ao Super Bowl em dois anos.

DESTINO: SUPER BOWL LV

Mas o caminho percorrido conta uma história e a história que nós queremos saber é a do caminho que falta percorrer. E como será que estas duas equipas “encaixam”?

Olhando para os principais intervenientes da partida, é inegável que Tom Brady, a lenda, e Patrick Mahomes, o prodígio, saltam à vista e ganham destaque. Os dois quarterbacks que lideram dois dos ataques mais explosivos da NFL, ataques capazes de colocarem pontos de mil e uma maneiras, com imensos play makers como por exemplo Travis Kelce, Tyrek Hill, Mike Evans, Chris Godwin, entre outros.

Os Chiefs continuam a seguir o papel vegetal que lhes tem valido vitórias, e um título, ao longo dos últimos anos. Capazes de jogadas explosivas, capazes de correr a bola e capazes de encontrar um jogador que sobressai em virtude de qualquer outro.

Os Buccaneers foram redesenhando a sua equipa e ataque, em particular. Começaram muito “Bruce Arians” e foram-se tornando mais “Brady” sendo que podemos dizer que neste momento é um ataque muito “Bruce Brady”. Um ataque com uma linha ofensiva muito coesa, que gosta de movimentar os seus jogadores para perceber/ler o que está do outro lado e depois agir. Um traço em que Brady é dos melhores da história.

Mas, o jogo não se fará apenas de Brady, Mahomes e os seus ataques e play makers. O jogo também será feito das unidades defensivas e onde o foco poderá ser dado a dois elementos em particular – Tyrann Mathieu dos Chiefs e Devin White dos Buccaneers.

Tyrann Mathieu foi escolhido no draft de 2013 pela equipa dos Arizona Cardinals, que na altura tinha Bruce Arians como Head Coach. Existe, por isso, uma relação especial entre os dois homens que estarão em pontas apostas neste Super Bowl. Uma carreira universitária pautada por problemas com consumo de estupefacientes e que fazia antever uma carreira na NFL complicada.

A realidade é que isso nunca se veio a comprovar. Vários anos em Arizona, uma passagem breve em Houston e depois o encontro perfeito com a equipa de Kansas City e hoje em dia é a alma, coração e essência de toda esta defesa. É um dos pilares defensivos e o jogador que enche o campo.

E, falando de encher o campo, Devin White é a versão de Mathieu na equipa de Tampa Bay. Um jogador mais jovem – apenas 2 anos na NFL – Devin revelou ser a parelha perfeita com Lavonte David que se tornou o seu Mestre e ele o seu Padawan.

Devin White tem ganho destaque ao longo da temporada, entrou nos playoffs como um dos jogadores mais quentes e, apesar de ter falhado o jogo de Washington, tem 26 placagens, uma interception e dois fumbles recuperados.

Sendo que chegamos aos últimos dois minutos do artigo, foi dado destaque ao caminho de ambas as equipas, como a história de ambas se cruzou em determinado momento da época, os principais protagonistas, mas agora é altura de falarmos daquilo que poderemos  realmente esperar.

E aquilo que podemos esperar é história. História neste encontro entre a lenda Brady e o prodígio Mahomes, entre o genial Andy Reid e o sapiente Bruce Arians, entre os irreverentes Devin White e Tyrann Mathieu, num jogo que será um espectáculo inesquecível.

Com transmissão na Eleven Sports 1 a partir das 23h30 deste domingo, este encontro de gerações será um Super Bowl que merecemos e um Super Bowl sobre o qual iremos falar durante anos a fio – Brady, o Incrível, contra Mahomes, o inevitável.

André Amorim

Redação Bola na Rede · ver artigos