Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A notícia espalhou-se depressa. Duchene era jogador dos Ottawa Senators. Kyle Turris foi dos Senators para a terceira equipa envolvida nesta troca, os Nashville Predators. Os Avalanche receberam Samuel Girard, Vladislav Kamenev, uma 2ª ronda (dos Predators), Shane Bowers, Andrew Hammond, uma 1ª e uma 3ª ronda (dos Senators).
Primeiro Período: Três é a conta que Deus fez.
Há quanto tempo não tínhamos um troca assim na NHL? Uma daquelas que envolvem várias peças e jogadores importantes. Foram precisas 3 equipas, meses de negociações e uma conjugação improvável de factores, mas tivemos a nossa troca. Numa análise muito superficial, todos conseguiram o que queriam, acima de todos, Matt Duchene que pode voltar a sorrir, quase um ano depois de ter pedido para sair dos Avalanche.
Agora, as equipas. Os Predatores foram quem mais deu neste negócio, mas também quem mais recebeu. O primeiro alvo sempre foi Duchene, mas os Avalanche pediam demais. Ao envolver os Senators, os Preds conseguiram o que queriam, um centro de segunda linha em Kyle Turris, sem terem que ceder nenhum jogador do plantel principal. Girard e Kamanev são bons prospects, mas a equipa quer ganhar já e não há dúvida que ficaram mais fortes. Assim que Nick Bonino regressar de lesão, os Preds vão ter uma profundidade no centro do ataque como nunca tiveram. Props para David Poille que, em poucos anos, deixou de ser um dos GM mais conservadores da NHL para passar a ser um dos que mais arrisca. E geralmente acerta. Calle Jarnkrok, Ryan Johansen, P.K. Subban, Filip Forsberg e agora Kyle Turris foram todos adquiridos em trocas.

Fonte: NHL
Já os Senators ficam com o jogador de maior nomeada envolvido na troca, mas os benefícios são mais marginais. A questão aqui é: a diferença entre ter Matt Duchene ou Kyle Turris é assim tão grande? Os números dizem que não. Apesar de Duchene ter melhor registo no global da sua carreira, mesmo sendo 2 anos mais novo, Turris tem mais pontos que Duchene em 3 das últimas 4 temporadas. Só falhou 2015/16, época em que fez apenas 57 jogos devido a lesão. O contrato de Turris terminava no fim desta temporada e era praticamente certo que não ia renovar, mas o de Duchene só é válido por mais um ano. Os Sens vão ter que renovar os contratos de Cody Ceci e Mark Stone no fim desta época. No ano seguinte têm o de Duchene, Derick Brassard e o de Erik Karlsson. É pedir muito para uma equipa com cap interno. A curto prazo, o factor decisivo será a influência da qualidade dos colegas de equipa. Duchene passou os últimos anos numa das piores equipas da história da NHL, agora vai começar a receber passes de Erik Karlsson. Isso faz milagres.
Por último, os Avalanche. Joe Sakic estava de mãos atadas. Duchene não queria passar por outra reconstrução do plantel, portanto a saída era inevitável, agora ou no fim do contrato. O GM dos Avs ainda arriscou bastante ao manter um jogador insatisfeito no plantel durante quase um ano. Duchene manteve o profissionalismo durante todo o processo, mas os próprios colegas admitiram que era estranho partilhar o balneário com um jogador que estava com um pé de fora. Sakic esperou, enquanto toda a gente desesperava à sua volta, mas acabou por se sair muito bem. Sete activos por apenas um é raríssimo na NHL de hoje. É certo que nenhum destes activos terão efeito imediato na equipa (à excepção de Girard). São sobretudo apostas no futuro, são como bilhetes da lotaria. Tal como na verdadeira lotaria, é sempre melhor ter mais bilhetes.
Segundo Período: Delírio em Las Vegas.
Depois de ter feito apenas três jogos com a camisola dos Golden Knights, Vadim Shipachyov regressou à KHL e ao SKA. Shipachyov fica para a história como o primeiro jogador a retirar-se como jogador dos Vegas Golden Knights, feito impressionante tendo em conta que a equipa está ainda no primeiro ano de existência. Toda a passagem do russo por Las Vegas foi uma sucessão quase cómica de acontecimentos.
O veterano da KHL, com números impressionantes na liga russa, chegou a Las Vegas para ser o centro de primeira linha da equipa. Por isso, George McPhee lhe deu um contrato de 2 anos no valor de $9 milhões de dólares. Depois de uma pré-época sem dar muito nas vistas, Shipachyov começou a época regular na AHL. Na altura, o General Manager dos Golden Knights admitiu que essa decisão nada teve a ver com a qualidade do jogador, mas sim com a gestão do plantel. Os Golden Knights escolheram muitos jogadores no draft de expansão que estão obrigados a passar pelos waivers. Shipachyov não tinha essa obrigação, por isso foi sacrificado. Quando as lesões apareceram, o russo teve a sua oportunidade. Foi chamado à equipa principal, fez três jogos, marcou um golo e foi despromovido novamente. Foi a gota de água para o russo.

Fonte: NHL
Desta vez, McPhee já se justificou com as performances do jogador. “Toda a gente estava a jogar melhor que ele na posição centro”, disse o GM dos Golden Knights já depois da separação. Esta é uma afirmação absurda. “Nós esperamos que ele seja um dos nossos principais avançados e que tenha um papel importante no powerplay e no penalty kill”, disse McPhee na altura da assinatura do contrato. Não podiam ser duas afirmações mais opostas. Entre pré-época e época regular, Shipachyov fez 100 minutos de jogo pelos Golden Knights. Nem um segundo de powerplay. Esta é uma amostra suficiente para justificar uma mudança tão radical de opinião? Não faz sentido.
O próprio processo de divórcio foi desastroso. Havia duas maneiras de resolver a situação: Shipachyov retirava-se da NHL ou as duas partes rescindiam o contrato por mútuo acordo. Se optassem pela segunda opção, Shipachyov tinha que passar pelos waivers. Neste caso, o contrato continuava a ser válido e passava a ser responsabilidade da equipa que o reclamasse, mas os 2 milhões do prémio de assinatura continuavam a sair do bolso dos Golden Knights e eles queriam o dinheiro de volta. Isto levou a NHLPA a intervir, porque, como é óbvio, não queria que se estabelecesse o precedente. No fim, Shipachyov optou por se retirar e devolveu a quase totalidade do prémio.
Algo falhou estrondosamente do lado dos Vegas Golden Knigths, sobrestimaram o jogador inicialmente ou não lhe deram uma verdadeira oportunidade para singrar. A maneira como George McPhee conduziu este processo foi um desastre, mas nada disto lhe faz mossa. Os Golden Knights estão em segundo lugar na Divisão Pacífico, com o melhor começo da história da NHL para uma equipa de expansão. Se alguém o criticar, ele só tem que mostrar a tabela classificativa. Contudo, isso não explica nem justifica tudo o que aconteceu.
Terceiro Período: Os Ducks precisam de ir à bruxa.
Na NHL, há aquilo que as equipas valem no papel e depois há a realidade. O fosso entre as duas é maior do que se possa imaginar e um dos factores que mais contribui para essa separação são as lesões. Não há nenhuma equipa na NHL tão fustigada pelas lesões até ao momento como os Anaheim Ducks. No papel, candidatos à Stanley Cup. Na realidade, sexto lugar na Divisão Pacífico. Na última quinta-feira, os Ducks defrontaram os Vancouver Canucks sem os seus dois melhores centros (Ryan Getzlaf e Ryan Kesler), o seu principal defesa (Cam Fowler), o seu guarda-redes titular (John Gibson) e sem um jogador que marcou 30 golos no ano passado (Patrick Eaves). Sami Vatanen, Kevin Bieksa, Hampus Lindholm e Ryan Miller, todos eles já passaram algum tempo na enfermaria.

Fonte: NHL
A sorte não melhorou para a equipa da Califórnia. Getzlaf teve que ser operado a uma fractura num osso da cara e vai ficar afastado da competição durante dois meses. É muito tempo para estar sem um jogador que fez 143 pontos nos seus últimos 157 jogos. Derek Grant, um jogador que nunca fez mais do que 40 jogos numa época na NHL, tem estado a ocupar o lugar de Getzlaf. O regresso de Vatanen e Lindholm traz alguma esperança, principalmente do lado defensivo. Jogadores como Rickard Rakell e Jakob Silfverberg terão que subir a sua produção para mitigar a ausência de Getzlaf. Uma lesão num jogador desta importância, mesmo que por apenas dois meses, pode ser o suficiente para deitar por terra toda a temporada.
Estrelas da Semana
Primeira Estrela: Jason Zucker e Devan Dubnyk (Minnesota Wild)
Jason Zucker marcou seis golos nos últimos três jogos, incluindo um hat-trick frente aos Montreal Canadiens, o primeiro da sua carreira. Problema: foi o único jogador dos Wild a marcar nesses jogos. Mesmo assim a equipa do Minnesota conseguiu ganhar dois desses três jogos graças às exibições imaculadas de Devan Dubnyk. O guarda-redes terminou a semana com 93.9% de defesas e 2 shutouts.
Segunda Estrela: Charlie Lindgren (Montreal Canadiens)
Uma lesão de Carey Price é sempre razão suficiente para fazer soar todos os alarmes em Montreal, mas Charlie Lindgren tem segurado muito bem as pontas. Esta semana, o jovem de 23 anos venceu três de quatro jogos, defender 96.4% dos remates e registou o primeiro shutout da sua carreira.
Terceira Estrela: Bryan Boyle (New Jersey Devils)
Bryan Boyle protagonizou aquele que foi, de longe, o momento mais emocionante da semana. O avançado dos New Jersey Devils marcou o seu primeiro golo da temporada no jogo de regresso à competição. Em Setembro, Boyle foi diagnosticado com leucemia mieloide crónica e regressou agora depois de se submeter a tratamento. Nos festejos, não conseguiu segurar e chorou.
Foto de Capa: NHL








